Qual a função do medo?

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O medo tem alguma função? Se pensarmos nos estragos que o medo causa, teremos a impressão que melhor seria viver sem medo. Entretanto, se reparar no comportamento de um bebezinho, vai perceber que, mesmo ainda não tendo consciência das coisas que estão ao entorno dele, já tem medo. Isso também acontece com os animaizinhos. Diante de determinadas situações, se escondem, se encolhem… Ou, noutras ocasiões, por medo, assumem uma atitude agressiva, como se estivessem tentando se defenderem.

A observação desses comportamentos sugere algo importante: o medo tem a função de nos proteger. Quando tememos algo, ficamos alertas, evitamos nos expor àquilo que oferece risco. Se não tivéssemos medo de criminosos, por exemplo, deixaríamos nossa casa sem trancas, sem fechaduras; não colocaríamos alarme em nossos carros e nem pagaríamos seguro. Certamente a ausência de medo, nesses casos, nos causaria sérios problemas.

Outra situação: quando vemos uma cobra, assumimos um comportamento defensivo. Não vamos brincar com ela, tocá-la… O medo do que pode fazer conosco, o medo de uma picada venenosa, motiva nossos cuidados.

O medo, portanto, não é um problema; é uma bênção, porque está relacionado com nosso senso de preservação.

Diante de um mundo confuso, incerto, fluído, o medo do que pode acontecer amanhã, pode nos levar a ter uma reserva financeira, não fazer investimentos de alto risco, não abandonar um emprego sem a garantia de outra oportunidade de trabalho… Enfim, ajuda-nos a não fazer bobagem, a não nos colocar em risco desnecessário.

Então o medo é legal, Ronaldo?, talvez você pergunte.

Até certo ponto, sim. Como disse, ele tem uma função importante em nossa vida. Entretanto, passa a ser problema quando nos trava, quando nos impede de viver. Em cada esquina da vida, corremos riscos; ter medo nos põe em alerta. Mas se o medo nos impede de abrir a janela da alma para o mundo, deixamos de existir.

Vou usar aqui outro exemplo para ilustrar… Se você vai fazer uma apresentação em público, é possível que tenha medo. Este medo é bom na medida que te leva a se preparar, treinar bem suas falas, verificar o local onde vai ter que falar, conhecer o cenário, tentar entender as expectativas do público… Ou seja, seu medo é positivo enquanto te mantém alerta e impede que você seja displicente, acomodado, descuidado. Contudo, se o medo de se apresentar em público te levar a rejeitar o convite, tirar o sono, causar pânico, você precisa de ajuda, talvez de terapia.

Portanto, entenda: o medo pode ser seu aliado no crescimento pessoal e até na preservação da vida. Entretanto, torna-se um problema se te fizer ser uma pessoa covarde, assustada e que abre mão de viver.

Como você se vê?

espelho

A maneira como nos vemos tem reflexo em nossas ações. Na verdade, nem todo mundo investe tempo em si, em olhar para o seu interior, em tentar se conhecer. Entretanto, ainda assim, pelas palavras, pelo modo de agir é possível notar como a pessoa se reconhece como gente, como ser humano.

E é exatamente isso que faz a psicologia. Por que o terapeuta escuta, escuta e escuta o sujeito? Pra identificar, por meio das palavras, dos gestos, das expressões quem é aquela pessoa que está ali no consultório. Na verdade, o terapeuta identifica a maneira como a pessoa se vê e, a partir disso, atua para ajudá-la a se descobrir, a se tornar alguém que se ame.

Por diferentes motivos, muitas pessoas têm uma visão distorcida de si mesmas. Não conseguem ver a beleza que é a vida e o potencial que possuem para dar a cada dia um novo sentido.

Tem gente que se vê como fracassado, carrega um fardo de culpas… Isso gera insegurança, medo, vergonha, ansiedade. Tem gente que se vê como incapaz, infeliz, mal amado. E reage afastando pessoas, não assumindo tarefas importantes.

Sabe, isso tem muito a ver com a autoestima. E tratar desse tema é bastante complexo. Afinal, temos limitações. Ninguém é tão saudável emocionalmente a ponto de não possuir fragilidades. Entretanto, dá pra estar bem consigo mesmo. E o primeiro passo é se conhecer e se aceitar.

E mais… Cuidar de si, reconhecer as virtudes, os valores, o que temos de bom são atitudes fundamentais para que a gente se aceite, se ame. Quem se sente patinho feio, age como patinho feio. E o mundo em que vivemos não tolera pessoas mal resolvidas. Coitadinhos são rejeitados, são tratados com desprezo… No máximo, com pena.

Portanto, num mundo duro, cruel, egoísta, se não cuidarmos de nossas emoções, se não tratarmos do nosso coração, dificilmente alguém vai olhar e estender a mão pra ajudar. Vamos viver um eterno vazio existencial e nunca saberemos o que é felicidade.

Vidas marcadas

marcas

Burro, louco, fracassado, vagabunda, safada, rebelde… Essas e outras tantas palavras classificam pessoas. Por vezes, são usadas até mesmo por pais ao se dirigirem aos filhos. São pessoas que desconhecem a influência da fala na construção da imagem. Sim, porque nós somos aquilo que acreditamos ser. E essas crenças, muitas delas, são construídas na relação com o outro.

Chega a ser criminoso quando os pais dizem para o filho que ele é burro. E pode ser pior… Conheço mães que chamam as filhas de vagabundas, sem-vergonha.

O que me assusta é saber que muitos desses comportamentos estão sendo discutidos há anos por educadores e psicólogos. A própria mídia abre espaço para orientar. Ainda assim, não sei se por raiva, palavras carregadas de sentidos negativos são usadas por muitos de nós para nos dirigirmos a filhos, amigos, alunos, funcionários... Palavras que afetam as emoções e subjetivam quem as ouve a ponto de assumirem tais discursos como sendo a verdade sobre elas.

O filósofo francês Michel Foucault pesquisou a história de pessoas que foram marginalizadas pela sociedade nos séculos XVII e XVIII. Os estudos dele nos ajudam a entender o mal que fazemos ao usar rótulos para falarmos sobre os outros. Foucault identificou pessoas que tiveram suas vidas aniquiladas por serem tratadas como fracassadas, loucas, mentirosas… por sofrerem rejeição.

Atualmente, os consultórios de psicólogos vivem lotados de vítimas de palavras duras… Essas pessoas foram subjetivadas por esses discursos. Foram marcadas e sofrem. Sofrem para romper com as mentiras que foram ditas sobre elas.

Quantas pessoas se acham limitadas, pensam ser incapazes? Quantas estão infelizes porque foram tratadas como incompetentes? Quantas cresceram como sendo culpadas por tudo de errado que acontecia em casa? Quantas meninas foram tratadas como vagabundas por seus pais por terem errado na escolha de um namorado?

O olhar raivoso, punitivo, desprovido de sabedoria, machucou, magoou, marcou. As palavras que ouviram – nos jogos de poder entre pais e filhos, entre chefes e funcionários, entre professores e alunos – construíram “verdades”. São mentiras, mas que são impostas como “verdades” a respeito das vítimas. Por gozarem de uma posição de autoridade – ser pai, ser professor, ser chefe etc -, dizem o que querem dizer e não percebem os traumas emocionais que causam.

O que é pior é que muitas dessas pessoas não se tornam (ou não se tornaram) mais do que aquilo que falam (ou falaram) delas. Embora exista um abismo entre o que poderiam ser e o que de fato são, assumem (ou assumiram) o papel que lhes foi dado por gente que parece incapaz de pensar antes de falar, de classificar o outro.

Sabe o que mais me assusta? Às vezes reproduzimos essas “verdades” a respeito de alguém próximo. O jovem que usou drogas será sempre o “ex-drogado”; a menina que teve um filho na adolescência será sempre a “mãe solteira”; o garoto que foi preso por um furto será sempre o “delinquente”… São pessoas marcadas. Uma vida marcada pela crueldade (ou ignorância) humana.

Continue a nadar!

nadar
Às vezes, frases soltas ou breves diálogos num filme ou num livro trazem lições importantes. Não é raro me encantar com uma única fala que “pincelei” em meio a tantas outras. E, embora saiba que nem todo mundo presta atenção nesses detalhes, penso que são eles que tornam significativa a obra de um autor.

No filme “Procurando Nemo”, além da beleza da história, há um momento marcante. O pai do peixinho Nemo está frustrado, as coisas não estão dando certo. Aí a personagem Dori, que o acompanha nessa aventura, traz uma frase provocativa:

Quando a vida decepciona, qual é a solução?

Ele resmunga qualquer coisa; não sabe responder.

Dori então solta uma pérola. Meio cantarolando, afirma:

Continue a nadar, continue a nadar… Pra achar a solução, nadar!

Por se tratar de uma obra voltada à infância, diálogos como esse são relevantes. De alguma forma, ajudam a construir a identidade de um sujeito que, na psicologia, chamamos de “resiliente”. O conceito pode ser definido mais ou menos como a capacidade que uma pessoa desenvolve de, ao passar por uma situação difícil, conseguir fazer o que fazia antes sem perder o seu foco.

E a gente precisa de gente assim: resiliente. Ou, resistente às tempestades da vida, porque as condições naturais do existir trazem desafios, dificuldades, problemas que nos fazem querer desistir.

Quem nunca sofreu uma decepção? Quem nunca desejou que um buraco se abrisse diante de si e o engolisse vivo? Quem nunca sentiu vontade de dormir e não acordar?

Sim, a vida decepciona, desilude. Mas se não há solução à vista, o que nos resta? Seguir a caminhada. Como diz Dori, pra achar a solução, continue a nadar. O caminho é incerto, o destino… desconhecido. Não há garantia de que tudo vai terminar bem. Porém, é necessário prosseguir. A vitória é daquele que não desiste de viver.

A insegurança que nos mata

Uma das coisas que mais faz sofrer é a insegurança. No relacionamento, machuca demais. Rouba a alegria, gera constante estresse e, por vezes, motiva conflitos com o parceiro – que podem resultar até mesmo em separação.

Como não ficar inseguro quando a namorada faz uma viagem com amigos e você não está lá e nem conhece todo mundo que está com ela? Como não sentir-se incomodado se ele sai com amigos para uma festa, que terá várias outras garotas e você sabe que, por mais correto que seu amor seja, ele não é o tipo que passa por um ambiente sem chamar atenção? Como evitar a insegurança se as amigas dela não gostam de você e fazem de tudo para criar um ambiente favorável pra que ela conheça outros homens?

Complicado, né?

É difícil encontrar quem não tem uma dosezinha de insegurança. Nem que seja bem pequenininha. Pode até ser para situações muito específicas – bem diferentes das que listei. Mas a insegurança está lá… E incomoda. E sabe de uma coisa? A própria Psicologia explica explica, mas não dá conta de tratar de forma satisfatória desse sentimento. Afinal, teorias não silenciam a dor do coração. E quem sente só queria uma coisa: não sentir-se inseguro. Ou “prender” a pessoa amada para não correr o risco de perdê-la. Como não dá, o negócio é lidar com esse medo.

Semelhante a outros sentimentos, a insegurança tem origem na nossa própria história. No relacionamento, também pode ser motivada pela dinâmica do romance. Mas, em geral, embora internalizados, o medo e a insegurança vêm das “ameaças” externas.

Nascemos indefesos. Somos dependentes. A maneira como somos educados pode nos levar à autonomia ou a eterna dependência afetiva. Como não existem pais/educadores perfeitos, todo mundo desenvolve algum tipo de “transtorno” emocional. E aqueles que não são inseguros podem até ter confiança em excesso – o que também não é bom.

Encontrar o equilíbrio – que é o que todo mundo precisa – não é tarefa fácil. Depende de constante autoconhecimento. E de uma luta consigo mesmo.

Dá pra evitar o incômodo diante dos quadros que listei acima? Difícil, né? Como ficar bem se você sabe que seu namorado está num ambiente favorável a ser alvo de piriguetes ou de “mulheres bem sucedidas”? Tem que confiar muito nele e no próprio taco. Rsrs. Até dá pra controlar o ciúme exagerado, as perguntas insistentes, as ligações de quinze em quinze minutos… Mas impedir o coração de ficar angustiado é uma outra história.

Tem coisas que acontecem no coração que não é tão simples evitar. A pessoa não escolhe ficar insegura. A pessoa não escolhe ficar triste. A pessoa não escolhe sentir ciúme… Ninguém escolhe sofrer. As atitudes que temos diante dos fatos até podem significar escolhas. Mas nem sempre são conscientes.

Sinceramente… eu não tenho respostas pra esse tipo de dor. Apenas entendo que, se está machucando, é necessário reconhecer que tem algo errado. E se não está bem, e a relação é que produz essa ansiedade toda, dialogar com sinceridade ajuda – embora não signifique o fim desse sentimento, pois ele nasce, como dissemos, nas “ameaças” externas (e ninguém vai trancar o namorado em casa).

Outra coisa a fazer é identificar e reconhecer a própria história. A vida da gente, aquilo que já passamos, motiva muito do que sentimos. Às vezes, o problema está na gente… numa carência afetiva desenvolvida ao longo da infância e adolescência. Entender também a dinâmica do relacionamento e perceber se ele tem base sólida é fundamental para continuar – ou não – apostando no romance. Se o parceiro ou a parceira tem histórico de infidelidade e é, por isso, que gera medo… Se o relacionamento não tem compromisso… Se há dúvidas sobre o amor do parceiro… Talvez o melhor seja dar um ponto final. Não vale viver angustiado por algo sem futuro.

A terapia nua: prazer, excitação ou cura?

Ainda ontem discutia com meus alunos que vivemos um momento único na história. A imposição do imediato, a ansiedade pelo novo, a busca pelo que nos surpreenda gera um sentimento constante de frustração. Somos incapazes de dar conta de ter e experimentar algo novo todos os dias, principalmente em nossos relacionamentos. Ninguém é capaz de surpreender todos os dias. Pode dar certo por uma semana, um mês, um ano. Nunca pela vida inteira. E é exatamente por essa falta de constantes surpresas que os relacionamentos acabam. O outro deixa de ter graça. Ficamos insatisfeitos. Sentimos necessidade de experimentar novas emoções.

Essa busca pelo inesperado, por outro lado, tem impulsionado uma espécie de fábrica dos sonhos. Há um mercado que se fortalece, que ganha espaço, justamente porque nós, seres humanos, estamos enlouquecendo, enlouquecidos por nossas angustias nascidas no vazio da alma.

Sarah White defende a nudez em terapia online
Talvez por isso surjam profissionais como Sarah White. Ela é autora de uma nova proposta de terapia. Promete ajudar em especial os homens com sessões online em que ela e o paciente ficam despidos ao longo da conversa. Em outras palavras, Sarah promete:

– Durante essas sessões, eu uso o poder de excitação para ajudar você a ganhar mais controle sobre sua vida.

A psicóloga diz que pode começar a sessão nua ou ir tirando a roupa ao longo do diálogo.

Na prática, Sarah White usa a nudez com a promessa de que tal terapia pode ajudá-los a se sentirem mais livres, mais fortes, saudáveis e felizes. A nudez ajudaria a deixar de lado as inibições, restrições… E isso seria fundamental inclusive para aqueles que têm dificuldades em ter um relacionamento saudável com a esposa, namorada, amante… enfim.

Sinceridade? Não sei até que ponto a terapia de Sarah White pode ajudar. É provável que até amenize algumas dores e carências emocionais. Ainda assim, parece-me mais uma proposta “caça-níquel”. Afinal, o que não faltam são homens e mulheres pouco resolvidos, inclusive em sua sexualidade, dispostos a pagar qualquer preço para viver a ilusão da conquista de afeto e atenção. Talvez seja só mais um exemplo de exploração econômica da eterna busca pelo prazer por aqueles que sequer sabem o que é prazer.

As revistas da semana

VEJA: – Condenados! Agora, Isabella pode descansar em paz. Três dias antes de a morte de Isabella completar dois anos, seu pai, Alexandre Nardoni, e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, são condenados pela Justiça como autores do homicídio. Pela celeridade, rigor técnico e sentenças rigorosas, o julgamento pode ser considerado um divisor de águas na Justiça brasileira. Sucessão presidencial: o rico sistema de apoio a Dilma Rouseff tem jatinho e mansão. E ainda, internet: um desafio para as grandes empresas. Uso de redes como Twitter e Facebook vai crescer.

ÉPOCA: – Culpados. Dois anos depois do assassinato da menina Isabella, o júri popular dá o veredicto aos acusados. As penas: 31 anos e 26 anos de prisão. Falta de dinheiro não é problema para eles. A campanha deste ano deverá ser a mais cara da história. E as restrições da lei eleitoral não vão impedir o caixa dois. De Yoani para Lula. A blogueira cubana impedida por Raúl e Fidel Castro de vir ao Brasil pede ao presidente que convença seus amigos a deixá-la viajar. Também na Época, o que Joseph Ratzinger sabia? O papa é acusado de acobertar casos de pedofilia quando cardeal. O Vaticano denuncia um complô.

ISTO É: Por que eles mataram. Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni ouviram a sentença de condenação à 00h29 do sábado 27. A reportagem da revista tenta explicar a mente dos assassinos. Especialistas sustentam: ninguém atira uma criança pela janela sem uma psicopatologia. Sexo X Religião. Os hormônios falam mais alto do que os preceitos religiosos entre os jovens, que se afastam das igrejas. Uma pesquisa revela: 65% deles discordam das determinações religiosas. Ainda na edição, pesquisadores conseguem criar a primeira capa da invisibilidade. Mas ainda falta muito para o surgimento de algo digno do cinema.

CARTA CAPITAL: – A máfia calabresa está aqui. A máfia mais poderosa da Itália, maior multinacional do crime no mundo, multiplica seus negócios no Brasil, comanda o tráfico e lava dinheiro sujo. Ainda na edição: os primeiros sinais de vida. Com a aprovação da reforma no sistema de saúde, após uma vitória suada no Congresso, o governo Barack Obama recupera-se da paralisia.

Síndrome da aprovação…

Texto do programete que apresento na Rede Novo Tempo:

O Fato Pensado de hoje vai tratar da síndrome da aprovação. Mas afinal, o que é esta tal de síndrome da aprovação?

Preciso primeiro dizer que não se trata de nenhum transtorno psicológico. Não é também uma doença. Mas certamente é algo que rouba a nossa vida e nos faz sofrer.

Vamos aos sintomas… Quando vai falar com alguém, você se preocupa com as impressões que a outra pessoa tem a respeito de você? Será você nunca se pegou falando algo do tipo: “Veja bem, eu não assisto muito televisão, mas ontem vi tal programa…”. Ou ainda, ao participar de um almoço na casa de alguém: “Olha eu não sou de comer muito, mas essa comida esta tão gostosa…”.

Se você se identificou, é muito provável o diagnóstico: você sofre da síndrome da aprovação. Eu vou mais longe… Quase todos nós sofremos dessa síndrome. Estamos sempre nos ocupando de controlar a imagem que os outros têm de nós. É por isso que nos justificamos tanto. Queremos sempre parecer mais simpáticos do realmente somos; queremos dizer que somos humildes; queremos parecer mais cristãos… Enfim, temos medo de nossos defeitos. Por isso, fazemos um esforço enorme para que as pessoas próximas nos vejam como gostaríamos de ser.

O problema é que essa necessidade de ser aprovado pelos outros tira de nós a essência de nossa personalidade. Passamos a vida inteira ocupados em controlar o que as pessoas pensam a nosso respeito e deixamos de ser originais, autênticos.

Preste atenção, quase sempre nos vestimos imaginando a reação dos outros. Por isso, fazemos contas enormes, até quando não podemos, a fim de comprar um traje novo para ir a um casamento. Estamos preocupados em evitar a imagem de que só temos roupas velhas… Afinal, não queremos que ninguém nos veja com a roupa que estivemos na ultima cerimônia.

A síndrome da aprovação está presente em quase todos os nossos atos. Quem vive debaixo da ditadura da imagem, só consegue ser autêntico quando está sozinho. Mas, como a gente passa a maior parte do tempo se relacionando com os outros, vive-se mais ocupado em justificar-se que experimentando e aceitando os verdadeiros limites.

Na verdade, por conta da necessidade de sermos aprovados, usamos uma máscara social praticamente o tempo todo. Isto nos faz mal. Também não é o que Deus deseja de nós. Ele conhece nosso coração. A Ele não enganamos. E tem aqui um outro detalhe muito importante: quase sempre quem passa a vida se justificando e tentando controlar sua imagem, perde a chance de realmente ser amado. Não vale a pena ser amado pelo que aparenta ser… É bom ser admirado pelo que realmente é.

Ser autêntico, verdadeiro consigo mesmo, permite que a pessoa saiba quem são seus amigos. Ninguém gosta de conviver apenas com a miragem. Experimente ser autêntico, verdadeiro, sincero em seus sentimentos. Você vai se sentir livre…