Quem conhece minha alma?

Quem me conhece? Quem sabe sobre meus desejos, vontades? Quem é capaz de reconhecer em meus mínimos movimentos ou palavras quais são as minhas intenções?
Por vezes, tenho a impressão que nós mesmos não nos conhecemos plenamente.

Num tempo em que a vida é vivida de forma apressada, nem sempre olhamos para o outro; mas também o outro pouco nos observa. Frequentemente, não se dá ao trabalho de nos desvendar. Poucas pessoas conhecem nossa alma.

Acontece que, quando dividimos nossa vida com alguém, é fundamental dar-se a conhecer e ser conhecido. Não dá pra amar e ser amado e viver como dois estranhos.

Feliz é quem sabe que, mesmo em silêncio, está sendo escutado pela pessoa amada.

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Só o tempo permite o amor verdadeiro

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Tem gente que mede o relacionamento pelas sensações que sente. E embora o corpo seja um termômetro importante da relação, engana-se quem acha que sentimentos do início da paixão se estendem por toda vida.

Sabe aquela dificuldade em concentrar-se? Ou o friozinho na barriga? Sorrir pelo simples fato de ouvir o nome da pessoa amada? Essas coisas incríveis acontecem no início da relação. Às vezes até durante dois ou três anos. Mas, com o tempo, o coração se acalma. Isso não significa que o outro deixa de ser significativo… E nem que o amor acaba. Apenas se trata de um novo estágio do relacionamento.

Algumas noções equivocadas de amor (principalmente retratadas nas telas do cinema, na televisão e até mesmo na música) acabam resultando em relacionamentos frustrados. A pessoa acha que, porque não tem mais “friozinho na barriga”, não existe mais sentido no romance.

Sabe, é maravilhoso se sentir emocionado ao ver a pessoa amada. Entretanto, essa sensação não é permanente. Também não funciona para sempre a ilusão de que o outro é perfeito. Em uma relação estável, você conhece as limitações do outro. Isso, porém, não é problema para o amor. Porque amar também é uma decisão. E decidimos amar o outro apesar de seus defeitos.

Quem reconhece que o outro tem defeito, aceita uma condição básica do relacionamento: decepcionar-se. Sim, porque a pessoa amada em algum momento vai nos decepcionar. E quando isso acontece, é fundamental praticar o perdão. Nenhum relacionamento sobrevive sem que haja a prática cotidiana do perdão.

Outra coisa muda com o tempo: o romantismo. No princípio do relacionamento, ser romântico é algo natural, espontâneo. No caso do homem, faz parte do princípio da conquista. A cabeça do homem funciona assim: ele luta para conquistar, mas, quando conquista, é uma situação “resolvida”. O cérebro do homem é prático… Então é como se “a tarefa estivesse completa”. Logo, ele vai cuidar de outras coisas – manter a geladeira cheia, por exemplo. Por isso, o romantismo diário também passa a ser uma decisão do casal, uma busca constante, um ato consciente. E alguém vai ter que tomar a iniciativa, mesmo quando cansado, indisposto…

Depois dos primeiros meses de paixão, também voltamos a sentir necessidade de estarmos sozinhos em alguns momentos. No começo da relação, queremos estar com a pessoa amada o tempo todo, falar o tempo… Porém, com o tempo, nos damos conta que faz bem ter um tempo só pra nós. É o tipo de coisa que traz efeitos positivos inclusive para a relação, pois mantém a individualidade ao mesmo tempo que faz com que sintamos saudade, vontade de reencontrar a pessoa amada.

Eu sei que reconhecer essas mudanças não é tão simples assim, principalmente para os mais jovens, para aqueles que nunca experimentaram uma relação realmente estável e de vários anos. Entretanto, essa diferença entre as sensações vividas durante os primeiros meses e a realização da relação não torna a vida a dois menos especial. Pelo contrário, pois só o tempo produz maturidade, permite o desenvolvimento da intimidade, cumplicidade, companheirismo, amizade, amor verdadeiro.

Desapegar-se do que não faz bem

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Ninguém dá conta de estar todos os dias bem. E muitas vezes a origem da tristeza, desânimo, mal estar nem sempre tem uma explicação muito lógica. Tipo “briguei com o marido” ou “o chefe mandou refazer o relatório”, ou ainda “a empresa está demitindo 20 funcionários e acho que estou na lista”.

Os pesquisadores da memória apontam que o humor pode ser afetado por pequenos “gatilhos” que alteram nosso comportamento, mexem com nossas emoções (algo como “deitamos bem e acordamos mal”). Pode ser uma música que ouvimos, uma notícia… Um cheiro, um gosto… Até mesmo um sonho abre uma janela de memória que traz sentimentos ruins, preocupações. O dia está lindo, céu azul, sol brilhando… Mas afundamos. Pois é. Isso acontece e nem sempre dá pra controlar.

Ter um dia ruim, daqueles que a gente afunda, não quer fazer nada… é ser humano. Não é frescura, não é manha, nem infantilidade. Faz parte de nós. Por situações que nem sempre entendemos, ficamos mal. E temos que lidar com isso.

O que não dá é viver essa realidade um dia após o outro. Se o humor vive oscilando, alguma coisa está errada. Tem algo ruim acontecendo com a gente. Nesses casos, a primeira atitude é se observar, tentar identificar o que está provocando tristeza, desânimo e até vontade de morrer. É necessário se conhecer, mapear as próprias emoções…

Embora seja necessário fazer uma viagem para dentro de si e estabelecer um olhar atento para a vida, quase sempre o que dispara essa negatividade pode ser reconhecido. E se reconhecido, torna-se fundamental promover o enfrentamento do problema. Se de ordem psicológica (uma depressão, ansiedade etc), muitas vezes, precisamos de ajuda profissional; se de ordem pessoal, cabe à pessoa tentar solucionar o problema, mudar o ambiente e, muitas vezes, abrir mão de um emprego, do relacionamento… Enfim, do que faz mal.

Viver também é saber desapegar-se do que não nos faz bem.

O que sente o filho adotivo?

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Não sei como me sentiria se fosse adotado. A gente que sabe quem é o pai, quem é a mãe nunca para pra pensar nessas coisas. Hoje, porém, estava lendo dicas de como dizer ao “filho” que foi adotado. A tese básica é sempre a mesma: seja o mais natural possível. O texto me incomodou. Afinal, e o outro? E para a criança, é natural?

Fiquei pensando o que passaria na cabecinha dela. E quando o filho é adolescente ou adulto e descobre ser adotivo, o que sente? Não tenho resposta. Talvez alguém apareça por aqui e comende no texto, diga algo relevador. Sei apenas que já temos tantas inseguranças, complexos, culpas, medos, traumas… Por isso, penso: como se sente alguém que não tem sua origem definida?

Conheço algumas poucas pessoas que foram adotadas. Até parecem bem resolvidas. Entretanto, nunca perguntei “E aí, como é ser adotado? O que você sente?”. O assunto acaba sendo meio tabu. A gente finge que está tudo normal… O que temos com isso, né?

De fora, até questionamos quando algum filho adotivo demonstra revolta ou quer conhecer os pais biológicos. Apontamos que estariam sendo ingratos. É verdade que foram “salvas” por pessoas amorosas, dedicadas, altruístas… Mas já imaginou como essa pessoa se sente?

Cá com meus botões, acho que algumas se sentem um tanto rejeitadas, abandonadas, enganadas. Não ter uma origem definida deve “tirar o chão” dessas pessoas. Claro, não de todas. Porém, penso que não se trata de não se sentirem amadas pelos pais adotivos. Trata-se de saber quem de fato são, de onde vieram, qual poderia ter sido a história delas… Podemos até viver o momento, curtir os prazeres da vida, mas a existência reclama um sentido e a origem conhecida ajuda a formar nossa identidade, a apontar quem de fato somos. Mesmo quando há uma briga com a família, uma ruptura com os pais, é bom saber quem odiar.

Sabe, talvez este texto seja só uma “viagem” pessoal; um daqueles momentos que a gente divaga e vai do nada pra lugar nenhum. Ainda assim, entendo que pensar nessas coisas ajuda a entender o outro. Nem sempre é possível. Eu não sei como se sente um filho adotivo. Não conheço o coração. Como também não sei o que sente uma mãe que compra drogas para o filho… Não entendo o que passa na mente de uma mulher que introduz um celular na vagina para levar ao parceiro que está preso… Cada um, porém, tem suas angústias, motivações, verdades ou dúvidas. E, nessa complexidade do que é o homem, nos constituímos como sujeitos que guardam histórias de risos ou lágrimas, vitórias e derrotas.