O mundo exige que sejamos flexíveis

Flexibilidade não é apenas uma palavra da moda; trata-se de uma tática de sobrevivência no mundo contemporâneo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, crítico do que ele mesmo denominou de mundo líquido, ressaltou em diferentes ocasiões que, embora a flexibilidade possa de alguma maneira agredir a natureza humana, quem permanece rígido e não aceita as mudanças é excluído.

A exclusão pode acontecer de várias maneiras, mas uma das mais dolorosas é a perda de um emprego ou de oportunidades de trabalho. Afinal, é por meio do trabalho que asseguramos a sobrevivência.

Neste período de pandemia, a flexibilidade se tornou sinônimo de adaptabilidade. É fundamental adaptar-se às circunstâncias para sobreviver.

Recordo que no início da pandemia, um jovem professor da faculdade em que leciono e sou coordenador, resistiu demais às mudanças que foram implementadas para manter as aulas. Ele queria a suspensão das aulas até o fim da pandemia. Isso foi em março do ano passado.

As aulas foram para a internet, ao vivo. O professor não se adaptou. No final de abril, pediu demissão. Hoje, um ano depois, as aulas continuam sendo no sistema remoto. A pandemia não acabou. E, sem adaptar-se, parece-me que o meu colega continua sem dar aulas, sem emprego.

Dias atrás, li a história de um casal. No início da pandemia, foram demitidos. Batalharam por oportunidades por algumas semanas, mas as contas foram chegando… Quando o dinheiro estava acabando, assimilaram o princípio básico da flexibilidade: adaptar-se às circunstâncias. Perderam a vergonha e resolveram fazer bolos em casa para vender. Pesquisarem muitas receitas, fizeram testes, experiências e, há quase um ano, o jovem casal, com curso universitário e carreira em ascensão, agora faz bolos para ganhar a vida. Será este o futuro profissional deles? Nem eles sabem.

A vida neste mundo contemporâneo exige de todos nós a disposição de ser flexível. Adaptar-se hoje para, amanhã, talvez, largar tudo e começar algo completamente novo. E assim a cada nova situação que se colocar diante de nós.

Costumo repetir que, por vezes, a realidade se impõe. E quem não compreende isso e se flexibiliza para responder às circunstâncias, sofre muito mais e pode enfrentar sérias dificuldades até mesmo para sobreviver.

Mudar é imperativo!

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Gente, esse período de quarentena tem me surpreendido sob vários aspectos. Mas um deles, em particular, me incomoda bastante. Eu tenho repetido que uma das características da sociedade pós-moderna – ou, noutras palavras, do mundo que a gente vive – é a flexibilidade, a capacidade de adaptação.

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Um sociólogo famoso definiu a característica principal desse nosso mundo como “modernidade líquida”. E por que ele utilizou a ideia do líquido? Porque todo o líquido é fluído, toma a forma do recipiente no qual é colocado. Se você tiver dois litros de água numa garrafa, a água toma a forma daquela garrafa; se for numa jarra, ganha a forma da jarra; se for num balde, assume a forma do balde… Enfim, acho que você já entendeu.

E esta é justamente uma das principais características da nossa sociedade: a liquidez. E quem vive nela, ou pelo menos sobreviver nela, deve também ter essa capacidade de mudar, de assumir novas formas. Pessoas extremamente rígidas, apegadas aos seus métodos, sofrem demais e encontram dificuldade para lidar com tantas mudanças.

E o que a pandemia provocada pelo novo coronavírus fez? Virou a mesa e mudou a vida de todo mundo de um dia pra outro. Empresas que só vendiam no balcão estão tendo que migrar para a internet, fazer delivery… Profissionais que nunca trabalharam em casa tiveram que montar suas estações de trabalho em casa… Professores que nunca gravaram uma aula estão agora dando suas disciplinas pela internet…

Mas… qual é o meu incômodo então? Justamente a rigidez de algumas pessoas. Tem gente que parece incapaz de se adaptar. Por exemplo, eu perdi um colega, professor, que preferiu desligar-se a ter que administrar as novas demandas do ensino remoto. Ele é o único com dificuldade? Evidentemente, não. Toda mudança gera desconforto. Entretanto, quando alguém trava e perde uma oportunidade de trabalho ou mesmo começa a sofrer de ansiedade, estresse, pânico, perde o sono… Enfim, quando a pessoa não consegue lidar com as mudanças, tem um problema. E um problema sério – de ordem emocional, com efeitos pessoais e profissionais. Sem contar que, além de se prejudicar, pode prejudicar todo um grupo.

Deixa eu te falar algo muito importante: se você não é flexível, se te falta aquilo que a gente chama de “jogo de cintura”, se sofre demais com mudanças, procure ajuda! Leia sobre o assunto, procure um mentor, faça terapia… Mas procure mudar.

É fato que se trata de um traço de personalidade. Também é fato que, no passado, a fidelidade a determinadas características representava inclusive um nobre valor na identidade pessoal. Hoje, não! Quem não se adapta, está fora do jogo. E jovens rígidos, inflexíveis, vão sofrer demais ao longo da vida. Qual a chance das práticas profissionais de uma determinada atividade profissional serem as mesmas daqui 20 ou 30 anos? Nenhuma! Na verdade, o intervalo entre as mudanças é cada vez mais curto.

Então… se você tá sofrendo com as mudanças, procure trabalhar isso em você! Mudar hoje é imperativo. E não apenas por conta da quarentena. Mudar sempre é a nova regra!