Filhos frágeis

Ao observar o comportamento de muitos adolescentes, fico bastante indignado com os pais. É impressionante o que muitos deles têm feito na educação da garotada. Nossos jovenzinhos são frágeis… Não sabem enfrentar os problemas. Não sabem lidar com a vida.

E de quem a responsabilidade? Dos pais! Sim, os pais estão formando uma geração mole. Uma geração de filhos bundões – desculpa o termo.

Essa molecadinha não pode ouvir um não do colega, do professor… e já chega em casa chorando. Aí os pais correm pra comprar a briga dos filhos.

O menino foi alvo de uma brincadeira de mau gosto na escola? Tá lá, no mesmo dia, os pais ameaçando tirar o garoto da escola.

A menina foi excluída do grupinho? Lá estão os pais, nervosos, irritados, tomando as dores da filha.

Chega a ser assustador!

São meninos e meninas que não sabem se defender. Não sabem se impor. E quando tentam fazer isso, a defesa é quase sempre um ato de violência – ainda que verbal.

Tenho repetido que não sou um pai exemplar, mas me orgulho de saber que orientei meus filhos a resolverem seus próprios problemas. Sempre estive pronto pra abraçar, apoiar, aconselhar. Mas a encrenca na qual se meteram era um problema deles. Nunca fui à escola defender meus filhos, nunca tive que conversar com outros pais por conta de problemas deles.

Penso que é dever dos pais permitir que os filhos amadureceram. Isso significa expô-los às dificuldades. A gente tem que aprender a dizer para as crianças:

– Querido, se você se envolver num problema na escola, tente resolver. Fale com o colega, converse com a professora, procure a coordenação. Se alguém te tratar mal, afaste-se. Encontre um jeito de resolver. Eu não vou resolver pra você!

Esse tipo de atitude ajuda no desenvolvimento da autonomia, da confiança.

A vida é dura. E justamente por isso temos que incentivar nossos filhos a se tornarem pessoas fortes. Sensíveis sim aos problemas alheios, mas capazes de lidar com as frustrações, com as decepções, traições… Fortes para assimilarem as pancadas da vida.

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As coisas que importam…

As coisas que realmente importam geralmente são aquelas que exigem mais de nós. Brincar com o filho depois de um dia de trabalho requer esforço, renúncia. É mais fácil sentar-se diante da TV ou simplesmente se ocupar de uma tarefa ou outra de casa ou até da empresa.

Na verdade, o exemplo ilustra todas as outras situações que valem a pena ser vividas. Uma caminhada com sua filha no parque ou ficar na cama descansando? Um piquenique com a esposa no parque ou um restaurante fast-food? Dias e dias debruçados sobre os livros ou assistir uma série atrás da outra no Netflix?

Sim, as coisas que mais importam pedem dedicação, tempo, energia. Mas são essas que fazem a diferença na vida, que produzem boas memórias e, com o tempo, saudade.

Crescem casos de cyberbullyng no Brasil

A internet me encanta. Desde a década de 1990, quando a conexão ainda era discada, eu já achava tudo incrível. E não é diferente hoje.

A possibilidade de, num clique, ter acesso a um universo de informações, é demais!

Entretanto, a mesma rede que possibilita aprender sobre tudo, interagir com gente do mundo inteiro, produzir conteúdo rompendo com o monopólio da imprensa… Essa mesma internet também potencializa a agressão. E o Brasil tem se tornado uma referência negativa quando o assunto é cyberbullyng.

De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Ipsos, 29% dos pais entrevistados relataram que os filhos já sofreram algum tipo de violência online.

O que é pior é que esse número não para de crescer. Em 2016, a mesma pesquisa trazia um índice de 19%. Ou seja, aumentaram as situações de violência virtual contra crianças, adolescentes e jovens.

Atualmente, o Brasil só fica atrás da Índia no ranking de cyberbullyng. A média mundial é de 16%. Na prática, a violência online por aqui é quase duas vezes maior que a média global.

O levantamento mostra que algumas ações precisam ser tomadas por todos nós. A primeira delas: é fundamental denunciar. O silêncio perpetua o problema.

A segunda medida cabe aos pais: monitorem o que seus filhos fazem na rede. Eles podem ser vítimas ou até mesmo agressores. O que talvez pareça brincadeira de criança, na verdade, pode estar magoando, ferindo o colega.

A terceira medida envolve educadores, escola: temos que insistir em práticas educativas de orientação. É fundamental que nossos alunos saibam usar a rede de maneira produtiva.

Ouça o podcast da Band News. 

Devo dar liberdade aos meus filhos?

Alguns pais de adolescentes questionam:

– Devo ou não devo dar liberdade aos meus filhos?

Essa pergunta me faz pensar sobre o que entendemos por liberdade. Se a compreensão de liberdade for “meu filho quer fazer as próprias escolhas”, sinto muito, mas não dá para permitir que um adolescente decida sobre a vida dele.

Embora exceções existam, nossos garotos e garotas não têm maturidade para isso. Não possuem vivências. E as experiências que esse tipo de liberdade pode proporcionar não acrescentam muita coisa.

Quase sempre, as decisões dos adolescentes são pautadas pelo grupo. A moçadinha geralmente segue o que todo mundo está fazendo.

Entretanto, na voz do grupo nunca há sabedoria.

Por isso, os pais precisam, sempre que necessário, confrontar os filhos e estabelecer limites.

Talvez o adolescente diga:

– Mas todo mundo vai. O pai de fulano deixa.

Nessa hora é preciso ter forças e coragem pra dizer:

– Mas você não é todo mundo. E eu não deixo.

Muitos pais não são capazes de fazer esse enfrentamento por que temem perder o amor dos filhos. Não querem desagrá-los.

Posso assegurar, é melhor ter um filho com raiva da gente por um ‘não’ que sustentamos que chorarmos depois, culpados por nos faltar coragem para educá-lo.

O que pensam homens e mulheres sobre suas carreiras e as tarefas domésticas?

O The Economist e o YouGov, uma empresa de pesquisa de mercado que atua em todo mundo, realizaram um estudo interessante no início deste ano. O objetivo era observar como homens e mulheres conseguem equilibrar carreira e família.

Que elas ganham menos, a gente já sabe. Também sabe que ocupam postos de trabalho considerados de menor importância. É fato que parte disso se deve a história: as mulheres chegaram ao mercado de trabalho formal no final do século XIX. Os aspectos culturais também influenciam muito. Porém, o fato de ficarem grávidas acaba penalizando-as. É uma espécie de “custo da maternidade”. Ou como classificou o The Economist, “pena da maternidade”. Afinal, as mulheres têm mais dificuldade para decolar na carreira após a terem filhos.

A pesquisa ainda procurou ouvir homens e mulheres sobre o que acontece depois da chegada dos filhos. E constatou-se que, na maioria dos países, elas fazem adequações no horário de trabalho, reduzem carga horária por causa das crianças – por outro lado, assumem mais tarefas domésticas e quase sempre são as principais cuidadoras dos filhos. Já os homens praticamente não têm suas rotinas profissionais alteradas.

Quando questionados sobre as tarefas domésticas e a chegada dos filhos, os homens quase sempre não notam que as responsabilidades delas aumentam. Detalhe, muitos deles ainda acham que dividem igualmente as tarefas. As respostas delas demostra claramente que há um descompasso na percepção da realidade do lar: as mulheres sustentam que são elas que precisam se adequar no emprego para dar conta das crianças e que seus parceiros não assumem igualmente o trabalho de casa.

Conforme as observações feitas durante a pesquisa, a Dinamarca é um dos poucos países no mundo que não penaliza as mulheres que têm filhos. Em virtude de suas políticas públicas, o sistema de atenção e cuidado às crianças é um dos melhores do planeta. Isso permite que pais e mães sigam com suas vidas profissionais normalmente.

Fica claro que é preciso avançar muito para equilibrar a relação entre homens e mulheres quando o assunto é mercado de trabalho. Entretanto, a desigualdade começa em casa. Poucos maridos parecem dispostos a mudar suas rotinas para também dar atenção às tarefas domésticas, aos filhos, permitindo que suas esposas tenham uma carreira profissional exitosa. Outros até percebem as injustiças que as afetam profissionalmente, mas preferem não se envolver. Afinal, eles não estão sendo prejudicados. Mudar esse cenário começa com muito diálogo, com conversas francas – preferencialmente, antes que o casal assuma o compromisso de morar junto. Os dois precisam estar comprometidos, serem efetivamente parceiros para lidarem com essa realidade dentro e fora de casa.

Ps. A fotografia apenas projeta uma cena pouco comum. 

Como ensinar os filhos sobre a internet

Não dá para negar: nossos filhos sabem usar a internet muito melhor do que nós. Mas esse “sabem mais que nós” tem a ver com domínio técnico. Apenas isso. Cabe a nós orientarmos a mocadinha sobre o uso correto da rede. É sobre isso que falo neste novo vídeo.