Quem tem muitas metas não tem nenhuma

A gente quer muitas coisas da vida, mas, na maioria das vezes, tudo que desejamos está num plano abstrato. Tipo, “eu quero ser bem-sucedido”.

A vontade de ser bem-sucedido é boa. Todos querem isso. Entretanto, o que significa ser bem-sucedido?

Ter clareza dos desejos é um dos primeiros passos do autoconhecimento. Trata-se de um movimento fundamental para organizarmos a busca do que almejamos.

Quando jovens, o mundo parece estar aberto para nós. Queremos abraçar tudo. Com o passar dos anos, descobrimos que temos pouco tempo e é preciso focar apenas em alguns objetivos ou não conquistaremos nada.

A gente não dá conta de abraçar o mundo. E nem tem energia para fazer tudo que se sonha.

Então, se não estabelecermos metas claras, não teremos sucesso.

Também não adianta listar 10 metas de uma única vez. Quem tem muitas metas não tem nenhuma.

Carecemos de propósitos bem definidos e que possam ser cumpridos. Talvez você diga “quero emagrecer”, “quero um emprego melhor”… Isso é genérico demais. É fundamental ter estabelecer quantos quilos quer perder, em quanto tempo e como fará isso.

No que diz respeito ao emprego, vale a mesma regra: qual é o emprego desejado? Onde poderá consegui-lo? O que terá que fazer para conquistá-lo?

Tendo isso em mente, é possível definir metas intermediárias. Por exemplo, “para perder cinco quilos, neste mês, vou começar a caminhar três vezes por semana – às segundas, quartas e sextas, às sete da noite. No próximo mês, vou transformar a caminhada das sextas numa corrida leve”.

Ou seja, não basta sonharmos. É preciso planejarmos a conquista dos sonhos. Saber exatamente o que queremos e quais serão as estratégias mobilizadas.

E mais duas dicas. Faça isso colocando no papel. Ao escrevermos, organizamos melhor os pensamentos e documentamos nossos planos. Deixe os planos visíveis, para serem lembrados.

Por fim, conte com outras pessoas que possam te ajudar – gente que gosta de você e que possa te cobrar. Pode ser sua esposa, seu marido, a mãe, um amigo confiável… Tem que ser alguém que conheça seus planos e tenha sido convidado para te vigiar, para que você não perca o foco. Isso vai te ajudar a se manter ligado naquilo que você quer fazer.

O preço dos sonhos

Nenhum sonho se constrói sem sacrifícios. Por vezes, é preciso abrir mão de coisas que a gente gosta muito para poder alcançar um objetivo. Às vezes é necessário atropelar vontades, gostos, fazer até o que não gosta… Esta, porém, é a trajetória de todos que aceitam que para cada sonho de existe um preço a pagar.

Por que vale a pena persistir em nossos sonhos?

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Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles.

Quando escrevi “A tristeza de fim de ano” e “Não dá para desistir antes de chegar ao final”, compartilhei ali argumentos que de alguma forma representam momentos da vida de muitas pessoas. Não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E estas dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Em 2004, eu tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno da faculdade. Eu tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto… Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi os meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas… E, por fim, no início deste mês de dezembro, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. O esforço foi recompensado. Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Dá pra fazer bem feito medicina e direito, por exemplo. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Entretanto, vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.