Afaste-se de pessoas mentirosas e bajuladoras!

Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções. Salmos 12:2

Você entendeu?

Eu tenho um texto antigo no blog, que até hoje é bastante lido pelas pessoas. Eu falo sobre o cuidado que a gente deve ter com gente muito boazinha. Sabe aquelas pessoas que só elogiam, que ficam o tempo agradando, paparicando?

Muitas dessas pessoas são bajuladoras. E todo bajulador é perigoso. 

O verso de hoje chama a nossa atenção para esse perigo! E eu destaco três coisas: primeira, a presença da mentira nos nossos relacionamentos. É triste saber que frequentemente não podemos confiar nas pessoas, porque elas podem estar mentindo pra nós.

A segunda coisa, é o mal da bajulação. Gente que bajula é gente que mente. Gente que bajula nos faz mal duas vezes. Engana com seus agrados e deixa de apontar nossas falhas, nossos erros – não nos ajuda a crescer.

E a terceira coisa, é que essa lógica da mentira, que se expressa por meio da bajulação, ocorre em função das más intenções humanas. As palavras mentirosas quase sempre são para tirar proveito, são para manter uma falsa proximidade, uma falsa amizade, sempre com a intenção de obter algo de nós. 

Portanto, meu amigo, minha amiga, que Deus nos dê sabedoria. Que o Senhor nos dê prudência para evitarmos os lábios mentirosos, bajuladores. 

Um grande abraço a você!

O que pensamos pode não ser verdade

Uma das coisas que sempre repito por aqui é: desconfie de suas certezas. As suas verdades podem não ser a verdade; podem ser apenas impressões pessoais, equivocadas.

Ao ler a entrevista do general Santos Cruz, ex-secretário de Governo da Presidência da República, concedida à Época, uma das coisas que chamou a atenção foi justamente sua postura em evitar falar sobre aquilo que não tem convicção:

“Sou um cara muito preto no branco. Aquilo que desconfio pode não ser verdade. Aquilo que imagino pode não ser verdade. A pessoa tem de saber que aquilo que ela pensa pode ser verdade ou não.”

Terminei de ler com a sensação de que precisamos ser menos afoitos, menos ansiosos ao falar. Reter as palavras, não falar tudo que pensamos é atitude sábia. Evita que não sejamos injustos, preserva relações e nos poupa de passarmos vergonha pública.

Preferimos o conforto das mentiras

Quando olhamos para a história, notamos que nós, seres humanos, gostamos das mentiras. Ficamos confortáveis com as fantasias. Elas garantem a fuga da realidade, que geralmente é bastante cruel.

Também preferimos as pessoas mentirosas às verdadeiras.

Em nossas falas, costumamos defender a verdade. Argumentamos que rejeitamos a mentira e os mentirosos, mas, na prática, não é isso que acontece.

A verdade confronta, machuca, revela a face mais dura da existência.

Quer um exemplo da moda? A empresa por trás da jovem Bettina. A farsa do discurso da Bettina no Youtube só se tornou assunto na internet por conta do evidente exagero. Em três anos, ninguém sai de uma poupança de mil e quinhentos reais para mais de um milhão de patrimônio apenas investindo na bolsa de valores.

Porém, a Empiricus, que Bettina representa, existe há 10 anos. Nesse período, vem prometendo dobrar o patrimônio de pessoas, garantir ganhos extras substanciais… E centenas de pessoas têm comprado os cursos da empresa, embora até hoje a gente não tenha nenhum amigo que ficou rico com ajuda da empresa.

A gente vê a mesma coisa na política. Basta relembrar a campanha presidencial de 2018. Procure aí na sua memória um único projeto sério para o país que foi apresentado e debatido durante a campanha eleitoral. Não há nenhum. E por isso aconteceu? Culpa dos candidatos? Não! A culpa é nossa, porque preferimos o conforto do reino da fantasia. A gente gosta de ouvir coisas do tipo “nós vamos mudar tudo isso aí”. A gente nem sabe direito que mudanças são essas, mas embarcamos facilmente nessas promessas.

O que dizer dos nossos relacionamentos? Pessoas objetivas, assertivas, que escancaram a verdade diante de nossos olhos são tidas como arrogantes, prepotentes, presunçosas. Gostamos mesmo dos bajuladores, daqueles que têm sempre um sorrisinho no rosto, são capazes de falar palavras simpáticas, elogiar nossas roupas, cabelos… Convidar-nos para o happy hour… Gente que fala mal dos outros colegas, como se estivesse confidenciando coisas importantes… E a gente parece acreditar que essas pessoas não fazem a mesma coisa pelas nossas costas.

O norte-americano Joseph Weil, que viveu 101 anos, afirmava que “a mentira é mais apetitosa“. E completava: “a pessoa mais detestável do mundo é a que sempre fala a verdade”.

Pois é… É difícil admitir, mas nossas atitudes diante do mundo confirmam que Joseph Weil tinha razão. O que explicaria o fato dele ter sido um dos trapaceiros mais bem-sucedidos da história dos Estados Unidos.

Por que fracassam as segundas chances no amor?

casal

Escrevi certa vez que não acredito em relacionamentos remendados. E apontei que um “começar de novo”, pra dar certo, precisa representar, de fato, o início de uma nova dinâmica para o casal.

Sabe, animado pelo amor que ainda sente pelo parceiro, tem gente que, mesmo após enfrentar uma separação – e até um divórcio -, tenta uma segunda vez. E por vezes essas pessoas fazem isso sem refletir no que significa um novo começo.

Geralmente há certo medo, porque uma segunda oportunidade implica a possibilidade de voltar a fracassar, de voltar a se ferir. E, de fato, por mais que exista amor, frequentemente o casal volta a se separar. Pior, a decepção parece ainda maior, o quadro é mais dramático e difícil de superar que a primeira vez.

Por isso, quem quer começar de novo precisa entender algumas coisas.

Se o casal recomeça o relacionamento tal como era antes do rompimento, a segunda oportunidade está destinada ao fracasso. Como dizia o gênio Albert Einstein: “se buscas resultados distintos, não faças sempre o mesmo”.

Por isso, antes de retomar o romance, vale a pena refletir a respeito do que levou o casal a fracassar no passado. E não cabe só ficar pensando nos erros. É necessário iniciar um processo sincero de mudança. Mudar certos padrões de comportamento não é fácil. Às vezes, torna-se necessário inclusive contar com a ajuda de algum terapeuta, conselheiro… Ler bons livros também ajuda.

É fundamental saber por que deseja recomeçar. Não para se iludir. Será que o desejo de voltar ocorre por insegurança, dependência do outro? Seria apenas por sentir-se incapaz de cuidar da própria vida? Medo da solidão? Obrigação de manter a imagem e as aparências sociais? Conveniência econômica? Essas são razões equivocadas para aventurar-se numa segunda oportunidade. Essas razões levarão o relacionamento ao conformismo e a rotina, o que inevitavelmente condenará essa nova oportunidade ao fracasso.

O amor é o motivo correto para um recomeço. Porém, fazer dar certo, exige entrega, esforço e responsabilidade. E o casal tem que entender que não será fácil perseverar.

Entre as muitas razões que levam a uma separação estão a infidelidade e as agressões físicas. Ambas situações causas feridas profundas. Definitivamente não é nada fácil superar e perdoar. Por isso, quem tem dificuldade para administrar decepções passadas, mágoas… Gente que mantém viva na memória cada dor sofrida e não dá conta de sublimar, não deveria tentar de novo. Só existe uma chance de dar certo: perdoando e nunca trazendo à tona as mágoas do passado.

Enfim, se essa nova tentativa de viverem juntos for assumida com responsabilidade, muito diálogo e com a preparação necessária, as coisas até podem dar certo. Mas será necessário exercitar o que existe de melhor no humano: o amor, o perdão, o respeito, a sabedoria, o altruísmo, a tolerância, a paciência, a gentileza, o cuidado com as palavras… E as duas pessoas envolvidas devem valorizar essa segunda chance, porque também é um erro dar oportunidade a quem não a reconhece.

Fugir da verdade

fugir
De vez em quando desconfio que temos um botãozinho lá dentro do cérebro. Tem a função de desligar nossa memória todas as vezes que aprontamos alguma… É sério! Já notou que é só você apertar alguém que fez algo errado e logo o sujeito sai com essa:

– Verdade? Eu fiz isso? Não lembro. Não lembro mesmo.

Conhece alguém que tenha usado esse argumento?

Esse “esquecimento” quase sempre é conveniente. Ninguém gosta de ser confrontado com a verdade. Principalmente se ela tira a nossa máscara; se mostra a nossa face.

Embora as mentiras façam parte de nosso cotidiano – em alguns casos, até como estratégia de sobrevivência -, ser pego numa delas, geralmente envergonha (tem gente safada que nem fica vermelho mais, né? Mas essa é outra história). Quem tem um pouco de pudor, fica constrangido ao ter um de seus erros descobertos.

Por isso mesmo, parece que o botãozinho entra em ação, vai lá e desliga a memória.

Dizer que esqueceu é uma tentativa de manter as aparências, minimizar o erro. É como se a pessoa estivesse falando:

– Desculpa. Se eu fiz, foi uma bobagem; algo pequeno, rápido. Nem dei conta que estava fazendo algo errado.

De alguma maneira, o discurso é: “eu não sou assim. Este não sou eu”.

Quase sempre, o “esquecimento” não cola. Pode amenizar o fato, mas a fuga, evitar a verdade só retarda e pode, inclusive, acentuar a desconfiança. Porém, assim somos nós. Nossa natureza vacilante nos torna personagens; presos em nossas aparências. Sempre será mais fácil dizer: “não lembro”.

Por que não te calas?

Nossas palavras deveriam promover o bem
Nossas palavras deveriam promover o bem

Conheço gente que tem a capacidade de fazer mal para os outros. Parece ter uma energia negativa. E nem se toca. Não faz nada pra mudar. Na maioria das vezes, essas pessoas ferem porque não sabem usar as palavras. Falam o que pensam num tom que atropela o bom senso e ignora os sentimentos alheios.

Dias atrás, encontrei uma amiga arrasada. Vi lágrimas em seus olhos. Minutos antes, uma colega tinha acabado com sua autoestima. Mal tinham se encontrado, e a outra saiu disparando:

– Que blusa horrorosa. Não tem outra para vestir não? Como você sai de casa sem passar maquiagem, batom? Está largada, é isso?

Além da grosseria, ignorou que nem sempre as coisas são o que parecem ser. Minha amiga tinha tido um dia difícil. Passou a manhã fora de casa, mal teve tempo para almoçar, teve problemas com a mãe na hora do almoço, foi obrigada a escolher entre tomar um banho e comer, e sequer teve tempo de se olhar no espelho. Com a correria, pegou a bolsa e nem lembrou do batom.

Naquele dia, estava triste. Tinha tido problemas. E ainda estava achando-se desleixada. Com vergonha de si mesma. Para piorar, no fim da tarde, encontrou essa colega que a fez sentir-se ainda pior.

Sabe, tem gente que parece ter prazer em fazer o outro sofrer. Alguém aí acha que uma mulher desconhece o estrago que vai causar ao comentar sobre a imagem de uma amiga?

Criticar cabelo, maquiagem, roupas… Ou falar de peso…

– Você engordou um pouquinho?

Deveriam ser assuntos proibidos entre as mulheres. É maldade. Ou inveja. E quem deu autoridade para dizer o que é bonito ou feio? Se a roupa veste ou não veste bem? Se o cabelo está ou não bem arrumado? 

E nem me venha com aquela história de “boa intenção”. Até pode haver o desejo de ajudar. Reconheço que há ocasiões em que nossos amigos precisam de um “chacoalhão”. Entretanto, tem coisas que a gente não fala. E, se precisa dizer, tem que encontrar o jeito certo.

Mentir não faz bem. Mas há verdades que é melhor serem silenciadas. Ou, se forem necessárias, carecem de estratégia para serem verbalizadas. Sem contar que muitas vezes a gente conclui coisas e julga sem saber o contexto que envolve o outro. Por isso, toda palavra que dirigimos ao outro deveria passar antes pelo filtro do amor. Quem ama faz bem. Não transforma palavras em feridas.

E a verdade libertará

liberdade

Quando José de Abreu revelou ser bissexual (li isso na Folha de São Paulo), não estranhei a notícia. Na verdade, cá com meus botões, isso pouco importa. Está mesmo na moda ser bi. E, como diz uma amiga sexóloga, ser hetero, homo ou bissexual é uma questão de desejo, não de caráter. Nem é doença.

Então, não estou interessado em discutir essa questão. Na verdade, sonho com o dia em que essas coisas deixarão de ser notícia. Serão apenas de foro íntimo de cada um.

Entretanto, o assunto acabou me fazendo refletir. Fiquei pensando: por quanto tempo o José de Abreu manteve isso em segredo? Será que falar sobre seus desejos foi uma forma de libertar-se?

Nao sei. Sei apenas que a vida da gente é mais difícil quando se vive uma mentira. Por motivos diversos, muitas vezes é preciso manter uma vida de fachada. Não é só manter uma máscara. É mais que isso. É sustentar uma mentira por meses. Quem sabe, anos.

Para um jovem, filho de família conservadora, assumir diante dos pais que é gay, não é tarefa fácil. Para uma esposa que traiu o marido, revelar que foi infiel, é mais que um drama.

Por situações como essas, por outras mais graves – e algumas aparentemente menores -, gente como a gente vive uma mentira por anos. Esconde a verdade. E torna-se refém da mentira. São pessoas que podem ter prazer, mas nunca são felizes.

Dizer a verdade não é fácil. A mentira é mais simples. Entretanto, mantê-la por meses ou anos torna-se um peso. Cansa, esgota, rouba a paz. Ninguém dorme em paz sabendo que vive uma mentira. A culpa consome. 

Depois que assumiu ser bissexual, não sei se José de Abreu passou a dormir mais tranquilo. Entretanto, a experiência de romper com a mentira e ser verdadeiro é libertadora. Pode trazer muitas lágrimas, sofrimentos. Mas serão dores momentâneas. Dores que trarão cura, paz de espírito e a chance de ser feliz.

Quando a máscara cai…

mascaraO que ela revela? Qual a verdadeira face?

Gosto de falar de máscaras. Todos usamos. Tem gente que se diz sempre verdadeiro. Até faz disso uma espécie de marketing. Às vezes, é chato pra caramba, insuportável… e se justifica como “autêntico”. Bobagem. Até essa suposta autenticidade é uma identidade construída, uma máscara – que pode esconder alguém inseguro, frágil, medroso.

Entretanto, embora as máscaras sejam necessárias para mantermos os relacionamentos, algumas pessoas não apenas as usam para manter o convívio social. Usam-nas para sobreviverem. Mentem. Quando a máscara cai, revela-se o caráter. Ou a falta dele.

Muita gente, quando perde a máscara, simplesmente desintegra. Durante tanto tempo viveu uma farsa. Sem proteção, perde o rumo. E quem está por perto não apenas decepciona-se, surpreende-se. Sem contar as dores, mágoas e frustrações.

As mesmas máscaras que mantêm a socialidade, também podem esconder uma vida paralela, as ações escusas, os atos ilícitos. Nos relacionamentos, quando esse tipo de máscara está presente, geralmente o estrago é grande. Nem sempre sobra alguma coisa pra reconstruir, pra recomeçar.

Na obra “Retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde não fala de uma máscara. Mas conta a história de um rapaz que ganha um retrato, uma pintura belíssima. O trabalho fica tão perfeito que o rapaz reclama que o quadro nunca envelhecerá. E deseja que a situação fosse inversa: ele permanecesse jovem, não a pintura.

No romance, a vontade se materializa. O tempo passa e Dorian não envelhece. Nem seus comportamentos mentirosos, criminosos se traduzem em marcas em seu rosto. Ele segue jovem, dono de um ar leve, de certa forma… inocente. Porém, enquanto isso, o quadro envelhece, o quadro mostra amargura, o quadro revela toda a maldade de sua alma. Por isso, ele o esconde.

Na vida, não temos um quadro que revela nossas mentiras. Elas estão conosco. Alguns mais, outros menos, conseguem se esconder. Recorrem às máscaras. O problema é que, semelhante ao quadro de Dorian que acabou por ser descoberto e todos os crimes revelados, nossas máscara pode cair. Quando isso ocorre, o que ela revela?