Educar filhos dá trabalho

A frase é clichê, mas é um fato. Educar filho é a tarefa mais difícil na vida da gente.

Se você ainda não tem filho, entenda uma coisa… Filho não é como comprar um carro novo ou uma casa nova. Educar filho exige mais que construir do zero uma carreira de sucesso.

Nada se assemelha a educar um filho. Nenhum patrão, nenhum colega, ninguém exige mais da gente que um filho. E se a gente não entende isso, a gente faz tudo errado.

Filho demanda tempo, dedicação, equilíbrio, bom senso. Com filho, a gente tem que ter mais que boas intenções. Tem que ter estratégia, conhecimento, preparo. Quem coloca uma criança no mundo e não se prepara para educá-la, compromete o futuro dessa pessoinha. E vai sofrer muitas decepções.

Sabe, quando se trata de educação dos filhos, fazendo tudo certo, ainda existe chance de dar errado.

Então, minha dica hoje é: pais, amem seus filhos. Mas entendam que amor bom é amor prático. Entendam que amar é educar de fato, educar com envolvimento, educar como parte do seu projeto de vida. 

Como manter o casamento após a chegada dos filhos?

pais e filhos

Acho que a maioria casais que conheci, antes de terem filhos, disseram que fariam de tudo para nada mudar depois da chegada das crianças. Apesar da boa vontade e do esforço de muitos deles, desconheço quem não teve o relacionamento impactado pela presença do novo membro na família.

É fato que, antes da chegada dos filhos, a gente quer muito preservar o melhor do romance. Até acha que isso é possível. Mas não dá. A vida do casal muda. E muda muito. Não estou dizendo que o romance esfria, que o amor acaba, que o sexo deixa de existir… Estou dizendo que a dinâmica do relacionamento é significativamente afetada (embora seja fato que, em alguns casos, o romance esfria sim, o sexo se torna raro e até o amor é abalado – claro, essas situações ocorrem com aqueles casais que não se preparam para a chegada dos filhos e que, surpreendidos pelas mudanças, não lidam de forma positiva com as novidades, ignorando a importância de seguir investindo no relacionamento. Mas essa é uma outra história…).

As mudanças ocorrem porque a chegada de uma criança altera a rotina do casal. Antes mesmo do nascimento do bebê, muita energia já é gasta com preparativos (quarto, enxoval, consultas médicas etc.) e o desgaste físico da mulher também é bastante significativo. A última etapa da gestação geralmente é difícil, cansativa. O pós-parto também não é dos mais fáceis. Algumas mulheres, inclusive, sofrem de depressão nesse período.

Esse cenário já seria suficiente para mudar a forma de viver a dois. A vida é feita de rupturas. Quando a gente passa por algo muito intenso durante certo período de tempo, a história de nossa vida é alterada, ganha um novo rumo.

Entretanto, no caso dos filhos, as mudanças vão muito além disso. O bebê pede atenção. Mãe e pai precisam dedicar tempo, atenção, cuidado à criança. Isso rouba noites de sono, tempo… Dificilmente o casal conseguirá fazer os mesmos programas, sair com a mesma frequência ou ter sexo com a mesma intensidade. 

Acontece que, embora os olhares estejam voltados para a criança, ali estão duas pessoas, adultas, que também carecem de carinho, cuidado e, não menos importante, paixão. Não é o fato de se tornar pai ou mãe que faz um homem, uma mulher deixarem de desejar, de sentir tesão e de querer o olhar desejoso do outro. 

Por isso, é preciso estar preparado para viver essa nova fase. Não necessariamente abrindo mãe de viver o melhor de uma vida a dois, mas compreendendo que, muitas vezes, é preciso ter paciência, ser capaz de vez ou outra renunciar os próprios desejos em função de uma nova forma de vida em família. Além disso, é fundamental não se acomodar, não “deixar a vida levar”. É preciso fazer certa “ginástica” para cuidar de si, cuidar do/a parceiro/a… Somente com essa consciência, é possível não deixar a relação cair no lugar-comum de um casamento sem graça e que se justifica apenas pelo fato de um dia ter dito “sim”, pelos “costumes” ou quem sabe pelos próprios filhos.

O casamento deve ser prioridade

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Filho é um pedaço da gente. É como se fosse extensão de nosso corpo. E é justamente por isso que não raras vezes, assim que eles nascem, tornam-se prioridade em nossa vida. Acontece que, embora seja fundamental dedicar todo amor e carinho a um filho, o parceiro deveria seguir sendo nossa prioridade.

Há uma ordem natural: a gente conhece alguém, ama profundamente e, dessa relação, vem os filhos. E também é assim que deve funcionar o núcleo familiar: a esposa ou esposo segue sendo o primeiro da lista.

Talvez você não concorde e até argumente: “o marido pode me abandonar, mas meu filho é pra sempre”. Eu entendo perfeitamente esse raciocínio. E é também por isso, por seu filho ser pra sempre seu, que o parceiro (ou a parceira) deve ser prioridade. Quando a gente coloca o filho no lugar do companheiro (companheira), comete vários erros. Entre eles o de implicitamente dizer “agora você já não é mais prioridade pra mim”. E isso abre uma brecha no relacionamento, até mesmo para que outra pessoa se aproxime da pessoa que você ama.

Mas sabe de uma coisa? Quando seu cônjuge é prioridade, sua família sai ganhando. Inclusive seus filhos.

O primeiro grande ganho é do próprio relacionamento, claro. É como se você estivesse dizendo pra outra pessoa “estou contigo e não abro. Você é a número um na minha vida”. Poxa, isso faz um bem enorme ao coração. Somos carentes. Queremos nos sentir importantes para alguém. E sentir que o parceiro olha pra gente como se fôssemos tudo na vida dele… é o máximo.

Quem prioriza o companheiro (aplique sempre o termo para o masculino e feminino, neste caso), cria uma atmosfera de romantismo. A pessoa demonstra amor, carinho, desejo, admiração, bem querer… O relacionamento se torna muito mais seguro, estável. E aí é que entram os filhos na história. Filho que nota que o pai ama demais a mãe dele, observa o exemplo, sente segurança e tem um desenvolvimento emocional muito mais saudável.

Os filhos precisam de referências sólidas de amor entre os pais. Filhos que veem o clima romântico que existe em casa acreditam que a vida a dois pode valer a pena. E se tornam, no futuro, melhores maridos, melhores esposas. Além disso, desenvolvem um olhar atento na escolha no futuro do parceiro. Ou seja, têm menos chance de se envolverem com alguém que lhes farão infelizes.

Filho que passa a ser prioridade do pai ou da mãe, torna-se muito mais egoísta. Sem contar que aprende a fazer uso dessa posição, que acaba por lhe dar autoridade, para jogar o pai contra a mãe, a mãe contra o pai… Consequentemente, acaba por ter mais dificuldade para enfrentar as decepções da vida, os “nãos” que vai ouvir pelo caminho… Não saberá ser o segundo na lista e ainda vai buscar num futuro parceiro alguém que apenas contemple suas carências.

Por fim, um último aspecto. Um dia os filhos vão embora. Imagine que o casamento resistiu, apesar do parceiro ter deixado de ser prioridade… O que vai acontecer? O companheiro já não será mais o mesmo de antes. E o sentimento, pela casa vazia, será perturbador. Os índices de divórcio nessa fase da vida ajudam a entender por que, quando os filhos saem casa, o relacionamento se rompe. Como os filhos se tornaram o foco do relacionamento, sem eles, não existe mais relação. A distância, a sensação de abandono já se tornaram tão grandes que nada mais há a fazer.

O que é mais importante: o relacionamento ou os filhos?

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O escritor, especialista em famílias, Rafael Vásquez, sustenta uma tese bastante interessante… Se você ama seus filhos, vai lhes dar o maior exemplo de todos ao amar o seu marido (a sua esposa) de todo coração. Sim, um amor de qualidade, abnegado, edificante. Na opinião dele, não dá para ter amor perfeito pelos filhos sem cultivar um amor ainda maior pelo parceiro (ou parceria).

Tem algumas coisas que as pessoas acreditam que não fazem sentido algum. Então, sejamos sinceros… Não passa de conversa fiada essa ideia que é possível viver em pé de guerra com o cônjuge – ou ex-cônjuge – e assegurar uma educação saudável para os filhos.

Os estudos mostram – sejam eles da psicologia, antropologia, sociologia etc – que o desenvolvimento saudável das crianças e dos adolescentes está diretamente relacionamento ao entorno familiar. Pais que se respeitam, que demonstram consideração, afeto… Pais que trocam carinhos entre si garantem aos filhos referências importantes sobre as relações pessoais.

O amor mútuo entre os cônjuges fertiliza a capacidade de amor dos filhos, porque são eles o resultado, a encarnação e manifestação da união conjugal em muitos sentidos. Se um filho detecta que o amor de um de seus pais pelo outro é frágil, transitório, passa a desenvolver dúvidas e até certo temor a respeito da solidez dos sentimentos de seus pais por ele.

E isso não é exagero meu. Basta conversar com qualquer terapeuta que atende filhos de casais separados… Frequentemente, os filhos de pais separados experimentam culpa. Muitos alimentam, inclusive, a crença que foram os responsáveis pelas desavenças do casal. Na maioria dos casos, os filhos não apenas lidam com a ausência do pai (ou da mãe) que saiu de casa, como também, ainda que inconscientemente, tornam-se inseguros e temem ser abandonados a qualquer momento.

Claro que este medo tem pouco ou nenhum fundamento, mas os temores não são racionais. Por isso, são muito difíceis de administrar. Como resultado, será complicado para o filho acreditar de fato na existência de um amor constante, paciente, abnegado e estável. Será difícil confiar nas pessoas… Provavelmente se tornará desconfiado em suas relações pessoais e não será fácil estabelecer amizades duradouras e gratificantes.

Sabe, os filhos são presentes que a vida nos dá. E devemos cuidar para que se tornem pessoas de bem. Entretanto, o melhor investimento nos filhos passa pela atenção que se dá ao parceiro (a parceira). A gente cria os filhos para o mundo. E quando a pessoa investe no relacionamento, prepara os filhos para sair de casa e ainda garante que, quando eles se forem, terá um lar de verdade.

É fundamental lembrar que, quando a gente escolhe alguém para dividir a vida, a escolha é pessoal, é livre. E, por isso, se algo não está indo bem, deve recordar que o outro foi o seu eleito (a sua eleita). Filhos que presenciam a história de pais que apostam tudo no amor, tornam-se mais fortes e acreditam que a felicidade é possível.

As tarefas que a criança pode fazer dos 8 aos 12 anos

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Muitos pais acham que os filhos são pequenos demais para fazer determinadas tarefas. Porém, a própria constituição psicológica da moçadinha sugere que não há razão para poupá-los. Trabalhar não causa trauma em ninguém. Pelo contrário, aperfeiçoa a própria natureza, o caráter. Enfim, prepara para a vida.

Entre os nove e onze anos
Já é bastante autônomo e tem suas próprias vontades. Também é responsável. Por isso, pode ser cobrado para ter sua própria organização (e não a da mãe ou do pais) com os materiais, roupas… Sua própria poupança. Pode e deve encarregar-se de algumas tarefas domésticas e precisa realizá-las com responsabilidade e certa perfeição. Por outro lado, gosta de ser recompensado pelas tarefas que lhe são atribuídas.

Embora vez ou outra apareçam ainda indícios de dependência, gosta de tomar decisões e opor-se aos adultos inclusive com certa rigidez. É capaz de escolher com critérios pessoais. Geralmente não admite exceções, é exigente e rigoroso.

Identifica-se com seu grupo de amigos e cada um tem sua “função”. Sabe reconhecer a posição de liderança de outras pessoas ou a questiona se julga que não possuir mérito.

Reconhece o que faz de errado, porém sempre busca desculpas. Gosta de decidir por si mesmo e tem necessidade de se afirmar na frente das pessoas, por isso a resistência em obedecer e ao mesmo de tempo de mandar nas crianças menores. Geralmente conhece suas possibilidades, é capaz de refletir antes de fazer algo, aprende as consequências e se sente atraído pelos valores morais de justiça, igualdade, sinceridade, bondade etc. Porém, como disse no texto anterior, carece de um ambiente de bons exemplos para se espelhar.

Entre onze e doze anos
A influência dos amigos começa ser decisiva e sua conduta é influenciada em grande parte pelo comportamento que observa em seus amigos e amigas e companheiros de classe. Os irmãos maiores têm mais influência sobre eles que os pais. Trata-se de uma fase em que as críticas são muito frequentes e dirigidas aos pais e professores. Não gosta que lhe tratem de um modo autoritário, como se fosse uma criança; reclama autonomia em todas suas decisões.

Necessita ter amigos e depositar deles sua intimidade; é leal ao grupo e sua moral é a de seus iguais – imita a forma de vestir, os jogos, as brincadeiras, os passatempos, diversões etc. Quer ser como os mais velhos (como gente de 16, 18 anos…). Tem senso de responsabilidade e trata de cumprir suas obrigações, também se torna mais flexível em seus juízos. Tem capacidade de analisar o que é bom e o que é mal em suas ações, pode pensar nas consequências, conhece com bastante objetividade suas intenções e deseja definir as coisas por si mesmo, ainda que se equivoque.

É uma fase que pode realizar praticamente todas as tarefas domésticas tidas como dos adultos: cozinhar, passar, limpar, lavar, comprar… Não deve ser poupado de ajudar em casa. Porém, as atividades devem ser feitas como parte da dinâmica familiar e não como castigo por desobediência ou algo do tipo.

PS- Com este texto, encerro essa série que trata das atividades que os filhos podem executar em casa. É fundamental, porém, acrescentar que ensinar tudo isso dá trabalho. Por isso sempre digo: se você não tem tempo para educar um filho, não tenha filho. Educar dá trabalho. E requer dedicação, envolvimento, comprometimento, persistência.