O mundo não é só meu

O que acontece quando duas pessoas estão gritando? Elas se ouvem? Conseguem se comunicar? Esses gritos permitem alguma negociação, algum acordo?

Sabe qual é a sensação que tenho quando olho muitas publicações que estão aqui na rede? A sensação que tenho é que as pessoas estão gritando. É tanta raiva, tanto ódio… São tantos ataques que ninguém ouve ninguém. E semelhante ao que acontece com duas pessoas que estão brigando, gritando uma com a outra, o resultado é só ofensa, mágoa e mais ódio.

Quando alguém grita com você, te ataca e não te dá a chance de se explicar… Quando esse alguém não parece disposto a te ouvir, dá vontade de bater nessa pessoa, socá-la.

É exatamente isso que vejo na internet. As pessoas estão agredindo verbalmente umas às outras. O outro é sempre um doente, um idiota, uma porcaria de pessoa que precisa ser eliminada da face da terra.

Confesso que isso tudo tem me entristecido. Sei que muito do que falo/escrevo aqui também não é ouvido. Principalmente por aquelas pessoas que não querem enxergar que o mundo não é binário, não é feito apenas de pessoas que concordam comigo e daquelas que discordam – logo, são imbecis, ignorantes.

Eu tenho insistido que o mundo não é feito de um “nós e eles”. O mundo é rico, é plural. É feito por pessoas diferentes, que têm gostos diferentes, vontades distintas da minha. O que eu gosto, o que eu sei, o que eu penso, o que eu sou, o que faço da minha vida e do meu sexo não é melhor que o gosto, que o pensamento, que o jeito de ser e viver do outro.

Mesmo nas discussões políticas, são apenas posicionamentos, ideologias distintas, formas diferentes de organizar a sociedade – que para uns pode ser melhor, para outros, pode ser pior. Mas essas formas de ver o mundo não são e nunca serão a única maneira de viver. São apenas leituras, posicionamentos… Talvez me desagradem. Mas o mundo não é só meu. O mundo não tem que ter meu jeito, minha cara. O mundo não tem que combinar comigo. O mundo é de todos. E precisa respeitar a todos. Permitindo que todos vivam com dignidade, tenham acesso a todos os espaços e sejam tratados como pessoas.

Anúncios

Precisamos de serenidade

Nos últimos anos, talvez nos últimos quatro ou cinco anos, foram aprofundadas as diferenças entre as pessoas. Especialmente no campo político.

De maneira errônea, as coisas têm sido distorcidas e parece que o Brasil se dividiu entre petistas e não petistas. Entre coxinhas e petralhas. Ou coxinhas e mortadelas.

Defender mulheres, negros, liberdade de culto etc. já é suficiente para que se ganhe o rótulo de esquerdopata, por exemplo.

Gente, o que tá acontecendo? Piramos todos? Perdemos a razão?

Isso me assusta! E me frustra. Porque não existe um nós e eles. Existe um nós, uma sociedade, um Brasil. Com diferenças sim… Com formas de pensar distintas, porém, somos todos pessoas, querendo coisas boas, querendo o melhor para o país. Talvez com propostas diferentes, com soluções diferentes, mas ainda assim não posso acreditar que as pessoas, no geral, que como regra, as pessoas sejam mal intencionadas.

Precisamos acalmar os ânimos.

E mais que isso, precisamos investir em conhecimento.

Tem gente que chama colegas, conhecidos e conhecidos, de “esquerdopatas”, mas nunca leu um texto que defina o pensamento da esquerda. Tem gente que rotula os outros de coxinha, mas sequer sabe o que significa o pensamento conservador. Ou seja, antes de sair despejando bobagens e acreditando os outros, vamos estudar!!! Ler faz bem. Inclusive ler pensadores com os quais não concordamos, mas que podem nos fazer compreender que existem outras formas de ver o mundo.

O ex-presidente Fernando Henrique fez uma declaração dias atrás com a qual concordo: precisamos serenar os ânimos, sermos mais tolerantes.

No campo social, não existem verdades. Existem formas de ver o mundo, formas de interpretá-lo e formas distintas de responder as demandas políticas, econômicas, culturais… E existe uma forma melhor? Depende… Depende do que se deseja, do que se espera… E de que grupos da população você pretende privilegiar. Não existe uma única forma de ver o mundo… Não existe uma única proposta para resolver os problemas da sociedade.

O debate sempre será importante. Mas debater é diferente de agredir. Debater é diferente de odiar.

Então fica aqui meu convite… E até desafio: ouça mais, leia mais, estude mais… Fale menos!

E se algo te incomodou muito na internet, por exemplo, pense bem antes de fazer um comentário, antes de postar alguma coisa. Aprenda a relevar, a ignorar, a silenciar…
Pense nisso!