O que falar sobre paternidade?

Uma amiga querida tem me estimulado a falar sobre a paternidade. Brinquei com ela que o estímulo está mais para uma insistência… Afinal, a cada novo texto ou vídeo que compartilho nas redes, ela ressalta o que gostou, mas me lembra sobre a importância de expor minhas reflexões sobre o papel ou o significado de ser pai.

Nesta última semana, respondi que talvez nunca falei especificamente sobre o assunto por não me sentir totalmente confortável. Sinto que sou um pai comum, bem comum, cheio de falhas e, por me cobrar tanto, carrego culpas e arrependimentos por falhas que tive ao longo da formação de meus filhos. Entretanto, há algo que não falei para ela: eu me olho como pai e lembro do meu pai. Quando faço isso, me sinto uma criança – um menino diante de um homem.

Meu pai – ainda vivo, graças a Deus – é um gigante. Sinceramente, não consigo traduzir em palavras o que o “seo Francisco” representa. Pensar nele como pai faz meus olhos lacrimejarem, dá um aperto no peito e a voz embarga. Ele foi a expressão mais perfeita da disciplina e do afeto. Amava e disciplinava. Fazia as duas coisas de maneira tão incrível que eu o temia, mas me sentia plenamente amado. Nunca tive dúvida sobre o amor de meu pai. Claro que eu o frustrei em vários momentos. Fui grosseiro e estúpido em algumas situações. Esses poucos momentos de desobediência e confrontos nunca saíram de minha mente e, se pudesse, faria tudo diferente para não decepcioná-lo.

O olhar que tenho para meu pai é de profunda admiração. “Seo Francisco” deu valor ao que tinha valor: a família e Deus. Confesso que, na adolescência e nos primeiros anos da vida adulta, geralmente comentava em casa sobre a ausência de ambição e do fato de meu pai ter pouca gana para ganhar dinheiro. Entretanto, mesmo esse suposto “comodismo” me trouxe uma das referências mais importantes: ainda que o dinheiro seja necessário para viver, não é o tamanho da conta bancária que nos assegura o sorriso no rosto e a paz no coração.

As lições deixadas por meu pai, e que ainda acontecem toda vez que eu o encontro, são tantas que me sinto pequeno demais no relacionamento com meus filhos. É fato que hoje vejo neles coisas que aprendi e reproduzi em minhas práticas de vida. Tenho orgulho de ver que o Victor, caminhando para completar 24 anos, e a Duda, com 19, são pessoas de caráter, sem preconceitos de cor, gênero ou religião, possuem sensibilidade social, não hierarquizam os outros pela conta bancária e nem valorizam o jogo de aparências que domina o mundo contemporâneo. Influenciei para que isso acontecesse? Não sei. Sei apenas que sou grato pela oportunidade que tive de ter nascido filho do “seo Francisco” e, talvez, ter sido, mesmo que por “acidente”, um pouquinho do que ele sempre foi para mim.

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Leia para o seu filho

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Hoje eu gostaria de dar 3 motivos para que você leia para seu filho, e crie esse hábito antes mesmo do primeiro ano de idade.

Talvez você não seja pai ou mãe. Nem avô ou avó. Mas você pode prestar atenção nas dicas e compartilhar com alguém.

O primeiro motivo para ler para seu filho é o desenvolvimento de laços afetivos sólidos entre os pais e a criança. Quando coloca a criança nos braços, junto ao peito, e lê uma história, está contribuindo para o desenvolvimento emocional, fortalecendo os vínculos e criando intimidade. Essa relação é única. E é muito diferente daquele colo quando a criança chora, quando está com fome… Trata-se de um aconchego em que há uma narrativa, uma voz melodiosa que apresenta diferentes nuances de uma história… Na leitura, há um envolvimento único entre a criança e o pai ou a mãe.

O segundo motivo: a criança é apresentada a um repertório de informações novas, vocabulário distinto do cotidiano da casa, palavras que não fazem parte do que ouve diariamente… Embora ainda não saiba falar, quando lê para ela, você a expõe a palavras que ela nunca ouve em outros lugares, e a sentenças que ninguém usa ao redor delas.

O terceiro motivo é o desenvolvimento de habilidades cerebrais que nenhuma outra atividade proporciona. A ciência tem demonstrado que nada estimula mais o cérebro do que a leitura. Praticamente todas as áreas e funções do cérebro são ativadas. Mesmo como ouvinte, a criança participa do processo tanto quanto quem lê.

Por fim, tem alguns benefícios-bônus, eu diria. Benefícios para quem lê para a criança. O primeiro, a leitura permite que o pai ou a mãe experimente algo novo, diferente em sua rotina. E talvez até crie o hábito da leitura, caso ainda não seja um leitor. Também tem benefícios para o cérebro, com o estímulo de novas conexões neurais. Por fim, e o mais importante, a rotina de leitura com a criança te aproxima do seu filho, produz bons sentimentos e boas memórias. Nada substitui esses momentos a sós com seu filho. As lembranças se tornam inesquecíveis!

Portanto, leia para ele. Se já estiver grandinho, não tem problema. Mesmo que já não seja possível colocá-lo no colo. Sente-se a beira da cama… Mas não deixe de ler para seu filho.

A leitura não tem a ver somente com o cérebro das crianças pequenas; envolve o corpo como um todo: elas veem, cheiram, ouvem e sentem os livros (Maryanne Wolf).

Ser ético é considerar o efeito de suas ações sobre as outras pessoas

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Uma conduta ética pressupõe agir com responsabilidade, considerando o impacto que nossas atitudes têm sobre a vida das outras pessoas. Muitas de nossas ações afetam as pessoas próximas. Entretanto, por vezes, em nome do nosso bem-estar ou das coisas que acreditamos serem as melhores, atropelamos quem está conosco.

Nos relacionamentos, isso é bastante comum. O marido, sonhando com sua ascensão profissional, assume compromissos sem consultar a esposa; deixa o romance de lado e parece ignorar que a parceira pode estar se sentindo abandonada.

Muitos pais fazem a mesma coisa com os filhos. Na tentativa de alcançarem o sucesso, deixam de investir na educação das crianças e no desenvolvimento emocional dos pequenos – parecem acreditar que a escola fará aquilo que deixaram de fazer. Quando notam o problema já é tarde demais. Os filhos estão distantes, com problemas na escola e, às vezes, até envolvidos com as drogas.

Agir de forma ética implica em lembrar-se do outro em minhas ações. É necessário me questionar: o que eu pretendo fazer pode prejudicar alguém? As minhas escolhas podem injustiçar alguém? Ou fazer uma pessoa infeliz?

A vida não se resume ao eu mundo. Nem mesmo aos meus sonhos, projetos ou incômodos.
Somos os principais interessados em nós mesmos. Em defender nossos planos, em promover nosso desenvolvimento e até em nós defendermos. Mas isso não significa que vivemos sozinhos, isolados, tampouco que não tenhamos responsabilidade pelos efeitos de nossas escolhas sobre as outras pessoas.

Pais com medo de educar

​Poucas coisas são tão prejudiciais na educação dos filhos que o medo. Sim, muitos pais têm medo de educar os filhos. Porque educar requer limites. E para estabelecer limites, é preciso ter disposição para enfrentar os desejos dos filhos.

A tirania de muitos meninos e meninas não nasce com as crianças. Embora a genética seja parcialmente responsável pela personalidade, são as práticas diárias, as relações estabelecidas que norteiam a forma com que os filhos vão agir em casa e na sociedade.

Não é difícil concluir que pode coexistir na mesma pessoa uma personalidade forte, mas que respeita as hierarquias, é solidária e amável. O respeito, a solidariedade e o amor não são genéticos; são aprendidos.

Um adolescente tirano só é tirano porque não foi contido durante a infância.

E por que isso acontece? Porque muitos pais têm medo. Medo de educar.

Esse medo geralmente nasce, primeiro, pela memória da relação que a pessoa teve com seus pais. Na tentativa de não repetir os erros deles, acaba por cometer erros piores. A pessoa tem medo de causar as mesmas mágoas que seus pais causaram. Com isso, acaba indo para outro extremo.

O medo também ocorre pela falta de convicção. Como não se preparou para ser pai ou mãe, e o mundo de hoje é cheio de incertezas, fluído, a pessoa olha para os lados e faltam referências para que sirvam de base para aplicar na educação das crianças.

Um terceiro motivo é a culpa. Os pais estão ocupados demais e querem tornar prazerosas as poucas experiências que vivenciam com os filhos. Relaxam na disciplina e acabam por tolerar as manhas, birras, evitam que as crianças se frustrem… Enfim, não conseguem dizer não.

Por fim, o medo de educar também está relacionado à carência. Os pais querem ser amados pelos filhos. Dizer não, disciplinar, estabelecer limites são práticas que desagradam os filhos. Quando a gente diz não para uma criança, ela vai reclamar. Dependendo da personalidade, pode ficar “de bico” por horas e até um dia inteiro. Isso faz com que muitos pais evitem o confronto. Tornam-se pais permissivos. Aos poucos, o filho se torna uma pessoa difícil de lidar e que manda na casa. Pior, poderá se tornar um adulto com poucas habilidades sociais e sem as noções éticas necessárias para uma convivência solidária e o exercício da empatia em suas relações pessoais.

Pais, monitorem seus filhos na internet

​Quando o assunto é educação dos filhos, uma das coisas que mais insisto é que os pais monitorem o que os filhos fazem nos smarphones, computadores e dispositivos de jogos.

Nem tudo que a garotada pode ter acesso por meio desses equipamentos contribui para o desenvolvimento. Na verdade, muita coisa é nociva e prejudica a formação cognitiva, intelectual – e até mesmo a formação ética.

Entretanto, há outras razões para que os pais monitorem o que os filhos fazem nesses dispositivos.

A BBC Brasil publicou uma reportagem sobre um casal que descobriu que a conta bancária não tinha mais nada de dinheiro quando foi fazer uma compra e o cartão foi recusado. O que havia acontecido? Os filhos ganharam um jogo eletrônico – um de futebol, desses que é preciso comprar pacotes de jogadores para tornar a equipe mais competitiva. Os meninos ganharam o jogo e viram com o pai fez a compra.

Enquanto jogavam, compravam novos jogadores. Limparam a conta bancária. Felizmente, não havia tanto dinheiro. Os meninos gastaram cerca de 550 libras (em torno de 2,6 mil reais).

Felizmente, a empresa entendeu o que havia acontecido e devolveu o dinheiro pra família.

Situações como essa reforçam a tese que defendo: não podemos ignorar o que a garotada faz nos dispositivos eletrônicos.

Sei que nem sempre é fácil dominarmos tantas tecnologias. Porém, nosso desconhecimento coloca nossos filhos em risco e até toda a família.

Hoje, muitos crimes são cometidos a partir das informações disponibilizadas na rede ou até de contatos que parecem inocentes. Senhas são roubadas, cartões de crédito são clonados e contas bancárias são invadidas. Além disso, o caso desses meninos não é o primeiro: há outros relatos de crianças que gastaram dinheiro da família sem que os pais observassem – só após o estrago estar feito é que tomaram ciência do prejuízo.

Portanto, pais, aprendam a usar as tecnologias e não tenham receio de monitorar seus filhos. Isso não tem nada a ver com invasão de privacidade. Isso é educar. E quem ama, educa.

Educar pelo exemplo

Os pais sonham com filhos bem educados. Creio que nenhum pai, nenhuma mãe quer ver seu filho, sua filha envolvido/a em algo ruim e nem mesmo sendo alvo de comentário depreciativos por não saber se comportar em determinados ambientes.

Entretanto, para que nossos filhos sejam pessoas de caráter, sociáveis, agradáveis, respeitosas, generosas, há necessidade de um investimento diário na educação deles. Ou seja, é preciso investir tempo na orientação da moçadinha. Eles carecem de explicações, disciplina adequada… Muitas palavras precisam ser gastas.

Porém, existe algo ainda mais importante que as orientações verbais: o exemplo. Nada é mais poderoso na educação de nossos filhos que os nossos exemplos. Aquilo que somos em nosso dia a dia é observado e assimilado pelas crianças. Se o que falamos for incoerente com nossas práticas, todo investimento na educação dos filhos será jogado fora.

Quais são as barreiras para a participação dos pais na escola?

Embora todos reconheçam que o maior envolvimento dos pais com a escola seja produtivo para o desenvolvimento dos alunos, ainda existem descompassos nessa relação.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, localizada em Baltimore (EUA), concluíram que as escolas geralmente não envolvem os pais por um problema relativamente simples: a percepção de que as famílias não querem se envolver. Ou seja, trata-se de uma pressuposição. Não há nada de concreto. Só uma imagem equivocada da realidade.

Karen Salinas, diretora de Comunicação do Centro de Escola, Família e Parcerias Comunitárias da universidade, afirma que os professores acreditam que as famílias não querem se envolver quando, na verdade, as famílias não sabem como fazer isso.

Os pais, às vezes, hesitam porque não têm tempo extra, sentem-se intimidados e acreditam que não são bem-vindos. Como os pais tiveram experiências bem diferentes no passado, quando eram alunos, não conseguem entender como, efetivamente, poderiam participar do cotidiano escolar.

Apesar dessas barreiras tanto as escolas quanto os pais querem que o relacionamento melhore. Afinal, os principais beneficiados são os alunos.

Então… o que fazer?

Por parte da escola, é estratégico mudar a comunicação com os pais. Deixar claro que são bem-vindos e, principalmente, explicar como podem se envolver. Os pais precisam compreender o que a escola define como envolvimento e o que significaria a presença deles na rotina escolar.

Da parte dos pais, se a escola não tomar a iniciativa, é recomendável procurar a coordenação e explicitar que desejam participar e querem saber como. Certamente, a atitude irá abrir o diálogo, e o desenvolvimento educacional das crianças será positivamente impactado.