Onde circulam as fake news?

A internet potencializou a divulgação de notícias falsas. As chamadas fake news possuem características muito peculiares. Quase sempre partem de fatos verídicos e os distorcem criando uma outra informação. As pessoas – ingenuidade, ignorância ou mesmo má fé – fazem circular esses conteúdos, compartilham, criando novas verdades.

Neste vídeo, apresento algumas orientações para que você não seja engado por notícias falsas.

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Devemos ter cuidado com o que falamos

Tem um provérbio que diz:

No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.

Meu avô já dizia que “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Esse é um ditado antigo e que está em plena sintonia com o provérbio de Salomão… Meu avô seguia à risca a verdade contida nesse ditado. Ele falava muito pouco. Talvez por isso nunca vi meu avô se metendo em confusão, nem o vi falando mal de outras pessoas. Acho que esse modo de vida inspirou meu pai e, de algum modo, também me deixou ensinamentos importantes sobre o cuidado com o que falamos.

No provérbio que citei, o sábio Salomão ressalta que quando a gente fala demais, a gente acaba falando o que não deve. Quando falamos demais, com frequência, nos condenamos. Nossos preconceitos são verbalizados, nossas inseguranças, nossas falhas de caráter são reveladas. E como todos nós temos defeitos, esses defeitos se tornam ainda mais evidentes.

Por isso, Salomão recomenda que moderemos nossos lábios. Em outras palavras, Salomão está dizendo: “filho, fale menos”. Falar menos é sinal de prudência. Falar menos é sinal de sabedoria. Quando falamos menos, temos mais tempo para refletir sobre o que vem a nossa mente. Os pensamentos amadurecem e temos oportunidade de avaliar se é necessário verbalizar, se não é o caso de guardar o que falaríamos apenas pra nós mesmos.

Tenho dito que as redes sociais são um espaço importante para o debate dos mais diferentes assuntos. Porém, a facilidade com que temos acesso à internet, tem motivado muita gente a falar sem pensar nas consequências de sua fala. A pessoa fala/escreve, publica no calor da emoção. E aí o que diz acaba, muitas vezes, trazendo problemas que seriam evitados se tivesse permanecido em silêncio.

Portanto, em qualquer situação, cuidar do que falamos, moderar nossas palavras, silenciar muitas de nossas palavras são atitudes prudentes e que certamente ajudam a preservar nossa imagem e, principalmente, o relacionamento com outras pessoas.

Estamos agressivos demais!

Nos últimos anos (talvez nos últimos quatro ou cinco), foram aprofundadas as diferenças entre as pessoas. Especialmente no campo político.

De maneira quase maldosa, as coisas têm sido distorcidas e parece que o Brasil se dividiu entre petistas e não petistas. Entre coxinhas e petralhas. Ou coxinhas e mortadelas (vai lá entender o que é isso).

Defender mulheres, negros, liberdade de culto… já é suficiente para que se ganhe o rótulo de esquerdopata, por exemplo.

Gente, o que tá acontecendo? Piramos todos? Perdemos a razão?

Isso me assusta! E me frustra. Porque não existe um nós e eles. Existe um nós, uma sociedade, um Brasil. Com diferenças sim… Com formas de pensar completamente distintas, porém somos todos pessoas, querendo coisas boas, querendo o melhor para o país. Talvez com propostas diferentes, com soluções diferentes, mas ainda assim não posso acreditar que as pessoas, em sua maioria,  sejam mal intencionadas.

Precisamos acalmar os ânimos. E mais que isso, precisamos investir em conhecimento.

Tem gente que rotula colegas, conhecidos e desconhecidos, de “esquerdopatas”, por exemplo, e nunca leu um texto que defina o pensamento da esquerda. Tem gente que chama os outros de coxinha, mas sequer sabe o que significa o pensamento conservador. Ou seja, antes de sair despejando bobagens e acreditando os outros, vamos estudar! Ler faz bem. Inclusive ler pensadores com os quais não concordamos, mas que podem nos fazer compreender que existem outras formas de ver o mundo.

Dias atrás, o ex-presidente Fernando Henrique fez uma declaração com a qual concordo: precisamos serenar os ânimos, sermos mais tolerantes.

No campo social, não existem verdades. Existem formas de ver o mundo, formas de interpretá-lo e maneiras distintas de responder as demandas políticas, econômicas, culturais… E existe uma forma melhor? Depende. Depende do que se deseja, do que se espera… E de quais grupos da população se pretende privilegiar. Não existe uma única forma de compreender o mundo. Não existe uma única proposta para resolver os problemas da sociedade.

O debate sempre será importante. Mas debater é diferente de agredir. Debater é diferente de odiar.

Então fica aqui meu convite e até desafio: que possamos ouvir mais, ler mais, estudar mais, falar menos!

E se algo nos incomodou muito na internet, por exemplo, devemos pensar bem antes de fazer um comentário, antes de postar alguma coisa. É fundamental aprender a relevar, a ignorar, a silenciar…

É preciso mostrar que é feliz

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Não basta ser feliz; é preciso ser feliz na internet. As pessoas precisam mostrar que estão felizes. Publicizar a felicidade.

Ganhou flores do namorado? Publica no Facebook.
Tirou 10 na faculdade? Publica no Facebook.
Terminou o mestrado? Publica no Facebook.
O marido fez o almoço de domingo? Publica no Facebook.
Saiu para uma festa? Publica no Facebook.

A rede é mesmo pra socializar, mas será que não estamos exagerando um pouco?

Não existe mais vida privada. Tudo virou notícia. Dia desses, vi uma pessoa escrevendo “a rede social é minha, publico o que eu quiser”. Ela tem razão. Mas o que explica isso? Por que as pessoas estão agindo assim? Pra mim, só tem uma explicação: carência! Necessidade de se mostrar feliz.

As pessoas querem as curtidas, os comentários…

Em tempos de internet, redes sociais e programas do tipo Big Brother, a carência é tanta que tudo se tornou público. Pior, exige-se a publicação. O marido não pode mais dizer pra esposa “te amo”. Ela quer que ele publique a declaração na rede social. Todo mundo tem que ver que ela é amada. Falar pessoalmente, olho no olho, parece não ter muita graça. E se o marido da amiga fez mais bonito, conquistou mais curtidas… o coitado está enrolado. A atitude dele perde valor… A esposa fica frustrada.

No passado, a gente fazia fotos… Guardava pra gente e pra família, algumas poucas pessoas próximas que gozavam de nossa intimidade. Havia frustração sim, carência… Mas havia a capacidade de sublimar as faltas e celebrar a vida com as pessoas que realmente se importavam com a gente. A gente se sentia realizado com a própria dinâmica da vida. Tinha a família por perto, amigos com quem dividir momentos felizes e tristes. Os abraços tocavam de verdade, os beijos eram sentidos…

Parece-me que cada vez que essas pessoas contam suas intimidades na rede estão dizendo:

– Não tenho com quem conversar.

Estão falando:

– Ei, você aí… pode me dar sua atenção?

Sabe, cada pessoa tem direito de administrar o Facebook (e demais redes pessoais) da forma que quiser. No entanto, é um sentimento pequeno demais tornar-se dependente de exibir na rede os movimentos da própria vida para se sentir gente. Talvez seja necessário redescobrirmos as relações reais – aquelas com toque, gosto, cheiro… sorrisos e lágrimas, que não são apenas “caretinhas” criadas pela combinação de códigos de uma máquina.

Os pais e o mico no Facebook

filhos_internetMonitorar as atividades dos filhos na internet é obrigação de todos os pais. Entretanto, existe uma diferença entre ver o que a molecadinha anda “aprontando” e fazê-los pagar mico na rede.

Defendo que a gente precisa ficar de olho na vida online da garotada. Eles dominam as tecnologias melhor que os adultos. Entretanto, não possuem experiência e nem discernimento. É fácil fazer bobagem na web. Eles podem publicar o que não deve e até interagir com gente de moral duvidosa. Por isso, não dá para deixá-los soltos.

Acontece que muitos pais confundem esse monitoramento com ficar curtindo, compartilhando e/ou comentando o que os filhos publicam na rede. Pior, fazem isso acrescentando frases do tipo “filhinho da mamãe”, “que orgulho de você”, “orgulho da mamãe”, “olha que coisa mais linda!”. Desculpa aí, mas não dá.

A molecadinha sente vergonha da gente até quando sai do carro para entrar na escola. Evita abraço, beijo… qualquer demonstração de afeto. E na rede? É mega mico!!!

Alguns filhos chegam a bloquear os pais do Facebook, deletar comentários… Claro, os pais ficam chateados, magoados… Sentem-se rejeitados. Porém, é a única maneira da garotada se sentir um pouco mais independente.

Eu sei que os pais se orgulham dos filhos. Querem verbalizar isso, demonstrar o quanto amam, admiram etc etc. Por isso é difícil entender que eles se sintam tão mal com nossos “carinhos” em rede. No entanto, esse é um comportamento típico da infância e da adolescência. Não é um problema com o Facebook. Nem com os pais. Quando se tornam adultos (em especial, após terem filhos), chegam a rir dessas bobagens, da vergonha que sentiam. Contudo, por enquanto… é assim mesmo.

Alguns deles se sentem desconfortáveis até com a publicação de fotos, vídeos etc no perfil dos pais. Os pais querem exibir seus filhos, mostrar aos amigos… Muitos ainda estão descobrindo o gosto pelas curtidas, pelos comentários. E adoram quando uma amiga escreve: “seu filho é lindo!!!”, “ela é sua cara!!!”, “como estão crescidos”… Com raras exceções, a moçadinha não gosta disso. E vale respeitá-los. A gente até pensa “mas não tem nada a ver”, “ai… que moleque chato”. Porém, da mesma forma que gostamos de ter nossa opinião respeitada, é importante entender que se trata de uma fase. Vai passar. Não custa esperar. Isso faz bem pra você e para o relacionamento com seus filhos.