Por que não simplificar a vida?

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Não são raros os depoimentos de pessoas que, após passarem por momentos muitos difíceis, uma doença grave, por exemplo, dizem ter repensado a vida, encontrado um outro jeito de viver. Confrontadas com a morte, perceberam que davam valor para coisas que deixaram de fazer sentido.

Sabe, viver não é simples. Mas ela se torna muito mais complexa quando a gente fica problematizando aquilo que não se explica, aquilo que a gente não controla. É incrível como gostamos de complicar… Como estamos presos a busca de significado para tudo. Nosso olhar está comprometido pelas ilusões do que é estar bem ou estar mal. Temos referências quase sempre equivocadas sobre modos de viver. São projeções que fazemos. E, com isso, abdicamos do direito de viver.

Simplesmente não deixamos a vida rolar. Queremos dar sentido a ela. E viver parece ser o mesmo que se divertir. E talvez essa seja a principal origem de nossas culpas. Quando tudo se resume a uma busca por diversão, agimos de maneira inconsequente.

O que é curioso é que, na mesma medida que há ansiedade por se divertir, não prestamos atenção no vertiginoso espiral de dias e noites. Dias e noites passam sem nos darmos conta do que estamos fazendo. Não reparamos nas pessoas, nos lugares, nos cheiros, nos sabores… E a vida passa.

É verdade que é difícil saber o que é bom ou ruim, se a decisão é certa ou errada. Na verdade, só o tempo permite julgar. Mas um princípio básico do bem viver é a relação do humano com o seu próximo, do humano com o mundo onde vive. Quando vive em harmonia com o outro e com o meio, preocupa-se menos em controlar o mundo, há mais chance de sentir-se bem consigo mesmo.

E, pra concluir, um pensamento que achei belíssimo:

A dor mais cruel não é a que resulta de uma frustração ou de um fracasso, mas que vem da falta de viver, de uma alma inerte.

Xuxa, Galisteu e o “espólio” de Ayrton

A Xuxa foi no Pedro Bial e disse que procurou o Senna pra voltarem. A Adriane Galisteu, namorada do então piloto, ficou mordida e usou o twitter pra expressar seu descontentamento.

Esse é o resumo do novo embate público entre Xuxa e Galisteu. E tudo por causa de um ex-namorado. Famoso sim. Ídolo sim. Mas… morto. E o coitado nem está aqui pra se defender.

Já escrevi sobre a Xuxa no blog. Já defendi o direito dela de se expressar e revelar ter sido vítima de abuso. Mas tem coisas que são muito imbecis.

O mundo todo sabe do romance dela com Ayrton. Todos os fãs também sabem que, quando ele morreu, o piloto estava com Galisteu.

O que seria elegante da parte da Xuxa? Respeitar isso.

Sabe o que mais? A família dele deveria fazer o mesmo.

– Ah… mas a família não gostava da Adriane. Preferia a Xuxa; alguém aí talvez possa dizer.

O que isso tem a ver com a história? Quando morreu, ele estava com a então modelo. Não era com Xuxa. Ponto final. Dona Viviane Senna, principalmente ela, deveria agir com a elegância de uma mulher que sabe ir além da habilidade de sustentar-se sobre um salto alto.

E tem mais… Se a Xuxa e a família de Ayrton não sabem lidar com isso, a Galisteu também não. O que ela ganha em expressar publicamente seu incômodo diante dessas declarações? Nada. Não ganha nada. Fica parecendo uma viuvinha traída. E pior, deve deixar o atual marido desconfortável.

Convenhamos, né? Um pouco mais de compostura e respeito até a memória do morto seria de bom tom.

O engraçado é que essas celebridades só reproduzem em escala midiática o que muita gente faz no dia a dia. E o “falecido” nem precisa estar literalmente morto. Tem gente que passa a vida inteira sem enterrar de vez um romance que acabou. E, por vezes, ainda fica disputando com outras ex quem foi a mais amada.

Socorro, viu? Vamos viver! A vida se faz com olhar voltado para o que está adiante, não no retrovisor.

A morte silencia tudo

Foto de Dur Maciel. Ensaio com a atriz Thaís Siegle

Quem está preparado para a morte? Quem se sente totalmente confortável em falar a respeito da morte? Alguém teria sonhos “cor-de-rosa” com o fim da existência? É sim possível encará-la com a tranquilidade de um Sócrates, mas nunca sem senti-la como o esgotamento de uma possibilidade única, não retornável, intransferível.

Sinceramente, evito pensar na morte. Ela não exerce nenhum fascínio sobre mim. E espero que não apareça nenhum fanático de plantão me criticando aqui ou sugerindo que eu seja um homem de fé… Quem sabe dizendo que a morte é bênção para os que têm certeza que vão morar com Deus. Caríssimo, se está com pressa pra ir ver Deus, pode pedir pra Ele te levar mais cedo. Se quer ir ver a Glória, reclame com Ele. Eu prefiro ficar por aqui mais um tempinho. Não tenho medo de deixar a vida… Mas ainda quero viver algumas coisinhas do lado de cá.

Uma vez, lendo um dos escritos do sábio Salomão, encontrei um texto sugestivo. Ele diz que nossas insatisfações, nossa angústia diante da vida se deve a um desejo da alma por eternidade. O que o autor sugere é que fomos “programados” para desejar viver eternamente.

Talvez por isso nunca aceitemos a morte. Aqueles que têm fé, esperança… acreditam que a vida não acaba com a morte física, talvez se conformem, consigam lidar melhor com a perda de uma pessoa querida. Ou aceitem o fato de que a morte é a única certeza que temos. Entretanto, para todos, a morte significa o fim. Pode até ser o fim de um ciclo e o início de outro. Ainda assim é o fim. O fim de um tipo de existência… Familiares, amigos, colegas… Acabou tudo. Para quem foi, o desconhecido; para os que ficaram, apenas saudade, lembranças.

Por isso, não dá pra evitar as lágrimas. Quem fica, vai chorar mesmo… Se amava, vai sentir falta. Vai doer. Nada será igual. Não dá pra trazer de volta. Quem morreu… está morto. Acabou. Você pode até acreditar que a pessoa está noutra dimensão, mas o que adianta? Você não vê, não ouve, não toca, não sente… Cadê os abraços? Cadê os sorrisos? Cadê aqueles lábios, a boca, o cheiro, o gosto? Onde estão as mãos, os braços fortes? O colo?

A morte silencia tudo.

É por isso que palavras não resolvem. O que posso dizer a alguém que sofre por perder um filho, a esposa, um avô… um amigo querido? Dizer “ele está com Deus”? Falar “ele está olhando pra você?”. Nada disso repõe uma perda. Talvez ajude a criar uma espécie de ilusão. Talvez sirva como anestésico para a dor. Mas a anestesia que alivia não estanca o sangue que brota da ferida aberta pela perda da pessoa amada.

A esperança da existência de um além, acalma; é verdade. Entretanto, a morte é a mesma para todos. É separação. Por isso, entendo que morte se chora mesmo, se deixa sangrar, mergulha-se no luto… Sem negá-la. Morte a gente aceita. Compreende-se que faz parte do ciclo da vida e que perdas, mesmo que irreparáveis, são inevitáveis. Ninguém passará por aqui sem experimentá-las.

As perdas vão fazer sofrer, vão magoar, vão ferir o coração. Mas teremos que enfrentá-las, tentando encontrar motivos para seguir em frente. Sem enxugar as lágrimas, nunca veremos que o sol nasce de novo a cada dia… E que por mais que perdas deixem feridas, elas cicatrizam – ainda que as marcas nos lembrem que nada é para sempre.

Millôr Fernandes: quase uma filosofia de vida

Eu não tenho muita coisa a dizer. Faço parte de uma outra geração. Por aí, sabem muito mais dele do que eu. Cada texto que encontro sobre o Millôr mostra uma pessoa ainda mais incrível – do ponto de vista humano, cidadão, profissional.

Ou seja, falar que o escritor, dramaturgo, humorista, cartunista etc etc era alguém sensacional, não vai tornar meu texto significativo nesse universo de lembranças e homenagens a esse brasileiro, motivo de orgulho para nossa gente.

Então por que também falo dele aqui?

Porque um sujeito que tenha dito uma frase como esta merece, hoje, ocupar um espaço de destaque na “estante” de todos os jornalistas que valorizam a profissão e sabem do seu papel social. Veja:

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Não, não se trata de ser do contra. Não se trata de achar tudo ruim. No entanto, é preciso questionar, duvidar sempre. Devemos reconhecer o que é bem feito, mas nosso papel principal é cobrar, cobrar… Ocupamos uma posição privilegiada, pois estamos mais próximos dos fatos, dos acontecimentos. Portanto, se nos silenciarmos, qual será nosso valor?

É… Os últimos dias não estão bons. Perdemos o Chico… Agora é a vez do Millôr. Nossa geração terá ícones, referências tão ricas como eles foram para nós?

Em Maringá, está proibido morrer

Ninguém quer morrer. Mas não tem jeito. Todo mundo tem sua hora. Mais cedo ou mais tarde.

Entretanto, em Maringá, a coisa está complicada. Morrer pode sair caro. Muito caro.

Faltam jazigos. O cemitério municipal praticamente não tem sepulturas. E o cemitério parque, que é privado, agora está cobrando mais caro.

Isso está gerando uma espécie de especulação imobiliária. O terreno no cemitério nunca esteve tão valorizado. Tem gente que está removendo os restos mortais dos parentes para vender o jazigo.

É a exploração da desgraça alheia.

Então… o negócio é não morrer.

Parece piada, né?

Acontece que não tem graça. A administração não se antecipou ao problema. Faltou planejamento. O município tem uma boa proposta, mas até o momento não se mostrou eficaz para resolver a situação.

No fim de janeiro, o secretário de Obras, Laércio Barbão, já falava em mudanças no cemitério. A ideia é reduzir os espaços entre as sepulturas e aproveitar melhor a área, já que, quando foi criado, o sistema viário foi superdimensionado. Ou seja, se a prefeitura estreitar as ruas que ficam dentro do cemitério, é possível abrir novos jazigos.

As alterações, conforme o secretário, devem garantir dois anos de sobrevida ao local. E o município ainda trabalha com a proposta de um cemitério vertical, dentro do espaço do atual cemitério, mais o projeto de implantação de um novo cemitério noutro local. O problema, nesse caso, é convencer os futuros “vizinhos”. Afinal, ninguém quer um cemitério perto de casa.

Ou seja, a prefeitura tem projetos.

Entretanto, ter projeto é uma coisa, implementá-los é outra. E é aqui que o bicho pega. Se as ideias já tivessem se transformado em ações, não estariam ocorrendo casos de especulação na venda de sepulturas.

Vejam bem, as declarações feitas pelo secretário Barbão a respeito do cemitério foram dadas à CBN Maringá no final de janeiro. Estamos em março. E numa reportagem publicada quarta-feira no jornal O Diário, o discurso da administração foi de que o estudo para otimizar os espaços no cemitério está sendo preparado.

Convenhamos… esse negócio está devagar demais. Daqui a pouco vamos ter que convocar sessão extraordinária na Câmara de Vereadores para oficializar que o sujeito está mesmo proibido de morrer por aqui.

Steve Jobs e as reações passionais

Steve Jobs morreu. Tudo bem… Já não é novidade. Também não falo nada novo se disser que ele era um gênio. Nem se sustentar que o mundo da tecnologia não seria o mesmo sem o criativo ex-presidente da Apple.

Lamento a morte de Jobs. Lamento a morte dele e de outras pessoas geniais quanto ele ou simplesmente das milhões de anônimas, mas que souberam ser significativas ao transformar o lugar em que viviam – mesmo que seja lá na beira do Rio Amazonas.

A importância de Jobs para o mundo dos negócios, para a evolução tecnológica está sendo muito bem repercutida pela mídia. E a revolução que causou enquanto esteve vivo não poderia ser silenciada pelos meios de comunicação.

Se isso é justo ou não é uma outra história. Entretanto, no mundo midiático apenas o sucesso, o glamour ou a tragédia colocam um sujeito nas páginas dos jornais. Por isso, não critico a repercussão dada pela imprensa. Faz parte do jogo. Homenagem e negócio. Reconhece a genialidade de Jobs e vende jornais; alavanca o ibope. Nada novo.

O que me incomoda é a passionalidade de muitos “fãs”. Vi hoje um comentário quase despretensioso do amigo e produtor, Diego Drush. No Facebook, ele escreveu:

– Eu nunca tive nada da apple. Normal eu não ter ressentimento algum. Eu estaria em desacordo se estivesse aqui, lamentando e dizendo que sinto muito.

A fala dele ganhou repercussão. Gente apaixonada simplesmente o “atacou” por não sentir a morte de Jobs.

Peraí… é só uma opinião. Quem sente, sente; quem não sente, não sente. Simples assim.

O cara era um gênio. Mas ele estava lá, distante… O Diego, eu e tantas outras milhões de pessoas simplesmente só o conhecíamos pelo que a imprensa fala. Nunca tivemos um produto da Apple. Até sonhamos com um iPad, iPhone… Porém, ficou nisso.

Ele fará falta? É provável. Principalmente para as pessoas com as quais convivia, seus familiares, amigos… E quem sabe ficará aquela incômoda pergunta para o pai:

– Será que, se eu tivesse tentado, ele aceitaria conversar comigo? Poderíamos ter sido amigos?

Pela sua história, ficará um vazio… como o que foi deixado por outros ilustres que já se foram. No entanto, para pessoas como o Diego, eu e outras tantas, não será o mesmo vazio como o deixado por aqueles que amamos e que também um dia se foram.

Jobs, o humano, vivo e criativo, deixa o mundo, mas fica o mito. E este não morre. Será sempre lembrado; por vezes, aplaudido e homenageado. Escreveu o nome dele na história. E com méritos.

Mas é isto. O fato de não suscitar paixões em alguns, nem derramar lágrimas ou sentir-se triste, não significa falta de humanidade. Ou de sensibilidade.

A gente chora a morte de quem nos é querido. Daqueles que vemos a distância ou não conhecemos, lamentamos. Afinal, penso, ninguém aceita a morte como algo desejável. Reconhecemos que faz parte do ciclo da vida, mas desejamos a vida eterna. Jobs poderia ser imortal… Como eu e você.

Por isso discussões passionais ou posições como a que citei sempre lamento a frivolidade dos sentimentos de alguns de nós. Temos tanta potencialidade, porém nos esvaziamos da razão e nos afogamos em emoções tão mesquinhas que me fazem pensar: será que somos mesmo dotados de intelecto?

Gente, é só uma opinião…

As revistas da semana

VEJA: – Ajuda para morrer. Médicos, pacientes e familiares relatam como enfrentaram o momento em que a vida se tornou apenas o prolongamento da morte. A revista revela o que muda com o novo código de ética médica. Pesquisas: por que os resultados variam tanto. A influência dos institutos de pesquisa na escolha do presidente da República. É um tanquinho ou não é? Barriguinha definida é meta entre adolescentes.

ÉPOCA: – Os segredos dos bons professores. Os mestres que transformam nossas crianças em alunos de sucesso (e o que todos temos a aprender com eles). Qual será o papel da internet na eleição? É verdade que sites, blogs e redes sociais terão maior influência neste ano. Mas não, ainda não teremos um fenômeno como Obama no Brasil. O derrame das mulheres jovens. Elas tiveram um AVC antes dos 30 anos, e sobreviveram. O que é preciso saber para se proteger da doença que mais mata no Brasil.

ISTO É: – A próxima geração da pílula. O anticoncepcional que revolucionou os costumes ficará mais natural, ecológico e uma versão masculina deverá chegar ao mercado em dez anos. Caem os mitos sobre a adolescência. Uma série de estudos revela que os jovens não são tão inconsequentes, egoístas e preguiçosos quanto parecem. Cinema, Homem de Ferro: missão cumprida. Com um time de estrelas e uma trama convincente, a sequência do herói supera o filme original.

CARTA CAPITAL: – Mas haveria outra saída? O impasse socioambiental permanece, mas o Brasil precisa da força das turbinas de Belo Monte. Ainda na edição, as guerrilhas eleitorais na internet. Pediram para Ciro Gomes sair. Agora não tem mais volta, a direção do PSB definiu o script para uma ‘saída honrosa’ do deputado.

Lições para uma vida

Me encantei com a coluna online publicada ontem pela jornalista Eliane Brum. Dona de mais um prêmio Troféu Mulher Imprensa de melhor repórter de revista, ela está deixando a Época. Fez uma escolha: quer ter tempo para viver. Pretende desenvolver projetos pessoais, continuar escrevendo, mas sem abandonar mão da vida.

A jornalista relembra algumas de suas reportagens nascidas pela fixação em falar sobre a morte. A morte, como diz Eliane, nos faz refletir sobre como viver. Como diz:

– Lidar bem com a certeza que todos temos de morrer um dia, mais cedo ou mais tarde, é fundamental para viver melhor. E para compreender a natureza fugaz e preciosa da vida.

E ela, ao que parece, está encontrando o seu jeito de melhor aproveitar o que a vida oferece.

Atitudes como a dela – que sequer conheço, mas admiro à distância – me fazem pensar nessa rotina louca. Tenho dito aqui dezenas de vezes: temos abdicado da vida por nos dedicarmos ao que ainda não temos e não conquistamos. Talvez devêssemos optar por jeito mais simples de viver para termos a chance de tirar dela o que há de melhor.

Não é fácil abrir mão de certas coisas. Dinheiro, estabilidade, por exemplo. Mas, cá com meus botões, vou continuar refletindo na aposta que essa jornalista admirável está fazendo… Afinal, como diz Eliane Brum, a partir de agora…

– O tempo é meu. Esta é a grande mudança. Vou perder dinheiro, segurança, carteira assinada, benefícios, férias remuneradas, décimo-terceiro. Em troca, retomo a propriedade do meu tempo. Me preparei para viver com pouco. Criei minha filha, comprei apartamento, não tenho um real de dívida. Só tenho agora que manter o meu corpinho. E ele é bem barato. Três pratos de feijão o deixam todo feliz.