Você aceita ouvir críticas?

Estar disposto a abrir-se para avaliações externas é uma das estratégias mais importantes para o crescimento pessoal. Embora não seja a coisa mais agradável do mundo ouvir uma avaliação crítica, a atenção ao relato de possíveis falhas pode servir como alavanca para o nosso desenvolvimento.

Quando a gente não aceita escutar os questionamentos alheios, a gente se fecha para o mundo.

Este tipo de atitude acontece na esfera pessoal, nos relacionamentos e também nas corporações.

Às vezes, não estamos tendo sucesso nos relacionamentos. Achamos que todo mundo conspira contra nós. Porém, frequentemente, nos sabotamos sem perceber. Quem está de fora, geralmente enxerga o que não enxergamos. Ainda assim, é muito difícil alguém chegar em nós e dizer: “você está pisando na bola nisso, nisso e naquilo…”.

Por isso, quando uma pessoa se atreve a pontuar nossas falhas, deveríamos ser agradecidos. É necessário ter bastante ousadia para abordar criticamente alguém. Existe possibilidade da pessoa estar errada a nosso respeito? Claro que sim. Porém, se ela pensa assim, será que outras pessoas não pensam a mesma coisa? E se pensam, talvez estejamos nos comunicando mal; nossas ações estão construindo uma imagem distorcida de quem somos. Por isso, ouvir as críticas pode nos levar a mudar algumas de nossas práticas.

No mundo dos negócios, é a mesma coisa. Conheço gestores cheios de certeza, donos da verdade. Ser assertivo é fundamental para o sucesso de um empreendimento. Contudo, quando um empresário ignora as críticas externas, perde a chance de reavaliar suas ações. Ouvir gente reclamando, falando mal, causa desconforto. Ainda assim, é melhor ter pessoas apontando os defeitos que só ressaltando as virtudes. Elogios frequentes cegam.

Evidente que há necessidade de filtrarmos todas as críticas que nos são feitas. Entretanto, a maneira como o mundo nos enxerga informa como as pessoas estão nos vendo. Revela como acham que somos. Por isso, manter uma escuta atenta às avaliações externas nos ajuda a reavaliar atitudes e, por isso mesmo, permite o desenvolvimento.

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A vida é feita por interrogações e reticências

A gente desenvolve hábitos que nem sabe de onde ou por que surgiram. Tenho mania, por exemplo, de encher meus diálogos de pontos de interrogação e reticências. Eles estão ali como se fossem minha espera por respostas e as incertezas diante da vida.

Embora em alguns momentos a repetição insistente desses sinais gráficos – e geralmente nos diálogos e textos informais são muito reforçados -, eu gosto dos pontos de interrogação e das reticências. Há quase uma razão filosófica para isso.

As interrogações são fundamentais. Só aprendemos por interrogar, por questionar. Quando pergunto, busco respostas. E quando busco respostas, demonstro que estou aberto ao novo.

Não existe nada mais expressivo que um ponto de interrogação. Afinal, para que servem as afirmações? Apenas para termos certezas, convicções e nos acomodarmos, pararmos no tempo.

Costumo dizer que tenho medo das pessoas que têm muitas convicções, que afirmam coisas… Quem não questiona, não cresce. 

as reticências completam esse movimento. Elas sugerem que nenhuma fala está completa. Sempre há espaço para introduzir outros elementos, dizer outras coisas. Porque nenhuma fala se completa. Nenhuma definição é absoluta. A própria linguagem é falha, não dá conta de descrever a realidade, os sentimentos.

Sabe, esses pequenos signais permitidos pela escrita mostram que o mundo, que a nossa vida é maior que tudo aquilo que somos capazes de ver, de verbalizar. Interrogações e reticências apontam para a incompletude do existir.

As dúvidas nos motivam a desvendar os fatos e proporcionar novos conhecimento. As dúvidas não permitem que aceitemos passivamente o discurso pronto que nos chega pela boca do outro.

As interrogações nos movem em busca de respostas. E quando elas surgem, a insistência nas interrogações proporciona a chance de descobrirmos coisas novas, ousadas, diferentes, transformadoras.

As reticências estarão lá para sugerir novas indagações que continuarão a nos mover dando sentido à vida e tornando-a surpreendente a cada dia.