Sete são responsáveis pela manutenção do salário de R$ 12 mil para os vereadores

A Câmara de Maringá encerrou mais um capítulo da novela envolvendo os chamados supersalários. Na sessão dessa quinta-feira, os vereadores rejeitaram a proposta de redução dos subsídios e mantiveram os R$ 12 mil aprovados no ano passado. Os projetos da Comissão de Finanças e Orçamento que previam a redução dos salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice não foram aprovados. Faltou um voto. Um único voto. A votação terminou empatada 7 a 7. Era preciso o oitavo voto.

Votaram contra o projeto que reduzia os salários dos vereadores:
– Dr. Manoel Sobrinho;
– Luiz do Postinho;
– Heine Macieira;
– Paulo Soni;
– John Alves Correa;
– Wellington Andrade;
– Zebrão.
O presidente Mário Hossokawa se absteve.

O projeto da Comissão de Finanças e Orçamento tinha como proposta um subsídio de R$ 8 mil para os vereadores da legislatura 2013-2016. Também foi rejeitada a proposta de redução dos salários do prefeito, vice e secretários. O chefe do Executivo vai ganhar R$ 25 mil; os demais, R$ 12 mil.

O resultado não surpreendeu. Talvez tenha surpreendido o presidente da Comissão, Carlos Eduardo Sabóia, e o vereador Humberto Henrique. Eles contavam com o voto de Luiz do Postinho e, na “hora H”, o vereador voltou atrás e disse não ao projeto que reduzia os subsídios.

Após a votação, o presidente Mário Hossokawa disse que aconteceu o que ele previa: divididos, sem acordo entre os vereadores, os supersalários seriam mantidos. Entretanto, o presidente apontou que ainda há espaço para uma nova proposta de redução dos salários, desde que a Comissão de Finanças e Orçamento queira voltar a discutir o assunto.

Sinceramente, não acredito nisso.

Na verdade, houve muito jogo de cena na questão dos salários. E erros estratégicos. O primeiro, a divulgação para a imprensa da proposta dos novos subsídios sem um diálogo prévio com os demais vereadores. A imprensa soube antes da proposta. Isso irritou vários parlamentares.

Segundo, a Comissão não propôs subsídios equiparados para vereadores e secretários. A maioria dos parlamentares nunca aceitou ganhar menos que os secretários. Logo, daria buxixo. E deu.

Há outras questões que precisam ser consideradas. O movimento promovido pela internet confrontou os vereadores. Não serviu para pressioná-los. Pelo contrário, propôs uma queda de braços. Não tinha e não representava a população, forçou a participação na sessão pública da Comissão de Finanças e Orçamento, fez manifestos desprovidos de respeito aos parlamentares e serviu apenas para o espetáculo nas sessões plenárias e nas redes sociais.

O movimento na internet começou bem, é preciso dizer. Teve papel importante para manter a questão dos salários em evidência, principalmente na imprensa. Entretanto, como movimento, estrategicamente, perdeu-se ao longo do tempo. Foi infeliz em algumas ações. As pizzas da última terça-feira, por exemplo. A tentativa do champagne nesta quinta-feira, idem.

Ouvi de vários de vários vereadores a afirmação: “não vou dar o gostinho pra eles. Se aprovarmos a redução, vão comemorar como se fossem uma vitória deles”.

No confronto entre o movimento feito pela internet e os vereadores, perdeu a sociedade maringaense.

Por fim, é necessário considerar a postura dos vereadores Manoel Sobrinho e Luiz do Postinho. O primeiro optou por um discurso demagógico de que os subsídios deveriam ser os atuais R$ 6,7 mil, já defasados. E a tese era o ganho salarial do povo, o salário mínimo. Acontece que, se fosse esse o subsídio, seria a terceira legislatura (doze anos) seguida com a mesma “remuneração”.

O Doutor Manoel sabia que a emenda de R$ 6,7 mil não seria aprovada. Viu a emenda ser rejeitada antes da votação do projeto da Comissão de Finanças e Orçamento. E, quando teve a oportunidade de votar num projeto coerente e que tinha possibilidade de reduzir os subsídios, votou contra. Ou seja, também foi favorável à manutenção dos R$ 12 mil.

Já Luiz do Postinho cedeu à articulação feita por John Alves Corrêa e Wellington Andrade. Ele era voto certo ao projeto da Comissão de Finanças e Orçamento. No entanto, por pressão, não teve coragem de aprovar a redução dos subsídios. Foi o voto que realmente faltou.

Redes sociais foram fundamentais para manter pressão sobre os vereadores de Maringá

Confesso que estou surpreso. Surpreso e satisfeito. Não imaginava que a sociedade tivesse fôlego para manter viva a discussão sobre os salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice.

Quando a Câmara de Maringá aprovou os chamados supersalários, a pressão começou. Os parlamentares foram acuados. E, num primeiro momento, parte deles virou as costas para a sociedade.

Aqui no blog comentei que os vereadores contavam com o esquecimento da população. E contavam mesmo. Naquelas conversas de bastidores, alguns têm coragem de revelar que esperavam pela reação popular. Porém, achavam que, depois de algumas semanas, o assunto cairia no esquecimento.

Como ainda faltava um ano para a disputa eleitoral, não haveria prejuízos nas urnas.

Não foi o que aconteceu. Por algumas semanas, o tema até chegou a ser silenciado. Mas não por muito tempo. Foi só durante as festas de fim de ano e o recesso da Câmara. Os trabalhos recomeçaram e a pressão voltou.

Muito disso se deve as redes sociais. Tanto a organização de movimentos de reação quanto ao debate continuo do tema. E, como a mídia reflete as flutuações da atmosfera social, o assunto se manteve na pauta do dia dos veículos de comunicação.

Por isso, nessa quinta-feira, logo após a sessão ordinária, os vereadores vão se reunir para um primeiro diálogo a fim de buscar o consenso no que diz respeito aos subsídios.

Não será fácil, é verdade. Até porque muitos deles trabalharam pelo aumento. Entretanto, estão dispostos a recuar. Querem pôr fim a esse assunto que promete assombrá-los até o fim da atual legislatura. Os vereadores não querem isso. Pensam na disputa eleitoral e desejam apresentar-se ao eleitorado com uma lista de bons serviços prestados. Principalmente, com o título de moralizadores da Casa de Leis.

Afinal, com algumas exceções – essa bobagem dos salários é uma delas -, as ações da atual Legislatura são muito distintas de outras tantas que vimos em anos passados, em especial quando se comprava notebooks por R$ 10.980,00 e a lista de viagens e diárias dos parlamentares não cabia numa folha de papel.

Como disse, a reunião de hoje é uma primeira tentativa. Alguns, como Heine Macieira, alimentam a expectativa que seja possível fechar um acordo ainda hoje visando apresentá-lo às entidades de classe já no dia 1º de março.

Fica nossa esperança que o bom senso prevaleça.

E salve a democracia!