Como você reage quando erra feio?

O ser humano, naturalmente, foge da responsabilidade. Desde Adão e Eva é assim. De acordo com o relato bíblico, quando Eva pecou, transferiu a culpa para a serpente. E Adão colocou a culpa em Eva. Na verdade, Adão foi tão malandro que, ao responder Deus, nem disse o nome de Eva. Ele disse: “foi a mulher que tu me destes”. Na verdade, Adão até dividiu um pouco a culpa entre Eva e o próprio Deus. Malandro, né? 

E como será que Davi fez? No Salmo 7, versos 3 ao 5, tem uma fala de Davi para Deus que é impressionante. Davi estava diante de uma situação na qual, talvez, tenha cometido alguma injustiça. Então Davi chega pra Deus e diz: “Senhor, meu Deus, se assim procedi, se nas minhas mãos há injustiça, se fiz algum mal a um amigo ou se poupei sem motivo o meu adversário, persiga-me o meu inimigo até alcançar, no chão me pisoteie e aniquile a minha vida, lançando a minha honra no pó” (Salmos 7:3-5). 

Eu não sei se você notou, mas Davi não tentou se desculpar. Davi não ficou se justificando. E nem pediu apenas perdão. Davi se colocou numa condição em que assumiu completamente o erro. E, detalhe, ainda reforçou: “Senhor, estou aqui, assumo as consequências, pode enviar o meu inimigo sobre mim, pode deixar ele me humilhar. Se errei, deixa o meu inimigo acabar comigo”. 

Em Davi, não há nenhuma tentativa de fugir da responsabilidade. E ele nem pede clemência… Davi não diz: “Olha, Senhor, se errei, me perdoa, mas não deixa eu sofrer não, por favor”. Davi não faz isso. 

Sabe, a gente tem uma lição impressionante aqui. Davi é corajoso. Em primeiro lugar, ele fala com Deus, coloca-se à disposição do Senhor. Não há fuga e nem desculpas. Em segundo lugar, ele se coloca à disposição para sofrer as consequências do erro.  

Eu me encanto com essa atitude. É difícil demais vê-la reproduzida em nossas práticas. Por isso, peço que Deus nos ajude. Que a postura de Davi nos inspire inclusive nas situações cotidianas, sem fugir das responsabilidades, sem tentar escapar das consequências e nem tentar colocar a culpa nas costas dos outros.

Guarde essa palavra no coração!
Um grande abraço!

Mais difícil que admitirmos o erro é aceitar que voltaremos a falhar

A gente comete erros o tempo todo. Alguns mais graves, outros quase sem importância. Como a gente lida com esses erros é o grande desafio.

Com frequência, muitos de nós não queremos admitir os erros… Admitir que falhamos.

Buscamos justificativas.

O serviço deveria ter sido feito por outra pessoa… Alguém esqueceu de nos avisar… Terminamos o serviço no tempo certo, só faltou as outras pessoas fazerem a parte delas…

Nem sempre a gente verbaliza essa busca de justificativa para a falha pessoal. Às vezes, esses argumentos ficam passeando em nossa cabeça. As coisas ficam acontecendo dentro de nós.

Curiosamente, em alguns casos, nem existe alguém nos cobrando pelo erro.

O problema é a gente com a gente mesmo. E ainda assim, encontramos dificuldade para aceitar que o erro foi nosso.

Eu costumo dizer que reconhecer o erro é o primeiro passo para acertarmos da próxima vez. Mas às vezes tenho a impressão que não queremos reconhecer por medo de falharmos novamente.

Dentro de nós habita a insegurança. Sentimos que vai dar errado outras tantas vezes e se reconhecermos que os erros são causados por falhas nossas, parece que estaremos admitindo que somos fracos, incapazes. Que não temos qualidades que nos qualificam para fazer o que fazemos, para estar onde estamos.

Lidar com todas essas emoções talvez seja ainda mais difícil que admitir o próprio erro. Porque significa aceitar que nem sempre somos o que gostaríamos de ser. E que, como pessoas, não somos tão bons como desejávamos ser.

“Desculpa, errei”

Nas diferentes demandas diárias, somos desafiados a não falhar. Uma falha pode comprometer uma série de outras coisas que estão ou estarão acontecendo e sobre as quais não temos muito controle.

Às vezes, é um simples esquecimento. A secretária deixou de anotar um compromisso na agenda. O esquecimento, embora possa ocorrer, pode afetar a vida de mais de uma pessoa. E justamente por isso, frequentemente situações como essa têm chance de provocar desconfortos e até conflitos.

Quando pequenas falhas cotidianas acontecem, a melhor maneira de resolver é dizer: desculpa, errei. E, partindo do reconhecimento, ter mais atenção para não repetir o problema.

Nem sempre é isso que notamos nas pessoas. Ilustrando com a situação citada, não seria de estranhar a pessoa, que deveria ter anotado o compromisso na agenda, dizer: “mas você não confirmou comigo se eu tinha agendado!”; ou pior: “você poderia ter olhado a agenda e visto que o horário estava em branco”.

Quando, de fora, a gente olha fatos assim, é fácil notar que, embora outras pessoas pudessem contribuir para evitar o problema, a falha só ocorreu porque quem deveria ter feito a anotação, não fez.

Isso tudo pode parecer bobagem, mas é algo que acontece com bastante regularidade no nosso dia a dia. Alguém falha, mas não consegue dizer: “desculpa, eu errei” ou “desculpa, você não tinha obrigação de saber disso”…

Não há nada de vergonhoso em dizer que a falha foi sua. Ninguém dá conta de ser impecável em tudo e o tempo todo.