As preocupações de cada dia

Não há dúvida que a vida não é nada fácil. Também é certo que a gente se preocupa com a saúde, com as finanças pessoais, com nosso relacionamento, com nossos filhos… Essa é a vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa entender: para onde vão nossos pensamentos, vão também nossas energias e até mesmo nossas emoções.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, quando ocupamos demais nossos pensamentos com as preocupações, gastamos boa parte de nossas energias em situações que, muitas vezes, ainda não aconteceram e que outras tantas que não podemos resolver.

A maneira como reagimos diante dos problemas faz toda a diferença, inclusive no nosso humor. Enquanto estamos com os pensamentos ocupados pelas preocupações, deixamos de agir.

Apesar das preocupações, temos uma vida. Enquanto eu fico preocupado demais, posso estar deixando de cuidar bem do meu filho e isso vai gerar um outro problema amanhã. Enquanto eu gasto todas as minhas energias me preocupando com as contas do próximo mês, deixo de trabalhar de maneira satisfatória e isso pode me levar a perder o emprego amanhã, aumentando ainda mais os meus problemas. Enquanto fico preocupado pensando que, no fim do ano, vou receber a sogra, posso estar brigando com meu parceiro, minha parceira e desgastando meu relacionamento.

Então fica a dica: embora as preocupações sejam normais, procuremos nos concentrar no que temos em nossas mãos hoje.

Não escute demais os outros

falar_mal

Não é nada agradável ouvir alguém falando mal de você. Na verdade, até quando descobrimos por meio outra pessoa que um amigo está falando mal de nós, ficamos entristecidos. Por vezes, sentimos raiva e desejo de vingança. Dias, atrás, porém, encontrei um texto que resume uma grande verdade:

Não dê atenção a todas as palavras que o povo diz, caso contrário, poderá ouvir o seu próprio servo falando mal de você; pois em seu coração você sabe que muitas vezes você também falou mal de outros (Eclesiastes 7:21-22).

Sabe, pessoas falam de nós. E nós falamos das pessoas. Coisas boas e coisas ruins. Porém, como nossa natureza é má, parece que temos certa tendência em tecer comentários negativos a respeito dos outros. Quando o tipo de comentário sai de nossa boca, ainda nos desculpamos:

– Não estou falando mal de fulano; é apenas um comentário.

Entretanto, o que acho fantástico nesse raciocínio de Salomão está na primeira parte do verso. Diz ele “não dê atenção a todas as palavras que o povo diz”. Na prática, o autor nos recomenda a prestar menos atenção ao que os outros dizem. Afinal, todas as vezes que prestamos atenção ao que os outros estão dizendo, vamos ouvir coisas que não gostamos. E isso vai nos magoar, produzir sentimentos negativos… E sabe o que é pior? Pode nos desviar de nossas rotas.

Quantas vezes você já desistiu de um projeto por que alguém te desestimulou? Ou quantas vezes você ficou inibido de fazer alguma coisa com receio do que os outros diriam a seu respeito?

Embora críticas possam nos ajudar a crescer, devemos tomar cuidado para não escutar tudo que os outros falam. Quando a gente presta atenção demais nos outros, deixamos de escutar o próprio coração. Nossas verdades são silenciadas ou confrontadas pelo que os outros pensam. E isso nos paralisa, nos rouba até a vontade de viver. Passamos a viver em função dos comentários alheios e não com base em nossos sonhos.

Por que parar de sonhar?

sonhar

Existe um momento para desistir dos nossos sonhos? É quase impossível não pensar nisso quando a gente vê a notícia de uma senhora de 97 anos concluindo o ensino superior.

Eu entendo que, às vezes, é necessário desistir. Tem situações em que não vale a pena o desgaste físico, emocional. Há projetos que, para serem realizados, podem ter custos maiores que os ganhos. Reconhecer certos limites é uma atitude sábia. Ainda assim, há planos que talvez não possam ser desenvolvidos num momento, mas podem ser realizados noutra fase da vida.

É claro que não faz bem passar a vida inteira adiando as coisas. Porém, quando não dá, não dá. E esperar a hora certa é o que nos resta. Isso não significa ficar se lamentando, reclamando da sorte.

No caso da mineira Chames Salles Rolim, 97 anos, cursar uma faculdade só foi possível depois estar numa idade avançada. Mas ela conseguiu. Vai exercer a profissão? Provavelmente não. Mas certamente pode se orgulhar de ter feito algo que pouca gente se dispõe a fazer: estudar na velhice.

Por isso, penso que nunca é tarde para sonhar. Nunca é tarde para tornar sonhos em realidade. A vida é curta sim. Mas não acaba aos 40, aos 50… Nem aos 80. A vida acaba quando acabam os sonhos e nossa disposição de viver. Enquanto a gente quer fazer, quer realizar… Enquanto a gente se movimenta, a vida acontece.

Quando é preciso desistir

Persistir num sonho é fundamental para torná-lo realidade. Entretanto, ser constante não é ser burro por insistir naquilo que sabemos que vai dar errado. Não é fazer um sacrifício que vai além dos limites e que poderá trazer perdas maiores que ganhos.

Conheço um sujeito que montou uma padaria. Durante anos, a empresa deu lucro. Entretanto, nos últimos cinco anos, os negócios começaram a dar errado. Entretanto, lá está ele… Segue com fé que vai voltar a vender bem. Tudo mostra o contrário. A oferta de produtos é menor, a qualidade é duvidosa, o ambiente está um tanto sujo… Mas ele persiste. E a dívida só aumenta. Mesmo vendendo a padaria, não pagaria metade das contas.

Sei de uma moça que quer ser modelo. Ela deve estar próxima de completar 20 anos. A mãe e a filha insistem no projeto desde os 12, 13 anos. A família já gastou um dinheirão. No entanto, a moça não tem jeito pra coisa. Não adianta apostar em books, cursos… A garota pode ser qualquer coisa, mas não modelo. Ainda assim, não conseguem ver o que parece óbvio.

Precisamos sonhar. Os sonhos dão sentido à vida. Quem não tem projetos não vive. No entanto, nem tudo que a gente sonha é possível. Precisamos reconhecer nossos limites. Tem gente que adoraria ser músico, mas não tem aptidão alguma… Tem gente que gostaria de ser empresário, mas mal dá conta de administrar as próprias contas… Tem garotos que desejam ser jogadores de futebol, mas não passam de “pernas de pau”… Persistir em projetos fadados ao fracasso é perder tempo, é abrir mão de uma vida plena.

Algumas pessoas fazem grandes sacrifícios, investem tempo e dinheiro em projetos vazios. Ignoram inclusive os conselhos de amigos e familiares. É verdade que a maioria daqueles que falam com a gente mais atrapalham que ajudam. Entretanto, as críticas devem ser filtradas e alguns questionamentos podem nos conduzir à sabedoria. Às vezes, desistir nos poupa de frustrações, decepções… e prejuízos. Alguns vezes, desistir significa preservar a família, um relacionamento e até amizades. Todo projeto tem um custo, mas até que ponto vale a pena pagar o preço? Não dá para ser ingênuo… Ao ter um projeto, é necessário saber o que é prioridade. Se nossos sonhos atropelam o que é prioridade, desistir não é fracassar… Desistir é fazer a coisa certa.

Arquitetos do destino

O ano começou? Pra muita gente, ainda não. O clima de férias anestesia. A virada do ano se torna uma festa, mas o dia seguinte não significa muita coisa. Restam a ressaca, as lembranças, as fotos no Facebook, algum mal estar pelo exagero na comida… Enfim. Mas o ano só começa pra valer quando a gente decide que ele começou.

Frequentemente digo que a virada do ano não muda nada se a gente não mudar. Não é o ano que traz coisas novas pra gente; é nossa atitude de busca, de luta, de perseverança que faz a diferença. 2014 será melhor na medida que nós nos tornarmos melhores. Não adianta querer um ano de conquistas e repetir os comportamentos passados. A gente muda, a vida muda. É assim que funciona.

Conheço muita gente que reclama dos amigos, mas segue agarrado com as mesmas pessoas – ou frequentando os mesmos lugares, dividindo os mesmos espaços… Conheço gente que diz não encontrar ninguém interessante para amar, porém segue a rotina de ambientes pelos quais circula, não muda o visual, comporta-se de forma semelhante. Tem quem acha horrível o emprego, mas não envia um currículo, não faz um curso…

Se a gente entra ano e sai ano e faz as mesmas coisas, convive com as mesmas pessoas, frequenta os mesmos lugares… Se a gente não altera a nossa rotina, se a gente não interfere na própria vida, as coisas não acontecem. Não vai acontecer um amor novo, um emprego novo, nem melhora na sua dinâmica familiar. Não existe nada de místico num novo ano. A mudança no calendário só é capaz de duas coisas: provocar a reflexão e, por vezes, motivar novas atitudes.

Somos nós que escrevemos nossa história. Somos arquitetos do nosso destino.