Apenas 11% dos brasileiros poupam para a velhice

Frequentemente, digo que a gente precisa viver intensamente o presente. Projetar demais o futuro pode nos fazer esquecer o agora.

Isso, porém, não significa abrir mão de um planejamento futuro. Tratar da aposentadoria, por exemplo.

Que pessoa, hoje, com 35, 40 anos, tem garantia de que vai aposentar pela previdência social? A previdência pública é deficitária. O governo está quebrado. E, com o envelhecimento da população, a situação tende a piorar.

Isso significa que não dá pra saber se vamos nos aposentar com 65, 70 anos… Muito menos, se o dinheiro da aposentadoria será suficiente para vivermos com dignidade.
Atualmente, o maior benefício pago pela Previdência a um trabalhador é de R$ 5,6 mil. É um bom dinheiro. Entretanto, pouca gente recebe esse valor. A média da aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada é de R$ 1,3 mil.

Na prática, o cenário sugere que devemos poupar. É fundamental nos prepararmos para a velhice.

Acontece que, no Brasil, apenas 11% da população poupa para a velhice. Os dados são do Banco Mundial. É verdade que esse índice já foi bem pior. Em 2014, apenas 4% dos brasileiros faziam poupança para a aposentadoria.

Contudo, mesmo em países com mais garantias aos idosos, existe um maior comprometimento das pessoas em poupar para o futuro. Para se ter uma ideia, no ranking mundial, o Brasil aparece em 101º – quando o assunto é poupar para a velhice. Estamos atrás inclusive de países muito mais pobres que nós, como são os casos de Filipinas (26%), Bolívia (20%) e Mali (16%). Ou seja, a pobreza não é uma desculpa para não se preparar para a aposentadoria.

Ouça o podcast do comentário da Band News. 

As contradições da previdência social

Pensar o futuro do Brasil passa por discutir uma efetiva reforma do sistema previdenciário. O modelo que temos é falho. E deficitário. O primeiro problema é que juntamos no mesmo sistema assistência e aposentadoria. Por exemplo, uma pessoa, que sofre um acidente de trabalho e fica seis meses de licença médica, recebe mensalmente um valor que assegura sua subsistência. Isso é mais que justo. Porém, esse benefício sai do caixa da previdência. É preciso repensar isso.

Mas o problema mais grave da Previdência Social é a lógica sem lógica das aposentadorias de alguns setores. Numa entrevista concedida ao El País, o economista Eduardo Gianetti classificou o sistema previdenciário como um sistema de castas. E concordo com ele.

O benefício médio de aposentadoria do INSS, para o cidadão comum, é de 1.300 reais. No Executivo federal, esse valor sobe para 7.000 reais por mês. No Legislativo, são 16.000 reais por mês. No Judiciário, são 27.000 reais por mês. De média.

Na prática, isso faz com que o déficit previdenciário gerado por 4 milhões e 200 mil aposentados do setor público seja do tamanho do déficit causado pelos 29 milhões do INSS.

Ou seja, qualquer proposta de Reforma da Previdência que ignore essas contradições será falha e, provavelmente, vai penalizar ainda mais o trabalhador comum, da iniciativa privada, que ganha menos que três ou quatro salários mínimos.

Quando eu aposentar…

Embora esteja longe de me aposentar, este é um assunto com o qual sempre me importei. Talvez por acompanhar o drama de gente muito próxima que, mesmo depois dos 70 anos, ainda não conseguiu o benefício da Previdência Social.

Sei que muita gente jovem não dá atenção ao assunto. Outros, mesmo na casa dos 30 ou 40 anos, seguem trabalhando, vivendo… E nem se preocupam com o recolhimento mensal de INSS. Acham que ainda é cedo, que no momento certo as coisas se ajeitam… Ignoram que a legislação atual é cada vez mais rigorosa (dificultando o acesso ao benefício) e que vai chegar um dia em que precisarão deixar de trabalhar.

Quando isso vai acontecer? Bom, depende de cada um. Da saúde, condição física… e até mesmo da motivação e capacidade de desempenhar suas funções.

No Brasil, as regras atuais são rigorosas, mas ainda preveem o pagamento do benefício numa idade em que as pessoas estão relativamente jovens, vigorosas. Por isso, até dá pra fazer planos sobre o que fazer depois de aposentadas. Inclusive, continuar trabalhando.

No entanto, com o envelhecimento da população – as pessoas estão vivendo mais -, a idade mínima para aposentaria deve aumentar. As mudanças podem não ser agora, mas vão acontecer. Na Alemanha, por exemplo, um importante político recentemente defendeu que as pessoas trabalhem até os 80 anos.

Temos que aceitar o fato de que os alemães têm que trabalhar por mais tempo. É a consequência lógica da mudança demográfica. Quem quiser e puder deve seguir trabalhando até os 75 ou mesmo 80.

A fala é do ex-ministro da Economia, Wolfgang Clement. Ele mesmo com 72 anos.

Como nasce menos gente, a população vive mais e os sistemas previdenciários (no Brasil e noutros países) são deficitários, a lógica é mesmo essa: trabalhar mais tempo. É preciso manter a máquina econômica funcionando (menos jovens, menos mão de obra, né?). E a máquina precisa de trabalhadores. Afinal, no sistema capitalista é isso que somos: mão de obra e consumidores. Quando a gente deixa de ser mão de obra e consumidor, a gente não serve pra mais nada.

Outro aspecto que deve motivar as mudanças nas regras previdenciárias é o tempo de recolhimento. A moçada estuda mais e entra mais tarde no mercado de trabalho. Logo, não tem muito sentido começar a trabalhar depois dos 20 anos e se aposentar antes dos 60.

Entretanto, por vezes, fico pensando: e a nossa vida? Que liberdade temos de escolher o que fazer – se é trabalhar, estudar, viajar etc etc? Tudo bem, eu trabalho em coisas que gosto. Tenho prazer no que faço. E pretendo parar de trabalhar apenas quando morrer – ou se tiver algum impedindo físico ou cognitivo. Mas, veja bem, quando chegar aos 60 anos, terei trabalhado por 47. Parece-me justo que o Estado devolva um pouco do que recolhi de impostos. E não estou falando apenas de recolhimento para Previdência. Afinal, como consumidor que sou, quanto de tributos já terei recolhido ao longo desses anos todos? Penso que será o momento de o Estado devolver um pouco do que dei a ele em forma de trabalho, geração de riquezas e pagamento de impostos. E, com isso, tenho o direito de ter o benefício da aposentadoria… escolhendo o que vou fazer. Trabalhar menos, por exemplo. Trabalhar quando quiser. Ou nem trabalhar.

Bom, como eu disse, pouca gente se importa com esse tema. Sei que mesmo por aqui, compartilhado no blog, o post não despertará tanto interesse. Mesmo assim, quis dividir o assunto com os amigos. Acho que este é um tema que deveria nos fazer pensar. Trata-se de algo muito nosso, muito particular, mas que passa por decisões políticas também. Deveríamos planejar o futuro, quem sabe – se houver tempo para isso – fazer uma previdência complementar (privada) e, principalmente, observar o discurso de nossos representantes. Eles podem decidir nossa vida sem que percebamos – inclusive se teremos que trabalhar até os 80 anos, para só depois nos aposentarmos.

Aumento para os aposentados

Existe muita expectativa em relação ao projeto do senador Paulo Paim (PT/RS) que quer reajuste igual ao do salário mínimo para todos os aposentados. Hoje, isto não acontece. O mínimo tem um reajuste, quem ganha mais geralmente recebe aumento menor – quase sempre, só a reposição da inflação.

Do ponto de vista social, a proposta de Paim é justa. Afinal, os aposentados têm perdido poder de compra. Entretanto, sob a perspectiva da responsabilidade fiscal, conceder reajuste semelhante é um desastre para a Previdência, já deficitária em bilhões e bilhões de reais.

Trabalhando muito; correndo atrás do vento

O post anterior já trata do assunto. Aqui amplio a reflexão.

Vi hoje um estudo que revela o desejo dos trabalhadores de se aposentarem aos 55 anos. Na verdade, metade dos entrevistados respondeu que gostaria de parar de trabalhar nessa idade. É compreensível. Também não acharia ruim me aposentar aos 55. Gosto de trabalhar, sou apaixonado pelo que faço, mas não ter que me preocupar com trabalho; pelo contrário, ter uma renda garantida aos 55 anos, me parece algo bastante razoável.

Esse desejo de se aposentar numa idade ainda produtiva tem algumas razões. Entendo que a maioria das pessoas trabalha mais que gostaria. Todo mundo precisa trabalhar, sente-se produtivo. Mas a jornada de trabalho geralmente vai além do limite físico. Por conta disso, falta tempo para família, lazer, relacionamentos. Com isso, planos e projetos são feitos para o período da aposentadoria.

As pessoas passam a viver em função disso. Trabalham, trabalham e ficam sonhando com o que farão quando se aposentarem. Aquela viagem dos sonhos, o aprendizado de uma atividade nova – pintura, música etc -, o exercício físico, enfim, tudo vai sendo transferido para o pós-aposentadoria.

Logo, é compreensível que as pessoas queiram parar de trabalhar aos 55 anos. Estão cheias de planos. Querem realizá-los, mas sabem que a rotina do dia-a-dia as consomem. É necessário se aposentar. Mas tem que ser numa idade em que a vida esteja plena. Ainda haja tempo para conquistar o que hoje não se pode alcançar.

Entretanto, embora o desejo de aposentar exista, pouca gente poderá cruzar os braços numa fase tão produtiva da vida. Com o envelhecimento da população, sabe-se que as demandas da Previdência Social são crescentes. Não há dinheiro para bancar tanta gente sem fazer nada, recebendo mensalmente do governo. Por isso, há projetos engavetados de reforma da previdência… Todos eles contando com uma idade mínima para aposentadoria acima dos limites da legislação atual.

Portanto, quem vive sonhando em realizar projetos apenas quando se aposentar está deixando de viver. Na verdade, está abrindo mão do aqui e agora. Poderíamos ainda dizer que essas pessoas estão perdendo a chance de experimentarem o projeto de Deus. E eu me incluo neste grupo. Afinal, também trabalho demais, corro muito e tenho deixado a vida passar.

No entanto, temos que reconhecer que o tempo é este. Tudo mais, como diz o sábio Salomão, é vaidade. É correr atrás do vento.

O sonho de aposentar-se aos 55 anos

Um estudo realizado com cerca de 16 mil trabalhadores apontou que mais da metade gostaria de se aposentar aos 55 anos. É uma boa idade. Ideal, eu diria. Com 55, é possível estar inteiro. Dá para gozar a vida. Afinal, com essa idade a pessoa para antes de envelhecer. O trabalho passa a ser acessório.

Entretanto, tal sonho está longe de ser realizado pela maioria dos trabalhadores. É impraticável. Com o envelhecimento da população, a Previdência Social não aguenta. Já é deficitária hoje. Imagina só se todo mundo com 55 anos estiver de braços cruzados!? Uma pena… Afinal, a rotina atual das pessoas tira delas o melhor e a aposentaria tende a ser um peso – com cansaço, doenças e muitos remédios.

As revistas da semana…

Veja: – Vestibular. Mudou, e agora? A Veja responde as 16 dúvidas principais sobre o novo sistema de seleção para o ensino superior, que já será adotado neste ano por 500 universidades brasileiras. Exclusivo, a reportagem traz três questões-modelo da nova prova. Ainda na edição, a Veja trata do retorno da utopia de um mundo sem armas nucleares. Isto é possível em função da proposta do presidente americano Barack Obama. Ele quer o fim dos arsenais atômicos. Na seção autorretrato, uma entrevista com o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, Jaime Lerner. Ele fala sobre suas ideias arrojados para solucionar o caos urbano.

Época: – O que fazer com crianças que não respeitam ninguém. E por que amor demais também estraga. A revista Época revela que filhos de pais com boas condições financeiras e de família estruturada também extrapolam os limites do mau comportamento. A reportagem também aponta que pais preocupados demais em oferecer atividades educativas e dar carinho contribuem para a construção de pequenos monstros. Na edição da semana, um especialista em doenças da beleza afirma que a obsessão pela estética acaba com a libido. Ele resume: “mulher que se acha feia não transa”. A revista Época também ouviu estudiosos, vítimas – e um assassino confesso – para entender um problema mundial: a violência contra a mulher cometida pelo próprio parceiro .

Isto É: – O impulso pelo consumo. Como funciona sua mente na hora de comprar, vender ou investir. A Isto É traz as mais recentes descobertas da neuroeconomia, a ciência que ajuda você a comprar, investir ou vender melhor. O novo tom de Lula. De olho em 2010, presidente troca comando do Banco do Brasil e pede afinação da equipe para aquecer a economia. A Isto É também traz uma reportagem sobre o incentivo à leitura dentro de algumas prisões brasileiras. Segundo a reportagem, o incentivo a essa prática tem ajuda na recuperação social de detentas. E como foram os três dias em que o craque Adriano passou desaparecido na favela onde nasceu – e que culminaram com a sua decisão de interromper a carreira.

Carta Capital: – O mundo grisalho. O envelhecimento da população vira um problema socioeconômico na Europa. No Brasil, dentro de uma década, será preciso remodelar totalmente a previdência. Ainda na edição, a CPI dos Grampos. E sobre a crise financeira, a Carta Capital aponta que a economia mundial poderá retomar o crescimento em 2010, desde que sejam adotadas as medidas certas.

Aviso de aposentadoria…

As mudanças que estão ocorrendo na Previdência Social, ao que parece, vão facilitar bastante a vida dos trabalhadores. A última boa notícia é de que, em breve, o trabalhador deverá receber em casa um aviso informando a possibilidade de se aposentar, quando já tiver idade para isso. Ou seja, a pessoa nem vai precisar correr atrás do benefício; será comunicado que já tem direito à aposentadoria.

Segundo o presidente Lula, o cidadão poderá saber, inclusive, quanto deverá receber de aposentadoria, caso queira deixar de trabalhar.