As revistas da semana

VEJA: Casar faz bem. A reportagem mostra que em tempos modernos, em que a preocupação com a carreira ocupa tanto tempo, casar ainda está na moda. Ainda na edição, a Veja procura discutir a viabilidade de algumas promessas dos candidatos à presidência da República; a tatuagem: de moda a obsessão; e ascensão social do negro no Brasil.

ÉPOCA: – As 100 melhores empresas para trabalhar e as lições da campeã Google. Na empresa símbolo do trabalho no século XXI, um ambiente criativo e inspirador com tempo livre, mesa de bilhar, massagem – e até almoço grátis. Eles querem ser perfeitos: uma nova geração de narcisistas exige de si e dos outros nada menos que a beleza absoluta. Até onde isso pode levar? Segundo as pesquisas, a aposta do presidente Lula em derrotar senadores adversários e eleger no lugar uma bancada de amigos pode dar certo. E ainda tratando de política, Tiririca: Pior que está não fica? O início do horário eleitoral traz uma nova legião de candidatos cômicos.

ISTO É: – Nunca fomos tão felizes. Com a economia a todo vapor e os avanços sociais no país, brasileiros descobrem que nunca foram tão felizes. Eles compram carro próprio, viajam mais, adquirem casa própria e realizam seus sonhos. Celebridades e quase celebridades invadem o horário eleitoral apostando que o eleitor já não suporta os políticos tradicionais. Ossos de São João Batista, agora na Bulgária. A descoberta da suposta ossada do santo expõe a pressa de quem quer explorar a fé para ganhar dinheiro com o turismo religioso.

CARTA CAPITAL: – A Petrobras na mira. A estatal, entre os jogos do mercado, financeiro e a sucessão presidencial. Ministério da Defesa vai retomar buscas por desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Os materiais encontrados serão enviados para o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília. PT decide processar Serra por usar Lula em propaganda na TV. A exploração da popularidade do presidente por um nome da oposição reforça a tese de que é personagem central de sua própria sucessão.

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As revistas da semana

VEJA: – Falar e escrever bem: rumo à vitória. A edição desta semana ressalta a importância do pleno domínio da língua portuguesa – no ato da escrita e da fala. Em Brasília, Joaquim Roriz tem candidatura impugnada com base na lei do ficha suja. Filantropia, Bill Gates e Warren Buffett querem que ricos doem metade de sua fortuna. O último astronauta a ir à Lua quer mais voos tripulados ao satélite.

ÉPOCA: Os novos evangélicos. Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas – e propõe uma nova reforma protestante. Casamento secreto. Chega de megafesta e estardalhaço na imprensa. Celebridade descolada agora casa escondido. O rei do salto alto: Rodrigo Faro diz que sofre para encarnar as divas com que faz o público rir em seu programa na Rede Record. Sem Lula, qual o limite de Dilma? Líder nas pesquisas e na arrecadação, a candidata do PT revela – em seu primeiro debate ao vivo – suas fraquezas quando exposta ao confronto direto.

ISTO É: Lula fala de sua vida após o governo. A poucos meses de deixar o governo e com uma popularidade que, mostram as pesquisas, beira a unanimidade, Lula concede à ISTOÉ uma entrevista histórica, em que fala de seu legado e de seu papel na política, hoje e amanhã. Abaixo a ditadura do orgasmo. As mulheres estão obcecadas em atingir a performance sexual perfeita. Mas isso pode até diminuir o prazer. Em busca dos últimos nazistas. Com os carrascos da Segunda Guerra prestes a morrer de velhice, o mundo corre para punir os poucos que restam.

CARTA CAPITAL: A hora da tevê. Entregues às câmeras, os candidatos à Presidência da República apostam suas últimas fichas de campanha. Pesquisadores concordes. Sensus, Ibope e Vox Populi pela voz do seus diretores avisam: sim, Dilma Rousseff pode vencer no 1º turno. O IBGE sai a campo para fazer uma análise mais acurada do perfil do Brasil. Nos próximos três meses, 193 mil pesquisadores irão a campo coletar as informações que servirão de base para o primeiro Censo Demográfico brasileiro do século XXI.

Educação sexual, religião, fé

O texto abaixo foi escrito sexta-feira. Mas, construído de um só “fôlego”, não foi conclusivo. Na verdade, todo texto é um “gesto inacabado“. Ainda assim, mudei algumas coisas e volto a publicá-lo.

Talvez o título não seja o mais apropriado. Poderia inclusive ser muito mais instigante, polêmico. Afinal, o que não falta é confusão quando se mistura sexo e religião; sexo e fé. Sim, vira uma confusão mesmo.

Mas vamos em frente… No Questão de Classe da última quinta-feira falamos sobre educação sexual. Já tratei disso num post anterior. Mas não refleti sobre alguns aspectos que foram tratados ao longo do programa.

Nosso convidado, o doutor em Psicologia Daniel de Freitas Barbosa, contou uma história lamentável. Em recente palestra numa escola, foi interrompido por um pai. Não era um pai curioso. Ele não tinha uma pergunta a fazer. Aquele homem levantou, pegou a Bíblia, apontou o livro sagrado e resumiu:

– Meus filhos não precisam de educação sexual. Eles encontram na Bíblia tudo que precisam saber.

Eu concordo que a Bíblia é o mais importante livro da história da humanidade. Creio em sua inspiração divina. Contudo, não posso admitir que ainda existam pessoas com tamanha pobreza de espírito.

A Bíblia fala sobre sexo? Sim. Mas naquela época existiam pulseiras de silicone sendo usadas por crianças e adolescentes numa “brincadeira” sexual? É obvio que não. O mundo é outro. As atitudes, os comportamentos são outros.

A sociedade daquela época tratava o sexo na perspectiva reprodutora. Pouco se falava ou pensava em prazer. Embora a Bíblia em nenhum momento condene o prazer sexual, o comportamento do povo antigo não privilegiava a satisfação na intimidade do casal. O prazer feminino, por exemplo, era simplesmente ignorado. Na verdade, a mulher era pouco respeitada. Ela era objeto reprodutor, objeto de prazer do homem. Estava ali para servir ao homem.

Com o desenvolvimento humano, hoje se estudam os mecanismos do prazer – masculino e feminino. Ambos, homem e mulher, têm direito de viverem intensamente a satisfação do sexo. E elas esperam isto. Querem o mesmo direito que durante anos a sociedade, a família, os maridos e também a religião lhes roubou.

Agora, como alguém pode achar que, por crer na Bíblia, não precisa aprender mais nada? Será que o fato de ter uma religião, uma fé me tira a responsabilidade, o dever de me preocupar com o prazer da parceira(o)?

E mais, será que apenas por haver uma doutrina que prega a castidade, nossos adolescentes e jovens não devem ser orientados sobre a sexualidade, sobre sexo? Será que tudo se resume em dizer: “não pode antes do casamento”?

Ainda que se preserve a castidade por princípio, nossos adolescentes e jovens devem aprender sobre o assunto. Os locais mais apropriados são o lar e a escola. Esses ambientes devem favorecer o diálogo amplo, sem preconceitos, livre de tabus. A religião não pode servir de desculpa para não falar sobre o assunto. Pais e educadores que não estão abertos para tratar de sexo com as crianças, adolescentes e jovens provavelmente são pessoas mal resolvidas e que sequer dão conta da própria sexualidade. E isso pode até ter origem na religião, mas nunca em Deus. O divino não é responsável pela ignorância humana.

Ignorar os desejos é silenciar a própria natureza. E proibir sem esclarecer, ou simplesmente se calar, é se omitir diante da realidade. É permitir que a rua eduque. E na rua ninguém aprende a ter uma vida sexual saudável e feliz.