Crianças obesas e a responsabilidade dos pais

lanche

Comer é uma das melhores coisas do mundo. Não é sem razão que a gente, ao comemorar alguma coisa, pensa logo em comida. Entretanto, o prazer de comer tem se transformado num enorme problema: a obesidade. E a situação se torna ainda pior porque tem começado ainda muito cedo. Estudos sugerem que cerca 1/3 da molecadinha está acima do peso. Sabe o que é pior? Os adultos são os culpados – principalmente os pais.

A gente se preocupa demais com o peso, mas faz muito pouco pra mudar os hábitos. A gente come porcaria, come fora de hora, come demais e faz exercícios de menos. E as crianças crescem vendo nossos exemplos. Agora, um estudo recente, identificou um outro problema: pais de crianças obesas fazem muito pouco para ajudá-las. Na verdade, metade deles não acha que o filho obeso represente um problema. São pais que subestimam o excesso de peso dos filhos. Parecem que não enxergam o que está acontecendo. Isso é grave demais!

E é grave porque criança gorda é meio caminho para um monte de doenças. As autoridades de saúde dizem que ainda na infância têm crescido os registros de hipertensão, colesterol alto, os casos de diabetes, enfraquecimento dos ossos… A coisa é feia. E os pais seguem dando bobagem para os filhos. Bolachinhas recheadas, salgadinhos industrializados, refrigerantes, sorvetes, balas… Tem família que não sabe mais o que é ter um almoço com arroz, feijão, carne, legumes e saladas. Frutas então??? Nem feitas em vitamina.

A molecadinha não sabe brincar. Quer dizer, até sabe – desde que no computador, nos videogames, smartphones, tablets… Acomodados, nós, pais, nada fazemos para mudar essa realidade. Nem na mesa nem na prática de atividade física. Futuro? Difícil saber… Talvez, como ouvi dias atrás de um médico, vamos começar a ver muito cedo uma redução na expectativa de vida. Ou gente vivendo muito, mas à base de medicamentos, sem qualidade de vida.

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Ainda os médicos cubanos

medicoComeço achar que o problema é preconceito. Depois de toda crítica que o governo Dilma recebeu pelo lançamento do programa Mais Médicos, os resultados apareceram e desestabilizaram até mesmo a oposição. Entretanto, ainda hoje encontro gente se apegando a pequenas coisas para questionar principalmente o trabalho dos cubanos.

Dias atrás, encontrei um blog para apontar possíveis erros nos procedimentos desses médicos. Puro preciosismo. Cheguei a pensar: e se a gente criasse um espaço para questionar os profissionais brasileiros? Aqueles que mal olham pra cara do paciente? E as indicações erradas de medicamentos? Ah… convenhamos, né?

Outro dia vi no Facebook uma nota sendo compartilhada para reclamar de gastos com hotéis onde se hospedam alguns desses médicos. Essas mesmas pessoas que não perdem tempo na crítica não fazem as contas, não verificam qual o número de pessoas hospedadas, quanto custaria aluguel equivalente, valor normal de diárias etc. Simplesmente criticam.

Sabe, eu ainda me incomodo com a maneira como aconteceu a contratação. Não me agrada o repasse do salário para uma organização que faz, posteriormente, o pagamento para os médicos cubanos. Fica a impressão que o governo brasileiro financia o governo cubano. Entretanto, essa foi a forma encontrada para trazer esses profissionais para o país. E trazê-los está mudando a realidade da saúde pública.

Até mesmo a grande imprensa tem se rendido aos resultados. E, apesar de certa resistência ao governo Dilma, trazem reportagens curiosas com relatos comoventes. Em cidades do norte e nordeste do país, gente que nunca tinha atendimento médico chega a se ajoelhar para agradecer aos cubanos. Os pacientes relatam que são tratados com carinho, respeito, humanidade. Gente, estamos falando do SUS. Atenção, cuidado… no sistema público. Isso não tem preço, caríssimos. No postinho, o povo está acostumado a ser recebido como se fosse cachorro de rua.

Por isso, não consigo entender quem ainda critica a presença dos cubanos entre nós. Sim, parece preconceito. Querem dizer que há outros problemas no sistema? Concordo. Mas quem precisa de saúde, precisa primeiro de um médico que acolha, olhe, ouça, atenda. Então, que sejam muito bem-vindos os cubanos!

Médicos para o povo

medicoMédicos mais humanos. Profissionais que gostem de gente. Sonho de consumo, né? Este deveria ser o princípio básico para quem pretende exercer a atividade. Entretanto, nem sempre é a motivação primeira de quem escolhe cursar Medicina. Por ser valorizada, do ponto de vista social e financeiro, muitos jovens se sentem fascinados pela profissão. Escolhem não pela sensibilidade, pelo desejo de cuidar do outro, curar; escolhem porque sabem que terão emprego garantido, reconhecimento e bom salário.

Meu incômodo com esse tema é antigo. Já tratei da questão duas vezes na CBN. Entrevistei os coordenadores dos cursos de Medicina da UEM e do Cesumar. E ambos admitiram: o maior desafio da academia é mostrar ao futuro médico que ele tem uma missão e deve gostar de gente.

Após o anúncio feito pelo governo – com mudanças que vão motivar, inclusive, a obrigatoriedade de dois anos de prestação de serviço no SUS -, o ministro Mercadante fez uma avaliação que acabou provocando muita gente que já está no mercado e centenas de acadêmicos. Ele sustentou que, trabalhar no sistema público de saúde, vai ajudar a humanizar os futuros médicos.

Não sei até que ponto tem razão o titular da pasta da Educação. Entretanto, sei que esse profissional carece conhecer a realidade do pobre, do miserável… É muito fácil dizer que o setor sofre porque o governo não investe ou não gere corretamente os recursos da Saúde. Difícil é admitir a própria responsabilidade e reconhecer que a motivação econômica, o status, o prestígio têm sido os norteadores do exercício de muitos profissionais. Não estou sugerindo que são incompetentes, mas falta empatia. Não dá para negar: gente sem dinheiro fica sem cobertura plena no Brasil.

O governo tem falhado, é verdade. E em vários aspectos. A infraestrutura é caótica. Ainda assim, o percentual do orçamento destinado à saúde é bastante considerável. Mas se gasta mal. E em demandas que representam problemas sem fim: por exemplo, vítimas de acidentes de trânsito consomem bilhões/ano. Apesar disso, no âmbito internacional, o modelo SUS é um dos mais elogiados. No entanto, e o outro lado da história? Como convencer um médico que cobra R$ 350 de consulta a atender pelo sistema? E estou falando de uma consulta… Outros procedimentos custam muito mais.

Volto a repetir, o médico tem direito de desejar uma bela remuneração. Contudo, é preciso humanizar-se. Compreender que o outro carece do seu trabalho. Que os valores praticados inviabilizam o acesso à saúde para milhões de pessoas. Não dá para ignorar a realidade social e econômica do país e transferir para o Estado toda responsabilidade pelas crises da Saúde.

Acesso a atendimento médico em determinadas especialidades é artigo de luxo. Até a classe média sofre, porque pagar plano de saúde nem sempre é garantia de ter atendimento em certas áreas.

Atualmente, existem especializações que têm fila de espera – mesmo fora do sistema público. Tente encontrar um psiquiatra, dermatologista… E pra ser atendido, o paciente precisa desembolsar um dinheiro que nem sempre tem. Tem gente que passa anos esperando um milagre, porque não consegue ir ao médico – e não vai porque não existe a especialidade no SUS, não tem plano e muito menos recursos para pagar no particular.

Sabe, nenhum direito do mundo vai dar conta de pagar o que muitos entendem como remuneração justa – principalmente com as condições favoráveis de alguns profissionais.

É nesse contexto que a obrigatoriedade de passar dois anos no SUS parece-me uma iniciativa importante. Não sei se vai fazer muitos deles gostarem de gente, se sensibilizarem com a dor alheia. Admito que tem cara de arbitrariedade e até possa ser questionada a legalidade da medida. Entretanto, é hora de romper com a lógica de mercado. Não dá mais para aceitar que serviços de qualidade na saúde permaneçam restritos para uma minoria que tem poder econômico.

Médicos importados

medicinaPode não ter sido a primeira intenção do governo, mas uma coisa é certa: a quantidade de médicos existentes no Brasil virou pauta até de quem não entende nada do assunto. De um lado, o governo sustenta que faltam profissionais; do outro, critica-se a proposta de incentivar a “importação” de médicos do exterior sob a alegação que a saúde da população seria colocada em risco.

Cá com meus botões fico pensando: contar com médicos formados em países como Argentina, Cuba, Espanha etc deixaria o setor pior do que está? Não sei.

Tenho a impressão que a reação dos profissionais brasileiros é motivada, primeiro, pelo desejo de preservar o mercado de trabalho. O médico é quem tem o melhor salário e o maior índice de empregabilidade no país. Milhares deles se dão ao luxo de sequer atenderem por planos de saúde. Merecem mais reconhecimento? Claro, mas quem não merece? Engenheiros, advogados, arquitetos, jornalistas, administradores, enfermeiros… O que dizer então dos professores?

Os médicos reclamam que o governo paga mal. E os investimentos na saúde são precários, principalmente nas cidades do interior. Por isso, poucos aceitam trabalhar no Sus, em especial nos pequenos municípios. Ou seja, a culpa é do sistema. Não faltariam médicos.

Mas… Faço outra pergunta? Que profissional bem instalado numa cidade de médio ou grande porte, com renda acima de R$ 30 mil/mês, toparia ir para o interior ganhando, digamos, R$ 20 mil? E olha que esse é praticamente o dobro do salário que se paga no Sus na maioria dos municípios.

Quem está colocado, está num grande centro, recebe trezentos, trezentos e cinqüenta reais por consulta, não vai deixar seu consultório espaçoso, confortável para atender em postinho de saúde. O sistema paga mal? Tem fragilidades? Sim. Péssima estrutura? Sim. Mas o médico não se sujeita as condições oferecidas pelo Sus por tudo isso e porque o mercado profissional absorve praticamente todo mundo e oferece rendimentos bastante satisfatórios.

Na prática, hoje, neste momento, agora… não existe dinheiro no mundo que vá melhorar o sistema público de um dia para o outro e muito menos dobrar, triplicar salários. Ou seja, se não houver um “chacoalhão” na lógica atual, nada vai mudar. E isso precisa ser já. Não dá para esperar. Quem mora no Maranhão, Piauí… nas pequenas cidades, nas mais pobres, também carece de médico. O sujeito que está bem instalado aqui em Maringá, em Londrina, Curitiba, São Paulo… não vai mudar nunca para esses lugares.

Portanto, concordo que deva haver regras para trazer profissionais formados noutros países. Entendo inclusive que deveriam ser credenciadas as instituições estrangeiras que garantem qualidade mínima necessária a fim de manter controle sobre o currículo acadêmico e saber se atende a nossa realidade. Defendo que os novatos, quem vem de fora, deva ser “instalado” apenas nas regiões em que há maior demanda. Porém, algo precisa ser feito.

E, com efeito para médio e longo prazo, também penso que é preciso ampliar as vagas nos cursos de Medicina, em especial nos estados do Norte e Nordeste. Outra medida fundamental é criar a obrigatoriedade de quem se forma em universidade pública trabalhar no Sus durante um período de tempo.

Bem, não sou médico. Nem agente público. Certamente outras medidas são bem vindas. Entretanto, como cidadão, acredito que pensar sobre o assunto e defender o que acredito seja meu dever.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Aberta temporada de caça ao Aedes aegypti
Paraná e quatro Estados concentram 70% dos casos de dengue no País. Por determinação do Ministério da Saúde, o combate ao mosquito foi antecipado: órgãos públicos desenvolverão ações conjuntas.

HOJE NOTÍCIAS: – Orçamento 2011 começa a tramitar na Câmara
Vereadores de Maringá precisam votar a Lei Orçamentária antes do recesso parlamentar em dezembro. A previsão é de que a receita municipal chegue a R$ 687.335.498,00. Deste total, cerca de R$ 16,5 milhões serão aplicados na construção, ampliação e reforma de escolas e creches.

JORNAL DO POVO: – Feira Educacional começa hoje no Marista
A II Feira Educacional começa hoje e termina amanhã em Maringá, no teatro do Colégio Marista. O tema deste ano é “Novas Metodologias para a Aprendizagem”. A feira é uma realização do Sinepe. O evento contará com a participação de mais de 600 pessoas, entre professores, diretores e mantenedores de escolas de toda a região Noroeste do Paraná.