Ser você mesmo…

autentico

Durante muito tempo, todo e qualquer ato produtivo era um desafio para mim. Não por me faltarem ideias, mas por desejar que fossem geniais. Bom, não vou dizer que ainda não exija muito de mim. Talvez ainda queira a perfeição. Entretanto, os anos me ensinaram que a perfeição não existe. Também aprendi que algo supostamente perfeito não é garantia de que vai agradar as pessoas.

Parte significativa das coisas que faço, faço de maneira pública. Ou seja, são consumidas pelas outras pessoas. Pode ser um texto do blog, um programa de rádio, de televisão ou um cerimonial. Isso quer dizer que agir norteado pela expectativa do que os outros vão pensar sobre o que faço é aceitar ser tolhido na essência do próprio ato criativo.

Cito um exemplo muito particular: os textos do blog, em especial aqueles nos quais falo sobre relacionamentos. Comecei a publicar na internet em 2005. Na época, escrevia quase exclusivamente sobre política – a política local, de Maringá. Porém, lia e estudava sobre relacionamentos há alguns anos. Na mesma época, fazia pós em Psicopedagogia. Aprendia mais sobre a infância, sobre o ser humano. Entretanto, não me achava capaz de falar sobre as pessoas. Na verdade, tinha medo dos julgamentos. O que as pessoas, em especial os conhecidos, os meus colegas de profissão (jornalistas e professores) diriam sobre mim? Me achariam ridículo?

Eu não lembro ao certo quando publiquei o primeiro texto sobre relacionamentos. Tenho a impressão que foi em 2008. Também não sei bem o que me motivou fazer isso. Simplesmente aconteceu. Recordo apenas que já não sentia prazer em escrever sobre o cotidiano político maringaense. Eu queria falar de gente. Estava em crise comigo mesmo por conta disso. Pensava parar o blog. Abri e parei uma meia dúzia de blogs. Aos poucos, porém, o que era um desejo de criar se materializou em posts que foram se misturando a outros que tratavam de economia, cultura, educação… Eu agora escrevia sobre relacionamentos.

E sabe o que aconteceu? Nada. O mundo não parou por conta das minhas publicações a respeito de relacionamentos amorosos. As pessoas não deixaram de falar comigo. Não deixei de ser respeitado como jornalista e nem como professor. É fato que muitos dos meus primeiros leitores foram embora, deixaram de frequentar o blog. Também é verdade que teve gente que achou minha iniciativa ridícula, questionou (em fofocas) que autoridade eu tinha para falar sobre o que eu falava… Mas nada disso mudou efetivamente minha vida. A única coisa que mudou é que passei a ter prazer em escrever. Eu sentia satisfação a cada publicação.

O mais incrível disso tudo é que, ao me alegrar com o que fazia, o blog se tornou algo realmente bom pra mim e, aos poucos, passou a ser relevante para outras pessoas. Hoje, algumas milhares de pessoas passam por aqui, de diferentes partes do Brasil e do mundo, e leem meus posts, compartilham, comentam… Algumas se tornam leitoras; outras vão embora após meia dúzia de textos. E qual a minha gratificação? Falo de coisas que acredito, que, se ainda não vivo, tento viver.

Por que conto isso pra você? Porque não raras vezes somos reféns das expectativas alheias. A gente coloca na cabeça que o outro vai nos avaliar. E ao nos avaliar, não vai gostar do que fizemos, vai nos achar ridículos. No fundo, nos tornamos reféns do nosso ego, que é carente de reconhecimento. Quando isso acontece, travamos. Deixamos de fazer o que sonhamos. Passamos a viver uma vida pequena, mediados pelo olhar do outro. Perdemos a autenticidade. Deixamos de viver a nossa verdade. 

E sabe o que é mais curioso nisso tudo? As outras pessoas estão pouco ligando para nós. Todo mundo está ocupado demais, focado em seus próprios problemas, em seus próprios dilemas. Vez ou outra até podemos ser alvos do olhar alheio. Até sermos motivos de risos. Mas e daí? Qual o problema? Talvez, de fato, alguém ria de nós. Mas outros podem nos aplaudir. Quem não se arrisca, perde oportunidades, simplesmente se apaga.

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A fragilidade dos conselhos

conselhos
Escrever é uma das coisas que mais me dá prazer. Melhor ainda é saber que muita gente lê o que publico, reflete, discute e até muda atitudes em função dos meus textos. Vez ou outra fico sabendo que pessoas usam coisas que falo no blog em reuniões, encontros, eventos… Dá uma satisfação danada.

Entretanto, principalmente quando o assunto é relacionamentos (um dos temas recorrentes no blog), estou longe de ser consultor ou conselheiro. Estou longe disso. Eu falo da vida, dos movimentos da existência, de nossas contradições e, tento encontrar nas experiências relatadas por especialistas, argumentos que possam ajudar meus leitores a encontrar um jeito de viver melhor, em paz, feliz.

Ainda assim, alguns leitores me procuram, escrevem pra mim pedindo ajuda. Fico honrado, claro. Porém, como resolver os dramas do coração? O que fazer por alguém que sofre por ciúme, desconfiança, amor não correspondido? Em algumas ocasiões tento ajudar. Sinto que as pessoas ficam frustradas. Acho que esperam um conselho mágico, uma orientação que resolva seus problemas. Eu não tenho. Infelizmente. Sou apenas um sujeito errante em busca de equilíbrio. Não tenho respostas. Tenho perguntas, dúvidas…

Sabe, as dificuldades que enfrentamos na dinâmica de um relacionamento só nós mesmos podemos resolvê-las. Tem gente que adora meter a colher, dar conselhos… Frequentemente, há boas intenções. Mas somos complexos demais, diferentes um do outro. O que funciona pra mim pode não funcionar pra você. E cada romance tem sua própria constituição, tem suas peculiaridades. Quando alguém lê um texto sobre algo e se identifica com ele, deve entendê-lo não como uma receita, a fórmula para resolver seus problemas. O texto é apenas uma indicação, um convite para pensar. A partir dele, cada um deve encontrar a forma de lidar com o seu problema.

Eu diria que os únicos conselhos que realmente podem ser seguidos como se fossem “manuais” são estes daqui: não se acomode; enfrente o seu problema, não o engavete; desarme-se e dialogue sempre com seu parceiro. E, por fim, aceite que a vida não é “cor de rosa”. Problemas existem e pessoas não são perfeitas.

Sem perder o prazer de escrever

escrever

Manter atualizado talvez seja o maior de desafio de ter um blog. Por isso, é natural que a empolgação se acabe depois de algumas semanas. Afinal, é preciso ter disciplina, motivação e assuntos variados para seguir com postagens regulares.

Às vezes, a pessoa tem disciplina, mas não tem assunto. Outras, tem assunto, mas não é disciplinado e o blog fica de fora da rotina diária. E há casos em que até existe disciplina e assuntos, mas falta motivação. Afinal, ter um espaço na rede significa também ter prazer em publicar.

Eu já vivi todas essas fases. Entretanto, nunca desisti. Faz oito anos que estou na blogosfera. Pensei parar várias vezes. E por motivos variados. Em cada uma dessas ocasiões, o blog acabou ganhando nova cara, uma nova identidade. As mudanças, nem sempre tão claras para os leitores (que vão mudando), foram a forma que encontrei para continuar publicando.

A última fase, diria, é certamente a melhor. Os textos passaram a tratar mais de relacionamentos, do comportamento humano. Vez ou outra, educação e mídia. O blog ganhou muitos leitores, gente que se identificou com as discussões.

Esses são assuntos que gosto muito. Tenho prazer em tratar disso. No entanto, não dá para ser irresponsável. As publicações não são baseadas em “achismo”. São resultado de estudos, leituras, impressões pessoais e respeito ao ser humano. Isso implica leitura, dedicação, observação. E não tenho dado conta disso. Tem faltado tempo. As atividades profissionais, e principalmente os estudos acadêmicos, têm tirado minhas energias. Por isso, pensar parar o blog. Ou pelo menos dar um tempo.

Mas quem diz que consigo parar de escrever? Não se trata apenas de um vício. É algo dentro de mim que me deixa “deprimido” se não publicar. Então, surgiu outro dilema: a identidade deste blog parece ter ido além do próprio autor. É como se determinados assuntos, em especial textos mais breves, não tivessem “espaço” aqui. Resolvi fazer outro blog. Abri a conta, comecei a trabalhar na configuração… Desisti. Quem disse que não posso seguir aqui? O que seria melhor: deixar de atualizar o blog para manter sua identidade ou publicar assuntos diversificados e vez ou outra os temas que têm feito sucesso junto aos leitores? Optei pela última opção. Sigo por aqui. Sem a rotina dos posts de comportamento, talvez até menos publicações, mas sem perder o principal: o prazer de escrever. 

Minha filha… um texto, uma emoção

Estou longe de ser um bom pai. Mas tenho um enorme orgulho dos meus filhos. Por opção, raramente falo deles. Ou de minha família. Eu sou um sujeito público. Eles, não. Se um dia quiserem mudar isso, será uma escolha deles. Não minha.

Hoje, porém, sinto-me no dever de quebrar minha “regra”.

Enquanto me preparava para sair de casa e ir para a CBN, encontrei um bilhetinho da minha pequena. Minha garotinha deixou um recado no balcão. Tinha data, nome e uma pergunta:

– Pai, você gostou?

E, depois dessa pergunta, outra:

– Dá para colocar no blog?

Minha menininha, minha Maria Eduarda, com seus dez aninhos, atrevendo-se a escrever. Sei que ela gosta. Tem o hábito de mandar cartinhas, bilhetes… Porém, não imaginava que quisesse compartilhar alguma coisa em meu blog.
Fiquei emocionado, confesso.

O texto dela é curto, mas muito singelo. Compartilho.

Escolhas

Tem vários momentos da vida que precisamos escolher.

Com as escolhas, formamos o nosso caráter. Se a pessoa faz escolhas boas, ela é sabia; se faz escolhas ruins, não é sabia.

Você que joga lixo no chão, não respeita a natureza, não respeita os negros, índios, japoneses… que caráter você tem?

Blog, números e um “muito obrigado!”

O bacana de manter um blog durante tanto tempo é perceber que, quando a gente quer, é possível resistir num projeto por amor, por ideal… Não por dinheiro.

Pensava nisto depois de ver dois números do blog, nesta semana. O primeiro deles, o número de acessos. Passamos de 600 mil. Poxa, é muita coisa!

Tudo bem… tem um monte de blogs muito mais badalados, acessados. Porém, isso não me impede de considerar um sucesso esta página aqui. E não por causa da estatística em si. Mas pelo que ela representa. Como disse no post anterior, blog é igual padaria: tem que ter pão quente. Ou seja, chegamos a 600 mil acessos únicos porque, ao longo desses mais de quatro anos, consegui manter a regularidade com a publicação de mais de 5,5 mil posts. Isso mesmo: mais de 5,5 mil textos sobre diferentes assuntos.

O segundo número foi o do “na segunda, uma música”. Começou como uma brincadeira e, na última segunda-feira, publiquei o centésimo post da “série”. Confesso que nem sempre penso numa canção para compartilhar. Entretanto, fico satisfeito quando recebo sugestões para esse espaço do blog, ou ouço comentários sobre a música que postei. Fico extremamente satisfeito. É muito bom.

No entanto, além de confirmar que é possível ser perseverante quando a gente gosta de verdade de um projeto, de alguma coisa, diria que fica mais fácil quando contamos com o apoio das pessoas. Embora seja algo muito pessoal, o blog ganha vida por causa dos leitores. É o reconhecimento e incentivo dos amigos que dão “fôlego” ao blogueiro. Por isso mesmo, só posso dizer a todos que sempre estão comigo, obrigado! Muito obrigado!

Está faltando pão quente

Um blog é igual uma padaria. Precisa ter pão quente. Padaria sem pão… quebra. Blog sem post novo não é blog. Não desperta interesse. Perde leitores.

Na verdade, o sucesso de qualquer mídia é a regularidade. A oferta de novidades. É uma regra.

Por isso, sempre me sinto incomodado quando fico em falta com os leitores. É verdade que não tem o compromisso de publicar. A página é pessoal. Não é patrocinada. E nem tem o perfil de ser factual. Entretanto, parece que está faltando alguma coisa. É o tal do “pão quente”. Não dá pro “cliente” aparecer no “balcão” e voltar de mãos vazias.

Nesses dias, tenho minhas razões para estar em falta com os caríssimos leitores. Em especial, por estar apresentando as duas edições do jornal local da CBN Maringá. É janeiro. O empenho é redobrado para garantir cinco ou seis horas de notícias, entrevistas etc, ao vivo.

Manter-se focado em não perder um lance que possa se transformar em material para os jornais acaba roubando a disposição de escrever para o blog. Falta fôlego para novos textos. Ainda assim, cá estou… Tentando ao menos dizer que… estou vivo. E o blog também.

Ah… tenho estado mais presente no Twitter. Siga-me por lá.

Seis anos de blog

Faz seis anos que estreei na blogosfera. Coincidentemente, também era uma segunda-feira. Uma tarde de segunda-feira. Não tinha grandes pretensões. Apenas queria expor minhas opiniões. E falar sobre assuntos que não cabiam no jornal. Que não rendiam matéria.

Na época, contava com dois “professores”, o Fábio Linjardi e o Andye Iore. Eles eram os mentores de um dos blogs mais interessantes que Maringá já teve, o Factorama. Trabalhávamos juntos na redação do Hoje Maringá.

Quando falei da ideia de fazer o blog, o Fábio me deu força e até ajudou a criá-lo. Na época, mesmo utilizando o Blogger, não era tão simples colocar um blog no ar. Ainda assim, deu certo e rapidamente peguei gosto pela coisa.

Nesse fim de semana, revendo algumas postagens, senti saudade. O blog nasceu político e tratava principalmente de assuntos relacionados à Câmara de Vereadores e administração municipal. Os textos eram bastante corajosos; ousados, eu diria. Talvez reflexo do jornalismo que fazíamos no Hoje, com toda liberdade dada pelo Chico (dono do jornal) e pelo clima proporcionado por aquele ambiente em que eu trabalhava.

O tempo passou rápido e, poucos meses depois, deixei as ruas. Tornei-me âncora da CBN. E embora os fatos continuassem sendo contados no blog, eu já não tinha mais o contato direto com as fontes, com os bastidores. Eu falava não do que via, mas do que ouvia. Aos poucos, percebi que não dava mais para manter a página com o mesmo formato. Durante muito tempo, insisti. E até fiquei frustrado porque não dava conta de escrever da mesma maneira.

Entretanto, aos poucos, descobri que podia falar de outras coisas. Assuntos que eu gostava, mas que relutava publicar porque sentia um pouco de vergonha de tratar desses temas. Tinha aquela impressão: o que as pessoas vão pensar de um jornalista, âncora de uma emissora séria como a CBN e professor universitário, ao vê-lo falando de relacionamentos, por exemplo?

Fui vencendo a vergonha, os leitores foram chegando – os de política, já tinham ido embora – e o blog ganhou uma nova cara. Ou, uma nova linha editorial. Voltei a ter prazer em escrever. Claro, nesse tempo, a constante insatisfação me fez abrir vários blogs. Porém, o que ficou mesmo foi este daqui, que comecei em 2007.

Ainda tenho vontade de fazer um blog como o primeiro, o Opinião do Ronaldo. Na verdade, gostaria de fazer as duas coisas: este daqui e um outro como o primeiro. Mas não dou conta. Na última sexta-feira, até “encerrei” um recente que representava uma dessas tentativas de retomar o factual. Não deu certo. Talvez um dia… Hoje, não é possível. Não consigo conciliar.

Enquanto isso, espero seguir por aqui. Compartilhando ideias, reflexões e, com um pouco de sorte, tocando as pessoas e fazendo novos leitores e amigos.

Tirando o twitter do facebook

Tempos atrás publiquei aqui sobre o uso das redes sociais. Apontei que cada uma delas tem uma característica e que merece um conteúdo específico. Na época, também disse que estamos em todos os lugares. Por isso, não damos conta de fazer algo “personalizado” para cada um desses espaços. Entretanto, concluí que, se quero continuar usando as redes, devo fazer isso de maneira minimamente coerente. Afinal, se dou aula no Ensino Superior sobre esse universo digital, como posso produzir de maneira inadequada?

O primeiro passo foi dado hoje. Prestes a completar seis anos usando a rede, comecei minha “comemoração pessoal” tirando o meu twitter do facebook. A partir de agora, pretendo separar o uso das redes. Claro, vou continuar repercutindo os textos do blog em todos esses espaços. Entretanto, a proposta é respeitar as características de cada uma dessas redes e usá-las da melhor maneira possível.

Vai dar certo? Difícil responder. Mas entre erros e acertos, penso, sempre aprendemos. Então, vamos em frente.