Queremos ser amados

Talvez esta seja a nossa maior necessidade: nos sentirmos amados/as. Há uma carência que nos é intrínseca, está em nós: queremos saber que importamos para outra pessoa, que fazemos diferença na vida da outra pessoa. Embora cada pessoa manifeste esse desejo de um jeito, apenas gente “anormal” não se importa com o amor do outro.

Num momento tão delicado de nossa história, numa sociedade individualista, em que vivemos voltamos para os nossos próprios interesses, queremos nos sentir amados, mas nem sempre damos amor. E isso causa um descompasso: afinal, se cada um olha apenas para si, quem estará disponível para dar amor? Logo, quase todo mundo guarda em si certa carência; é como se estivesse com o tanque vazio de amor.

Diariamente, casamentos são desfeitos porque uma das partes – ou as duas – não estava se sentindo amada. E quando uma pessoa não se sente amada, imagina-se desprezada, ignorada, deixada de lado. Os conflitos vão se avolumando, as cobranças e, o pior, a pessoa fica vulnerável, aberta a qualquer abordagem externa. Logo, a traição se torna uma possibilidade.

Deixa eu repetir aqui algo que insisto sempre: amor é decisão. E fazer o outro sentir-se amado implica numa série de práticas cotidianas.

Tem muita gente por aí iludida com o amor. Acredita que aquela paixão dos primeiros meses do relacionamento era amor. Como a paixão vai embora – e sempre vai embora, sempre acaba -, a pessoa perde a disposição de agir para agradar o parceiro, a parceira.

A paixão motiva atitudes altruístas. Enquanto estamos apaixonados, nos doamos completamente. Fazemos tudo! Se pudéssemos, dávamos o céu e as estrelas para o outro. É óbvio que num cenário repleto de atitudes gentis, com pequenas surpresas, toques, palavras amorosas… Num cenário como este, não dá para se sentir carente.

Mas quando a paixão acaba, também acabam todas as atitudes maravilhosas que tocavam o coração da outra pessoa e a fazia sentir-se amada.

Então o que fazer para que nosso companheiro, nossa companheira siga sentindo-se amado/a? Só existe uma maneira: continuar agindo de forma propositiva, tentando agradar, agindo para fazê-lo/a feliz. Também por isso o amor é decisão. Noutras palavras, eu decido amar a outra pessoa todos os dias. E minha decisão se revela em práticas cotidianas de gentileza, de palavras amorosas, pequenos agrados, tempo de qualidade, surpresinhas… Respeito, acolhimento, tolerância, incentivo…

Diga-me: quando você recebe esse tipo de cuidado de outra pessoa não se sente amado/a? Não sente que sua vida, sua presença importa para ela/e?

Pois é… Sentimo-nos amados quando as pessoas demonstram, em práticas, que nos amam. Um “te amo” faz bem, mas parece vazio se nunca é demonstrado com atitudes. O “eu te amo” que não se traduz em ação, nada significa.

Portanto, se todos querem sentir-se amados, o que você tem feito para que o seu parceiro, sua parceira compreenda que você o/a ama?