Pais com medo de educar

​Poucas coisas são tão prejudiciais na educação dos filhos que o medo. Sim, muitos pais têm medo de educar os filhos. Porque educar requer limites. E para estabelecer limites, é preciso ter disposição para enfrentar os desejos dos filhos.

A tirania de muitos meninos e meninas não nasce com as crianças. Embora a genética seja parcialmente responsável pela personalidade, são as práticas diárias, as relações estabelecidas que norteiam a forma com que os filhos vão agir em casa e na sociedade.

Não é difícil concluir que pode coexistir na mesma pessoa uma personalidade forte, mas que respeita as hierarquias, é solidária e amável. O respeito, a solidariedade e o amor não são genéticos; são aprendidos.

Um adolescente tirano só é tirano porque não foi contido durante a infância.

E por que isso acontece? Porque muitos pais têm medo. Medo de educar.

Esse medo geralmente nasce, primeiro, pela memória da relação que a pessoa teve com seus pais. Na tentativa de não repetir os erros deles, acaba por cometer erros piores. A pessoa tem medo de causar as mesmas mágoas que seus pais causaram. Com isso, acaba indo para outro extremo.

O medo também ocorre pela falta de convicção. Como não se preparou para ser pai ou mãe, e o mundo de hoje é cheio de incertezas, fluído, a pessoa olha para os lados e faltam referências para que sirvam de base para aplicar na educação das crianças.

Um terceiro motivo é a culpa. Os pais estão ocupados demais e querem tornar prazerosas as poucas experiências que vivenciam com os filhos. Relaxam na disciplina e acabam por tolerar as manhas, birras, evitam que as crianças se frustrem… Enfim, não conseguem dizer não.

Por fim, o medo de educar também está relacionado à carência. Os pais querem ser amados pelos filhos. Dizer não, disciplinar, estabelecer limites são práticas que desagradam os filhos. Quando a gente diz não para uma criança, ela vai reclamar. Dependendo da personalidade, pode ficar “de bico” por horas e até um dia inteiro. Isso faz com que muitos pais evitem o confronto. Tornam-se pais permissivos. Aos poucos, o filho se torna uma pessoa difícil de lidar e que manda na casa. Pior, poderá se tornar um adulto com poucas habilidades sociais e sem as noções éticas necessárias para uma convivência solidária e o exercício da empatia em suas relações pessoais.

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Pais, monitorem seus filhos na internet

​Quando o assunto é educação dos filhos, uma das coisas que mais insisto é que os pais monitorem o que os filhos fazem nos smarphones, computadores e dispositivos de jogos.

Nem tudo que a garotada pode ter acesso por meio desses equipamentos contribui para o desenvolvimento. Na verdade, muita coisa é nociva e prejudica a formação cognitiva, intelectual – e até mesmo a formação ética.

Entretanto, há outras razões para que os pais monitorem o que os filhos fazem nesses dispositivos.

A BBC Brasil publicou uma reportagem sobre um casal que descobriu que a conta bancária não tinha mais nada de dinheiro quando foi fazer uma compra e o cartão foi recusado. O que havia acontecido? Os filhos ganharam um jogo eletrônico – um de futebol, desses que é preciso comprar pacotes de jogadores para tornar a equipe mais competitiva. Os meninos ganharam o jogo e viram com o pai fez a compra.

Enquanto jogavam, compravam novos jogadores. Limparam a conta bancária. Felizmente, não havia tanto dinheiro. Os meninos gastaram cerca de 550 libras (em torno de 2,6 mil reais).

Felizmente, a empresa entendeu o que havia acontecido e devolveu o dinheiro pra família.

Situações como essa reforçam a tese que defendo: não podemos ignorar o que a garotada faz nos dispositivos eletrônicos.

Sei que nem sempre é fácil dominarmos tantas tecnologias. Porém, nosso desconhecimento coloca nossos filhos em risco e até toda a família.

Hoje, muitos crimes são cometidos a partir das informações disponibilizadas na rede ou até de contatos que parecem inocentes. Senhas são roubadas, cartões de crédito são clonados e contas bancárias são invadidas. Além disso, o caso desses meninos não é o primeiro: há outros relatos de crianças que gastaram dinheiro da família sem que os pais observassem – só após o estrago estar feito é que tomaram ciência do prejuízo.

Portanto, pais, aprendam a usar as tecnologias e não tenham receio de monitorar seus filhos. Isso não tem nada a ver com invasão de privacidade. Isso é educar. E quem ama, educa.

Educar pelo exemplo

Os pais sonham com filhos bem educados. Creio que nenhum pai, nenhuma mãe quer ver seu filho, sua filha envolvido/a em algo ruim e nem mesmo sendo alvo de comentário depreciativos por não saber se comportar em determinados ambientes.

Entretanto, para que nossos filhos sejam pessoas de caráter, sociáveis, agradáveis, respeitosas, generosas, há necessidade de um investimento diário na educação deles. Ou seja, é preciso investir tempo na orientação da moçadinha. Eles carecem de explicações, disciplina adequada… Muitas palavras precisam ser gastas.

Porém, existe algo ainda mais importante que as orientações verbais: o exemplo. Nada é mais poderoso na educação de nossos filhos que os nossos exemplos. Aquilo que somos em nosso dia a dia é observado e assimilado pelas crianças. Se o que falamos for incoerente com nossas práticas, todo investimento na educação dos filhos será jogado fora.

Quais são as barreiras para a participação dos pais na escola?

Embora todos reconheçam que o maior envolvimento dos pais com a escola seja produtivo para o desenvolvimento dos alunos, ainda existem descompassos nessa relação.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, localizada em Baltimore (EUA), concluíram que as escolas geralmente não envolvem os pais por um problema relativamente simples: a percepção de que as famílias não querem se envolver. Ou seja, trata-se de uma pressuposição. Não há nada de concreto. Só uma imagem equivocada da realidade.

Karen Salinas, diretora de Comunicação do Centro de Escola, Família e Parcerias Comunitárias da universidade, afirma que os professores acreditam que as famílias não querem se envolver quando, na verdade, as famílias não sabem como fazer isso.

Os pais, às vezes, hesitam porque não têm tempo extra, sentem-se intimidados e acreditam que não são bem-vindos. Como os pais tiveram experiências bem diferentes no passado, quando eram alunos, não conseguem entender como, efetivamente, poderiam participar do cotidiano escolar.

Apesar dessas barreiras tanto as escolas quanto os pais querem que o relacionamento melhore. Afinal, os principais beneficiados são os alunos.

Então… o que fazer?

Por parte da escola, é estratégico mudar a comunicação com os pais. Deixar claro que são bem-vindos e, principalmente, explicar como podem se envolver. Os pais precisam compreender o que a escola define como envolvimento e o que significaria a presença deles na rotina escolar.

Da parte dos pais, se a escola não tomar a iniciativa, é recomendável procurar a coordenação e explicitar que desejam participar e querem saber como. Certamente, a atitude irá abrir o diálogo, e o desenvolvimento educacional das crianças será positivamente impactado.

Como o uso do smartphone prejudica a saúde e o aprendizado

A tecnologia pode ser uma excelente fonte de aprendizado e entretenimento. Entretanto, o que pouca gente leva em conta é que o tempo diante da tela afeta a saúde e o aprendizado, principalmente de crianças e adolescentes.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, dos 3 a 18 anos de idade, nossos filhos não devem passar mais de duas horas em frente a uma tela – seja do smartphone, tablet ou televisão. Para crianças com 2 anos ou menos, os especialistas recomendam nenhum tempo de tela.

Ter uma melhor compreensão das recomendações dos especialistas pode ajudar os pais a definirem limites para que as crianças não exagerem no tempo que permanecem conectadas.

Sono
A molecadinha tem agenda cada vez mais apertada. São as atividades escolares e outras tantas no contraturno. Além disso, ficam entre 3 e 6 horas por dia assistindo vídeos, navegando na internet ou jogando. O tempo de sono acaba prejudicado e, consequentemente, o desempenho, o humor e a saúde são afetados. Além disso, a estimulação eletrônica, interfere na qualidade do sono.

Interação social
Quando alguém usa tecnologia como computadores, jogos e smartphones, deixa de conversar com outras pessoas. O tempo de tela significa menos interação face a face.

Consciência social
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fizeram uma descoberta impressionante quando estudaram um grupo de alunos da sexta série. O estudo, publicado na revista Computers in Human Behavior, descobriu que aqueles que passaram cinco dias sem tempo de tela foram significativamente melhores em ler emoções humanas do que crianças com acesso regular à tecnologia. O resultado impressiona, porque revela que, quanto mais tela, menos reparamos nas pessoas; logo, ficamos menos sensíveis às emoções dos outros, porque sequer damos conta de identificar o que estão sentindo.

Atenção
Muito tempo de tela pode estar associado a problemas de atenção. Noutras palavras, a pessoa se distrai com mais facilidade e passa a ter dificuldades para concentrar-se – algo fundamental no processo de aprendizagem.

Notas baixas
O desempenho escolar também é prejudicado. As notas caem. Não significa necessariamente reprovação, mas a performance é menor, comparada com outras crianças e adolescentes que ficam menos tempo conectadas.

Atividade física
Mais tempo de tela tem sido associada à redução da atividade física e maior risco de obesidade em crianças.

Publicidade e conteúdo impróprio
Muitos programas de televisão e páginas da internet mostram sexo e violência, bem como estereótipos ou uso de drogas e álcool. Comerciais também promovem brinquedos e estimulam o consumo de alimentos pouco apropriados para as crianças.

Parece-nos que essas razões são bastante convincentes de que vale a pena limitarmos o tempo de tela das crianças e adolescentes. Também serve de alerta para nós mesmos. Vale a pena desconectarmos um pouco e convivermos mais com as pessoas e com nós mesmos.

Tecnologias não melhoram aprendizado; envolvimento dos pais é mais eficaz

Segundo a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a busca por ampliar as tecnologias em sala de aula tem trazido resultados. Pelo menos do ponto de vista quantitativo. Estudos mostram maior uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação em sala de aula.

Fora da escola, as tecnologias estão presentes na vida da garotada. As tecnologias digitais são comuns entre crianças e adolescentes.

Isso influencia de forma significativa o sistema de aprendizado. Atualmente, as crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais. Ou seja, se antes o processo educativo se dava basicamente em casa e na escola, hoje, a internet, os jogos e outros dispositivos contribuem na produção de saberes.

Pesquisas também revelam que não há nada que chame mais a atenção desse público do que as telas. A garotada está o tempo todo conectada.

Esses aspectos indicam a necessidade de uma grande capacidade crítica. Afinal, os impactos são amplos e variados. Se crianças e adolescentes aprendem cada vez mais fora dos campos formais, o que efetivamente aprendem?

Já na escola, até que ponto o uso de computadores e tecnologias da informação e comunicação contribuem efetivamente para o aprendizado?

Pesquisas mostram que as tecnologias, por elas mesmas, não são suficientes para assegurar qualidade na formação. Ter tecnologias em sala não muda a educação. Por isso, é necessário evitar falsas promessas pedagógicas.

Os dispositivos digitais podem ser ferramentas para o ensino. Mas, sozinhas, não fazem nada.

Crianças e adolescentes não dispõem de todas as habilidades necessárias para lidar com as informações e transformá-las em conhecimentos. Os adolescentes possuem autonomia para selecionar conteúdos úteis que estão disponíveis na rede, mas nem sempre sabem reconhecer o que é relevante e o que é descartável.

De acordo com a OCDE, a boa relação entre pais e escola ainda é o que garante o principal impacto positivo no desenvolvimento do aluno. Pais que se interessam pela rotina escolar, pelo que os filhos estão aprendendo, ajudam-os a se desenvolverem. Quando trabalham de maneira consensual, o aprendizado é mais eficaz.

O único cuidado é para que o envolvimento não seja obsessivo, pois isso é contraproducente.

O envolvimento dos pais na rotina escolar dos filhos

A volta às aulas não altera apenas a rotina das crianças, a vida dos pais também é afetada. É fundamental que tenham consciência disso, pois o desempenho delas depende do envolvimento da família.

É muito mais que cobrar notas ou que façam tarefas. Trata-se de viver o dia a dia escolar.

Se os pais não se envolvem, indicam que a escola é algo que diz respeito apenas à criança. E ela não tem maturidade para compreender a importância dos estudos e de tudo que envolve o ambiente escolar.

Mostrar-se entusiasmo(a) e comprometido(a) com o aprendizado da criança, faz toda a diferença. Quando isso não acontece, os pais demonstram que estudar é um fardo. Se reclamam de ter que levar e trazer, dos horários das atividades etc., não dá para esperar que a criança tenha atitude positiva.

Respeitar os horários de entrada e saída é um excelente indicativo de que as aulas são importantes. Ainda esta semana, quando cheguei ao colégio, encontrei duas boas alunas no pátio. Elas esperavam para entrar na segunda aula. Conversei com ambas e descobri que os pais tinham atrasado. Uma delas disse que a mãe foi tomar banho faltando 20 minutos para a filha chegar no colégio. A outra, o pai ficou na cama até mais tarde.

Se isso acontecer uma vez ou outra, ok. Entretanto, se atrasam constantemente, os filhos entendem que os compromissos delas não são relevantes para os pais. Isso pode desmotivar as crianças.

O cuidado vale para os uniformes. Se são obrigatórios e os pais não observam à regra, estão perpetuando nos filhos a cultura do “jeitinho” e das infindáveis desculpas.

A participação em reuniões pedagógicas e nos eventos do colégio também demonstra envolvimento. As crianças necessitam se sentir cuidadas. Além disso, esse tipo de comprometimento resulta numa parceria produtiva entre a família e a escola.

Os pais precisam cuidar da rotina escolar. Crianças têm altos e baixos e, frequentemente, se distraem com outras atividades. Em casa, são os pais que têm o dever de criar o hábito e fazer a rotina de estudos funcionar.

A garotada também tem que brincar, fazer as atividades extraescolares, ter tempo para ler, ver televisão, usar a internet e, principalmente, descansar/dormir… Cabe aos pais monitorar essas rotinas.

Dá trabalho? Claro que sim. Mas ser pai/mãe é viver a experiência e a responsabilidade de educar uma criança de forma plena – e isso engloba tudo que tenha a ver com a escola.

Qual formação dar aos filhos?

Ontem, enquanto esperava minha filha pegar o gabarito da prova do PAS, observava outros alunos e alunas que deixavam o local das provas. Vi muitos deles com lágrimas nos olhos, bastante abatidos. Pelo semblante, demonstravam tristeza, frustração… Pareciam derrotados.

O PAS, Processo de Avaliação Seriada, da UEM é um mecanismo de avaliação que ocorre desde o primeiro ano do Ensino Médio – uma espécie de vestibular em três etapas, uma a cada ano. Trata-se de um modelo bastante interessante e que permite uma avaliação mais justa, assegurando uma vaga na universidade para os candidatos que tiverem as melhores médias ao final de três anos.

Embora o PAS seja mais um instrumento de avaliação, que permite o acesso à universidade, e talvez o mais justo dos sistemas, particularmente, ainda penso que os modelos de seleção no Brasil estão distantes de serem os melhores. O que mais me incomoda é a pressão sobre meninos e meninas, ainda imaturos, e que faz muitos deles abdicarem de inúmeras práticas que são fundamentais para a formação.

Em cidades de médio e grande portes, espaços tipicamente universitários, as próprias escolas estão se transformando. Muitas delas têm se especializado em transformar adolescentes em máquinas de passar em vestibulares. Esses garotos e garotas, desde os 14 anos de idade, e às vezes até mais cedo, vivem a escola apenas para receberem conteúdos e mais conteúdos… E para serem treinados para os processos de seleção das universidades.

Essa garotada não vive mais nada na escola. E a própria escola se torna um espaço frio, mecânico, que só fala em aprovação.

Me assusta ainda mais o fato de muitos pais embarcarem nessa aventura com seus filhos. Repetem um discurso tolo do tipo “meus filhos só precisam disso”, “o foco agora é se preparar para o vestibular”. Esses pais parecem esquecer que um filho não é apenas um boletim escolar. Tampouco é apenas o domínio de conteúdos de Biologia, Química, Matemática, Português…

O ser humano é muito mais que isso. Somos dotados de habilidades múltiplas, que precisam ser desenvolvidas.

Formação completa precisa assegurar amadurecimento emocional e outras habilidades, como liderança, autonomia, resiliência, empatia…

Ninguém quer ser atendido por um médico sem empatia, que saiba muito sobre doenças, mas não sinta a dor das pessoas…

Ninguém quer um chefe que domine todos cálculos matemáticos, mas não seja uma liderança, um sujeito motivador…

Esses conhecimentos não são assegurados apenas com a aquisição de conteúdos das matérias tradicionais, muito menos de fórmulas e macetes para responder as questões das provas.

Pois é, amigos… Os pais precisam definir que tipo de formação desejam para os filhos. Apostar tudo apenas na preparação para garantir uma vaga na universidade é optar por um modelo reducionista e limitador das potencialidades de seus filhos.