É sexta-feira santa!

A pandemia tem roubado da gente até a percepção do tempo. Você tem conseguido contar os dias, como sugere o salmista? Tem dado conta de reparar no movimento da vida, nas coisas que estão acontecendo, inclusive com você?

Eu tenho insistido com meus alunos e alunas, e tenho falado nos meus textos e vídeos, que precisamos seguir vivendo. Não dá para esperar a pandemia passar. Quem está adiando tudo para depois da pandemia está deixando de viver. E deixar para depois é abrir mão da vida agora – sem contar que o “depois” é sempre incerto; sequer há garantia de haverá vida.

Nessa loucura angustiante que tem sido o tempo em que vivemos, chegamos à sexta-feira santa e esse dia chegou tão rápido que mal notamos que estamos as vésperas da Páscoa.

Não sei como as coisas estão aí na sua cidade, mas pelo menos em Maringá, onde moro, até os supermercados foram bastante tímidos na decoração da Páscoa. As prateleiras tinham poucas opções de ovos de chocolate.

Na semana passada, enquanto estava com a Rute, minha esposa, até brincamos que o coronavírus freou os ímpetos de consumo de chocolate.

Entretanto, essa sensação de que tudo está muito confuso abre uma oportunidade única para pensarmos no que realmente significam essas datas.

A decoração festiva nos supermercados, os anúncios de ofertas de produtos variados para a Páscoa, por vezes nos distraem. Distraem até mesmo o povo de Deus.

É fato que muitas igrejas fazem programações especiais na Semana Santa com o objetivo de direcionar o nosso olhar para o que realmente importa. A Igreja Adventista e a Novo Tempo fazem isso há muitos anos. E milhares de pessoas tem sido abençoadas, restauradas.

Ainda assim, até mesmo programações especiais como essas, em tempos normais, não alcançam todas as pessoas e não impactam todo mundo. As pessoas geralmente estão ocupadas demais.

Contudo, estes tempos difíceis deixam nosso coração mais sensível. Não é preciso se esforçar muito para entender que algo está grave está acontecendo com o planeta e que a humanidade está em perigo.

As mortes que se acumulam, a grave crise econômica e política que nos afetam apontam para o céu. Nos dias em que vivemos, dá para ouvir a voz do salmista Davi dizendo: elevo os olhos para os montes, de onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.

Querido amigo, querida amiga, a sexta feira santa e o domingo de Páscoa renovam nossas esperanças. Essas datas não são apenas datas comemorativas. Elas são um lembrete de que existe esperança. E a esperança está em Cristo, aquele que nasceu, morreu, mas ressuscitou.

Por isso, te faço um convite: célebre essas datas lembrando da vida que há em Cristo. Não se incomode com as impossibilidades de estar junto com as pessoas amadas. Sei que elas fazem falta, sei que é bom abraçar… Mas o Cristo ressuscitado dá a garantia de logo chegará o tempo em que nunca mais precisaremos ficar separados.

A separação de hoje é apenas uma fração de tempo na história diante de uma eternidade que teremos para viver juntos. Para sempre! E melhor, vivendo junto com o próprio Cristo.

Uma Páscoa abençoada pra você.

Feriado, fé e nossas contradições

Feriado… Para mim, não faz muita diferença. Trabalho quase normalmente. O quase é por conta das pequenas coisas que a gente faz ou deixa de fazer num dia como este. Vestir-se mais à vontade é uma delas. Ter a tarde livre para trabalhar em casa é outra. Ficar meia horinha a mais na cama também cabe na lista.

Hoje, porém, é um feriado diferente. É sexta-feira santa. Os cristãos lembram a morte de Cristo. Bom, pelo menos, dizem lembrar. Já não sei se isso efetivamente acontece.

Pensava nisto depois de ouvir a Carina dizer que, hoje, é dia de reflexão.

Parece-me que, ocupados como estamos, datas religiosas têm ganhado pouca importância – mesmo entre os mais fiéis. Na verdade, para a maioria, feriados são apenas feriados. Oportunidade para dormir, descansar, viajar, festejar…

Restam algumas tradições, é verdade. Mas muitas delas restritas à mesa.

Curiosamente, conseguimos combinar coisas que não possuem relação alguma com essas datas. Por exemplo, muita gente não come carne nesta época; faz a opção por peixes – o bacalhau, de preferência. E faz isso em função de crenças religiosas. Por outro lado, valoriza um coelho e ovos de chocolate. E isso nada tem a ver com morte e ressurreição de Cristo. Vai entender…

Cá com meus botões, penso que nossa religiosidade anda bastante confusa. Cada um faz o que acredita ser verdadeiro. O “eu” – ou, o que é bom para mim – passou a ser a medida de todas as coisas.

Não estou propondo neste post nenhuma crítica a nada, nem ninguém. Apenas “falo alto” sobre algumas de nossas contradições. Em algum momento perdemos certas referências e nos tornamos menos apegados aos princípios religiosos. Temos mais a cara de uma sociedade que se diz livre, mas, refém do consumo, já não sabe quais são suas verdadeiras crenças.

PS – Ah… quando fui procurar uma imagem sobre Páscoa, imagine o que achei? Só coelhos. Nada de Cristo, cruz… nada.