Autonomia e responsabilidade na quarentena

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Quarentena é férias? Não! É fato que muita gente está em casa e não pode trabalhar. Mas tem outras tantas pessoas que levaram o serviço pra casa e têm a obrigação de dar continuidade as suas tarefas. Entretanto, tenho descoberto coisas interessantes a esse respeito: tem gente que parece incapaz de trabalhar em casa. Na verdade, algumas pessoas parecem incapazes de trabalhar sem vigilância, sem monitoramento, sem alguém ali, do lado, cobrando, apressando…

Sabe o que isso significa?

Faltam autonomia e responsabilidade em muitas pessoas.

A responsabilidade é a capacidade de saber quais são suas obrigações e executá-las com eficiência. A pessoa responsável assume um compromisso e o cumpre. Se foi demandado trabalhar em casa, ele vai trabalhar. Fará o que foi pedido. Respeitará os prazos, executará as suas tarefas.

Já a autonomia vai além da responsabilidade. Algumas pessoas são responsáveis, mas se sentem inseguras. Sem uma supervisão, sentem-se ansiosas. Necessitam sempre de alguma orientação. Quando o profissional é responsável, mas também possui autonomia, além de saber o que precisa ser feito, as suas atividades não geram insegurança. E se surge algum problema, a pessoa tem iniciativa para contornar a dificuldade e, ainda assim, entregar o trabalho que lhe foi solicitado.

Este período de quarentena tem revelado quem são, de fato, os profissionais responsáveis e autônomos. E, lamentavelmente, num cenário em que a tendência é do trabalho home office, é da redução de empregos com carteira assinada, é possível notar que pouca gente está preparada para dar conta de suas tarefas em casa ou sozinha num escritório.

O cenário indica que muitas pessoas vão fracassar profissionalmente – não por falta de conhecimento -, mas pela ausência de autonomia e responsabilidade.

Dengue: a culpa é do vizinho

Bichinhos domésticos ajudam na proliferação do mosquito
Bichinhos domésticos ajudam na proliferação do mosquito

Recebo por aqui leitores de todo Brasil. Então, não sei qual é a realidade de sua cidade. Entretanto, nas regiões Norte e Noroeste do Paraná, a situação da dengue preocupa. Multiplicam-se os casos da doença. Os mosquitos estão voando por aí livres, leves e soltos. E a combinação chuva e calor é perfeita para proliferação do aedes aegypti.

Como nem sempre a gente consegue identificar se é pernilongo ou mosquito da dengue, vivo em alerta. Lá em casa, todo mundo vive preocupado. Dias atrás, numa única noite, matamos uns 50 deles. É sério. A molecada fez a “contabilidade dos defuntos”.

Mas… o que me chama a atenção quando o assunto é dengue é a nossa atitude diante do problema. Acho que todo mundo sabe bem o que fazer para combater o mosquito. Então, por que eles estão por toda parte? 

Sei que muita gente fica esperando o “fumacê” – aquele veneninho chato que os carros da Secretaria de Saúde espalham pelos bairros. Entretanto, trata-se de uma ação tão limitada que deveria ser a menos cobrada pela população.

Cá com meus botões, entendo que, embora o poder público seja agente fundamental, boa parte da responsabilidade é nossa. Ou do nosso vizinho, né? Porque tem sempre alguém que esquece de fazer o dever de casa. Não é difícil notar pratinhos com água debaixo dos vasos de plantas na casa do vizinho,  pneus e garrafas no quintal… E até piscinas descobertas, sem uso. Mas é sempre na casa do vizinho, né?

O problema é que o vizinho, às vezes, somos nós. Ter animal doméstico, por exemplo, contribui para o problema. Ele é fonte de alimento para os mosquitos. Mas um monte de gente ignora isso (não, não estou falando pra sumir com o cachorro, mas repelente no bicho pode ajudar).

Bom, o texto não tem a proposta de oferecer respostas. Nem fazer uma grande reflexão sobre o assunto. Apenas estou incomodado com o assunto. Em Maringá, já vivemos uma epidemia de dengue anos atrás. E estamos caminhando para isso novamente (dobramos o número de casos nesta semana). Infelizmente. E, de novo, noto que a epidemia começa em nossas casas.