Arquitetos do destino

O ano começou? Pra muita gente, ainda não. O clima de férias anestesia. A virada do ano se torna uma festa, mas o dia seguinte não significa muita coisa. Restam a ressaca, as lembranças, as fotos no Facebook, algum mal estar pelo exagero na comida… Enfim. Mas o ano só começa pra valer quando a gente decide que ele começou.

Frequentemente digo que a virada do ano não muda nada se a gente não mudar. Não é o ano que traz coisas novas pra gente; é nossa atitude de busca, de luta, de perseverança que faz a diferença. 2014 será melhor na medida que nós nos tornarmos melhores. Não adianta querer um ano de conquistas e repetir os comportamentos passados. A gente muda, a vida muda. É assim que funciona.

Conheço muita gente que reclama dos amigos, mas segue agarrado com as mesmas pessoas – ou frequentando os mesmos lugares, dividindo os mesmos espaços… Conheço gente que diz não encontrar ninguém interessante para amar, porém segue a rotina de ambientes pelos quais circula, não muda o visual, comporta-se de forma semelhante. Tem quem acha horrível o emprego, mas não envia um currículo, não faz um curso…

Se a gente entra ano e sai ano e faz as mesmas coisas, convive com as mesmas pessoas, frequenta os mesmos lugares… Se a gente não altera a nossa rotina, se a gente não interfere na própria vida, as coisas não acontecem. Não vai acontecer um amor novo, um emprego novo, nem melhora na sua dinâmica familiar. Não existe nada de místico num novo ano. A mudança no calendário só é capaz de duas coisas: provocar a reflexão e, por vezes, motivar novas atitudes.

Somos nós que escrevemos nossa história. Somos arquitetos do nosso destino.

Anúncios

Não dá para desistir antes de chegar ao final

persistir
A caminhada para realização de nossos sonhos quase sempre é difícil

A tristeza que sentimos por nossos fracassos geralmente não é menor que o sentimento de que somos incapazes. A impressão é que “não fomos feito pra isso”. Tudo dá certo para o outro; nunca para nós.

Quando escrevi sobre “a tristeza de fim de ano”, apontei que é comum algumas pessoas ficarem abatidas em dezembro por não conseguir dar conta de seus projetos. Idealizaram coisas, mas não as alcançaram. E gente que não realiza é gente que se olha no espelho e vê ali um derrotado.

Sabe, tudo que a gente deseja conquistar de diferente daquilo que temos geralmente tem um custo maior do que estamos habituados a pagar. Não importa o que seja. Podem ser os quilos que a pessoa quer perder, a promoção no trabalho ou a mulher amada. O que se quer conquistar é visto como maior, algo que está para além do que facilmente se conquista. Por isso, torna-se objeto de desejo.

E, curiosamente, a maneira como é visto o “objeto de desejo” se confunde com a forma como a gente se vê. Se a gente acha que é muito maior que nossas forças, já criamos a primeira barreira. Ninguém alcança seu objetivo se não acreditar em si mesmo. Não significa ser prepotente, arrogante… “se achar”. Nada disso. É confiar que, com esforço, é possível. E a partir disso, estabelecer uma estratégia e executá-la pacientemente.

O preço por um projeto é proporcional à sua excelência. Muitas vezes nos acovardamos pela grandeza dos projetos e fugimos do preço exigido para cumpri-lo (Ricardo Gondim).

Uma das coisas que aprendi com atletas é que não existe vitória sem dor. Todo atleta convive com a dor. E aprende a lidar com os fracassos cotidianos.

Sei que, para quem espera uma promoção, ver o colega com menos tempo de trabalho conquistar a vaga, é doloroso, frustrante. Porém, desanimar não ajuda nenhum pouco. Embora seja desgastante, é a persistência que nos leva à vitória. Não dá para desistir antes do final. Apenas por que não deu certo, uma, duas… cinco, dez vezes significa que nunca dará certo?

Claro, é preciso ter foco. É necessário preparar-se. Se você deseja correr a São Silvestre, não dá para iniciar os treinos faltando uma semana para a corrida. Nem vai funcionar se treinar o ano inteiro, mas apenas correndo dois quilômetros ao dia. Quem quer cruzar a linha de chegada, deve estar pronto para ir além do limite da prova.

A grande jornada da vida exige unicamente que não desistamos de viajar. Se cruzarmos os braços, nosso barco veleja à deriva. Se nos negarmos a continuar, toda possibilidade futura desvanece e morre na praia do desespero (Ricardo Gondim).

Quando a gente desiste de nossos sonhos está desistindo da vida antes do tempo. 

A tristeza de fim de ano

planos

A tristeza ronda o coração de muita gente nesta época do ano. Embora seja um período de festas, dezembro também reclama reflexão. Refletir sobre nossos atos, sobre as conquistas, sobre os projetos realizados nem sempre deixa o coração em paz.

Costumo repetir que não se tem controle de tudo. Muitas coisas escapam. Por mais que se queira fazer, simplesmente não dá. A pessoa sonhou comprar um carro novo. Mas perdeu o emprego, passou três meses gastando as reservas financeiras.

A pessoa queria mudar de cidade. Estava tudo certo. Só não contava que a mãe pudesse ficar doente e precisar de ajuda, de cuidados.

Finalmente, o casal de namorados começaria a montar a casa, fazer os preparativos para o casamento. Porém, o rapaz acabou se envolvendo com outra garota e o relacionamento acabou.

Esses são exemplos de situações que a gente não tem controle. Acontecem e não há nada que se possa fazer. Nesses casos, não adianta ficar olhando pra trás e ficar lamentando os sonhos não realizados. A vida é mesmo assim: dura, difícil e, por vezes, injusta. Entretanto, parte da tristeza que sentimos por projetos não realizados poderia ser evitada. Se tivéssemos disposição para persistir, para prosseguir, para lutar mais um pouco… realizaríamos aquilo que idealizamos.

A inconstância é um dos nossos grandes problemas. A mulher começa o ano querendo perder peso. Porém, depois de duas semanas de dieta e algumas visitas à balança, desiste. Desiste porque idealizou perder dez quilos num único mês e tudo que conseguiu foram 500 gramas. Quando o fim do ano chega, bate uma tremenda frustração: ela está dois quilos mais gorda que no ano anterior.

O rapaz estava determinado a fazer um curso superior. Fez o primeiro vestibular que apareceu e entrou na faculdade. Sessenta dias depois, desistiu. Não se adaptou ao ambiente, achou tudo chato, tinha atividades demais e, para tirar boas notas, teria que abrir mão dos passeios nos fins de semana. Porém, agora olha pra trás e nota que desperdiçou o dinheiro das mensalidades pagas e segue sem mudar de vida.

Desanimar diante das primeiras dificuldades é um dos motivos para muita gente chegar nessa época e sentir-se triste porque teve um ano vazio. Entretanto, a inconstância muitas vezes é motivada por duas coisas: pressa e por não respeitar a própria personalidade. Quem tem pressa, não tem tempo para pensar direito. E ao não pensar, acaba por ignorar que certas coisas podem funcionar bem com outras pessoas, mas não com ela.

A pessoa que quer perder peso carece de um projeto de longo prazo. Se tiver pressa, vai se frustrar. Pode até perder peso. Mas a agressão aos próprios gostos será tão grande que logo voltará aos hábitos anteriores. Quem escolhe um curso superior sem refletir se gostaria de atuar naquela área, em pouco tempo vai se sentir mal e acabar desistindo.

Conheço gente que decidiu fazer academia para perder peso a qualquer preço. Entretanto, odeia aquela rotina de esteira, bicicleta, aparelhos, pesos etc etc. Quem faz isso, não vai dar conta da meta. Quando queremos fazer algo precisamos gastar tempo no planejamento… Precisamos identificar se estamos dispostos a pagar o preço, a trilhar pelo caminho que levará ao nosso destino. Eu posso ser louco para tocar piano, mas estaria disposto a estudar dez anos e investir várias horas do meu dia para executá-lo com beleza e maestria?

Portanto, em tempos de avaliação do que passou e de propor metas para o ano que virá, um pouco de calma e autoconhecimento podem evitar frustrações futuras.

Que vida você deseja ter?

familia
Temos sonhos. Fazemos projetos. Entretanto, em nossa mente, desenhamos a vida que queremos? Um jeito de viver? Pensamos formas de obtê-la?

Quando pensamos na vida que desejamos ter, quase sempre caímos em dois erros. O primeiro, temos como critério coisas, objetos a serem conquistados. Planejamos a compra de carro, casa… Viagens. O segundo erro, vislumbramos o futuro, mas nada fazemos para ter, no presente, a vinha que sonhamos. A gente sempre pensa no depois. Depois vai dar certo, depois… vamos conseguir.

A gente deveria pensar como gostaria de construir a dinâmica de nossos dias. Dentro de uma realidade, é claro. Nada de utopia. Não adianta imaginar como seria viver se você tivesse uma casa de 600 metros quadrados, piscina, sauna… E conta bancária com alguns milhões de reais. Falo em refletir dentro de uma perspectiva real.

Partindo do que se tem, como poderia ser? Como gostaria que fosse o clima em casa no café da manhã? Como seria a rotina de trabalho? E o almoço? À noite, o que gostaria de fazer antes de deitar? Como imagina a relação com sua parceira/seu parceiro? Que tipo de atitudes cotidianas te proporcionaria prazer? No fim de semana, como desejaria aproveitar o tempo? Assistir filme? Fazer uma comidinha diferente? Ter um tempinho em silêncio? Ler um livro?

Acho que tem muita gente insatisfeita com a vida por idealizá-la dentro de uma perspectiva utópica. Outras tantas pessoas deixam de viver o que gostariam por simplesmente não fazer nada para mudar.

E, se a vida está construída – ou será construída a dois –, por que não compartilhar com o parceiro/a parceira esses sonhos? Não sonhá-los juntos?

Vive-se frustrado por não verbalizar, não tentar construir uma dinâmica diferente. Muita coisa poderia mudar se a gente tivesse disposição para dialogar. Quase sempre, deixamos que a realidade se imponha e nos consuma. Nos encaixamos nas demandas diárias como se as regras fossem ditadas de fora pra dentro. Isso não é viver; isso é ser refém das rotinas.

Sei que nem tudo dá para fazer diferente. Quando uma família já está constituída, fica ainda mais difícil, porque depende-se do outro. E o modelo “comercial de margarina” está longe da realidade. No entanto, creio que há espaço para negociação, para se reconstruir rotinas, estabelecer outras e ter uma vida mais prazerosa.

PS, Sugiro a quem pensa em casar que, antes de “juntar os trapinhos”, converse bastante sobre como sonha a dinâmica da vida a dois. Mais que sonhar baseado em coisas que desejam conquistar, devem planejar as rotinas da vida, pois são elas que dão sentido aos nossos dias.

Cuidar de si mesmo

Escrever sobre suas angústias, sonhos, desejos é forma de se conhecer e cuidar de si mesmo
Escrever sobre as angústias, sonhos, desejos é forma de se conhecer e cuidar de si mesmo

Tenho a impressão que um de nossos maiores desafios é cuidar da gente, do coração, das emoções. Temos tempo pra tanta coisa, mas quase nunca olhamos para nosso interior, para nossas necessidades.

Quais são meus sonhos?
O que me agrada?
O que me faz bem?
O que desejo para minha vida?
Como construir meus dias?
De que forma conquistar as pessoas que amo?
Como me livrar das coisas ruins?

Nem tudo a gente consegue fazer, é verdade. Entretanto, viver bem passa por se conhecer. E mais que isso: ter tempo para olhar para o interior, para seus próprios pensamentos.

A vida em movimento reclama pausa, reflexão, introspecção. É assim que a gente dá conta de saber o que se quer e como alcançar. Também é assim que notamos nossos limites e desenvolvemos estratégias para crescer como indivíduos.

Não há vida sem sonhos. Mas não há sonhos realizados sem planos, projetos e conhecimento de si mesmo.