As preocupações de cada dia

Não há dúvida que a vida não é nada fácil. Também é certo que a gente se preocupa com a saúde, com as finanças pessoais, com nosso relacionamento, com nossos filhos… Essa é a vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa entender: para onde vão nossos pensamentos, vão também nossas energias e até mesmo nossas emoções.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, quando ocupamos demais nossos pensamentos com as preocupações, gastamos boa parte de nossas energias em situações que, muitas vezes, ainda não aconteceram e que outras tantas que não podemos resolver.

A maneira como reagimos diante dos problemas faz toda a diferença, inclusive no nosso humor. Enquanto estamos com os pensamentos ocupados pelas preocupações, deixamos de agir.

Apesar das preocupações, temos uma vida. Enquanto eu fico preocupado demais, posso estar deixando de cuidar bem do meu filho e isso vai gerar um outro problema amanhã. Enquanto eu gasto todas as minhas energias me preocupando com as contas do próximo mês, deixo de trabalhar de maneira satisfatória e isso pode me levar a perder o emprego amanhã, aumentando ainda mais os meus problemas. Enquanto fico preocupado pensando que, no fim do ano, vou receber a sogra, posso estar brigando com meu parceiro, minha parceira e desgastando meu relacionamento.

Então fica a dica: embora as preocupações sejam normais, procuremos nos concentrar no que temos em nossas mãos hoje.

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Fantasias sobre a felicidade: preocupar-se com os problemas

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Viver menos preocupado com o futuro é um dos caminhos que permite ser feliz

Não dá pra ser feliz lamentando da vida. É impossível. Também não dá para ser feliz ocupando – e alimentando – a mente com pensamentos negativos.

Sabe, tem gente que torna a vida muito mais difícil do que ela realmente é. E isso acontece porque a pessoa de certa forma permite que a mente viaje por pensamentos ruins. Sim, por vezes construímos medos terríveis, que nos consomem por dentro.

É normal ter certas preocupações. Entretanto, é fundamental manter o alerta ligado; não dá para viver ansiosamente. Tem gente que fica o tempo todo com medo de perder o emprego, angustiado com o resultado do exame de saúde que nem foi feito ainda, com receio de que o parceiro vai abandoná-la… A pessoa sofre um monte, mas por coisas que, muitas vezes, sequer acontecem.

Claro, existem acontecimentos que provocam estragos na alma, ferem, machucam. Mas provavelmente nossas fantasias projetam coisas que, na maioria das vezes, não se concretizam.

E é fácil notar isso. Olhe para o seu passado. Procure lembrar de algum medo terrível que você teve em alguma ocasião de sua vida. O que aconteceu depois? É quase certo que projetou imagens aterrorizantes e que nunca se tornaram realidade em sua vida.

Na verdade, isso acontece porque não somos bons juízes. Não temos como prever a dor. E, como afirma o professor de Harvard, Daniel Gilbert, não somos conscientes de que possuímos uma espécie de sistema imunológico afetivo que é capaz de se recuperar muito mais rápido do que imaginamos. Por isso, um bom método consiste em confiar um pouco mais em nós mesmos, pois damos conta de sair de situações difíceis.

Viver menos preocupado com o futuro é um dos caminhos que permite ser feliz.

As preocupações nos consomem

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Preocupar-se é tão mau como ter medo. Só serve para tornar as coisas mais difíceis.

Não sou um sujeito despreocupado. Mas melhorei muito. Deixei de tentar controlar tudo e viver na expectativa do que está por vir. Preocupar-me não me coloca no comando. Não me ajuda a evitar o que pode acontecer. Apenas me faz sofrer, causa ansiedade, tira o sono e impede, inclusive, o raciocínio claro.

A frase que abriu o texto é do escritor norte-americano Ernest Hemingway. Está na belíssima obra “Por quem os sinos dobram”. Ela aparece no contexto em que um personagem tem uma importante missão. Entretanto, ao receber as orientações de seu superior, busca apenas dados sobre o que precisa fazer. Ele prefere não ter todos detalhes; não quer nada além daquilo que carece para executar bem a tarefa que lhe foi proposta.

O que ganhamos ao ficar projetando o que pode acontecer? Melhoramos nossas ações? Desenvolvemos estratégias mais eficazes? Ou será que nossas preocupações acabam por afetar o cotidiano atrapalhando até mesmo nosso desempenho em demandas que requerem nossa atenção imediata?

Sabe, a preocupação faz com que nossa mente se volte para situações que ainda podem ocorrer. A gente se ocupa de algo, problematiza e nem sabe se vai ou não ser do jeito que pensamos.

Curiosamente, quase sempre o desfecho é bem diferente daquele que esperávamos. Ou seja, sofremos à toa. Não precisava, mas gastamos tempo, energia em algo imaginário. Nossa mente projeta possibilidades, o quadro se amplia e passamos horas, dias, semanas angustiados.

Hemingway é preciso ao dizer que “preocupar-se é tão mau como ter medo”. Da mesma forma que o medo paralisa e nos impede de agir, a preocupação nos cansa, desgasta e torna os problemas maiores do que eles de fato são.

Sei que é quase impossível viver sob a lógica “deixa a vida me levar”. Entretanto, estar bem é estar em paz consigo mesmo. E isso passa pela disposição de disciplinar os pensamentos e ocupar-se mais do aqui e agora. A gente só tira a blusa de frio do guarda-roupas quando o inverno chega. A lógica é a mesma: o que não está em nossas mãos, o que ainda não temos como resolver deve permanecer onde está, acomodado, silenciado – à espera do momento certo de ser experimentado, confrontado, solucionado.

Quando a vida nos escapa

Por situações que nem sempre se tem controle, muitas vezes não vivemos o aqui e agora. Simplesmente não se sente. Não se experimenta. O momento vivido nos escapa. O corpo está num lugar. A mente, noutro.

As pessoas mais felizes são aquelas que se ocupam do que realmente estão fazendo. São aquelas que não permitem que a realidade escape em função de uma outra possibilidade que apenas vislumbram.

Costumo brincar que não há nada pior que comer algo pensando noutro prato, noutro gosto. Acho que você sabe o que é isso. Você está diante de uma pizza deliciosa, mas deseja uma picanha na chapa. Não tem jeito… Por melhor que a massa esteja, não será devidamente saboreada.

Tem gente que vive assim. Vive, mas não vive. Afinal, que graça tem estar mas não estar? Tocar mas não sentir? Ouvir mas não escutar?

É verdade que nem sempre é possível. Às vezes as preocupações nos consomem. Entretanto, tem gente que simplesmente ignora o que tem e passa os dias vislumbrando o que não tem.

A pessoa está em casa, cercado da família, mas está com a cabeça noutro lugar. Passa o dia ali, mas não repara o que acontece – muito menos vive aquele momento.

Não percebe o movimento dos filhos, o sorriso da esposa, o toque roubado do namorado, a piada do amigo…

Tem aqueles que são capazes de ir pra cama com alguém idealizando outra pessoa, outra transa.

Tudo bem… Cada um vive como bem quer. No entanto, tenho aprendido que a vida é curta demais para deixarmos que se esvazie por projeções de um mundo irreal e não tocável.