As preocupações de cada dia

Não há dúvida que a vida não é nada fácil. Também é certo que a gente se preocupa com a saúde, com as finanças pessoais, com nosso relacionamento, com nossos filhos… Essa é a vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa entender: para onde vão nossos pensamentos, vão também nossas energias e até mesmo nossas emoções.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, quando ocupamos demais nossos pensamentos com as preocupações, gastamos boa parte de nossas energias em situações que, muitas vezes, ainda não aconteceram e que outras tantas que não podemos resolver.

A maneira como reagimos diante dos problemas faz toda a diferença, inclusive no nosso humor. Enquanto estamos com os pensamentos ocupados pelas preocupações, deixamos de agir.

Apesar das preocupações, temos uma vida. Enquanto eu fico preocupado demais, posso estar deixando de cuidar bem do meu filho e isso vai gerar um outro problema amanhã. Enquanto eu gasto todas as minhas energias me preocupando com as contas do próximo mês, deixo de trabalhar de maneira satisfatória e isso pode me levar a perder o emprego amanhã, aumentando ainda mais os meus problemas. Enquanto fico preocupado pensando que, no fim do ano, vou receber a sogra, posso estar brigando com meu parceiro, minha parceira e desgastando meu relacionamento.

Então fica a dica: embora as preocupações sejam normais, procuremos nos concentrar no que temos em nossas mãos hoje.

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Por que vale a pena persistir em nossos sonhos?

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Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles.

Quando escrevi “A tristeza de fim de ano” e “Não dá para desistir antes de chegar ao final”, compartilhei ali argumentos que de alguma forma representam momentos da vida de muitas pessoas. Não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E estas dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Em 2004, eu tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno da faculdade. Eu tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto… Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi os meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas… E, por fim, no início deste mês de dezembro, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. O esforço foi recompensado. Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Dá pra fazer bem feito medicina e direito, por exemplo. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Entretanto, vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.

Onde você quer chegar?

O título não é meu. É da Rosana Hermann. Mas a pergunta que ela faz incomoda. A gente sabe onde quer chegar? Temos definidos os nossos objetivos?

A vida é confusa. Ao mesmo que queremos uma coisa, desistimos e já sonhamos com outra. E assim vamos levando. Até temos planos. Mas geralmente são coisas tolas, que pouco nos acrescentam. Fazemos projetos para compra do carro, da casa… Focamos nossos esforços para o curso superior, mestrado… enfim. Mas onde queremos chegar? Qual é nosso destino?

Ninguém controla sua vida. É impossível. Porém, nossos alvos devem estar definidos. Carecemos de um rumo. E somos nós quem o estabelecemos. Podemos revê-los, mas, sem saber onde queremos chegar, caminhamos sem rumo. Esvaziamos a razão da própria existência.

A única boa notícia é que, se a vida tem sido vazia, enquanto vivemos sempre há a chance de recomeçar. Como diz a canção da Daniela Araújo: “o tempo não volta nem pode parar, mas agora é tempo de recomeçar“.

Qual é o plano?

Planejar faz bem. É necessário. Todos precisamos de planejamentos. De alguma forma, nossa rotina é resultado de um planejamento. Simples ou mais elaborado, ter um plano de ação é fundamental.

Mas… e a vida? Planejamos a vida? Qual é o seu plano? Qual é o meu plano pra vida? Eu diria que o melhor plano é desejar viver. Planos são necessários. Do contrário, a vida perde o sentido. Entretanto, nossos planos não podem ser mais importantes que nosso desejo diário de celebrar a vida.

Não se trata de fazer da música de Zeca Pagodinho, Deixe a vida me levar, uma filosofia de vida. Não. Não é esta a proposta. Mas é preciso viver mais. Celebrar mais. Alegrar-se mais. E celebrar a vida, por vezes, é se esvaziar das preocupações. Nossos medos, inseguranças, nossos fantasmas assustam. Podem nos colocar pra correr. Ainda assim, não devem nos fazer perder de vista o cenário dessa corrida.

O que temos a nossa volta? Quem são as pessoas pelas quais passamos? Em busca de nossos planos, não devemos ignorar cada momento que vivemos. Devemos olhar para o futuro, e sonhar com ele, mas o presente é o que temos. Então, viver o presente será sempre nosso melhor projeto de vida.

Planejamento em excesso

“Planejamento” talvez seja uma das palavras da moda. Os gurus da autoajuda sustentam a importância de planejarmos carreira e, junto com isso, nossa vida. Está clara a importância de ter objetivos profissionais bem definidos. Também é importante sonhar com conquistas básicas ou outras mais sofisticadas – uma viagem para o exterior, por exemplo. Entretanto, será que não se torna uma espécie de compulsão quando se idealiza a idade com que estará formado, casado, tendo casa, apartamento na praia etc? Isto não faz com que deixemos de apreciar cada vitória para viver em função da próxima conquista? Ambição demais não nos cega? Será que planejar demais não representa muitas vezes tentar planejar quando ser feliz?

Tentamos responder esta pergunta ontem no Questão de Classe. Nosso programa de educação, cultura e comportamento conversou com a psicóloga Rute Grossi Milani. O papo foi bastante produtivo. Numa conversa bastante informal lembramos do quanto é importante relaxar e viver cada dia. Não é simples. Sei disso. Quem gosta de prever cada ação, geralmente sofre com os imprevistos. E mesmo quando eles não existem, sempre há um motivo para planejar uma nova ação. A coisa chega ao ponto de se planejar como será o almoço, o encontro com alguém…

Ter uma certa organização não faz mal a ninguém. Pelo contrário, é importante. Mas não podemos nos tornar reféns de nossos planos. Do contrário, a frustração se torna uma constante em nossa vida.