Os erros de julgamento

Parece ser da natureza humana a disposição para julgar, avaliar, criticar. Algumas pessoas mais, outras menos, mas praticamente todo mundo tem sempre uma observação a respeito de algo que foi feito ou deixado de fazer.

Aquelas pessoas mais maduras geralmente questionam o próprio julgamento e, por vezes, nem chegam a verbalizar o que inicialmente pensaram. Mas a maioria não tem esse tipo de filtro. Rapidamente, fala o que tem em mente. E, infelizmente, comete injustiças.

No mundo do trabalho, frequentemente vejo gente reclamando de decisões, questionando a decisão de um chefe ou mesmo mudanças no organograma da empresa. O julgamento é feito do lugar onde a pessoa está, partindo da visão dela e dos interesses dela. Ou seja, para avaliar a decisão da chefia, ela enxerga tendo como referência a maneira como foi afetada e o que vislumbrava que poderia ser feito.

Por mais que eu entenda as razões dessas coisas acontecerem, confesso que ainda me surpreendo com a falta de capacidade de algumas pessoas problematizarem o próprio julgamento. Parece haver alguma falha cognitiva.

Uma decisão no meio corporativo geralmente é tomada diante de uma visão do todo. Muitos problemas conhecidos pela alta gestão nunca chegam a todo o grupo de colaboradores. Às vezes, por falhas na comunicação interna; outras, por se tratar de situações estratégicas ou da necessidade de evitar fofocas.

Cito o ambiente corporativo como exemplo, mas isso acontece na igreja que a gente frequenta, no clube, na escola, na faculdade, na gestão pública… E até na nossa casa. Não raras vezes, os pais tomam decisões incompreendidas pelos filhos, pelos sogros ou parentes próximos. E fazem isso por terem ciência de quadros que nem sempre são conhecidos de todo mundo.

Portanto, ainda que seja clichê, vale repetir: antes de julgarmos, é sempre oportuno questionarmos se temos conhecimento de todos os processos envolvidos. Com frequência, nossas avaliações são parciais, porque geralmente desconhecemos todas as versões de um fato.

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