O envolvimento dos pais na rotina escolar dos filhos

A volta às aulas não altera apenas a rotina das crianças, a vida dos pais também é afetada. É fundamental que tenham consciência disso, pois o desempenho delas depende do envolvimento da família.

É muito mais que cobrar notas ou que façam tarefas. Trata-se de viver o dia a dia escolar.

Se os pais não se envolvem, indicam que a escola é algo que diz respeito apenas à criança. E ela não tem maturidade para compreender a importância dos estudos e de tudo que envolve o ambiente escolar.

Mostrar-se entusiasmo(a) e comprometido(a) com o aprendizado da criança, faz toda a diferença. Quando isso não acontece, os pais demonstram que estudar é um fardo. Se reclamam de ter que levar e trazer, dos horários das atividades etc., não dá para esperar que a criança tenha atitude positiva.

Respeitar os horários de entrada e saída é um excelente indicativo de que as aulas são importantes. Ainda esta semana, quando cheguei ao colégio, encontrei duas boas alunas no pátio. Elas esperavam para entrar na segunda aula. Conversei com ambas e descobri que os pais tinham atrasado. Uma delas disse que a mãe foi tomar banho faltando 20 minutos para a filha chegar no colégio. A outra, o pai ficou na cama até mais tarde.

Se isso acontecer uma vez ou outra, ok. Entretanto, se atrasam constantemente, os filhos entendem que os compromissos delas não são relevantes para os pais. Isso pode desmotivar as crianças.

O cuidado vale para os uniformes. Se são obrigatórios e os pais não observam à regra, estão perpetuando nos filhos a cultura do “jeitinho” e das infindáveis desculpas.

A participação em reuniões pedagógicas e nos eventos do colégio também demonstra envolvimento. As crianças necessitam se sentir cuidadas. Além disso, esse tipo de comprometimento resulta numa parceria produtiva entre a família e a escola.

Os pais precisam cuidar da rotina escolar. Crianças têm altos e baixos e, frequentemente, se distraem com outras atividades. Em casa, são os pais que têm o dever de criar o hábito e fazer a rotina de estudos funcionar.

A garotada também tem que brincar, fazer as atividades extraescolares, ter tempo para ler, ver televisão, usar a internet e, principalmente, descansar/dormir… Cabe aos pais monitorar essas rotinas.

Dá trabalho? Claro que sim. Mas ser pai/mãe é viver a experiência e a responsabilidade de educar uma criança de forma plena – e isso engloba tudo que tenha a ver com a escola.

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O que fazer para ir bem na escola?

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Talvez seja só impressão, mas noto que muita gente estuda meramente pela obrigação de estudar. A pessoa precisa estar ali pelo que a educação supostamente oferece: a chance de ascensão profissional. Como para a criança isso não parece tão claro, convencê-la da importância de tolerar horas e horas sentado numa carteira de escola é uma tarefa bastante difícil.

Acontece que estudar é muito mais que preparar-se para uma profissão. Estudar é dar uma chance a si mesmo de abrir-se para o conhecimento. Quem descobre isso, consegue encontrar prazer na cansativa rotina escolar.

Bom, mas como ter sucesso nos estudos? A reflexão aqui vale para quem já descobriu que estudar é mais investir no futuro profissional como também para quem, infelizmente, pensa a escola apenas como degrau para uma carreira.

Para se dar bem na escola é fundamental ter planejamento, ter foco, administrar o tempo e a ansiedade, encontrar prazer no ato de aprender.

E aqui tem um detalhe fundamental: quem quer evitar aborrecimento com exames, provas substitutivas, notas baixas etc, precisa entender que só aprende quem dedica 100% de sua atenção aos objetos de estudo – 90% de atenção não é atenção. Deixar-se envolver pela conversa com os colegas, usar o computador, teclar no tablet ou smartphone durante as aulas compromete o aprendizado. Por isso, frequentemente vejo muitos de meus alunos não entendendo comandos básicos para atividades propostas. Portanto, para aprender, é preciso ter foco integral. A memorização é consequência.

Outro aspecto: na rotina de estudos, menos é mais. E essa é uma ótima dica para os pais: não obrigue a molecada a ficar três, quatro horas sobre os cadernos ou no computador fazendo trabalhos. Divida essa rotina em espaços menores de tempo. Por exemplo: estuda uma hora, brinca outra… Estuda outra hora, passa um tempo sem fazer nada… Claro, alunos mais velhos têm maior resistência e podem separar “blocos” maiores de tempo para estudar. Porém, garantir intervalos de relaxamento é uma necessidade do corpo e do cérebro.

O sucesso da aprendizagem também depende do sono de qualidade. Gente que dorme mal, não aprende. Antes de estudar, é preciso descansar. Estar bem descansado aumenta nossa disposição, nossa resistência. E detalhe, enquanto dormimos, aprendemos. Isso mesmo. Tudo que aprendemos durante o dia se organiza em nosso cérebro enquanto dormimos. O cérebro também precisa relaxar. Do contrário, há pouca chance de ser bem sucedido na escola.

Há outros aspectos que fazem a diferença no processo de aprendizagem. Mas sobre isso, falo no próximo texto.