A importância da leitura dos clássicos

Abrir-se para o aprendizado constante é a essência de uma pessoa culta. Aprender sempre e se dispor ao diálogo com saberes construídos ao longo da história da humanidade nos permite ver o mundo para além das obviedades.

Neste sentido, a literatura clássica tem papel fundamental. Quando a gente pega um texto escrito por Platão, Aristóteles, Sêneca… Ou ainda Shakespeare, Victor Hugo, Dostoiesvski, Eça de Queiroz, Machado de Assis… Quando lemos esses autores, mantemos um diálogo intergeracional, aprendemos com essas pessoas, ampliamos nossa visão de mundo.

Por outro lado, quem se fecha para esse aprendizado, torna-se uma pessoa inculta. Ou seja, o que é o inculto? O inculto é aquela pessoa que passa pela vida sem escutar outra voz que não a sua. O culto é aquela pessoa consciente de que está envolto em várias vozes que vêm do passado e que, ao ouvirmos essas vozes, compreendemos outras maneiras de dar significado, sentido aos vários movimentos da vida e da sociedade.

Entendo que não é simples voltar-se para a literatura clássica, para textos escritos em épocas tão distintas da nossa. Porém, o pensamento desses grandes autores ajudam-nos a ampliar a memória. É como se, ao aprendermos com eles, passassem a existir em nós, a conviver conosco. Deixamos de pensar sozinhos; pensamos com eles, dialogando com outras tantas experiências, que são riquíssimas.

Além disso, textos considerados difíceis são um grande desafio intelectual. Desafio este que nos tira da zona de conforto e, semelhante aos exercícios físicos mais complexos, que refinam os nossos movimentos e nos fazem descobrir musculaturas que sequer sabíamos que existiam, os textos tidos como difíceis exercitam nosso cérebro, ampliam nossas habilidades cognitivas, nos fazem descobrir novos mundos.

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Os sábios e os que levam pessoas à justiça

Às vezes, a gente lê um texto (ou imagem) e não consegue notar sua incrível beleza ou profundidade. Alguém precisa fazer isso por nós… Precisa chamar nossa atenção.

Foi o que aconteceu comigo ontem. Um historiador mencionou o livro de Daniel, capítulo 12, verso 3, ao falar de uma educadora que morreu na última semana. Abri o texto bíblico, que havia lido algumas vezes, mas nunca tinha me chamado atenção. Agora, as palavras saltavam aos olhos:

“Aqueles que são sábios reluzirão como o fulgor do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”

Uau! Lindo demais!! Que belas palavras… Que bela promessa! Os sábios sempre brilharão. E brilharão intensamente; possuem luz própria, encanto próprio. O que é o céu? O céu é imenso, misterioso e, ao mesmo tempo, revelador. Quanto mais olhamos, mais admiramos, mais descobrimos. Se observamos mais de perto (telescópios nos ajudam bastante), imagens ainda mais incríveis surgem diante de nossos olhos.

aqueles que levam as pessoas à justiça, serão lembrados… Serão as verdadeiras estrelas. Não uma estrela efêmera, dessas que conquistam “sucesso” com seus corpos, com as banalidades que falam, com o dinheiro que ganham… Não serão as estrelas cultuadas por valores transitórios. Serão estrelas, possuirão brilho eterno, porque terão feito a diferença na vida de outras pessoas. E isso é o que realmente vale a pena.

Quem fala demais se condena

Uma das frases que eu disse num dos meus textos mais recentes, chamou a atenção de um amigo… Ao comentar sobre a necessidade que temos de falar menos, eu disse:

“Quando a gente fala demais a gente se condena”.

A pergunta que parece surgir após essa afirmação é bem essa: “por que, quando a gente fala demais, a gente se condena?”. É simples. A gente se condena porque o que há de pior em nós é verbalizado. Aquilo que por vezes está silenciado ganha forma, ganha materialidade por meio da palavra. E mesmo coisas que não gostaríamos de dizer, acabamos dizendo.

Sabe, em todos nós existe uma luta constante entre coisas que queremos fazer e não podemos e coisas que não queremos fazer, mas acabamos fazendo. O apóstolo Paulo uma vez disse: aquilo que quero, não faço; aquilo que não quero, isso faço.

Um filósofo famoso do século 19, o alemão Nietzche, ressaltava que todos nós usamos máscaras. E em todas ocasiões. Para Nietzche, essas máscaras não significam que mentimos o tempo todo. Pelo contrário, essas máscaras são nossas diferentes faces, nossos diferentes rostos. São verdades a respeito de nós. Vontades antagônicas estão num mesmo corpo.

E por que quando a gente fala a gente se condena? Porque algumas das coisas que ainda estamos combatendo para silenciar, até para tirar de nós, acabam escapando. Essas coisas fogem da máscara que estamos usando naquele momento. Às vezes, você não quer ofender, mas ofende; não quer discriminar, mas discrimina; não quer falar mal, mas fala…

E faz isso porque essa face negativa, ruim, também é você. Essa face negativa convive com a face boa, disputa espaço com o seu desejo de acertar. Mas aí, quando falamos demais, não racionalizamos direito. As emoções assumem o comando e o que precisa ser calado, emerge e mostra o que há de pior em nós.

Como quase sempre nossos julgamentos são feitos com base em fragmentos e não pela totalidade, podemos ser condenados pelas outras pessoas por esses lapsos, por essas falhas que deixamos escapar por meio de nossos lábios, daquilo que falamos.

Devemos ter cuidado com o que falamos

Tem um provérbio que diz:

No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.

Meu avô já dizia que “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Esse é um ditado antigo e que está em plena sintonia com o provérbio de Salomão… Meu avô seguia à risca a verdade contida nesse ditado. Ele falava muito pouco. Talvez por isso nunca vi meu avô se metendo em confusão, nem o vi falando mal de outras pessoas. Acho que esse modo de vida inspirou meu pai e, de algum modo, também me deixou ensinamentos importantes sobre o cuidado com o que falamos.

No provérbio que citei, o sábio Salomão ressalta que quando a gente fala demais, a gente acaba falando o que não deve. Quando falamos demais, com frequência, nos condenamos. Nossos preconceitos são verbalizados, nossas inseguranças, nossas falhas de caráter são reveladas. E como todos nós temos defeitos, esses defeitos se tornam ainda mais evidentes.

Por isso, Salomão recomenda que moderemos nossos lábios. Em outras palavras, Salomão está dizendo: “filho, fale menos”. Falar menos é sinal de prudência. Falar menos é sinal de sabedoria. Quando falamos menos, temos mais tempo para refletir sobre o que vem a nossa mente. Os pensamentos amadurecem e temos oportunidade de avaliar se é necessário verbalizar, se não é o caso de guardar o que falaríamos apenas pra nós mesmos.

Tenho dito que as redes sociais são um espaço importante para o debate dos mais diferentes assuntos. Porém, a facilidade com que temos acesso à internet, tem motivado muita gente a falar sem pensar nas consequências de sua fala. A pessoa fala/escreve, publica no calor da emoção. E aí o que diz acaba, muitas vezes, trazendo problemas que seriam evitados se tivesse permanecido em silêncio.

Portanto, em qualquer situação, cuidar do que falamos, moderar nossas palavras, silenciar muitas de nossas palavras são atitudes prudentes e que certamente ajudam a preservar nossa imagem e, principalmente, o relacionamento com outras pessoas.

Tem gente que faz mal pra gente

Conhece alguém assim? Às vezes é aquele cunhado, às vezes é a sogra, às vezes é um colega de trabalho, o patrão

É gente com quem você convive, mas tem a incrível capacidade de mexer com seu humor, te tirar do sério, te fazer perder o sorriso, encher seu coração de amargura.
Infelizmente, tem muita gente assim.

E não vamos nos livrar dessas pessoas. Elas sempre existirão. Você se livra de uma? Outra vai aparecer para te importunar.

Alguns filósofos já diziam que essas pessoas, na verdade, nos fazem bem. Por mais que possam nos aborrecer, contribuem com nossa formação, nos ajudam a ter mais paciência, mais tolerância, mais respeito e amor.

Meio maluco isso? Talvez!

Eu confesso que gostaria de me livrar de algumas pessoas que me fazem mal.
Porém, preciso entender que a vida sempre vai nos fazer esbarrar em pessoas que nos incomodam, que nos entristecem e até nos perseguem. Infelizmente, com muita freqüência, não conseguimos escapar dessas pessoas.

Então o que nos resta é aprender a conviver com elas. E talvez encarar do jeitinho que diziam os sábios gregos: cada pessoa que me faz mal pode, na verdade, me fazer bem. É só eu aprender a transformar o desconforto em crescimento como pessoa, como ser humano. Gente ruim é oportunidade para nos tornar melhores.

É desafiador? É! Muito! Mas a vida segue e não podemos estacionar, não podemos parar de crescer.

É possível viver, apesar das adversidades

viver

Anos atrás, ouvi um sermão que me tocou profundamente. O título era mais ou menos este: “as coisas boas dos dias maus”. A temática é mesmo intrigante: pode haver coisas boas nos dias maus? Com os anos, descobri que sempre há possibilidade de crescermos nos momentos difíceis da vida.

É fato que cada pessoa tem um jeito de lidar com os problemas. E isso aponta que não há uma receita para lidar com o sofrimento. Também indica que cada pessoa deve descobrir a forma de enfrentar a dor. Porque não exista vida sem dor. Embora todos os dias nos vendam a ilusão da felicidade, a felicidade está longe de ser prazer e alegria todo o tempo. Porém, é possível viver bem, mesmo em meio a dias tempestuosos. É possível viver sem sentir pena de si mesmo. É possível viver, ainda que existam adversidades.

Eu sei que há momentos em que a vida parece perder o sentido e o desejo de morrer bate à porta do coração. Entretanto, sei também que tudo passa, mesmo a dor mais intensa. Sei que podem ficar feridas. Sei que, muitas vezes, a dor volta, mas ainda assim podemos encontrar novos motivos para sorrir.

Sabe, não há razão para esconder as lágrimas quando a dor é muito intensa. Porém, isso não significa ficar se lamentando e nem achando que a vida é injusta contigo. Tempos de sofrimentos podem representar oportunidades de crescimento, ainda que as experiências sejam as mais desagradáveis ou traumáticas. Também são oportunidades para que pessoas próximas aprendam contigo. Afinal, nossa vida só se justifica quando conseguimos, de alguma maneira, tocar a vida dos outros.

Por sinal, queixar-se é uma das coisas mais desagradáveis. É um mau hábito que impede-nos de ver, de reconhecer nosso potencial. A queixa chega ser uma atitude mesquinha, porque quase sempre é baseada num olhar egoísta. É como se olhássemos para o mundo e todos fossem felizes e, nós, os únicos infelizes do planeta.

Além disso, a queixa nos torna desagradáveis. É natural sentir-se desanimado, triste, chorar… e até pedir pela morte. Porém, a dor não pode nos levar a desenvolver o hábito de ficar reclamando de tudo o tempo todo. Isso parece atrair ainda mais problemas… E afeta negativamente o ambiente onde estamos.

Quando sofremos, é natural nos sentirmos sozinhos. Em especial, porque provavelmente pessoas próximas não estão passando pelos mesmos problemas. E sofrer sozinho parece intensificar nossa dor. Entretanto, o fato de a dor ser individual, não significa que quem está ao nosso lado não possa nos estender a mão. Por isso, não é vergonha pedir socorro. Família, amigos podem ser o ombro que mais precisamos no momento das lágrimas.

Por fim, diria que é fundamental tentar enxergar oportunidades em meio às dificuldades. Sei que algumas podem dizer que isso não passa de uma estratégia para maquiar o problema. E não vou discordar totalmente dessa tese. Porém, quando as coisas vão muito mal, confiar em alguma vez, enxergar alguma possibilidade de mudança garante um pouquinho de esperança. E ter esperança nos fortalece, nos capacita a caminhar em meio às tempestades da vida.