Sanepar: o que é bom pode ficar melhor

Tenho poucos elementos para avaliar a proposta de municipalização do serviço de água e esgoto de Maringá. Hoje, a Sanepar é quem presta esse serviço. O contrato, porém, vence na próxima sexta-feira, dia 27. Pelo menos, esta é a data caso se confirme a não validade do aditivo de contrato com a companhia.

Cá com meus botões, entendo como fundamental a discussão sobre a renovação do contrato com a Sanepar. Porém, pelo menos até que me convençam do contrário, esta é minha posição: que as bases do contrato sejam discutidas com a empresa estatal. Não vejo justificativa alguma para o município assumir o serviço.

É verdade que, se a prefeitura gerenciasse o serviço, o lucro obtido pela Sanepar ficaria no próprio caixa do município e poderia ser revertido em benefícios ainda maiores para a população maringaense. Entretanto, não acredito que o município consiga cuidar desse setor melhor que a empresa estatal. Além de ter muito mais experiência, a companhia também é pública – logo, é de todos nós.

Posso estar errado, mas não acredito que o maringaense será beneficiado com a municipalização. Uma rápida pesquisa no Google revela que não são raros os problemas, as reclamações sobre a qualidade dos serviços prestados em cidades onde água é esgoto são administrados pelas prefeituras.

Por isso, acredito que, com um pouco de boa vontade e disposição para o diálogo a fim de tratar de um novo contrato, o que já é bom (o serviço prestado pela Sanepar) pode ficar melhor e toda a cidade sairá ganhando.

Municipalização do serviço de água e esgoto. Não gostei do que vi

Uma comissão de vereadores de Maringá vai a Uberlândia e Uberaba, em Minas Gerais, para conhecer o serviço de água e esgoto daquelas cidades. Por lá, a gestão é dos municípios.

Os parlamentares vão fazer viagem oficial, com tudo pago. Eu também resolvi conhecer os benefícios da municipalização do sistema. Mas optei por viajar até Uberaba pelo Google. Mais rápido, fácil e sem custos.

E o que descobri não me deixou nenhum pouco empolgado. O primeiro problema: não são raras as interrupções de abastecimento. É comum faltar água nos bairros da cidade. E não é de hoje. Pesquisa rápida e básica nos jornais de Uberaba mostram que a população sofre constantemente com o problema há vários anos. Em tempos de pouca chuva, o problema se acentua.

A população reclama. Gente, como o advogado Leandro Correa Ribeiro, diz que a Codau, Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba, presta “um serviço público de péssima qualidade”.

E os preços não são melhores que os praticados por uma companhia como a Sanepar. No ano passado, em agosto, as tarifas foram reajustadas em 11,75%. A menor delas saltou para R$ 21,34. O custo do esgoto, que era de 50% do valor da tarifa de água, passou para 60%.

Em janeiro deste ano, o Jornal da Manhã tratou dos problemas enfrentados pela população da cidade. Sustentou que recebe reclamações diariamente por conta dos serviços prestados pela Codau. E elas são variadas. Vão desde a falta de abastecimento, passando pela ausência de planejamento da empresa até a vazamentos constantes de água. Estes por um motivo simples: pouco investimento na rede. Há muitas obras inacabadas, as tubulações são antigas e não resistem a pressão da água.

Outro jornal da cidade, o Jornal de Uberaba, tratou da corrosão das estruturas. A matéria foi publicada no último dia 10. Trouxe depoimentos de moradores que disseram já estar “acostumados” com a necessidade de quebrar o concreto da calçada para tentar resolver os vazamentos de água. Mas a solução definitiva nunca acontece.

Também não é difícil encontrar queixas contra a companhia em função da cobrança irregular de serviços não prestados.

Essas informações estão disponíveis para qualquer que tiver um pouco de disposição para pesquisar notícias a respeito dos serviços de água e esgoto prestados pela Codau. Ainda não pesquisei sobre a empresa de Uberlândia. Mas não é difícil. Basta usar o Google e saber distinguir quais fontes são um pouco confiáveis, preferencialmente os jornais da cidade.

Claro, o que apontamos aqui não é conclusivo. É interessante ver de perto a qualidade dos serviços municipalizados. Por isso, a viagem da comissão se justifica. Mas, lamentavelmente, o que nossos vereadores verão provavelmente são os resultados oficiais – mostrados pela empresa. Não terão como ouvir a população. E, por isso, talvez o relatório que vão trazer das cidades mineiras não seja assim tão revelador.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Das maiores cidades, só Londrina tem IPTU progressivo
Entre os municípios com mais de 300 mil habitantes no Estado, apenas Londrina implantou o sistema previsto no Estatuto das Cidades. Maringá promete a medida para 2011. O IPTU progressivo consiste no aumento do porcentual cobrado, ano a ano, para glebas não loteadas, terrenos sem edificações e imóveis abandonados.

HOJE NOTÍCIAS: – Vereadores vão a MG comparar tarifa de água
Com a possibilidade de Maringá vir a retomar o serviço de água e esgoto, vereadores de Maringá irão a Uberaba, em Minas Gerais, conhecer o sistema, que é municipalizado. O objetivo é verificar a funcionalidade e os custos, que serão comparados aos valores praticados atualmente pela Sanepar.

JORNAL DO POVO: – Saúde desmente morte por gripe suína em Maringá
Ontem, na cidade, circularam boatos de que uma jovem de 18 anos, que estava internada na Santa Casa de Maringá, teria morrido em razão da gripe A. Em entrevista ao jornal, o secretário de Saúde, Antonio Carlos Nardi, disse que, até a data de ontem, a secretaria não recebera nenhuma informação e nem houve registro de óbito relacionado com a doença.

É assustador…

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas dá o alerta…
Só teremos, no Brasil, 100% do esgoto tratado em 2122.
Loucura, não?
Mas é bem isso que vai acontecer, se os investimentos não forem ampliados.
Felizmente, em Maringá, já temos mais de 80% do esgoto tratado.
Mas nosso olhar não pode se restringir a “nossa casa”.
Nossos vizinhos de Sarandi, por exemplo, só tem 3% de cobertura.
Mesmo que o dinheiro do PAC, esta cobertura não passará de 30%.

As manchetes…

– Assalto em joalheria termina com 4 prisões
O jornal O Diário de hoje destaca a prisão de quatro assaltantes após o assalto a uma joalheria da Zona 4. O grupo, que estava armada, conseguiu levar R$ 30 mil. O veículo usado na fuga foi perseguido pela PM até chocar-se com outro, no Conjunto Requião. Trinta policiais militares participaram da operação de perseguição e busca aos assaltantes.

– Sanepar investe R$ 5 milhões para ampliar sistema de água e esgoto de Maringá
A manchete do Hoje Notícias trata da assinatura da ordem de serviço para investimentos em obras de ampliação do sistema de água e esgoto na cidade. As ordens de serviço foram assinadas ontem com a presença do governador em exercício, Orlando Pessuti.

– Vacinação contra febre aftosa no Paraná
A manchete do Jornal do Povo ressalta a campanha estadual de vacinação contra febre aftosa começa amanhã e vai até o dia 20. Durante esse período deve ser vacinado todo o rebanho de bovino e bubalinos do Estado.

Umuarama Ilustrado
Juiz manda prender testemunha em audiência

Folha de Londrina
Varejo cresce; autopeças reduzem produção

Gazeta do Povo
Indefinição do caso Belinati deve se arrastar até o fim de dezembro

Jornal do Brasil
BC aperta bancos em dia de trégua

O Globo
Paes reafirma promessas e anuncia choque de ordem

Valor Econômico
Governo reduz o superávit de 2009 para 3,8%

O Estado de S.Paulo
Governo admite economizar menos para aliviar crise

Folha de S.Paulo
Paes reafirma promessas e anuncia choque de ordem

A Sarandi que você não conhece…

A CBN Maringá iniciou uma nova série de reportagens. Desta vez, Sarandi é o tema discutido pelos repórteres Everton Barbosa e Luciana Peña. Eles começam a retratar uma cidade pouco conhecida das pessoas. Com base em dados reais, a série revela um lado cruel. Sarandi tem apenas 3% de cobertura de saneamento básico. São cerca de 35 mil fossas na cidade. Tem terrenos sem espaço para a perfuração de novas fossas. Centenas de famílias que não sabem o que é um banheiro, com vaso sanitário. Por isso mesmo, tem crianças que usam a própria sala de aula como banheiro. A coisa é complexa. Pra piorar, estudos apontam que cidades sem saneamento básico são mais violentas e o desempenho escolar é 30% menor. Como reverter isso? Difícil, principalmente porque o tema é ignorado por muita gente. A imprensa regional tem sua parcela de culpa. Afinal, só consegue ver a cidade sob a perspectiva dos crimes que lá acontecem. Ninguém tem levantado as verdadeiras causas da complexa questão social e econômica de Sarandi. Everton Barbosa e Luciana Peña esperam colaborar para que o olhar para aquele município seja outro a partir dessa série de reportagens.

PS – A reportagem de hoje você pode ouvir aqui.

Delazari agora manda na água no PR

Se o paranaense já reclama das políticas públicas de segurança, agora corre o risco de entrar de vez pelo cano. O educado secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, passa a comandar as políticas de saneamento do Paraná. É isso mesmo. Delazari foi empossado nessa segunda-feira como conselheiro de Administração da Sanepar. O mandato é de três anos. Ferrou…