Gestores dinossauros

Os conflitos nos modelos de gestão corporativa são bastante comuns. Principalmente num tempo em que as rupturas são constantes e há poucas certezas. Nada se faz como se fazia há 20, 40 ou 100 anos. Tudo é fluído.

E não se trata apenas de demandas que surgiram em função da legislação. As mudanças ocorrem por um conjunto de variáveis. Entre elas, a quantidade de informações, as tecnologias digitais, a profissionalização por meio da educação continuada, as exigências do público consumidor.

Tudo isso faz com que as pessoas que estão no comando sejam pressionadas a se atualizarem.

Entretanto, o processo não é tão simples.

É difícil esperar que alguém que está numa determinada função há 30 anos se atualize. É comum que gente que está no mercado há muito tempo, principalmente em posições de gerência, coordenação, chefia, sustente-se no argumento de que possui mais experiência que os demais e sabe quais são as melhores estratégias.

O problema é que pouca coisa que se fazia no passado ainda tem valor hoje. As pessoas não são as mesmas, as expectativas são outras e o conjunto de procedimentos adotados precisa ser renovado.

A insistência naquilo que dava certo gera descompasso com o mundo contemporâneo. Às vezes, o negócio até se sustenta financeiramente, mas fica estável – não cresce, não se desenvolve e, o que é pior, geralmente afasta os bons talentos.

Gente com cabeça aberta, que dialoga com as novidades de mercado, quase sempre gosta de experimentar, inovar – ainda que corra o risco de errar. É gente que observa as tendências e tenta incorporá-las. Procedimentos históricos podem até ser funcionais, mas não são atrativos. Por isso, esses profissionais entram em choque com os modelos antigos de gestão. São pessoas que pensam por si mesmas – algo que não é bem aceito pelos velhos administradores.

E como será o futuro dos dinossauros das empresas? Vão quebrar? Alguns sim. Mas não todos. Muitos apenas perderão a oportunidade de se tornarem referência entre lideranças que se adaptam e dão exemplo de como viver o novo mundo se cria e recria a cada dia. Serão ilhas, não de excelência – apenas daquela antiguidade saudosista que insiste que o passado parecia melhor que o presente.

Ps. E o presente não é nem melhor nem pior que o passado; é apenas isso: o presente.

Práticas convencem pessoas

Nem sempre os empresários, chefes e gestores se dão conta de que os colaboradores precisam de muito mais que um salário para se sentirem parte da empresa.

É claro que uma remuneração justa, a oferta de prêmios, bônus são importantes. Mas se o trabalhador não acreditar no negócio, não se sentir seguro de que o emprego é dele, não entender que as relações de trabalho são justas… Se isso não acontecer, o empregado poderá ser extremamente eficiente, mas não vai se doar completamente.

Os especialistas afirmam que as empresas devem entender que uma das estratégias mais eficientes para o crescimento dos negócios é contar com colaboradores que estejam felizes e acreditem no lugar onde trabalham.

Gente que se sente valorizado, que observa os colegas também serem valorizados, vende melhor. Vende produtos e vende o mais importante, a marca.

A melhor estratégia para o sucesso é compreender que “pessoas compram pessoas”. Ou seja, o cliente não é fiel a uma empresa; ele é fiel a uma ideia gerada na relação que o cliente possui com os colaboradores dessa empresa.

E, preste atenção… Esse princípio pode ser aplicado nos mais diferentes campos. Inclusive na política. Basta notar que o candidato que lidera as pesquisas eleitorais e é o favorito na corrida presidencial, praticamente não fez campanha.

Não está no horário eleitoral… Há semanas, não participa de debates, entrevistas… E ainda assim, uma multidão está mobilizada por ele, conquistando cada vez mais simpatizantes e, o principal, votos.

No mundo empresarial e até mesmo numa comunidade religiosa, o que atrai as pessoas não é necessariamente caras campanhas publicitárias. As pessoas são atraídas pelas ideias produzidas na relação que estabelecem com os colaboradores – ou militantes.