Multa para quem joga lixo na rua

lixoQuem joga lixo nas ruas na cidade do Rio de Janeiro paga multa. Pelo menos é o que prevê a legislação do município em vigor a partir do dia 1º de agosto. A pena varia de R$ 157 a R$ 3 mil. Claro, o assunto é polêmico e tem muita gente achando a medida um absurdo.

Ao ver a notícia, fiquei pensando na quantidade de lixo que as pessoas jogam nas ruas todos os dias. Vez ou outra, observo gente que abre a janela do carro e descarta lata de refrigerante, cerveja e até garrafinha de água. Tem aqueles que despacham os papéis, cartazes, folders etc colocados no limpador de pára-brisa. E ainda há os resíduos menores: tampinha de garrafa, bituca de cigarro… São os “porquinhos de plantão”.

E aqui estou falando apenas desse “lixinho cotidiano” – que se produz dentro no carro, andando nas calçadas etc. Existem ainda os grandes descartes – produtos de informática, lâmpadas e até sofás, colchões…

Multar quem joga me parece uma medida bem razoável. Tem gente sem compromisso algum com a cidade, com o meio ambiente. Gente que acredita que sempre vai ter alguém pra ir lá e limpar a sujeira que produz. São pessoas arrogantes, sem sentimento coletivo, ignoram o que é responsabilidade social. Acham que o poder público tem a obrigação de fazer por eles. Um bando de imbecis.

O que me preocupa em leis como essa é sua aplicabilidade. Quem vai multar? Como flagrar? O agente de trânsito fará isso? O guarda-municipal? Deveriam ser todos os agentes públicos. Afinal, os flagras são diversos. Porém, instantâneos. Acontece agora e pronto. Não dá tempo de chamar o fiscal para multar o sujeito que jogou a latinha pela janela do carro.

Ainda assim, legislar sobre esses temas é uma necessidade… Até para gerar o debate na coletividade.

A corrupção cotidiana

A manchete da Folha de São Paulo de ontem era esta:

Bens de vítimas de queda de prédios são desviados

Acho desnecessário lembrar a tragédia no Rio de Janeiro. Todo mundo já ouviu, viu e leu sobre o tema. O fato de pertences das vítimas terem desaparecido do depósito onde estavam, também.

O que me assusta nesse fato é ver estampada na manchete da Folha a nossa corrupção. A corrupção de gente comum, de pessoas que não estão no poder, mas que não sentem nenhum constrangimento em desviar os pertences das vítimas que, após serem garimpados nos entulhos, foram destinados a um depósito provisório a fim de, posteriormente, estarem à disposição de familiares etc.

Tenho repetido que a corrupção do poder nasce na sociedade, nos pequenos atos do nosso cotidiano. Embora pareça exagero, sustento que o problema começa em casa nas mentiras que contamos para sustentar nossa máscara, passam pela cola nas provas… Só depois chegam à propina para os guardas de trânsito e, quando em cargos públicos, transformam-se na apropriação indébita do dinheiro do povo.

É isso, no entanto, que não queremos ver. O que acontece em Brasília é a reprodução do que já somos no dia a dia. O dinheiro desviado da saúde não é muito diferente do sumiço de pequenos objetos das vítimas dos prédios que caíram no Rio. A safadeza, a corrupção é a mesma. A gente é que não quer ver, porque é mais fácil atirar contra os ladrões lá de cima do que reconhecer nossas contradições éticas.

Tragédia no Rio: crianças mortas por atirador

Absurdo esse fato ocorrido no Rio de Janeiro. O cara entra na escola e sai atirando contra crianças inocentes. Como um ser humano pode fazer isso? Teria deixado de ser humano? É coisa do demônio, como alguns dizem?

Quem comete esse tipo de crime sempre tem, dentro do seu universo pessoal, uma justificativa para tamanha loucura. Entretanto, é impossível compreender tal ato.

Enquanto ouço e leio notícias sobre o fato, recordo que o Questão de Classe (CBN Maringá) desta quinta-feira trata da violência contra o professor. Até chegamos a falar sobre esse tipo de crime – atirador que entra em escola e dispara contra alunos. Entretanto, meu convidado – o doutor em Educação, Raymundo de Lima, – pontuou, fora do ar, que não acreditava que, no Brasil, pudéssemos ver esse tipo de crime.

Isto foi anteontem. Ou seja, terça-feira, enquanto gravávamos o programa. Hoje, a gente vê esse absurdo. Pra mim, fica a impressão que não podemos mais duvidar de nada. Não estamos isentos de nenhuma forma de loucura humana. E pior, ninguém está preparado para situações como essa. Não há investimento em prevenção e a qualquer momento outros fatos como esse podem se repetir.

A ganância que nos move

Região afetada pelos temporais que assolaram cidades do Rio
Não tenho acompanhado com frequência o noticiário que envolve o Rio de Janeiro – em especial, no que diz respeito as chuvas que provocaram centenas de mortes e prejuízos milionários aquele Estado. Claro, como todo mundo, fiquei triste e comovido com o drama de tanta gente. Afinal, o que na tela da TV é um grande espetáculo – dramático, é verdade -, na vida real, representa a dor de pessoas que tiveram seus planos, projetos e sonhos interrompidos.

Entretanto, o que assusta e revolta é a sequência desse drama da vida real. A exploração da desgraça. Com a gente sabe, o governo criou mecanismos para amenizar as perdas de quem teve casa, móveis e tudo mais levados pelas chuvas. O aluguel estaria sendo garantido pelo Estado. Acontece que, em função da demanda por imóveis, o preço subiu. E muito.

E tem mais… Tem gente se aproveitando da situação, tentando se passar por outras pessoas, para ter acesso aos recursos do governo. São pessoas que não sofreram diretamente as consequências dos temporais, mas querem ganhar um “dinheirinho fácil”.

Pode? Poder não pode, mas faz parte da nossa cultura corrupta e marginal. Tanto a primeira situação (que tem relação direta com a lógica do capital) quanto a segunda (safadeza mesmo) estão diretamente ligadas a um único fator: ganância.

As revistas da semana

VEJA: – Com imagem do Cristo Redentor chorando, a revista destaca a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro. Segundo a Veja, culpar as chuvas é demagogia. Os mortos do Rio de Janeiro que o Brasil chora foram vítimas da política criminosa de dar barracos em troca de votos. E ainda, como a internet mudou a relação dos músicos com seus fãs. Cuba: a juventude rebelde contra os irmãos Castro. Filhos: a superproteção é ruim, mas não é fácil identificá-la.

ÉPOCA: – Rio de Janeiro, Abril de 2010. A revista também trata da tragédia do Rio de Janeiro. A maior tragédia na história do Rio de Janeiro em décadas serve de alerta para a omissão das autoridades diante da ocupação ilegal dos morros. Em entrevista à Época, José Serra diz: “Estou mais preparado”. Ao se lançar pela segunda vez na disputa pela Presidência da República, o candidato do PSDB, José Serra, defende um Estado mais ativo e menos obeso para fazer o Brasil avançar. Querem frear a internet. Uma corte americana abriu uma brecha para os provedores reduzirem a velocidade de quem usa muito a rede. A revista revela por que isso é ruim para todos.

ISTO É: – Como salvá-los. A tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro mostra que não há mais tempo a perder: é preciso superar velhos tabus e adotar, com urgência, uma política firme e responsável de remoção das pessoas que vivem em áreas de risco. Michel Temer um vice bem resolvido. Ao unir em torno de si um partido historicamente dividido como o PMDB, o deputado conquista o apoio de Lula e do PT e consolida seu nome na chapa de Dilma Rousseff. Como o Youtube transformou sua vida. Criado há apenas cinco anos, o site de vídeos reinventou nossa relação com as câmeras, revelou celebridades instantâneas e revolucionou padrões de comportamento.

CARTA CAPITAL: – Não culpem os céus. No Rio de Janeiro, quase 200 mortos e 14 mil desabrigados. E o descaso olímpico das autoridades. Ainda na edição, as pesquisas eleitorais no campo de batalha. Levantamentos dissonantes do Datafolha e do Vox Populi geram uma disputa entre petistas e tucanos. Você confia nas pesquisas eleitorais?

Proibida a exposição do corpo

Esta notícia é curiosa… A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou hoje um projeto que proíbe homens e mulheres de usarem roupas que exponham seus corpos. A ideia básica é proteger as mulheres da “exploração” do corpo. A justificativa é que, ainda que seja no Rio, não é correto fazer uso dessa estratégia para atrair a clientela (leia-se, os marmanjos). Ou seja, shorts curtos? Nem pensar.

As revistas da semana

VEJA: – Rio loves you. Para o Rio e o Brasil, o ano 2016 já começou. O Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, na tarde de sexta-feira. O placar foi folgado. A vitória, arrasadora. O poder econômico de Chicago, a eficiência de Tóquio e a história de Madri ficaram a comer poeira. Na terceira e última rodada de votação, sobraram o Rio e Madri. Vitória carioca por 66 votos a 32. O anúncio, feito pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, foi o reconhecimento de uma candidatura madura e realista – corolário da força de uma economia estável e de uma nação politicamente pacificada. Ainda na edição, o vazamento que adiou o Enem. Depois do vazamento do Enem, o substituto do velho vestibular, o MEC está diante de um desafio: tornar o exame mais imune a fraudes como essa.

ÉPOCA: – O sabor da vingança. O que o novo filme de Brad Pitt, Bastardos inglórios, ensina sobre um dos sentimentos mais primitivos da humanidade. Ainda na edição, reportagem sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez. Impedida de sair de Cuba por causa de suas críticas ao regime castrista, a blogueira não deverá comparecer ao lançamento de seu livro no Brasil. O Google lança uma ferramenta que promete transformar a comunicação na web. Será o fim do e-mail? Por temer a violência nas ruas e por superproteção, os pais acabam adiando o momento de deixar os filhos saírem sozinhos. Mas a cautela excessiva pode ser prejudicial ao futuro dos filhos. Afinal, com que idade a criança pode sair só?

ISTO É: – O triunfo do laser. Para os médicos, não há mais dúvida: o método supera todos os outros procedimentos na hora de rejuvenescer o corpo e adiar a cirurgia plástica. “Crianças precisam de liberdade para errar”. Filósofo escocês diz que a sociedade competitiva transformou a infância em uma fase de stress comparável à da vida adulta. José Sarney, o neopetista. Absolvido com a ajuda do PT, o presidente do Senado agora paga a fatura e apoia o MST. E ainda por que ser gentil vale a pena. Estudos mostram que gentileza traz felicidade a quem a pratica. Projetos se dedicam a multiplicar esta virtude.

CARTA CAPITAL: – A vitória da diplomacia. Os golpistas de Honduras recuam e até cogitam reempossar Manuel Zelaya. Para o constrangimento dos defensores brasileiros do golpe. Ainda na edição, reflexos da crise. As vendas in natura para a Europa e EUA caíram 30%, em relação a 2008. Os tumores malignos são os mais frequentes ao intestino grosso do que no delgado. O médico Drauzio Varella ensina como reduzir o risco.

As revistas da semana

VEJA: – O imperaliasmo megalomaniaco. Instigado por Hugo Chávez, o Brasil contraria sua tradição diplomática e se introme no conflito de Honduras. Com as eleições marcadas para o próximo dia 29 de novembro, o governo interino que derrubou Zelaya se preparava para reconduzir o país à normalidade democrática. Mas a situação se tornou ainda mais complexa após o Brasil dar abrigo ao ex-presidente hondurenho. Carros elétricos: a geração que combina design, potência e proteção ambiental. Redução do estômago: uma nova cirurgia com menos riscos e poucos efeitos colaterais. Preocupado com a queda de Dilma Rousseff, o governo revê sua estratégia para 2010 e decide incentivar uma segunda candidatura chapa-branca – a do deputado Ciro Gomes.

ÉPOCA: A Olimpíada no Brasil. Sediar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016 pode ser uma ótima notícia para o país inteiro. A decisão sai esta semana. E, pela primeira vez, o Rio de Janeiro é um dos favoritos a sede das Olimpíadas. Beatles: por que a beatlemania persiste, 40 anos depois. A Época revela que o fim da crise financeira pode se tornar um problema. Num cenário mais ameno, os líderes globais deixam de cumprir sua missão: disciplinar o sistema financeiro – onde todo o problema começou. O filme que originou o império Disney – Branca de Neve – é lançado em alta definição – e inaugura o retorno do desenho animado à mão.

ISTO É: – Honduras, por que o Brasil comprou a briga? Os bastidores da maior crise diplomática do governo Lula, que deu abrigo ao presidente deposto Manuel Zelaya, teve a embaixada brasileira sitiada e agora passa por um teste inédito na sua política externa. Pesquisa revela que o eleitor quer opções na sucessão presidencial. O crescimento do candidato do PSB, Ciro Gomes, e de Marina Silva nas pesquisas mostra que o eleitor não quer apenas um plebiscito entre PT e PSDB.

CARTA CAPITAL: – Devassa no Judiciário. Como Gilson Dipp, do Conselho Nacional de Justiça, comanda inédita e abrangente fiscalização do Judiciário. Ainda na edição, o Brasil age a favor de Zelaya e da democracia.