Alimente sua mente com bons pensamentos

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Dias atrás, li essa frase: se espera fracassar, fracassará. Ela vinha acompanhada de outra, “se acredita no sucesso, alcançará”.

O pano de fundo dessas duas frases é a ideia de que aquilo que pensamos norteia nossas crenças, logo, nossas ações.

Uma mente ocupada por pensamento negativos vai resultar em ações pouco comprometidas com os propósitos.

É como um time de futebol que entra em campo achando que vai perder. A derrota já estará garantida antes mesmo do apito do juiz.

Por outro lado, a crença na possibilidade de vitória resulta numa entrega, num compromisso de disputar cada bola, de correr 90 minutos com toda intensidade para alcançar o resultado.

Quando isso acontece, mesmo que o time adversário seja tecnicamente melhor, o resultado se torna imprevisível. E o espetáculo está garantido para os torcedores.

Desde a filosofia antiga até as pesquisas da Psicologia Positiva desenvolvida na Universidade de Harvard, como também nos textos bíblicos, encontramos a ideia de que devemos cuidar dos nossos pensamentos e alimentar coisas boas, se desejamos uma vida feliz, uma vida bem-sucedida.

Isso não significa ser um otimista bobo, significa apenas olhar para si como um ser humano capaz de alcançar seus sonhos, dotado de inúmeras potencialidades que podem ser desenvolvidas resultando em relacionamentos melhores, criatividade, alegria, mais produtividade, animação… Quem não quer conviver com gente assim?

Ginástica cerebral

ginastica_cerebroEu sempre soube que precisamos exercitar o cérebro. Mas desconhecia que, por natureza, ele era acomodado. Pois é… Nosso cérebro é preguiçoso.

Achei bem interessante essa tese. Conheci numa entrevista com a psicóloga Mariângela Maestri. A teoria justifica muita coisa. Inclusive por que a gente gosta de rotinas. Por exemplo, se toda vez você fosse ao supermercado e as prateleiras estivessem em lugares diferentes, como se sentiria? Provavelmente, ficaria incomodado e deixaria de frequentá-lo.

Você já reparou que a gente troca as marchas do carro sem pensar nisso? Ou, ao passar pela mesma rua de sempre, um dia descobre que um prédio novo surgiu “do nada”? (Claro, o prédio estava sendo construído, mas nem percebemos).

Isso acontece porque o cérebro tem a tendência de aprender algo e, a partir disso, criar uma espécie de rotina. É como se a gente tivesse que atravessar uma mata virgem… Teríamos que desbravá-la, criar um caminho. Se fossemos voltar, pegaríamos o caminho já percorrido.

O que a gente costuma dizer como “é mais fácil assim” é uma espécie de resposta do nosso cérebro aos desafios cotidianos. Não significa que é mais fácil. Apenas que quer fazer do jeito conhecido. É o costume. Depois que se acostuma com certas coisas, rotinas e gostos, o cérebro entra numa zona de conforto. É por isso que a gente cozinha do mesmo jeito, dirige do mesmo jeito, trabalha do mesmo jeito e, em alguns casos, até “namora” do mesmo jeito.

O cérebro quer trabalhar numa “área” que ele gosta (ou melhor, que aprendeu a gostar). Isso faz a gente entender por que, ao entrar num site de notícias, nosso olhar parece atraído para aqueles assuntos mais fáceis de serem compreendidos – fofocas das celebridades, esportes… De certa forma, durante nosso desenvolvimento, aprendemos a gostar desses temas – também por exigirem menos reflexão. Então a tendência é que se faça tudo igual… Todos os dias.

Essa também é a razão de nos chatearmos quando temos que estudar (ler um texto, por exemplo) uma teoria que não nos atrai. Não é que nos falte capacidade para entendê-la; o cérebro é que não quer sair da zona de conforto.

Como mudar isso? Desafiando-nos diariamente. Recebemos vários estímulos o tempo todo. Geralmente respondemos aqueles que nos atraem (pois já estamos acostumados). Entretanto, precisamos criar outros estímulos. Por exemplo, vez ou outra trocar as coisas de lugar – pode ser a gaveta de meias, cuecas, calcinhas… O lugar onde guardamos calças, blusas, camisetas. Também podemos transitar por lugares diferentes enquanto vamos para o trabalho, escola, restaurante etc. Dá para evitar comprar e comer sempre nos mesmos lugares…

Além de provocar estímulos diferentes por meio de mudanças nas rotinas, também podemos assistir filmes e programas de gêneros diferentes, ler sobre assuntos que desconhecemos… São coisas pequenas, mas que provocam o cérebro, ajudam a tirá-lo do automático.

Vantagem disso? Essa “ginástica cerebral” atua sobre os neurônios. A chamada “neuroplasticidade” é a capacidade que o cérebro tem de ampliar suas funções, de modificar-se. Portanto, quando a gente exercita o cérebro, melhora a concentração, a disposição mental, a criatividade, amplia o conhecimento e ainda contribui para prevenção de doenças mentais como a demência. Bom, né?

Cuidar de si mesmo

Escrever sobre suas angústias, sonhos, desejos é forma de se conhecer e cuidar de si mesmo
Escrever sobre as angústias, sonhos, desejos é forma de se conhecer e cuidar de si mesmo

Tenho a impressão que um de nossos maiores desafios é cuidar da gente, do coração, das emoções. Temos tempo pra tanta coisa, mas quase nunca olhamos para nosso interior, para nossas necessidades.

Quais são meus sonhos?
O que me agrada?
O que me faz bem?
O que desejo para minha vida?
Como construir meus dias?
De que forma conquistar as pessoas que amo?
Como me livrar das coisas ruins?

Nem tudo a gente consegue fazer, é verdade. Entretanto, viver bem passa por se conhecer. E mais que isso: ter tempo para olhar para o interior, para seus próprios pensamentos.

A vida em movimento reclama pausa, reflexão, introspecção. É assim que a gente dá conta de saber o que se quer e como alcançar. Também é assim que notamos nossos limites e desenvolvemos estratégias para crescer como indivíduos.

Não há vida sem sonhos. Mas não há sonhos realizados sem planos, projetos e conhecimento de si mesmo.

Em quem você pensa?

Reconheceu alguém?

Quando coloca a cabeça no travesseiro?
Quando acorda?
Quando recebe uma boa notícia e quer compartilhá-la?
E quando o exame médico diz que você precisa de uma cirurgia?
Quando vai à loja escolher uma roupa para sair?
Quando não está fazendo nada e deseja uma companhia?
Quando quer muito um abraço?
Quando escuta no rádio o anúncio do show de sua banda favorita?

Nossos pensamentos indicam muito do que a gente sente. Muitas vezes a gente quer que o amor se materialize em palpitações, mãos frias, suor… um incomodozinho no estômago. Até acho natural que vez ou outra isso aconteça. Porém, o amor está longe disso. Essas formas idealizadas de “sentir” o amor são vendidas pelos filmes, pelos romances… Mas estão longe do real.

O amor se revela no desejo de estar junto, de dividir, de partilhar. O amor existe quando você confia, quando sente que o outro te faz bem, quando conversar não é um peso, quando sair pra almoçar com o outro é prazeroso – não importando o que está na mesa. Tem amor quando você sabe que é respeitado, que é querido, desejado. Quando reconhece os defeitos, mas não ignora as virtudes. Admira o que há de belo e ajuda a reparar as falhas, sem criticar. O amor se revela quando há aceitação, perdão, desejo.

Quando a gente põe a cabeça no travesseiro e lembra do outro com carinho, o coração está indicando que existe amor. Ao acordar, se pensar no outro faz bem, há amor. Se sente desejo de encontrar, o sentimento está presente. Se escolhe uma roupa pensando se vai agradá-lo, não existe motivo pra duvidar que é amor.

Bom, como diz o Jota Quest:

Se isso não é amor
O que mais pode ser?

Sabe, inseguranças são normais. E não dá pra quantificar o amor. É por isso que muita gente se confunde. Ama sem saber que está amando; ou nem ama e acha que é amor. Dá pra desejar sem amar. Dá pra se apaixonar e não amar. Entretanto, quando a pessoa questiona o que sente, olha pra dentro de si, observa com atenção os seus pensamentos, consegue fazer uma leitura de seus sentimentos. Então… que tal começar pelas perguntinhas do início do texto? Reconhece alguém?

Alguns pensamentos parecem maiores que nós

Dia desses esbarrei num texto da jornalista Rosana Hermann. Em outras palavras, ela sustentava a importância de afastarmos os maus pensamentos. A tese básica era mesmo esta: negar-se a alimentar qualquer coisa negativa.

Eu gosto da sugestão. Ainda hoje ouvia algo parecido de uma psicóloga. Ao falar sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo, a profissional pontuava a necessidade de treinar nosso cérebro para barrar os pensamentos obsessivos que resultam em comportamentos compulsivos.

Acho mesmo que é necessário algum tipo de treinamento. Embora queira acreditar que podemos, sozinhos, dar conta de afastar o negativismo, entendo que não somos capazes de fazer isso sempre, em todas as situações.

Há lembranças que nos consomem. Noutras vezes é só nossa mente criativa, criadora trabalhando sem parar. Mas trazendo uma série de imagens e sugestões que roubam nossa paz.

E nessas horas não dá para simplesmente dizer: “não vou pensar nisso”. Quando o sono se vai, você não consegue escolher dormir.

É o cérebro em movimento… Dono de si mesmo. Maior que nossas forças, vontades.

Entretanto, ainda assim, acredito que render-se a sentimentos negativos é tudo que não podemos. Ainda que eles insistam e sejam mais fortes que nós, a busca pela paz – através de pensamentos positivos, boas lembranças etc – deve ser nosso objetivo sempre. E se não dermos conta disso sozinhos, pedir ajuda é a melhor saída. Só não devemos deixar de viver e ser feliz.

Rumo para a vida…

Fecho a conta da semana por aqui. Vou tirar a tarde deste feriado para escrever um artigo científico e, durante o fim de semana, aproveitar as coisas boas que um sábado e um domingo proporcionam. A você, caro leitor, obrigado pela visita. Deixo um texto para a sua reflexão…

Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida. Sal. 104:33.

Você já experimentou a sensação de estar boiando sem rumo no mar desta vida? Então, leia esta meditação. O Salmo 104 é a versão poética do Gênesis. O tema central é o reconhecimento de Deus como Criador e Sustentador do Universo.

No verso de hoje, o salmista promete cantar louvores a Deus enquanto viver. Essa promessa é motivada pela segurança que experimenta ao reconhecer-se criatura, obra-prima do Criador. Diferente do homem de nossos dias: humanista, relativista, pluralista, que deseja ser o deus de seu destino, dono absoluto de seus padrões de comportamento.

Que ironia! A liberdade que o homem procura vira libertinagem. A independência que busca transforma-se em escravidão dos próprios instintos. Machuca-se, fere-se, destrói-se e não é feliz.

O salmista sabe que é criatura. Aceita este fato. Não é submissão irracional. Seu desenvolvimento dependerá justamente de saber que tem um Criador que o colocou neste mundo para escalar montanhas e voar pelo azul infinito de realizações inéditas.

A loucura do homem é paradoxal. Trágica sua busca sem sentido. Quanto mais procura, menos acha. Perde-se no labirinto de seu raciocínio, sufoca-se na sua amargura e na sua angústia. Mergulha como o peixe no seu próprio aquário e, exausto, tira a cabeça buscando o oxigênio que não achou nas suas próprias águas.

Eu não quero essa vida para mim, parece dizer o salmista; por isso, reconhecerei meu Deus como Criador, enquanto viver. É a única garantia de que a minha vida continuará tendo sentido.

E quanto a você? Não acha que chegou a hora de escutar menos as explicações humanas e volver mais os olhos em direção a Deus? Ele é seu Criador e sabe melhor do que ninguém como funciona a intrincada maravilha de sua mente e de seu corpo.

Não inicie as atividades hoje sem reconhecer-se criatura. Deus é pai, você é filho. Diga como Davi: “Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida.”