Quando as barreiras estão em nossa mente

limites

Durante muitos anos, comentaristas esportivos, especialistas em fisiologia e até médicos, disseram que o ser humano nunca poderia correr uma milha de distância em menos de quatro minutos. E, para isso, davam várias explicações. Entretanto, na manhã do dia 6 de maio de 1954, Roger Bannister correu os mais de 1,6 mil metros (que resultam em uma milha) em 3:59,4. Foi um acontecimento histórico. Era a primeira vez que um homem superava a barreira dos 4 minutos numa corrida de uma milha. Entretanto, desde então, essa marca foi superada dezenas e dezenas de vezes.

Embora esse caso possa parecer não dizer muita coisa, na verdade, ilustra que, muitas vezes, as barreiras são resultado de nossa imaginação. Sim, algumas barreiras estão dentro de nós, não são reais. Durante muitos anos, profissionais de diferentes áreas do conhecimento acreditaram – e convenceram outras pessoas – que o homem era incapaz de correr uma milha em menos de 4 minutos. Era uma crença, não uma realidade.

Quantas pessoas acham que nunca vão aprender matemática? Nunca conseguirão assimilar uma segunda língua? Ou mesmo nunca serão bem sucedidos no amor?

Muitas barreiras que impedem o sucesso de nossos projetos nascem na mente e são realimentadas por ideias nossas e por pessoas que, de alguma maneira, nos desestimulam. Isso geralmente nos acomoda, coloca-nos numa zona de conforto. Aceitamos que somos incapazes, que temos limites e dali não saímos. Porém, o que caracteriza os inovadores e as pessoas criativas é justamente a crença no que parece impossível. Os vitoriosos não se movem como a maioria; eles buscam romper os próprios limites. Conta-se que Steve Jobs, quando encomendou o desenho do primeiro iPhone, solicitou que os engenheiros não olhassem para os aparelhos tradicionais, não os tivessem como referência, mas apostassem em algo inusitado. Bem, o resultado todo mundo conhece: o iPhone iniciou uma revolução no mercado de smartphones em todo planeta.

Albert Szent-Györg, descobridor da vitamina D, certa vez disse:

A genialidade está em ver o que todo mundo tem visto e pensar o que ninguém tem pensado.

Todas as pessoas possuem um potencial que pode ser melhor desenvolvido. Porém, geralmente passam a vida se justificando para não aspirar um determinado posto ou para não ter relacionamento com uma certa pessoa (e isso, não raras vezes, faz com que se perca a pessoa amada para outro). É como se nos sentíssemos não merecedores de alguns benefícios ou reconhecimentos. Acreditamos que, sendo mais “humildes”, seremos aceitos pelos demais e assim abdicamos do direito de nos destacarmos.

É verdade que romper com nossas barreiras mentais não significa conquistar tudo que desejamos. No entanto, quem supera esses “bloqueios”, tem muito mais possibilidade de transformar sonhos em realidade. E o caminho para isso começa numa mudança de atitude em relação a si mesmo e ao mundo. Não adianta ficar repetindo “eu sou assim mesmo”. É preciso explorar o mundo, tentar coisas diferentes, descobrir-se. A vida é apaixonante demais. Não dá para nos conformarmos com migalhas.

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Como tratar as pessoas

carinho

Muito antes de serem publicados livros e mais livros de autoajuda, um escritor e pensador alemão chamado Johann Wolfgang von Goethe escreveu algo fascinante sobre as relações humanas.

Se tomarmos as pessoas tais quais elas são, nós as tornamos piores; mas se as tratarmos como deveriam ser, nós as levaremos para onde devem ser levadas.

Sei que tem gente que pode não acreditar nisso. Porém, entendo que a tese de Goethe reflete uma grande verdade: as pessoas são aquilo que dizemos que são.

Na verdade, isso se dá porque todos nós carecemos do outro para que digam quem somos. Muito da imagem que temos de nós é dada pelo outro, na relação com o outro. Nos vemos pelos olhos do outro.

Por que as bobagens ditas pelos pais afetam a criança a ponto de, quando cresce, necessitar de terapia? Porque a imagem que possui de si foi construída pelos discursos que circulavam sobre ela durante a infância.

A coisa é simples… O sujeito que é tratado como coitadinho, age como coitadinho. Quem é tratado como vitorioso, age como vitorioso.

E isso vale para quase tudo. Quando a gente fica reforçando as características negativas de uma pessoa (e todo mundo tem defeitos, é claro), ela passa a viver isso como uma verdade. Afinal, “se todo mundo diz que sou burro, é porque sou burro”.

A tese de Goethe diz muito sobre como devemos tratar as pessoas. Às vezes cobramos que o filho aja com respeito, mas sempre o rotulamos como mal educado. Por que ele agiria de outra forma? Afinal, já o colocamos nesse “lugar” de pessoa grosseira. Às vezes queremos que o parceiro seja gentil, mas geralmente o tratamos como ignorante, bruto… Por que ele passaria a agir de outra forma?

Na verdade, um dos nossos grandes erros é apontar os defeitos das pessoas como se fossem as próprias pessoas, e não apenas reflexo de algumas de suas ações. Quase sempre fazemos isso, porque acreditamos, erroneamente, que, ao falar o defeito, ela tentará mudar. Porém, isso dificilmente acontece. Na verdade, frequentemente esses comentários são entendidos como agressões e só funcionam para potencializar os comportamentos negativos.

Portanto, seguindo o conselho de Goethe, se queremos mudar as pessoas, devemos tratá-las como sendo melhores do que realmente são. Assim, “nós as levaremos para onde devem ser levadas”.

Para quem você se entrega?

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Sim… Para quem você se entrega? Quando digo “entrega”, falo em diferentes maneiras de entender essa palavra. Pode ser entregar seu coração, seu corpo, sua confiança, seus segredos, seus sonhos… Quando digo “entrega”, digo entregar ao outro o que há de mais importante em você e para você.

Num relacionamento, nem sempre a gente se preserva. E numa fase em que já existe completa confiança, nem há razão para estar ali pela metade.

Entretanto, minha proposta não é falar sobre o casamento. Quero refletir sobre as relações bem antes disso. Porque muita gente se entrega a qualquer pessoa e chora amargamente depois.

Olha, não estou aqui para um papo puritano. Mas a ideia é fazer pensar sobre um assunto que é bastante sério.

Ainda ontem, ouvia a certa distância um choro doído de uma garota. Foi impossível não pensar na vida dela e em outras tantas pessoas que sofrem por se entregar a alguém que não merece nada… além de pena.

A garota chorava demais… Falava alto. Num prédio, é quase impossível não escutar os bastidores dos relacionamentos. Então os vizinhos foram contemplados com uma daquelas cenas tristes da vida “amorosa” do jovem casal. Ela chorava desesperada… Pedia pra ficar e repetia:

– Olha o que você fez comigo!? Você não pode me deixar agora. Eu entreguei tudo pra você, fiz tudo que queria. Depositei todos meus sonhos em você. Você prometeu que eu seria só sua… O que eu vou fazer agora? O que vai ser da minha vida? Você acabou com minha vida!

Eu não sei o que aconteceu com eles. Mas presenciei parte da rotina deles durante alguns meses (antes da tumultuada separação). O sujeito, de fato, teve o melhor daquela moça. Ela se dedicou. E em todos os sentidos. Morando sozinho, o rapaz frequentemente recebia a moça para cozinhar pra ele, limpar a casa… Não foram poucas as vezes que vi o sujeito sair com um cesto de roupas sujas e a garota trazendo de volta, todas as peças, passadinhas. Também vi várias festas nos fins de semana, regadas a bebidas, tendo a companhia de vários amigos e amigas. Mas sem a presença dela. Ela era a “visita” para os afazeres domésticos e para as madrugadas com gemidos. Ontem à noite, ela foi descartada. Com direito a grosserias, gritos, empurrões, tapas e muito choro.

O que mais me entristeceu é que ela chorava e dizia:

– Como vou sair daqui? O que vou fazer? Você acabou com minha vida! Fica comigo, por favor.

Era tarde… Fui dormir e não sei mais o que aconteceu. Talvez ela até tenha passado a noite com ele. Mas para quê? Talvez o relacionamento ainda se arraste por alguns meses. Porém, quando ela será descartada?

Essa garota é só uma das milhares de pessoas que todos os dias sofrem a decepção do fim de um relacionamento. E terminar um romance não é algo anormal. É da condição de ser humano. É natural. Sofrer uma decepção também faz parte da vida. Porém, muita gente sofre demais e se sente completamente perdido, sem chão, porque se entrega sem conhecer. A pessoa se encanta com a cara bonita, com os elogios fáceis, com o discurso atrevido, determinado… E não pensa em se preservar um pouco, ir com calma… Conhecer. Quebra a cara, como dizem por aí, porque aceita se iludir.

Sabe, eu sempre lembro das falas dos meus pais. Conservadores, mas muito sábios, eles diziam:

– Pra se envolver, é preciso conhecer. Saber quem é, o que faz, como trata os pais, se tem boas amizades, se gosta de estudar, trabalhar… Tem que ser alguém que respeita o sentimento dos outros.

Eu concordo que isso pode parecer coisa de gente antiga. Principalmente num tempo de relações tão fáceis, tão superficiais… De relações fugazes. Também sei que as pessoas querem se divertir. E isso não é de todo ruim. No entanto, ainda tem que restar um pouco de bom senso… O mesmo coração que se encanta fácil é o que sofre demais quando é rejeitado. Por isso, valorizar-se um pouco mais e saber “para quem você se entrega” é uma forma de cuidar de si, de respeitar seus sentimentos, de preservar a alma.

Fantasias sobre a felicidade: “nasci para ser infeliz”

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Pra encerrar essa série de textos sobre o tema, quero falar sobre a ideia que alguns alimentam… Tem gente que acredita que existe um limite de felicidade. Deixa eu explicar. A pessoa pensa que o seu nível de felicidade foi programado geneticamente. Ou que fulano nasceu para ser feliz e “eu nasci para ser infeliz”.

E sabe de uma coisa? De certa forma, quem pensa assim até pode ter parcela de razão. Os pesquisadores Sonja Lyubomirsky e Martin Seligman sustentam a tese de que nascemos com uma determinada predisposição genética para a felicidade.

Se levássemos em consideração pesquisas de autores que até mesmo nossas emoções são condicionadas sócio-culturalmente, ou seja, que aprendemos a ter essas e aquelas emoções, também concordaríamos que gente que se desenvolveu num ambiente feliz, tem mais chance de ser feliz. Ou tem um nível maior de felicidade.

Mas onde está a fragilidade de conclusões apressadas com base nesses estudos? A fragilidade está justamente no que Sonja e Martin apontam: a felicidade é um estado de espírito; não é uma coisa. Ou seja, não é como a cor dos nossos olhos… Não é algo que a gente não pode alterar. A felicidade tem muito a ver com a maneira como olhamos para a vida, como nos apropriamos das oportunidades e administramos nossas perdas.

Isso significa que não existe essa história de “eu não posso ser feliz”. Todo mundo pode. E como vimos nos textos anteriores, felicidade também não é algo que se compra, não é um destino… A felicidade está na relação que temos com o caminho que percorremos ao longo da vida. Portanto, a felicidade está em nossas mãos.

PS – Evidente que este texto não encerra o tema felicidade. E certamente voltarei a escrever sobre isso. Porém, o post faz parte de uma breve contribuição para refletirmos sobre um tema tão falado, mas que parece tão difícil de se alcançar.

Fantasias sobre a felicidade: comprar ou acumular coisas

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Ainda falando sobre felicidade, não dá para negar que muitas vezes fantasiamos que a compra de algo, a conquista de uma determinada coisa poderá nos fazer bem. Eu concordo que comprar é bom. Bom mesmo! Melhor ainda quando a gente compra um objeto muito desejado. Isso proporciona uma sensação maravilhosa.

Entretanto, como eu falei no segundo texto dessa série sobre felicidade, “a conquista de nossos sonhos”, sonhar com coisas e sonhar em fazer coisas são necessidades humanas. Porém, essas conquistas não são garantia de felicidade.

Na linha dessa segunda fantasia, o pesquisador Tom Gilovich, da Universidade de Cornell, chegou à conclusão de que é muito melhor investir em experiências reais de vida do que buscar acumular coisas, comprar coisas.

Cornell fez algo aparentemente simples. Para o estudo, ele teve como referência dois grupos de pessoas. O primeiro gastou uma quantidade determinada de dinheiro comprando coisas. O segundo, vivendo diferentes experiências. Passado um tempo, analisou quem havia sido mais feliz. E, como era de esperar, aqueles que investiram em experiências se mostraram muito mais satisfeitos.

Essa é uma realidade também para a maioria de nós. Olhe para o que já viveu. Tente enumerar que acontecimentos te fizeram mais feliz: foram situações em que comprou coisas ou experiências vividas com pessoas, em viagens ou mesmo em conexão com a natureza? Pense um pouco e responda para você mesmo…

Digo por mim: as minhas melhores lembranças são de momentos simples, vividos com pessoas que amo ou em lugares agradáveis. Embora tenha comemorado e curtido muito algumas aquisições, numa escala de valores, nenhuma compra pode ser comparada às lembranças de experiências, inclusive da infância pobre junto com meus pais.

Fantasias sobre a felicidade: preocupar-se com os problemas

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Viver menos preocupado com o futuro é um dos caminhos que permite ser feliz

Não dá pra ser feliz lamentando da vida. É impossível. Também não dá para ser feliz ocupando – e alimentando – a mente com pensamentos negativos.

Sabe, tem gente que torna a vida muito mais difícil do que ela realmente é. E isso acontece porque a pessoa de certa forma permite que a mente viaje por pensamentos ruins. Sim, por vezes construímos medos terríveis, que nos consomem por dentro.

É normal ter certas preocupações. Entretanto, é fundamental manter o alerta ligado; não dá para viver ansiosamente. Tem gente que fica o tempo todo com medo de perder o emprego, angustiado com o resultado do exame de saúde que nem foi feito ainda, com receio de que o parceiro vai abandoná-la… A pessoa sofre um monte, mas por coisas que, muitas vezes, sequer acontecem.

Claro, existem acontecimentos que provocam estragos na alma, ferem, machucam. Mas provavelmente nossas fantasias projetam coisas que, na maioria das vezes, não se concretizam.

E é fácil notar isso. Olhe para o seu passado. Procure lembrar de algum medo terrível que você teve em alguma ocasião de sua vida. O que aconteceu depois? É quase certo que projetou imagens aterrorizantes e que nunca se tornaram realidade em sua vida.

Na verdade, isso acontece porque não somos bons juízes. Não temos como prever a dor. E, como afirma o professor de Harvard, Daniel Gilbert, não somos conscientes de que possuímos uma espécie de sistema imunológico afetivo que é capaz de se recuperar muito mais rápido do que imaginamos. Por isso, um bom método consiste em confiar um pouco mais em nós mesmos, pois damos conta de sair de situações difíceis.

Viver menos preocupado com o futuro é um dos caminhos que permite ser feliz.

Fantasias sobre a felicidade: a conquista de nossos sonhos

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Repetidas vezes tenho dito aqui no blog que uma das ilusões da sociedade moderna é a relação que se faz entre a felicidade e o consumo. Isso é tão verdade que um dos motes mais eficazes da publicidade é associação de produtos com imagens que remetam à ideia de prazer. Como o prazer é a primeira grande fantasia que temos sobre o que é felicidade, busca-se relacionar o consumo ao prazer. Logo, consumir é ser feliz.

Isso é tanto verdade que não são raros os casos de mulheres que, quando estão num dia ruim, vão ao shopping fazer compras. Comprar gera uma sensação boa. Produz prazer. E, por isso, é fácil iludir-se com a ideia de que ter coisas é fonte de felicidade.

Sim, observe-se. Quantas vezes você já fantasiou com a ideia de que, se tiver isso ou aquilo, será mais feliz? Eu mesmo vivo sonhando com algumas coisas. E às vezes até me pego pensando… “Poxa, quando conseguir isso, vai ser tão bom, vou ficar muito feliz”.

A gente sonha com coisas, a gente sonha fazer coisas… E acha que, quando se tornarem reais, seremos felizes.

Mas, vamos pensar um pouco… Pense em algum momento da tua vida. Quem sabe você sonhou que quanto tivesse um determinado emprego, ou namorasse certa pessoa ou quem sabe comprasse um carro, se sentiria melhor, talvez mais feliz. Depois de conseguir, o que aconteceu? Provavelmente, não aconteceu nada. É quase certo que, durante um tempo, você ficou satisfeito, sentiu prazer pelas conquistas. Porém, logo se acostumou a essas conquistas e necessitou de algum outro estímulo para ser feliz. Sim, é assim que somos.

Na verdade, quando conseguimos algo muito desejado, comemoramos um tempo, mas logo queremos mais e mais. Segundo uma das maiores pesquisadoras em felicidade, Sonja Lyubomirsky, isso acontece pelo que denomina de “adaptação hedonista”. Ou seja, nessa nossa constante busca por prazer, quando temos acesso a algo que nos proporciona bem-estar, aos poucos nos adaptamos e, com o tempo, deixa de nos motivar.

Um exemplo simples é quando a pessoa está muito doente. Quando isso ocorre, a pessoa descobre que a saúde era o que tinha de mais importante. Porém, ao ficar curada, não demora muito tempo para a mente sugerir que está faltando alguma coisa…

Pois é… Pode parecer mesquinho, mas não é. É assim que somos. Por isso, é uma ilusão acreditar que a felicidade está na conquista de bens, de posições ou mesmo de pessoas.

(Claro, se estamos em uma situação difícil – de muita pobreza, por exemplo – é mais difícil ser feliz. Isso, porém, não significa que apenas quem tem dinheiro pode ser feliz).

PS- No próximo texto, volto ao tema felicidade pra seguir este raciocínio…

Fantasias sobre a felicidade: se estou triste, não sou feliz

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Nossa cabeça está cheia de fantasias sobre a felicidade. Ainda nesse último fim de semana, vi minha filha num desses “surtos de felicidade”. Ela estava mega empolgada pois iria ver um filme que estava esperando há quase seis meses. Estava elétrica e repetia:

– Estou muito feliz, pai. Muito feliz.

Eu brinquei:

– Acho que você está alegre. Felicidade é outra coisa.

E é bem isso mesmo. Felicidade é diferente de alegria. Trata-se de uma ideia completamente equivocada acreditar que ser feliz é estar rindo à toa. Momentos de euforia não refletem um coração feliz. Na verdade, as fantasias que temos sobre felicidade tornam nossa caminhada mais difícil e frustrante. Porque, como não sabemos o que é ser feliz, tornamo-nos infelizes.

Um das ideias erradas que temos de felicidade é que “se estou triste, não sou feliz”. Essa é uma das grandes mentiras que repetimos pra nós mesmos. Ficar triste é uma condição humana. E natural. Alguém fala alguma coisa que nos machuca? Evidente que ficamos tristes. Um amigo querido foi embora? Sim, isso nos deixa tristes. A apresentação do trabalho na faculdade foi desastrosa e a nota pior ainda? Claro que isso nos deixa mal.

Sabe, a felicidade não é um destino, um alvo a alcançar. Felicidade é um estado de espírito que devemos cultivar. E está muito mais próxima da serenidade que de outras emoções. Afinal, se você tropeça e arranca a unha do dedão do pé, vai sentir muita dor. Talvez tenha que correr ao médico, quem saber terá de ficar com o dedo enfaixado e se sentirá triste pelo acidente – até pelas impossibilidades que o machucado vai causar durante alguns dias. Mas isso não significa que você seja uma pessoa infeliz.

O problema é que para nós, ocidentais, felicidade parece ser sinônimo de prazer. A gente acha que é feliz quando está numa festa animada, quando ganha uma promoção… Na verdade, associamos felicidade ao prazer. Por isso, quando acontece alguma coisa errada, algo negativo nos envolve, supervalorizamos a perda e nos rotulamos infelizes.

Nossa visão deturpada de mundo nos faz negar a tristeza, o cansaço, as perdas. E se assim pensamos, viveremos a constante busca por essa tal felicidade e nunca a encontraremos.

Ps- Voltarei a falar sobre as fantasias que temos sobre a felicidade. O próximo texto vai tratar da necessidade de ter sempre mais.