Quem fala demais se condena

Uma das frases que eu disse num dos meus textos mais recentes, chamou a atenção de um amigo… Ao comentar sobre a necessidade que temos de falar menos, eu disse:

“Quando a gente fala demais a gente se condena”.

A pergunta que parece surgir após essa afirmação é bem essa: “por que, quando a gente fala demais, a gente se condena?”. É simples. A gente se condena porque o que há de pior em nós é verbalizado. Aquilo que por vezes está silenciado ganha forma, ganha materialidade por meio da palavra. E mesmo coisas que não gostaríamos de dizer, acabamos dizendo.

Sabe, em todos nós existe uma luta constante entre coisas que queremos fazer e não podemos e coisas que não queremos fazer, mas acabamos fazendo. O apóstolo Paulo uma vez disse: aquilo que quero, não faço; aquilo que não quero, isso faço.

Um filósofo famoso do século 19, o alemão Nietzche, ressaltava que todos nós usamos máscaras. E em todas ocasiões. Para Nietzche, essas máscaras não significam que mentimos o tempo todo. Pelo contrário, essas máscaras são nossas diferentes faces, nossos diferentes rostos. São verdades a respeito de nós. Vontades antagônicas estão num mesmo corpo.

E por que quando a gente fala a gente se condena? Porque algumas das coisas que ainda estamos combatendo para silenciar, até para tirar de nós, acabam escapando. Essas coisas fogem da máscara que estamos usando naquele momento. Às vezes, você não quer ofender, mas ofende; não quer discriminar, mas discrimina; não quer falar mal, mas fala…

E faz isso porque essa face negativa, ruim, também é você. Essa face negativa convive com a face boa, disputa espaço com o seu desejo de acertar. Mas aí, quando falamos demais, não racionalizamos direito. As emoções assumem o comando e o que precisa ser calado, emerge e mostra o que há de pior em nós.

Como quase sempre nossos julgamentos são feitos com base em fragmentos e não pela totalidade, podemos ser condenados pelas outras pessoas por esses lapsos, por essas falhas que deixamos escapar por meio de nossos lábios, daquilo que falamos.

Devemos ter cuidado com o que falamos

Tem um provérbio que diz:

No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.

Meu avô já dizia que “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Esse é um ditado antigo e que está em plena sintonia com o provérbio de Salomão… Meu avô seguia à risca a verdade contida nesse ditado. Ele falava muito pouco. Talvez por isso nunca vi meu avô se metendo em confusão, nem o vi falando mal de outras pessoas. Acho que esse modo de vida inspirou meu pai e, de algum modo, também me deixou ensinamentos importantes sobre o cuidado com o que falamos.

No provérbio que citei, o sábio Salomão ressalta que quando a gente fala demais, a gente acaba falando o que não deve. Quando falamos demais, com frequência, nos condenamos. Nossos preconceitos são verbalizados, nossas inseguranças, nossas falhas de caráter são reveladas. E como todos nós temos defeitos, esses defeitos se tornam ainda mais evidentes.

Por isso, Salomão recomenda que moderemos nossos lábios. Em outras palavras, Salomão está dizendo: “filho, fale menos”. Falar menos é sinal de prudência. Falar menos é sinal de sabedoria. Quando falamos menos, temos mais tempo para refletir sobre o que vem a nossa mente. Os pensamentos amadurecem e temos oportunidade de avaliar se é necessário verbalizar, se não é o caso de guardar o que falaríamos apenas pra nós mesmos.

Tenho dito que as redes sociais são um espaço importante para o debate dos mais diferentes assuntos. Porém, a facilidade com que temos acesso à internet, tem motivado muita gente a falar sem pensar nas consequências de sua fala. A pessoa fala/escreve, publica no calor da emoção. E aí o que diz acaba, muitas vezes, trazendo problemas que seriam evitados se tivesse permanecido em silêncio.

Portanto, em qualquer situação, cuidar do que falamos, moderar nossas palavras, silenciar muitas de nossas palavras são atitudes prudentes e que certamente ajudam a preservar nossa imagem e, principalmente, o relacionamento com outras pessoas.

Tem gente que faz mal pra gente

Conhece alguém assim? Às vezes é aquele cunhado, às vezes é a sogra, às vezes é um colega de trabalho, o patrão

É gente com quem você convive, mas tem a incrível capacidade de mexer com seu humor, te tirar do sério, te fazer perder o sorriso, encher seu coração de amargura.
Infelizmente, tem muita gente assim.

E não vamos nos livrar dessas pessoas. Elas sempre existirão. Você se livra de uma? Outra vai aparecer para te importunar.

Alguns filósofos já diziam que essas pessoas, na verdade, nos fazem bem. Por mais que possam nos aborrecer, contribuem com nossa formação, nos ajudam a ter mais paciência, mais tolerância, mais respeito e amor.

Meio maluco isso? Talvez!

Eu confesso que gostaria de me livrar de algumas pessoas que me fazem mal.
Porém, preciso entender que a vida sempre vai nos fazer esbarrar em pessoas que nos incomodam, que nos entristecem e até nos perseguem. Infelizmente, com muita freqüência, não conseguimos escapar dessas pessoas.

Então o que nos resta é aprender a conviver com elas. E talvez encarar do jeitinho que diziam os sábios gregos: cada pessoa que me faz mal pode, na verdade, me fazer bem. É só eu aprender a transformar o desconforto em crescimento como pessoa, como ser humano. Gente ruim é oportunidade para nos tornar melhores.

É desafiador? É! Muito! Mas a vida segue e não podemos estacionar, não podemos parar de crescer.