Os problemas não marcam hora para chegar

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Não temos controle de tudo. É fato que muitos dos nossos problemas somos nós que causamos. Porém, a maioria vem sem hora marcada e sem termos feito absolutamente nada para que aparecessem.

Essa é a vida. Não tem como fugir disso.

A gente pode chorar, espernear, reclamar. Entretanto, só nos resta aceitar. Há momentos que as coisas desandam.

O problema pode ser no relacionamento, pode ser com um filho, pode ser no trabalho, pode ser com a saúde… Não importa. As coisas dão errado, machucam a gente, roubam até mesmo o sentido da vida.

Eu admito que gostaria de dizer a você que pode ser diferente. Porém, não tem como ser diferente. O sofrimento é inerente à própria existência. Um dos maiores engodos da modernidade foi prometer a felicidade eterna. Acontece que felicidade é saber lidar com os altos e baixos da vida, tendo em mente que nada dura para sempre – nem as lágrimas nem os sorrisos. 

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É possível viver, apesar das adversidades

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Anos atrás, ouvi um sermão que me tocou profundamente. O título era mais ou menos este: “as coisas boas dos dias maus”. A temática é mesmo intrigante: pode haver coisas boas nos dias maus? Com os anos, descobri que sempre há possibilidade de crescermos nos momentos difíceis da vida.

É fato que cada pessoa tem um jeito de lidar com os problemas. E isso aponta que não há uma receita para lidar com o sofrimento. Também indica que cada pessoa deve descobrir a forma de enfrentar a dor. Porque não exista vida sem dor. Embora todos os dias nos vendam a ilusão da felicidade, a felicidade está longe de ser prazer e alegria todo o tempo. Porém, é possível viver bem, mesmo em meio a dias tempestuosos. É possível viver sem sentir pena de si mesmo. É possível viver, ainda que existam adversidades.

Eu sei que há momentos em que a vida parece perder o sentido e o desejo de morrer bate à porta do coração. Entretanto, sei também que tudo passa, mesmo a dor mais intensa. Sei que podem ficar feridas. Sei que, muitas vezes, a dor volta, mas ainda assim podemos encontrar novos motivos para sorrir.

Sabe, não há razão para esconder as lágrimas quando a dor é muito intensa. Porém, isso não significa ficar se lamentando e nem achando que a vida é injusta contigo. Tempos de sofrimentos podem representar oportunidades de crescimento, ainda que as experiências sejam as mais desagradáveis ou traumáticas. Também são oportunidades para que pessoas próximas aprendam contigo. Afinal, nossa vida só se justifica quando conseguimos, de alguma maneira, tocar a vida dos outros.

Por sinal, queixar-se é uma das coisas mais desagradáveis. É um mau hábito que impede-nos de ver, de reconhecer nosso potencial. A queixa chega ser uma atitude mesquinha, porque quase sempre é baseada num olhar egoísta. É como se olhássemos para o mundo e todos fossem felizes e, nós, os únicos infelizes do planeta.

Além disso, a queixa nos torna desagradáveis. É natural sentir-se desanimado, triste, chorar… e até pedir pela morte. Porém, a dor não pode nos levar a desenvolver o hábito de ficar reclamando de tudo o tempo todo. Isso parece atrair ainda mais problemas… E afeta negativamente o ambiente onde estamos.

Quando sofremos, é natural nos sentirmos sozinhos. Em especial, porque provavelmente pessoas próximas não estão passando pelos mesmos problemas. E sofrer sozinho parece intensificar nossa dor. Entretanto, o fato de a dor ser individual, não significa que quem está ao nosso lado não possa nos estender a mão. Por isso, não é vergonha pedir socorro. Família, amigos podem ser o ombro que mais precisamos no momento das lágrimas.

Por fim, diria que é fundamental tentar enxergar oportunidades em meio às dificuldades. Sei que algumas podem dizer que isso não passa de uma estratégia para maquiar o problema. E não vou discordar totalmente dessa tese. Porém, quando as coisas vão muito mal, confiar em alguma vez, enxergar alguma possibilidade de mudança garante um pouquinho de esperança. E ter esperança nos fortalece, nos capacita a caminhar em meio às tempestades da vida.

A importância do parceiro que acolhe nos momentos de adversidade

A gente conhece de verdade a pessoa amada quando surgem as maiores adversidades. Quando falta o emprego e as dificuldades batem à porta, como a parceira reage? Quando a mãe morre e uma depressão avassaladora coloca a mulher prostrada numa cama, o que o marido faz?

Acho que todo mundo conhece algum marido que deixou a esposa quando ela ficou muito doente… Ou uma mulher que passou a humilhar o companheiro depois de seis meses desempregado. Também conhecemos inúmeras histórias de casais de namorados que brigam, brigam e brigam, porque um não dá conta de ter empatia pelo problema do outro, não sabe apoiar, acolher, auxiliar.

Também por isso penso que são as dificuldades pelas quais passamos que nos ajudam a conhecer melhor o parceiro. Gente que ama demonstra amor na adversidade. E demonstra de forma prática. O problema se torna motivo para unir ainda mais o casal. E a união fortalece a relação.

Ela está doente? Ele cuida, trata, ajuda na casa… Ele está desempregado? Ela incentiva, tenta achar formas de ampliar a renda da família… Ela tem problema com os pais? Ele tenta reaproximá-los, compreender, pacificar…

Sabe, não é nada fácil lidar com o problema alheio. Por mais que você esteja envolvido com alguém e ame demais aquela pessoa, quando não é algo que te afeta diretamente, a tendência é querer se livrar do problema. Não é fácil compreender a dor do outro. Não é fácil ter a palavra certa, saber enxugar as lágrimas. E talvez, justamente por isso tudo, a palavra chave nessas horas seja “paciência”. O apóstolo Paulo, numa de suas epístolas, diz que “o amor é paciente”. E na adversidade é momento de praticar a paciência.

Ao longo dos anos, também aprendi que uma forma de ser paciente na adversidade, ter empatia pela dificuldade do outro, é olhar para o passado e recordar o que aquela pessoa representa para você. Muitas vezes, as dificuldades fazem com que a gente esqueça o que já viveu de bom no relacionamento. Pelo menos nessas horas, o passado pode ajudar a nos fortalecer no presente.

Esse olhar para o que de bom já experimentaram juntos é fundamental para manter um espírito agradecido… Porém, mais que olhar para o passado, é necessário ter esperança, ter fé. Ninguém supera as adversidades da vida sem fé. Se falta fé, afundamos. O pessimismo toda conta e coloca o relacionamento em xeque.

Por fim, eu diria que os momentos de adversidade são oportunidades para demonstrar de maneira clara que nos importamos com o relacionamento. Quem acolhe o parceiro nos momentos mais difíceis, ganha a admiração do outro. E o amor se fortalece através da admiração. Quem se sente admirado, sente-se reconhecido… Isso cria um ciclo virtuoso no relacionamento.

Sim, eu sei que escrever é mais simples que superar a morte de um filho, o câncer do parceiro, a doença da sogra que tira a esposa de casa… Mas vida a dois significa mais que estar junto nos bons momentos.

Quando não temos a vida que gostaríamos de ter

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Nem sempre as pessoas têm a vida que gostariam de ter. É natural que a gente sonhe coisas que não passam de projeções fantasiosas. Mas não raras vezes o problema nem está em expectativas frustradas. Na verdade, a vida simplesmente tomou um rumo que, hoje, você olha e pensa: “putz, que droga!”. Você até tentou fazer tudo certo. Mas não deu.

O problema pode ser o casamento… Você tomou todo cuidado, escolheu alguém que tinha perfil para viver contigo… Conversaram bastante, pensaram estratégias para sobreviver às dificuldades, porém os anos foram passando, a distância foi aumentando entre o casal e hoje vocês parecem dois estranhos.

O problema pode ser os filhos… Você os desejava muito. Planejou tudo, criou com todo amor e carinho. Colocou na melhor escola que podia, entretanto talvez as amizades os levaram para longe. Talvez se comportem de um jeito que te decepciona, talvez usem drogas, talvez tenham se revoltado e virado as costas para sua fé…

O problema pode ser o trabalho… Você fez a faculdade que queria, investiu tudo nos estudos, mas, com o tempo, percebeu que as atividades que desenvolve não te fazem bem. Vive cansado pelas horas e horas no escritório, as ligações que recebe nos fins de semana, o serviço que precisa levar pra casa…

Há muitos outros motivos que podem levar-nos a concluir que a vida que temos é vazia, não faz sentido. Como eu sempre digo, não existe vida perfeita. Todos nós temos problemas. Porém, às vezes não é apenas uma área da vida que está comprometida. A pessoa olha para si, olha para os lados e nota que nada ali está funcionando bem.

Tem gente que até tenta corrigir o rumo. Mas arrumar algo no meio da vida é quase como querer consertar a turbina do avião em pleno voo. Não dá. O certo seria pousar o avião e começar tudo de novo. O problema é que, com a vida, isso não é possível. Às vezes a pessoa já tem filhos, carreira construída… E qualquer “ajuste” terá consequências. É como num jogo de xadrez: você mexe com a peça na expectativa de ser a melhor jogada, mas não pode controlar os próximos movimentos no tabuleiro.

Então o que resta fazer quando a vida está uma droga? Cá com meus botões, entendo que sempre há possibilidade de mudar. Se a gente se conhece, se sabe o que faz mal, dá para tentar melhorar. Porém, até as mudanças são limitadas. Nem tudo a gente controla. Existem coisas que nos afetam, mas também afetam pessoas próximas. E mexer com a vida da gente significa alterar o rumo da vida de outras pessoas. E até que ponto é justo que pessoas que amamos sofram por nossas escolhas?

Por isso, quando a gente se vê frustrado com tudo, triste pela vida que tem, é necessário aceitar que não vivemos num paraíso e nunca teremos tudo que sonhamos. O mais importante ainda é ter fé. Acreditar que existe Alguém que pode fazer por nós aquilo que não podemos. E seguir adiante… sem perder as esperanças.