Pais devem ensinar os filhos a serem resistentes, resilientes

É fato que temos dificuldade em assumir as nossas responsabilidades. E isso acontece nas diferentes esferas da vida. Também ocorre com nossos filhos.

Frequentemente, vejo pais esperando que a escola faça pelos filhos aquilo que eles, os pais, não fazem.

Uma das coisas tristes é notar que muitos pais criam filhos frágeis a ponto de não serem capazes de lidar com uma ou outra brincadeira de um colega.

Sim, existe bullying. Porém, essa palavra que entrou no nosso vocabulário mais recentemente, parece ter sido incorporada para toda e qualquer situação.

Uma brincadeirinha sem graça de um grupinho contra uma ou outra criança já é chamada de bullying. A criança se encolhe e os pais ficam bravos querendo que a escola resolva o problema.

Desculpa, gente… Porém, muitas das falas maldosas entre crianças e adolescentes não são bullying. São apenas isso: falas maldosas, características da idade. A escola e as famílias devem atuar no processo de educação para que os tratamentos sejam respeitosos. Porém, também é dever dos pais ajudar seus filhos a serem resistentes a esse tipo de situação.

Existe hoje muito coitadismo, vitimismo.

A mãe olha pra filha e diz:

– Tadinha da minha filha; ninguém gosta dela. As coleguinhas são tão maldosas… Tratam ela tão mal.

O que essa mãe está fazendo? Está, inconscientemente, dizendo para a filha que ela é uma coitada, uma fraca, uma pessoa que não é amada, respeitada…

O pai e a mãe não preparam o filho para enfrentar o mundo e aí o problema são os outros.

Lamento dizer, mas se você não preparar seu filho, sua filha, para enfrentar cara feia, comentários maldosos, para não lidar com a concorrência, você estará educando sua criança para se tornar um adulto banana, um molenga que vai se encolher diante dos primeiros problemas de relacionamento.

E a culpa é toda dos pais.

Devemos ensinar nossos filhos a lidar com os conflitos, brincadeiras maldosas, chacotas dos colegas… Eles precisam ser resistentes e resilientes, pessoas capazes de superar obstáculos, resistir às pressões, estresses… e sem entrar em choque, sem se apequenarem.

Continue a nadar!

nadar
Às vezes, frases soltas ou breves diálogos num filme ou num livro trazem lições importantes. Não é raro me encantar com uma única fala que “pincelei” em meio a tantas outras. E, embora saiba que nem todo mundo presta atenção nesses detalhes, penso que são eles que tornam significativa a obra de um autor.

No filme “Procurando Nemo”, além da beleza da história, há um momento marcante. O pai do peixinho Nemo está frustrado, as coisas não estão dando certo. Aí a personagem Dori, que o acompanha nessa aventura, traz uma frase provocativa:

Quando a vida decepciona, qual é a solução?

Ele resmunga qualquer coisa; não sabe responder.

Dori então solta uma pérola. Meio cantarolando, afirma:

Continue a nadar, continue a nadar… Pra achar a solução, nadar!

Por se tratar de uma obra voltada à infância, diálogos como esse são relevantes. De alguma forma, ajudam a construir a identidade de um sujeito que, na psicologia, chamamos de “resiliente”. O conceito pode ser definido mais ou menos como a capacidade que uma pessoa desenvolve de, ao passar por uma situação difícil, conseguir fazer o que fazia antes sem perder o seu foco.

E a gente precisa de gente assim: resiliente. Ou, resistente às tempestades da vida, porque as condições naturais do existir trazem desafios, dificuldades, problemas que nos fazem querer desistir.

Quem nunca sofreu uma decepção? Quem nunca desejou que um buraco se abrisse diante de si e o engolisse vivo? Quem nunca sentiu vontade de dormir e não acordar?

Sim, a vida decepciona, desilude. Mas se não há solução à vista, o que nos resta? Seguir a caminhada. Como diz Dori, pra achar a solução, continue a nadar. O caminho é incerto, o destino… desconhecido. Não há garantia de que tudo vai terminar bem. Porém, é necessário prosseguir. A vitória é daquele que não desiste de viver.