Nas grandes perdas, surgem oportunidades de mudança

​Muitas vezes as coisas têm que dar errado para que certas falhas sejam notadas, a rota corrigida e uma grande mudança possa acontecer na vida da gente.

Todos os erros e fracassos são nossos professores – isto, se estivermos dispostos a ser humildes e aprender.

Não é simples compreender essa ideia quando estamos vivendo momentos difíceis. Porém, trata-se de uma das grandes verdades que norteiam a existência.

Se as coisas funcionam razoavelmente, quase sempre não fazemos os ajustes necessários. Vamos levando… Geralmente, nos damos por satisfeitos pelo simples fato de temermos alterar a rota.

A expectativa de mudança causa ansiedade e medo.

Por isso, quando algo dá muito errado – e isso pode ser a perda de uma pessoa que amamos, uma demissão ou, quem sabe, a falência da empresa -, somos obrigados a recomeçar.

De certo modo, perdemos as referências, o chão que nos dava segurança e temos que começar do zero.

Se tivermos a humildade de compreender que aquele péssimo momento pode nos ensinar coisas novas, temos a chance de nos reconstruirmos. Isso vale até mesmo para um país que, por alguma razão, pode ter escolhido um projeto político ruim ou algo parecido.

O que precisamos ter é humildade para aprender. E, principalmente, para percebermos que um fracasso não sugere que devemos adotar soluções antigas, mas sim buscarmos novas alternativas. Afinal, a vida é um caminho para frente. Não se anda para trás.

A destruição agora é criativa…

Repetidas vezes afirmei que tenho medo de pessoas que dizem: “eu sou sempre assim”. Tenho medo porque gente que não muda é gente que não acompanha os movimentos da própria vida. E a vida é movimento.

Também me incomodo com pessoas saudosistas, gente que achava o passado melhor e luta para trazer o passado de volta.

Acontece que o passado pode até trazer lembranças e boas lições de vida. Porém, se não gostamos do presente, a culpa é justamente da história que foi escrita anteriormente. O que se vive hoje é fruto do que foi plantado.

Portanto, precisamos ter a flexibilidade necessária para viver o presente, construindo e reconstruindo nossos hábitos, saberes e práticas.

E este é um ponto fundamental e que talvez seja um tanto agressivo para quase todos nós: devemos ter disposição de aprender sempre, abrindo mão de tudo que aprendemos – e esse fluxo em intervalos cada vez mais curtos.

Sim, o que eu sei agora poderá não ter valor algum no final da tarde. Devo estar aberto para abrir mão do que sei e começar tudo de novo logo na sequência.

O sociólogo Zygmund Baumand, ao analisar o tempo presente, afirmou que a vida hoje é de constantes reinícios – um período no qual não há certezas e que toda ênfase está justamente em esquecer o sabe, apagar, desistir e substituir.

A destruição funciona de maneira criativa. Destruímos para começarmos de novo. Destruímos um modo de vida, um modo de trabalharmos, um modo de aprendermos, um modo de nos relacionarmos…

Claro, toda destruição é também a destruição um pouco do que somos, da nossa existência. E nem sempre damos conta de acompanharmos o ritmo frenético das mudanças.

Mas, gostemos ou não, esta é a condição essencial para sobrevivermos no momento presente.

Ninguém muda ninguém

Eu sei que o sonho de muita gente é mudar pessoas próximas. Mudar o namorado, o marido, a esposa… Mudar os filhos, a mãe, a sogra… Mudar amigos. E até o chefe. Mas não funciona assim. Ninguém muda suas atitudes se não estiver convencido que precisa mudar.

A mudança começa no convencimento pessoal. Algumas pessoas, eu diria muito poucas, estão abertas para ouvir críticas, questionamentos a respeito de suas atitudes, de seus comportamentos. Essas pessoas já possuem uma pré-disposição para mudar. São pessoas dispostas a crescer. Porém, a maioria pode até se dizer disposta a mudar, a ouvir críticas, mas, na prática, na convivência do dia a dia, elas resistem. Ao ouvirem qualquer tipo de questionamento, ouvem na defensiva. Isso geralmente ocorre porque a pessoa sente-se acuada. É como se a crítica a estivesse desqualificando.

Por isso, minha dica de hoje é muito simples: não se desgaste tentando mudar as pessoas. Se você notar que existe a abertura para o diálogo, fale com carinho, fale com generosidade. Faça isso duas ou três vezes. Se notar resistência, não perca seu tempo. Você vai se irritar, se estressar e, pior, ainda corre o risco de ser vista como uma pessoa chata, daquelas que se acham donas da verdade.

Admita, ele não vai mudar!

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Eu não sou muito otimista em relação ao ser humano… Até acredito que pessoas mudam quando querem mudar. Mas não confio em mudanças baseadas apenas em promessas. Por isso, desaconselho que se aposte numa pessoa que já decepcionou cinco, dez, quinze vezes…

Não estou falando daquelas frustrações cotidianas. Falo dos grandes dramas. Tipo traições, violência física, agressões verbais, descontrole emocional, ciúme doentio… Falo das questões que ofendem, magoam, que colocam o relacionamento em xeque. Falo daquelas situações que você já conversou dezenas de vezes, já chorou em muitas ocasiões… O outro já prometeu mudar, prometeu de novo e de novo, mas continua agindo da mesma forma.

Todo mundo erra. Todo mundo causa dor… Não existe parceiro perfeito. Gente é bicho complicado, cheio de contradição. E, mesmo no melhor dos romances, nem sempre vai fazer sorrir. Entretanto, há relacionamentos que não são relacionamentos; mais parecem máquinas de tortura. E, sinceramente, viver a dois não é purgatório aqui na terra.

O problema é que tem pessoas que não querem admitir que o outro, por si só, não vai mudar. E que, para fazer feliz, é preciso ser feliz. Ou seja, se você não está feliz, a relação não é feliz. E se o outro te destrói aos poucos, como você dará conta de viver bem e até de fazer bem à pessoa amada?

Gente que aceita toda forma de agressão é gente que já perdeu a autoestima, é gente que não sabe o que é o amor.

A vida aqui é curta demais pra viver chorando por gente que não nos respeita, que não nos considera. Se os erros se repetem vez após outra, é necessário repensar o que deseja para você.

PS – E só para esclarecer… Eu acredito em mudanças quando elas estão baseadas num desejo real de ser diferente. Quando a pessoa se convence que precisa mudar e assume novos princípios de vida, norteados por uma experiência real, por vezes referenciada por um encontro com o divino. Ou quando as pessoas aceitam ajuda de um profissional e participam de algum grupo de apoio.

O sucesso pede mudanças

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Quem já andou por trilhas no meio da mata talvez tenha percebido que muitas delas são bastante sinuosas, com obstáculos… Formam caminhos nem sempre práticos para se chegar ao destino. Curiosamente, algumas delas nem foram feitas por mãos humanas; apenas foram adaptadas por terem menos vegetação. Há trilhas, inclusive, que eram originalmente “caminho” de animais, mas que passaram a ser o trajeto usado pelos homens para exploração da mata.

Nosso cérebro funciona mais ou menos da mesma forma. Quando acessamos uma informação nova, cria-se um novo caminho ali. No início, sempre há certo estranhamento. Por exemplo, quando vamos a um supermercado pela primeira vez, temos dificuldades para explorar cada setor. Se repetirmos as compras sempre no mesmo lugar, logo faremos tudo “no automático”.

É assim que funciona com tudo. Do jeito que trabalhamos, do jeito que compramos, comemos e, em alguns casos, até do jeito que fazemos sexo. Entretanto, há um risco nisso. Um sério risco. Tudo que se torna automático deixa de ser experimentado, vivido. É como se nos tornássemos robôs. Aos poucos, vai ficando chato, perdendo a graça. Acontece que, pelo medo de ousar, optamos pelo “caminho mais fácil”.

Mas há um outro problema. Quando algo que fazemos dá muito certo, passamos a utilizar aquela fórmula como se fosse a “receita do sucesso”. E isso não é nada bom. Primeiro, porque nos tornamos previsíveis; segundo, porque a vida é dinâmica e o que hoje dá certo, amanhã pode fracassar. O futebol é um exemplo disso. O Brasil de Felipão usou uma tática vencedora na Copa das Confederações. Repetiu na Copa do Mundo e deu no que deu: a seleção foi presa fácil para os alemães.

Isso vale pra tudo. No relacionamento, o que hoje agrada demais seu parceiro, amanhã pode perder a graça e ganhar contornos de rotina (em seu pior sentido). No trabalho, a estratégia que hoje te faz vender muito, amanhã pode se revelar um fiasco.

O que quero dizer com isso? Muito simples: não podemos nos engessar pelo sucesso. O sucesso pode ser mais perigoso que o fracasso. O fracasso aponta o erro e a necessidade de mudar. O sucesso ilude e faz temer a mudança. Não mudar é estagnar. E estagnar é o primeiro passo para a derrota. Precisamos entender que o que deu certo uma, duas… dez vezes não representa um modelo a ser seguido. O mundo está em constante movimento e modelos são superados. Nosso cérebro sempre vai sugerir os caminhos já percorridos, já conhecidos. Porém, não dá para se iludir com a aparente segurança que temos em apostar no que está dando certo. “Em que time que está ganhando” também se mexe.

É preciso se aceitar

aceitar

Gosto demais da palavra “aceitar”. Em especial, gosto do que ela significa. Nos relacionamentos, por exemplo, representa entender o outro, acolher o outro, tolerar alguns defeitos… Aceitar que a perfeição não existe. Mas, antes de conjugar o verbo na relação, é fundamental aplicá-lo a nós mesmos. Precisamos nos aceitar.

Semanas atrás ouvi alguém se lamentar. É uma pessoa que cometeu erros no passado, muitos deles ligados à personalidade, ao seu jeito de agir diante da vida e até no trato com a família, amigos, colegas de trabalho.

– Talvez um dia eu consiga mudar.

A frase trazia um tom triste. Era como se estivesse lutando, lutando… Porém, ainda faltasse muito para tornar-se quem realmente quer ser.

Reconhecer nossas fragilidades é o primeiro passo; o segundo, é querer mudar. Se a gente identifica os defeitos e deseja superá-los, há chance de ser melhor, de tornar-se uma pessoa melhor. No entanto, também é necessário se aceitar. Não adianta viver se lamentando. Muito menos achar que “num estalar de dedos”, vai estar mudado, será outro. Os erros que cometi ontem poderão ser repetidos amanhã – nem sempre por uma decisão deliberada, mas por hábitos adquiridos.

Crescimento é isso: aprender com os erros, aperfeiçoar-se, tornar-se um ser humano melhor.

Estar insatisfeito com certos comportamentos é condição necessária para ser diferente. Ainda assim, é preciso entender que todos nós temos coisas para trabalhar. Ninguém está pronto. Nunca estará. Não adianta “deprimir”.

Neste sentido, há uma doutrina cristã que pode ser aplicada aqui. Segundo o pensamento bíblico, como pecador que é, o homem nunca será santo, mas deve buscar incansavelmente a santificação. Acho que o processo é mais ou menos esse mesmo: temos defeitos, mas, se desejamos mudar, podemos mudar. A mudança, porém, é uma conquista diária. É devagar… Um passo de cada vez. E também nisto consiste a beleza da vida: a cada dia temos um novo desafio a vencer – ainda que seja apenas dentro de nós, em nossa luta interior.

O Brasil que queremos

brasilVez ou outra a gente nota que existe vida inteligente no Facebook. Uma das coisas interessantes que vi esta semana foi esta fotomontagem. Embora o tom pareça um tanto agressivo, o discurso é direto: a sociedade é responsável pelos rumos do país. Portanto, o Brasil é bom ou ruim pelas escolhas feitas por seus cidadãos.

votoEmbora as coisas não sejam tão simples assim, temos sim responsabilidade. Nosso comportamento é egoísta e quase sempre olhamos primeiro para nós mesmos. Aquilo que é bom para nós torna-se a regra, a medida das coisas.

Nos últimos textos que publiquei aqui, ao falar sobre a vida, tenho dito que a vida muda quando a gente muda. E no que diz respeito ao país não é diferente. Reclamamos dos políticos, mas nada fazemos para que seja diferente. Não é preciso fazer uma pesquisa para dizer que pouca gente se interessa pelos temas da política e acompanha o dia a dia de seus representantes. O cidadão nem lembra em quem votou nas últimas eleições. Uma vergonha!

As pessoas repetem a importância da educação, mas não valorizam o professor e muito menos o conhecimento. Querem que o saber seja adquirido por osmose. Não funciona. Aprender dá trabalho. Cansa. E educação não é diversão. A aula não é programa de humor. O educador não é palestrante motivacional. Enquanto a aula acontece, muitos alunos preferem ficar no celular, no notebook ou no tablet… Depois reclamam que o professor é ruim, a escola não presta, o sistema de ensino é uma porcaria. Entretanto, são incapazes de ler um único texto ao longo de todo um bimestre. “É chato”, alegam.

No trabalho, muita gente quer o emprego, mas não o trabalho. Quando o domingo vai terminando, já começam a lamentar a chegada da segunda-feira. E aí invejam os políticos que ficam, no máximo, três dias em Brasília. Fariam o mesmo, se pudessem. Tem alguns que chegam a dar desculpa de doença do filho, pegam atestado médico pra faltar o trabalho… Chega a ser irônico que essas mesmas pessoas invejam países como Estados Unidos e Japão – locais onde geralmente se trabalha mais.

Sabe, existe sim muita injustiça por aqui. Porém, não adianta ficar apontando o erro do vizinho e deixar de fazer a nossa parte. Quem brilha quase sempre é quem resolve contrariar a maioria. O país não muda porque, individualmente, a gente reproduz a crença de que “não adianta, é assim mesmo”. Esse tipo de discurso puxa a gente pra baixo e só faz perpetuar a história de erros e fracassos. Se eu resolvo trabalhar, estudar, avaliar melhor os políticos, ter um voto mais consciente… eu faço minha parte. Eu contribuo para que ocorra uma mudança, eu contribuo para quebrar o ciclo. Do contrário, repito o comportamento alheio. Estou enganando a mim mesmo; só estou fazendo parte do universo de pessoas que eu mesmo critico, que digo serem burras, ignorantes ou corruptas; só estou sendo igual aos outros.