Faça o que precisa fazer

Você já se pegou travado, sem inspiração, sem vontade de se mexer? Confesso a você que me sinto assim muitas vezes. Bem mais do que poderia. Simplesmente, não dá vontade de sair do sofá.

No meu caso, que faço um trabalho que depende muito mais da capacidade de pensar do que das ações físicas – é um trabalho criativo, digamos assim -, sentir-se desanimado é um enorme problema. Afinal, dependo das ideias para escrever, para organizar uma aula, para elaborar um projeto.

Outras tantas vezes, o trabalho tem uma demanda específica – alguém pediu que eu fizesse uma determinada coisa. E aquilo que aceitei fazer é chato demais.

O que acontece com a gente todas as vezes que temos algo desagradável para fazer? Ficamos achando formas de fugir… Maneiras de procrastinar.

Pois é… Mas a ausência de ação nos torna improdutivos e motiva nossos fracassos.

Consciente disso, há muitos anos, venho tentando colocar em prática uma espécie de lema: “simplesmente, comece; faça alguma coisa”. Também tenho repetido essa ideia para pessoas próximas. “Comece e não pare!”

Pode parecer bobagem, mas não é. Quando estamos desanimados, sem vontade de fazer qualquer coisa, não adianta sentarmos ou ficarmos na cama, esperando a vontade chegar. Ou um problema passar.

É preciso se mexer e começar.

“Ah… Mas eu não sei nem começar”, talvez você alegue.

Comece assim mesmo. Fale com alguém, pergunte… Faça uma pesquisa na internet… Mas tente começar. Quando a gente se mexe, parece que o universo conspira a nosso favor e as coisas começam a dar certo.

Quando começamos, de certo modo, mandamos um recado para o cérebro: “se mexa; vamos trabalhar!”. As coisas começam a dar certo… E o que é mais impressionante: quando começamos a produzir, nosso corpo reage e nos sentimos mais animados.

Isso é garantia de que amanhã você estará bem disposto? Claro que não. É bem provável que esteja sem vontade como todos os outros dias. Mas você vai fazer de novo o que precisa ser feito. E talvez, em algum momento, você perceba que o início de um projeto pode ser bastante dolorido, mas a satisfação de vê-lo realizado se torna a maior recompensa.

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O segredo da vida está em resolver problemas

A ideia de felicidade é uma das grandes bobagens da contemporaneidade. É uma ilusão que move milhões e milhões de pessoas apenas para se frustrarem e, pior, sentirem-se fracassadas.

Porque quando a gente descobre que não consegue ser feliz, a gente se sente o pior dos seres humanos.

Você abre o Instagram e vê ali todo mundo sorrindo, passeando, viajando… Você olha e diz: “cara, que droga de vida a minha”.

O problema é que a gente sabe, e só não quer acreditar, que aquilo que se publica no Instagram e noutras redes sociais é apenas uma projeção – uma imagem idealizada do melhor de si.

Entretanto, a imagem vende. Vende uma ideia. Vende um desejo.

E a gente chega a se iludir achando que todo mundo está bem e só a gente está numa pior.

Acontece que a vida real é bem difícil. As dores são mais frequentes que poderíamos imaginar. E não há fase na vida em que não estejam presentes.

Na verdade, um problema resolvido só significa uma coisa: o início de um novo problema. Sim, porque ele virá.

O escritor Mark Manson tem uma frase que eu acho demais. Diz ele que “​o segredo está em resolver problemas, e não em não ter problemas”.

Enquanto a gente não entender que todos os dias teremos problemas pra resolver, seremos infelizes. Não vamos conseguir nos alegrar com os momentos da vida que poderiam ser alegradores.

E esta é a chave do sucesso de quem tem uma boa vida: ter compreendido que a vida tem problemas – muitos, por sinal. E o que nos diferencia é justamente a forma como lidamos com os problemas: passamos a vida achando que somos as únicas vítimas ou enfrentamos as dificuldades e tentamos superá-las para, daqui a pouco, começar tudo de novo.

Nem sempre somos responsáveis pelo fracasso

Uma onda otimista tomou conta dos Estados Unidos em 2008. O então candidato à presidência, Barack Obama, mobilizou milhões de pessoas com uma ideia: “Yes, we can” – sim, nós podemos!

Embora a frase seja maravilhosa e seja ainda mais incrível acreditar na possibilidade de, juntos, mudarmos um país, não é verdade que podemos tudo.

Tenho insistido que precisamos buscar a excelência, fazermos o nosso melhor, nos dedicarmos… Até porque a vida dá muito pouco para os acomodados. Porém, também não há garantias de que nosso empenho será plenamente recompensado.

Sabe por quê? Porque nem tudo depende de nós.

Um dos maiores problemas de acreditar que o sucesso depende exclusivamente da gente é que isso faz com que a responsabilidade pelo fracasso também seja só nossa. E isso não é verdade.

Um exemplo… Não há garantia de que todo nosso empenho será suficiente para evitarmos ser considerados ultrapassados no ambiente profissional. O discurso da época é que precisamos nos qualificar, fazer treinamentos, cursos… No entanto, o sistema é mais ágil, as mudanças são mais rápidas do que podemos acompanhar. Em algum momento, seremos ultrapassados, inadequados… dinossauros.

Também não temos como controlar o fechamento de milhares de postos de trabalho em função do avanço tecnológico. Algumas profissões estão deixando de existir. E nada do que as pessoas fizerem, individualmente, será suficiente para impedir o possível desemprego.

Portanto, ainda que seja fundamental manter-se otimista e empenhar-se para fazer o nosso melhor, nem tudo depende de nós. Há coisas que são inerentes ao sistema, que necessitam da interferência do Estado, das empresas e até das ciências para que a vida das pessoas não seja afetada negativamente.

Quando os especialistas em autoajuda, quando o mercado, a mídia e até mesmo a escola insistem em dizer que “nós podemos”, prestam um desserviço às pessoas. Jogam no colo das pessoas a responsabilidade pelo insucesso, pelo fracasso… E isso é muito cômodo, porque isenta essas instâncias do dever de cuidar das pessoas, de proteger os indivíduos.

O que é ainda é pior… Como muita gente acredita que a culpa é delas se as coisas dão errado, milhares de pessoas sofrem. Sofrem com estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima.

Por isso, meu recado hoje é bastante simples: nós não podemos tudo! Nem tudo está sob nosso controle.

Quem pouco luta, pouco conquista

A gente vive numa sociedade em que a tese da meritocracia geralmente não passa disso: ser uma tese. Não há nenhuma garantia de que nossos esforços serão recompensados. Ainda assim, quem pouco luta, tem ainda menos chances de conquistar seus objetivos.

Talvez a tese da meritocracia tenha apenas uma verdade: se você fizer pouco, as suas chances serão ainda menores.

Eu me preocupo com nossos jovens e adolescentes. Noto que fazem parte de uma geração bastante acomodada. Facilmente, desistem. Outras tantas vezes, sequer chegam a lutar. Falta gana!

O esforço parece ser custoso demais. Querem tudo do modo mais fácil.

Isso tem muito a ver com a maneira como foram criados. Os pais são parcialmente responsáveis. Mas também é fato que as tecnologias contribuem produzindo a sensação que os objetivos estão à distância de um único clique na tela. Cria-se a ideia de que “quando eu realmente precisar, basta eu apertar aqui e vou conseguir”.

Acontece que as coisas não funcionam desse jeito. É preciso trabalhar duro para, com o tempo, obter os resultados. A lógica da vida é a da semeadura: “eu planto agora para colher depois”.

E semelhante ao que acontece na agricultura, o plantio é trabalhoso. Ainda mais difícil é o período de espera pela colheita. É necessário regar, cuidar e ainda torcer para que o tempo ajude e não coloque tudo a perder.

Se tudo funcionar muito bem, a colheita pode ser um sucesso. E se não funcionar, semelhante ao lavrador, na vida, a gente não pode desistir. A gente começa tudo de novo, planta tudo de novo e espera que, na próxima safra, tenha melhor sorte.

Falta de planejamento compromete o futuro do Brasil

Nenhum país muda sem ter um planejamento de futuro. Trocar deputados, senadores, governadores e presidente da República pode até ajudar na reformulação de determinadas práticas, inclusive com novas políticas públicas. Mas não ocorrerão avanços significativos.

Fazer planejamento tem a ver com a cultura de um povo. Não é da cultura do brasileiro planejar. A gente não faz isso na casa da gente. Não faz na empresabasta notar a quantidade de empresas que fecham por não ter pensado todas as estratégias de curto, médio e longo prazos. E a gente não faz planejamento na política.

A Coreia do Sul há pouco mais de 60 anos era um território arrasado pela guerra. Um país pobre.

Muita gente atribui o sucesso econômico e científico da Coreia ao investimento na educação. É verdade que a educação fez e ainda faz a diferença por lá. Porém, a educação não foi a chave do sucesso. O segredo da Coreia do Sul foi planejamento. A educação fez parte das estratégias utilizadas para colocar o país na rota do desenvolvimento econômico e científico.

No Brasil, não damos valor a isso. A ausência de uma cultura de planejamento faz com que as ações iniciadas num governo sejam interrompidas no outro. Cada político pensa no seu mandato e em medidas que possam lhe render capital político, votos. Um governo inicia um programa de incentivo ao ensino superior, financiando bolsas de estudo… Um novo governo reduz a verba para o programa e dá início a outra ideia.

Um prefeito começa uma obra, não consegue concluí-la e, quando outro é eleito, entende que existem coisas mais urgentes e a obra fica parada.

Políticas precisam ser pensadas não para estancar um problema agora, mas para criar uma condição de vida melhor para as pessoas daqui a 20, 30… 50 anos.

Com uma mentalidade de planejamento, as pessoas compreenderiam que não existem soluções mágicas. É preciso muito trabalho, esforço, disciplina e tempo para dar conta de demandas históricas.

A Coreia do Sul não se tornou uma potência tecnológica, uma força na indústria automobilística mundial de um dia para o outro. Os resultados começaram a aparecer depois de quase 40 anos.

Mas veja só… O Brasil nunca foi arrasado por uma guerra, nunca sofreu com grandes catástrofes naturais, mas não sai do lugar. Nossos problemas de hoje não são diferentes dos problemas que tínhamos no passado. A gente sonha com o Brasil do futuro, mas o futuro nunca chega… E não chega porque a gente não planeja o futuro.

Isso só reforça o que estou dizendo: não existe um messias político para colocar o país nos trilhos. Se não houver uma mudança de mentalidade, a criação de uma nova cultura, a gente pode ter uma certeza: tudo vai continuar dando errado.

Mais difícil que admitirmos o erro é aceitar que voltaremos a falhar

A gente comete erros o tempo todo. Alguns mais graves, outros quase sem importância. Como a gente lida com esses erros é o grande desafio.

Com frequência, muitos de nós não queremos admitir os erros… Admitir que falhamos.

Buscamos justificativas.

O serviço deveria ter sido feito por outra pessoa… Alguém esqueceu de nos avisar… Terminamos o serviço no tempo certo, só faltou as outras pessoas fazerem a parte delas…

Nem sempre a gente verbaliza essa busca de justificativa para a falha pessoal. Às vezes, esses argumentos ficam passeando em nossa cabeça. As coisas ficam acontecendo dentro de nós.

Curiosamente, em alguns casos, nem existe alguém nos cobrando pelo erro.

O problema é a gente com a gente mesmo. E ainda assim, encontramos dificuldade para aceitar que o erro foi nosso.

Eu costumo dizer que reconhecer o erro é o primeiro passo para acertarmos da próxima vez. Mas às vezes tenho a impressão que não queremos reconhecer por medo de falharmos novamente.

Dentro de nós habita a insegurança. Sentimos que vai dar errado outras tantas vezes e se reconhecermos que os erros são causados por falhas nossas, parece que estaremos admitindo que somos fracos, incapazes. Que não temos qualidades que nos qualificam para fazer o que fazemos, para estar onde estamos.

Lidar com todas essas emoções talvez seja ainda mais difícil que admitir o próprio erro. Porque significa aceitar que nem sempre somos o que gostaríamos de ser. E que, como pessoas, não somos tão bons como desejávamos ser.

O mundo espera por nossas atitudes

Muita gente se limita, se apequena, por receio da avaliação alheia. A pessoa simplesmente deixa de fazer coisas, de agir livremente segundo o seu querer, porque tem medo do que os outros vão pensar dela.

Hoje eu li uma frase bastante interessante:

– Enquanto você olha para o mundo, o mundo está esperando para ver você.

Pois é… A gente fica observando tudo ao nosso redor, fica admirando outras pessoas, comparando-se com elas e isso tudo faz com que, muitas vezes, nos sintamos pequenos, sem importância.

Entretanto, o mundo espera por nossas atitudes. O mundo não gosta dos acanhados, dos envergonhados.

Às vezes me pego observando alguns dos youtubers. Ali estão eles desfilando um monte de asneiras. Chego a sentir vergonha por alguns deles. Acho ridículo o que fazem e, principalmente, o que falam.

Mas sabe de uma coisa? Eles não estão nenhum pouco preocupados com pessoas como eu. E justamente por isso fazem sucesso.

Eu não sei se você está me entendendo… Mas o que estou querendo afirmar é uma única coisa: enquanto você se silencia, se encolhe com receio do que os outros vão dizer sobre você, algumas pessoas estão ousando, se expondo, experimentando. E são justamente essas pessoas que são lembradas. São elas que fazem a diferença e, por vezes, inspiram outras tantas com suas ações e palavras.

Eu tenho aprendido isso. Eu, você… todos nós estamos aqui de passagem. Daqui alguns anos, provavelmente nem sempre lembrados. Somos feitos da mesma matéria e temos todos o mesmo destino. Portanto, por que temer o que os outros vão pensar de nós?

A vida é uma só. Vivamos com liberdade!

Algumas pessoas preferem ter uma vida pequena

Algumas pessoas escolhem ter uma vida pequena. Poderiam ser maiores do que são, fazer muito mais… Porém, optam por uma condição menor.

Não há problema em fazer esse tipo de escolha – desde que seja consciente. Talvez você tenha talento, capacidade, habilidades para ser um profissional de uma grande multinacional, trabalhando em Nova Iorque. Mas escolheu ficar numa cidade do interior, viver perto da família, criar os filhos com tranquilidade. Isso é digno! Afinal, ser bem sucedido não significa ter dinheiro, fama, poder.

Entretanto, algumas pessoas até gostariam de fazer coisas grandes. Mas parecem ter medo de ousar, de tentar, de experimentar…

Na vida, tudo tem um custo. Se eu quero passar no vestibular de Medicina numa instituição pública, tenho que dedicar 12 a 14 horas do meu dia estudando. E estudando um monte de coisas que não fará nenhuma diferença nos meus dias. Estudando matérias pelas quais não tenho a menor simpatia. Terei que encarar aulas com professores de todo tipo, inclusive não vou gostar de muitos deles.

Gente que escolhe ter uma vida pequena é gente que foge dos desconfortos diários, dos enfrentamentos cotidianos. Na escola, será pequeno aquele que escolhe as matérias que vai estudar e aquelas que vai deixar pra depois. Prefere o papo no whatsapp as horas debruçado sobre os livros.

No trabalho, será pequeno aquele que escolhe a alegria do happy hour do que ficar mais horas trabalhando no planejamento dos próximos meses.

No relacionamento, será pequeno aquele que escolhe ter razão do que engolir alguns sapos, silenciar certas palavras e abrir mão de certos desejos pessoais.

Pessoas que preferem ter uma vida pequena não querem o desconforto do suor, das feridas… Não querem sangrar na caminhada.

Sim, volto a afirmar, não há problema em escolher se pequeno. Mas é preciso saber aceitar essa condição, não viver se culpando, entender que a responsabilidade de uma vida pequena é sua e não dos outros.