Nayara participa de reconstituição do sequestro…

Está marcada para as 10h…
Nayara Silva, de 15 anos, participa da reconstituição.
Lindemberg, não.
Pelo menos é o que informa sua defesa.
É direito dele não participar.

A principal questão a ser respondida ainda é:
– Quem atirou primeiro: Lindemberg ou a polícia?

Fala-se que um tiro dado por Lindemberg teria motivado a invasão.
Mas a informação é controversa.
Até o momento parece que não houve esse tal tiro.
A reconstituição do crime tem essa função.
As pessoas têm direito de saber o que aconteceu no desfecho do sequestro de Santo André.
Afinal, a garota Eloá morreu…
E, ao que parece, essa morte poderia ser evitada.

Nayara desmente tiro…

Curioso, não? A jovem Nayara, amiga de Eloá, disse à polícia que Lindemberg não atirou antes da invasão da polícia ao apartamento. A declaração dela derruba a versão dos policiais. Diante da afirmação, o comandante da PM encontrou uma forma de desmentir a garota… Disse que Nayara está confusa.

Sei não… Até o momento estou mais pra acreditar na jovem que nos policiais. E você?

Ah… um coronel e um promotor sairam com a alegação que a existência do tiro antes da invasão é irrelevante. Irrelevante? Irrelevante seria se a operação tivesse sido um sucesso e Eloá estivesse viva.

Uma doença chamada ciúme…

Texto produzido para o programete que faço na Rede Novo Tempo.

Quero voltar a falar sobre a relação dos pais e filhos… Quero falar sobre este assunto ainda sob a perspectiva da tragédia que aconteceu em Santo André. Por mais que o assunto possa parecer repetitivo, é importante refletir sobre aspectos que dizem respeito a nossa vida. A morte da adolescente Eloá, o drama sofrido pela amiga dela, a Naiara, e a prisão de Lindemberg devem servir de estímulo para aprendermos algumas lições.

A primeira delas: muitos pais estão criando futuros Lindemberg’s. É isto mesmo. Não estou dizendo que os pais estão preparando assassinos. Estou afirmando que tem muito pai e mãe por aí ensinando os filhos a serem egoístas a ponto de entenderem que é direito deles terem acesso a determinados bens. Lindemberg matou Eloá porque entendeu que a menina só poderia ser namorada dele; e de mais ninguém.

Esse rapaz não foi preparado para experimentar a frustração. E a frustração faz parte da educação. O ser humano precisa saber lidar com a frustração. Temos que entender que não podemos ter tudo que queremos. Mas o pai e a mãe que dão tudo que o filho quer estão prestando um desserviço à sociedade. A criança de hoje vai se tornar um adulto que não sabe lidar com os “nãos” da vida. E você sabe, a vida reserva muitos “nãos” pra todos nós.

Infelizmente, Lindemberg não soube ouvir um não da Eloá. A história terminou do jeito que você já sabe…

Além de dizer não para nossos filhos e não poupá-los da frustração, a segunda lição que devemos aprender é: o ciúme é uma doença. É uma doença que precisa ser combatida. E o ciúme também é aprendido. O ciúme surge por insegurança, por falta de auto-estima e pela ausência de uma orientação adequada.

Os pais precisam ficar atentos. O ciúme se manifesta muito cedo. Seja no trato da criança com os amiguinhos ou mesmo no relacionamento da criança com os pais. Quando notado, o ciúme precisa ser tratado para impedir que se torne um sentimento continuo. Muitos crimes passionais são cometidos por ciúme. Isto sugere que esse deve ser combatido.

E aqui um último recado: se você encontrar alguém muito ciumento pelo caminho, evite essa pessoa. Não aceite certos comportamentos como naturais. Em toda relação, um certo cuidado é natural, necessário. Mas quando motiva brigas, retaliações, acessos de raiva, há indicações claras de que o sentimento pode motivar ações irracionais.

A mídia errou?

Tenho lido e ouvido muita coisa sobre o comportamento da mídia durante o sequestro das garotas Eloá e Naiara pelo “apaixonado” Lindemberg.
É natural.
Após o trágico desfecho do sequestro de Santo André, muita gente quer entender a responsabilidade de todos os envolvidos.
No caso em questão, é impossível não voltar o olhar para a mídia.

Mas, a imprensa teria tido comportamento exagerado, sensacionalista durante a cobertura do sequestro? Teria influência no desfecho?
Talvez sim.
Poderia ser diferente?
Acredito que não.

Um acontecimento como este, em que as vítimas ficaram sob poder do criminoso por cerca de 100 horas, está sujeito a erros de todas as partes. Inclusive da imprensa.

E nesse caso, a mídia perdeu o controle.
De novo, é claro.
Não foi a primeira e nem será a última vez.
É obvio, vai acontecer de novo!

Por quê?
Simples… A danada da audiência.
Boa parte dos problemas estão relacionados ao Ibope.
A motivação pela audiência quase sempre interfere no bom-senso.
Como o público é emocional, vale tudo para atraí-lo.

Atraí-lo é o que recomenda o negócio.
A mídia é uma empresa. Um negócio.
Por isso, erra toda vez que a mercadoria à venda é de risco.
Um sequestro é uma notícia de risco.
Mas é preciso “vendê-la”.

Como vendê-la sem prejuízos sociais?
Difícil responder.
As fórmulas existentes têm se mostrado falhas.
Atrás delas estão seres humanos que se empolgam…
Perdem os referenciais do valor do outro e só pensam no produto à venda.

Dá para evitar?
Talvez. Mas sempre haverá riscos.
Até de ficar sem público…

PS- Por opção, este blogueiro não tratou uma única vez do sequestro enquanto esteve em andamento.

Eloá, Lindemberg… nossos filhos

Produzi o texto abaixo para o programete que apresento na Rede Novo Tempo:

Ao longo da última semana, o Brasil acompanhou o drama de duas garotas… Eloá e Naiara. Essas adolescentes estiveram durante toda a semana sob a mira do revólver de um outro jovem, Lindemberg. O rapaz, de 22 anos, tinha sido namorado de Eloá. Na segunda-feira, dia 13 de outubro, Lindemberg invadiu o pequeno apartamento da ex-namorada e fez Eloá e Naiara suas reféns.

Durante 100 horas, a polícia negociou; pediu que Lindemberg se entregasse, mas os diálogos não obtiveram êxito. O desfecho foi trágico. Eloá morreu e, por um milagre, Naiara escapou – mesmo tendo recebido um tiro no rosto.

Caro amigo, esta história você já deve ter visto e revisto nesses últimos dias. Afinal, é impossível ficar alheio ao fato. Todos nós já comentamos, especulamos e lamentamos a morte da jovem. Falamos sobre o ciúme doentio de Lindemberg e reclamamos da desastrosa operação policial. Mas, no fundo do coração, quem é pai, quem é mãe deve ter tido alguns outros pensamentos.

Confesso a você que fiquei pensando nos meus filhos. Meu menino é só um garoto de onze anos. Minha filha tem sete. Entretanto, já me preocupo com o futuro deles. O que mais me assusta é a idéia de que eles estejam sujeitos a se encontrarem com uma nova versão desse rapaz, o Lindeberg – um jovem aparentemente pacífico, mas que se transformou num criminoso por causa do ciúme doentio.

Sabe amigo, nenhum de nós está imune de viver o drama que a família da adolescente Eloá experimenta nesta semana. Nós, que cremos em Deus, só temos uma saída: orar por nossos filhos.

Existem casos em que também nos enganamos. Um velho ditado já dizia: “Quem vê cara não vê coração”. Não sabemos o que se passa no coração do homem. A pessoa amável e bondosa de hoje pode se tornar violenta amanhã.

Por isso eu digo, precisamos pedir mais a proteção de Deus por nossos filhos. Às vezes, na correria de nossos dias, nos ocupamos de tantas coisas, mas esquecemos de pedir sabedoria ao Senhor dos Céus para que eduquemos de forma correta nossos filhos. Esquecemos de pedir que Deus livre nossas crianças de se tornarem, no futuro, vítimas de um companheiro violento.

E não se trata apenas de encontrar um maluco como o Lindemberg… Muitas pessoas sofrem com companheiros que bebem, que usam drogas, que estão envolvidos com crimes, que usam da violência para resolver seus problemas.

Não quero aqui dizer que a jovem Eloá não estava sob a proteção de Deus. Apenas gostaria de lembrar que devemos acompanhar mais nossos filhos, estar mais próximos deles, tentar entendê-los, orientá-los, ajudá-los a resolver seus conflitos. Permitir que nossos filhos se sintam seguros em compartilhar conosco suas experiências, inclusive permitindo que falem de seus amores e desilusões amorosas. E, junto com tudo isto, não esquecer de entregá-los sempre aos cuidados de Deus.

Eloá, Lindemberg… nossos filhos

Produzi o texto abaixo para o programete que apresento na Rede Novo Tempo:

Ao longo da última semana, o Brasil acompanhou o drama de duas garotas… Eloá e Naiara. Essas adolescentes estiveram durante toda a semana sob a mira do revólver de um outro jovem, Lindemberg. O rapaz, de 22 anos, tinha sido namorado de Eloá. Na segunda-feira, dia 13 de outubro, Lindemberg invadiu o pequeno apartamento da ex-namorada e fez Eloá e Naiara suas reféns.

Durante 100 horas, a polícia negociou; pediu que Lindemberg se entregasse, mas os diálogos não obtiveram êxito. O desfecho foi trágico. Eloá morreu e, por um milagre, Naiara escapou – mesmo tendo recebido um tiro no rosto.

Caro amigo, esta história você já deve ter visto e revisto nesses últimos dias. Afinal, é impossível ficar alheio ao fato. Todos nós já comentamos, especulamos e lamentamos a morte da jovem. Falamos sobre o ciúme doentio de Lindemberg e reclamamos da desastrosa operação policial. Mas, no fundo do coração, quem é pai, quem é mãe deve ter tido alguns outros pensamentos.

Confesso a você que fiquei pensando nos meus filhos. Meu menino é só um garoto de onze anos. Minha filha tem sete. Entretanto, já me preocupo com o futuro deles. O que mais me assusta é a idéia de que eles estejam sujeitos a se encontrarem com uma nova versão desse rapaz, o Lindeberg – um jovem aparentemente pacífico, mas que se transformou num criminoso por causa do ciúme doentio.

Sabe amigo, nenhum de nós está imune de viver o drama que a família da adolescente Eloá experimenta nesta semana. Nós, que cremos em Deus, só temos uma saída: orar por nossos filhos.

Existem casos em que também nos enganamos. Um velho ditado já dizia: “Quem vê cara não vê coração”. Não sabemos o que se passa no coração do homem. A pessoa amável e bondosa de hoje pode se tornar violenta amanhã.

Por isso eu digo, precisamos pedir mais a proteção de Deus por nossos filhos. Às vezes, na correria de nossos dias, nos ocupamos de tantas coisas, mas esquecemos de pedir sabedoria ao Senhor dos Céus para que eduquemos de forma correta nossos filhos. Esquecemos de pedir que Deus livre nossas crianças de se tornarem, no futuro, vítimas de um companheiro violento.

E não se trata apenas de encontrar um maluco como o Lindemberg… Muitas pessoas sofrem com companheiros que bebem, que usam drogas, que estão envolvidos com crimes, que usam da violência para resolver seus problemas.

Não quero aqui dizer que a jovem Eloá não estava sob a proteção de Deus. Apenas gostaria de lembrar que devemos acompanhar mais nossos filhos, estar mais próximos deles, tentar entendê-los, orientá-los, ajudá-los a resolver seus conflitos. Permitir que nossos filhos se sintam seguros em compartilhar conosco suas experiências, inclusive permitindo que falem de seus amores e desilusões amorosas. E, junto com tudo isto, não esquecer de entregá-los sempre aos cuidados de Deus.

Sequestro Santo André: outro olhar…

Alguns leitores deixaram comentários no post sobre o desfecho do sequestro de Santo André. Um deles reproduzo em destaque. Trata-se do texto do Capitão Anilto. Neste momento em que questionamos a estratégia da polícia, o silêncio do governo, enfim, o triste fim de um drama de aproximadamente cem horas, todos argumentos precisam ser refletidos. Veja abaixo:

Olá, Ronaldo,
Realmente a situação do país é caótica. No caso do sequestro em Santo André, muitos questionaram a ação da PM, sugeriram atiradores de elite. Mas lembra do caso Adriana Caringi? Nem sempre o atirador acerta apenas o sequestrador. Um movimento sutil pode fazer com que aconteça uma desgraça, e o país não está preparado para aceitar os acidentes de percurso. Preferem insistir em negociações, com toda a cobertura da mídia, o que acaba também prejudicando o trabalho policial, pois o sequestrador fica sabendo de todas as movimentações e se prepara para isso. No caso das “mordomias” oferecidas, era exigência do sequestrador para não matar a sequestrada. O que poderia ser feito?
A demora das negociações fez bem para a mídia, que sobrevive do sangue alheio. Se o caso tivesse se encerrado com a morte do sequestrador e (eventual) morte de alguma refem, o que estariam falando hoje.
Quanto ao confronto entre PM e Polícia Civil em São Paulo, o que a sociedade aconselharia?
– A PM deveria deixar que a Polícia Civil avançasse traquilamente até o Governador, armada e preparada para atitudes hostis?
– A PM deveria juntar-se aos grevistas, pois também é interesse para ela o aumento salarial?
Devemos lembrar que as Polícias Militares do Brasil são o último baluarte na preservação da Ordem Pública, e no momento em que agirem com indisciplina, ou contrariando ordens, a anarquia será total. Bem ou mal as PM ainda estão cumprindo o papel constitucional de preservação da Segurança Pública. Mas o país vai mal, as opiniões são impostas ao povo por grupos tendenciosos, por politiqueiros de plantão que aproveitam as mazelas do povo para buscarem benefícios próprios. O povo brasileiro tem de aprender a pensar, refletir e questionar tudo que ocorre no país, não correr atrás de opiniões pré-formatadas e tendenciosas. Mas estamos longe disso…
Abraços.