A imprecisão das ciências

Mais que seguir as ciências, o segredo de viver é ter equilíbrio
Mais que seguir as ciências, o segredo de viver é ter equilíbrio

São as ciências que nos oferecem bases para muitas de nossas crenças e decisões. Entretanto, as teses científicas são sempre hipóteses. Nunca verdades absolutas. Por isso mesmo, apegar-se a ao que diz a Ciência é caminhar por um terreno frágil. 

Sempre brinco com meus alunos… Já disseram pra gente que tomar café era um veneno pra saúde; depois, apareceram estudos apontando que uma ou duas xícaras por dia ajudavam o cérebro e até a prevenir doenças; não faz muito tempo, vi uma reportagem apontando SEIS xícaras como a quantidade ideal. Bom, a última notícia que lembro a respeito do assunto está na Super Interessante. Sustenta que os homens devem tomar entre 4 e 5 xícaras por dia. Quem faz isso, vive mais.

Bom, por que falo sobre isso? Simples. Cá estou navegando entre os sites de notícias e encontro isso daqui:

Quilos a mais aumentam a longevidade

Eu tinha visto alguma coisa parecida num dos livros do Augusto Cury. “A ditadura da beleza e a revolução das mulheres”, para ser mais exato. Entretanto, ainda não tinha encontrado em nenhum site de notícias.

Claro, a pesquisa não fala de obesidade. São alguns quilos mais. O chamado sobrepeso. Um pouquinho a mais de gordura seria o ideal. Entre 25 e 30 de IMC. Normais e obesos teriam desvantagem em relação a essas pessoas com sobrepeso.

A notícia parece ótima pra quem está com aqueles três ou quatro quilos além do desejado. Também não é ruim pra quem está gordinho. Afinal, dá pra perder um pouco menos – ficou mais fácil, digamos assim. E quem estava brigando para manter-se abaixo dos 25 de IMC, basta relaxar um pouquinho.

E agora? Seguimos ou não o que diz a pesquisa?

Difícil, né?

Embora o resultado seja baseado numa amostragem bastante ampla – mais de 2,8 milhões de pessoas -, quem pode garantir que amanhã não surgirá uma nova pesquisa? Ninguém.

Parece-me que a lógica da moderação é a única certeza que temos. Café? Com moderação? Carne? Idem. Gordura? Também. Doces? Igualmente. Nada de excesso e nem de falta. Como tudo na vida, equilíbrio. Esse é o único jeito certo de viver. 

Ana Paula Valadão e os pastores “barrigudos”

Esbarrei hoje com essa notícia:

Cantora gospel diz que ‘pastores barrigudos’ deveriam jejuar mais

Impossível não rir.

A cantora/pastora é Ana Paula Valadão, líder do Diante do Trono. E a declaração dela gerou polêmica. E não é para menos. Afinal, ela sustenta a necessidade de os pastores perderam a barriga e ainda dispara contra as mulheres gordas.

Achei graça – e gostei, confesso – de a declaração ter virado notícia. Embora possa parecer uma fala preconceituosa, penso que líderes religiosos têm o dever de influenciar positivamente as pessoas. Não como fez Silas Malafaia durante a campanha eleitoral.

E apontar pra barriga dos pastores e obesidade das mulheres pode parecer uma atitude agressiva, mas deve ser entendida como um alerta. Pastores, padres, artistas, autoridades etc são referência. Em todos os sentidos. Para o bem e para o mal.

No caso da religião, não se deve apenas apontar o Céu. Ou pregar prosperidade, como fazem alguns. É fundamental discutir saúde, qualidade de vida. E como fazer isso se, para alguns, a barriga mal cabe dentro da camisa?

Algumas igrejas, inclusive, têm orientações específicas sobre saúde. Recomendações sobre o cuidado com a ingestão de alimentos, bebidas, quantidade etc. Os próprios escritos sagrados são bastante específicos sobre a necessidade de moderação à mesa. Salomão chega a dizer que, quando vamos comer na casa de alguém, devemos colocar uma faca atravessada na garganta. A metáfora é clara: coma menos! Controle-se.

Entre os chamados pecados capitais está a gula. O que é isso? O desejo desenfreado de comer. Então, que sentido faz um líder obeso? A Ana Paula até pode ter errado no tom. Mas refletir sobre a necessidade de cuidar do corpo e ter uma atitude para perder o excesso de gordura são boas sugestões.

Cuidar do corpo também é investir no relacionamento

Nunca se falou tanto sobre obesidade. Difícil ter um dia em que a gente não vê, ouve ou lê uma notícia sobre riscos para saúde, prevenção, o que fazer para emagrecer… Ou de pessoas que estão fazendo tudo para voltarem ao peso considerado normal. Por outro lado, no mesmo compasso, cresce o número de obesos. Parece até que, quanto mais se fala sobre o assunto, mais as pessoas engordam. É um negócio muito louco.

Não, não estou dizendo que a culpa da obesidade é do noticiário. Na verdade, as notícias sobre o assunto apenas refletem a preocupação das pessoas: emagrecer. Afinal, estar magro é sinônimo de estar belo – ou bela, já que as mulheres são as maiores reféns da ditadura da beleza. No entanto, ao mesmo tempo em que há um desejo por perder peso, as pessoas se mostram incapazes de obter resultados. Querem emagrecer, mas não conseguem.

Às vezes tenho impressão que isso ocorre justamente porque, de alguma maneira, todo mundo acha que sabe o que fazer pra emagrecer. Você abre a internet, passa numa banca de jornais e aparecem tantas dicas, sugestões, receitas, dietas… É tanta coisa que a pessoa acredita que, no momento que quiser, conseguirá perder peso. Mas, como não existe milagre (não tem pilulazinha mágica), a combinação necessária – exercícios e cuidados com a alimentação – vai sendo adiada. Somado ao fato de que comer é bom demais – principalmente massas, comida gordurosa, carnes, doces, refrigerantes etc -, ao invés de perder peso, ganha-se peso.

Nasce aí um eterno descompasso. A pessoa quer ficar magra e tenta fazer isso todos os dias. Porém, dá apenas o primeiro passo: vê, ouve ou lê alguma coisa sobre o tema, mas não põe a “receitinha” em prática.

Na verdade, pouca gente encontra dentro de si a motivação pra fazer o que precisa ser feito. Somente aqueles que são um pouco mais preocupados com a imagem – até um tanto narcisistas – abrem mão de prazeres pra cuidar do corpo.

Infelizmente é assim.

Sinceramente, isso me incomoda um pouco, em especial quando os problemas com a balança começam a ocorrer depois do casamento. É verdade que cada um faz o que quiser fazer. A escolha é individual. Porém, acho certo desleixo, após a conquista da pessoa amada, relaxar com o corpo. Tem gente que lida bem com a ideia de “engordarem juntos”. Eu não gosto. Penso que, se a pessoa se cuida pra estar inteirinha quando solteira, deve tentar fazer o mesmo após casada. Vale para homens e mulheres.

A gente não deve se tornar refém da balança, mas manter o corpo em dia é legal. Entendo até que é uma forma de respeito ao outro. E sabe o que é engraçado? Se o casamento acaba, e a pessoa quer começar um novo relacionamento, a primeira coisa que faz é tentar ficar de bem com o espelho. Então, por que não fez isso antes? Alguém aí pode achar um exagero, mas, cá com meus botões, defendo que cuidar do corpo também é investir no relacionamento.

O desafio é exercitar-se

Hoje é o Dia do Desafio – aquele em que as pessoas são convidadas a investir pelo menos 15 minutos numa atividade física. Ao vivo, na CBN Maringá, o secretário de Esportes, Walter Guerlles, me desafio a fazer a minha parte. Foi um momento descontraído. Fez a gente rir, mas também me estimulou a escrever este post.

Felizmente, há algum tempo tenho gastado uma hora do meu dia para cuidar da saúde. Não é fácil. Primeiro, porque a correria é grande. Trabalho em três turnos. Achar uma janela na agenda é tarefa quase impossível. Mas os anos passam e compreendi que, se não investir no meu corpo, ninguém fará isso por mim. Portanto, ainda que não ligue para confirmar minha participação no Dia do Desafio, farei minha parte.

Em muitas cidades, certamente milhares de pessoas vão brincar de fazer exercícios. Digo brincar, porque em vários lugares as atividades são desenvolvidas de forma coletiva garantindo diversão, risos e, claro, reclamações por parte de alguns chatos de plantão.

Na faculdade em que leciono, por exemplo, os alunos deixam as salas para se alongar, mexer o corpo. Embora nem todos se envolvam completamente, a música acaba embalando os movimentos e muita gente participa.

Entretanto, fico sempre pensando: e amanhã, como vai ser?

Em Maringá, os bosques e parques da cidade estão sempre cheios de gente disposta a caminhar, correr. As academias, lotadas. Contudo, os indicadores provam que o sedentarismo é uma realidade. A maioria ainda prefere comodidade a se mexer. Consequência disto é a obesidade, e junto com ela uma série de doenças.

Embora existam alguns viciados em exercícios (musculação, por exemplo), não dá pra dizer que é gostoso suar o corpo em cima de uma esteira, levantando peso ou testando os limites da força em inúmeros equipamentos. Tem que ter opinião. Pensar no prazer pós-esforço (na redução de peso, no corpo mais definido, na ausência de barriga e, principalmente, na melhoria geral da disposição físical). Se não for assim, desiste.

O brasileiro está cada vez mais gordo

Não é difícil entender por quê. O povo come mal, despreza a importância da atividade física e vive apressadamente. É verdade que essa combinação tem tudo a ver com o tempo em que vivemos. Mas um pouquinho mais de atenção com o corpo garante, no mínimo, uma qualidade de vida melhor. E, infelizmente, gordura não representa só um problema estético; obesidade traz junto uma série de doenças – que vão da hipertensão até a diabetes.

Gordos infelizes?

Cada vez que leio os textos da jornalista Eliane Brum mais me apaixono pela sua maneira de escrever, a forma como aborda os mais diferentes temas – mas todos relacionados à vida humana, ao nosso jeito de viver.

Dia desses, usei um texto pra refletir sobre a maneira como vivemos apressadamente sem nos darmos conta das pessoas que amamos. Hoje, gastei tempo para ler a coluna dela publicada na Época online. Sim, é preciso gastar tempo. Eliane Brum sabe escrever. E faz parte do grupo de pessoas que não economiza nos bons argumentos.

Na coluna desta semana, a jornalista fala da maneira como nós tratamos as pessoas gordas. Uma reflexão incrível. Confesso que, ao lembrar de um tema que ando desenvolvendo sobre a necessidade de nos cuidarmos para o parceiro (evitando barriguinha, as gorduras localizadas etc), fiquei pensando se não cairia no lugar comum criticada por Brum.

Ela diz:

O mais disfarçado dos preconceitos vem embalado pelo discurso da saúde. É verdade que a obesidade está crescendo no Brasil. E é verdade que isso é sério. E é legítimo e relevante pensar e discutir o fenômeno com responsabilidade.

Entretanto, a questão é muito mais ampla e complexa:

Hoje a vida tornou-se uma patologia. Difunde-se que muito do que sentimos não deveríamos sentir. O ideal seria só sentir alegria num corpo magro, musculoso e eterno. Para cada sentimento e estado que extrapole estes limites impossíveis há uma patologia e uma penca de remédios e procedimentos cirúrgicos para “curá-la”. Acredito que vale a pena ter um pouco de cautela, enfiar alguns pontos de interrogação na cabeça, antes de sairmos rotulando todos os gordos como doentes. E, pior, com uma doença que dependeria só de boa vontade individual para ser curada.

As revistas da semana

Se estamos de volta, também precisamos retornar com as atividades normais do blog. Entre elas, o resumo semanal das revistas Veja, Época, Isto É e Carta Capital.

VEJA: – Haiti, do caos à esperança. Como num cenário pós-apocalíptico, o Haiti consome-se depois do terremoto. Os fracos se encolhem, os fortes se enfrentam e os mortos alimentam fogueiras humanas. No meio de tudo, cada resgate reacende as esperanças. O banditismo institucional em Brasília. Os propineiros de Brasília continuam aprontando livremente – e conseguem acabar com a CPI da Corrupção antes mesmo de ela começar a funcionar. E ainda na edição, o mundo das musas das escolas de samba. Rainhas do samba precisam dar duro para crescer em todas as direções e impressionar na avenida. Regime de trabalhos forçados inclui malhação da pesada, suplementos poderosos e próteses além da imaginação.

ÉPOCA: – Diabetes. Ele vai pegar você? Uma perversa combinação de obesidade com diabetes – a diabesidade – é hoje o maior desafio da saúde no mundo. Como escapar dessa ameaça. A epidemia mundial de obesidade vai provocar milhões de novos casos de diabetes nas próximas duas décadas. Também na Época, a nova versão da Lei do Inquilinato pretende colocar de volta no mercado milhões de imóveis mantidos vazios por medo de calote. Mas eles podem ficar mais caros. E uma reportagem revela como uma jornalista, com apenas uma foto 3X4, se transformou numa sem-terra de carteirinha. Ela e mais 70 mil jovens se aproveitaram do documento para conseguir uma vaga e desconto na universidade aderindo a uma entidade ligada a um deputado do PSDB e a uma ala da Igreja.

ISTO É: – Nove mitos sobre o amor. Pesquisa acadêmica sobre um dos mais estudados sentimentos da humanidade derrubam conceitos consagrados sobre o relacionamento entre homem e mulher. A hora do medo. Alas do PT aproveitam o temor provocado por eleição no Chile na campanha de Dilma, levam a ministra a uma postura agressiva e Lula reage contra o que chama de baixaria eleitoral. Também na Isto É, a volta dos nossos heróis. Eles dedicaram suas vidas a uma guerra sem tiros e barbáries, em que os principais inimigos são a fome, a injustiça e a miséria em seu estado mais bruto.

CARTA CAPITAL: Mas que belo panorama… São Paulo completa 456 anos e confirma ser capital da desigualdade. Ainda nesta edição: A possibilidade de repique da inflação leva à grita por mais juro e o primeiro aniversário do governo Obama é marcado por muitas decepções e derrotas.

Imposto sobre refrigerante para combater a obesidade

A Veja destaca esta semana que o açúcar está sendo tratado como vilão – semelhante ao que ocorreu no passado com o tabaco. E o refrigerante é o alvo da vez. Tudo por causa da epidemia global de obesidade.

Pois bem… Hoje, vi uma notícia curiosa. Nos Estados Unidos, um estudo defende um novo imposto sobre os refrigerantes. A ideia é simples: com o imposto, aumenta-se o preço do produto, se reduz o consumo e ainda incrementa o caixa do governo para o tratamento de doenças decorrentes da obesidade.

O presidente Obama gostou da proposta. Tem o reforço de governantes da Europa, que já falam em taxar os restaurantes de fast-food com o mesmo objetivo: combater a doença.

Agora, pense um pouco… Se a gente importa tudo, será que tais medidas não serão adaptadas por por aqui?