Brasília é um outro Brasil

O Senado brasileiro aprovou um aumento de 16% no salário dos ministros do Supremo. Eles ganhavam cerca de 34 mil reais; passarão a receber 39,2 mil – fora todos os outros benefícios (penduricalhos que inflam os salários).

O aumento é representativo. Revela o quanto essas pessoas se servem do Estado brasileiro, sem se importarem com as contas públicas, muito menos com a realidade do país.

O salário de 39,2 mil reais não vai beneficiar apenas 11 ministros. A remuneração do Supremo Tribunal Federal é referência para todos os outros poderes. O impacto nas contas públicas poderá chegar a 6 bilhões de reais.

Aprovar este aumento, num momento em que o país discute reformas para cortar despesas, inclusive mexendo na aposentadoria da população, é sintoma de um Brasil que não se importa com sua gente.

Os núcleos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário usam a máquina em favor de uma elite que não tem sensibilidade alguma com a realidade da população. O aumento é uma agressão ao povo pobre deste país.

Não há justificativa alguma para o aumento.

Para se ter uma ideia, o Judiciário brasileiro é 3,5 vezes mais caro que o alemão. Estamos falando da Alemanha, um dos países mais ricos do mundo. E sequer temos por aqui uma Justiça célere. Nosso Judiciário é um dos mais lentos do planeta.

Por outro lado, o Brasil deve fechar as contas deste ano no vermelho – mais uma vez. O déficit será de algo próximo dos 150 bilhões de reais.

Mas o que mais me irrita é notar que Brasília não se importa com a discrepância entre a realidade financeira dos homens que comandam a nação e a realidade do trabalhador brasileiro.

Os homens das leis criaram um país próprio. E se servem do povo para manter privilégios e uma vida rica.

Eu já disse por aqui, mas volto a repetir: metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo – cerca de 800 reais.

Mas isso não é tudo…

Temos hoje quase 13 milhões de desempregados e outros 4,8 milhões de pessoas que já desistiram de procurar emprego – são pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de acreditar que vão conseguir uma oportunidade.

É neste país de gente pobre, de milhões de pessoas sem trabalho, que o Senado aprova o aumento para os ministros do Supremo.

Sim, somos servos dos homens de Brasília.

STF ignora realidade do povo brasileiro

Apesar do Brasil viver a pior crise de sua história, os ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram, nessa quarta-feira, um aumento de 16% nos próprios salários para 2019. Atualmente, a remuneração deles é de 35 mil reais. Com o reajuste, o salário vai para cerca de 39 mil.

Sete ministros votaram a favor do aumento; quatro foram contrários.
O assunto ainda será analisado no Senado Federal e, depois, terá que sancionado por Michel Temer.

Porém, há poucas dúvidas que o aumento será autorizado pelo Congresso e pela presidência. Afinal, ninguém quer se indispor com o STF. No Brasil, retaliações são práticas comuns.

O aumento dos salários dos ministros não beneficia apenas eles. Para quem não sabe, vale lembrar que o teto salarial do STF serve como balizador da remuneração de desembargadores, juízes… E ainda serve de parâmetro para que a própria classe política mexa em seus ganhos.

O que o STF fez ontem foi virar as costas para a realidade do povo brasileiro. Há cerca de cinco anos, o país sofre. O Brasil entrou em recessão, milhões ficaram desempregados, a renda média caiu.

Mas os ministros não estão preocupados com isso. Com a justificativa que o aumento não vai acarretar mais gastos, em função da proposta de remanejamento dos recursos, eles não se importam em dar o exemplo.

Na verdade, gente, essas pessoas formam um outro grupo. Uma casta privilegiada e que pouco se preocupa com a triste realidade do país.

Cerca de metade dos trabalhadores brasileiros ganha menos de um salário mínimo. Mas isso não sensibiliza ministros e a elite de Brasília.

Por isso, é tão importante observar em quem votamos. Um assunto como este, o aumento dos salários dos senhores ministros, é analisado pelo Congresso. Ter gente com coragem para enfrentar o Supremo pode fazer a diferença numa hora como essa.

Qual o futuro da Operação Lava-jato?

A semana terminou com uma decisão judicial que pode mudar os rumos da Operação Lava-jato. O Supremo Tribunal Federal retirou do juiz Sérgio Moro novos casos que venham ser investigados. Na verdade, não há mudanças no rumo das investigações atuais. O que está em xeque são as novas investigações.

Como tudo na vida, a decisão do Supremo tem prós e contras. Pesa a favor o fato de que uma investigação dessa proporção não deve ficar nas mãos de uma única pessoa. É muito poder a um juiz só. Por mais que Sérgio Moro venha desempenhando com dignidade seu papel, estamos falando de um caso que envolve dezenas de pessoas e milhões de reais. Há muito em jogo.

A quantidade de procedimentos judiciais também é imensa. O desgaste é grande. E isso poderia comprometer as investigações. É justo dividir o trabalho. Também não parece correto um único juízo a respeito do tema.

Porém, pesa contra a decisão do Supremo o fato de a proposta ter surgido do ministro Dias Toffoli, que até anos atrás foi advogado do PT. O ministro Dias Toffoli, quando advogado, tem histórico honrado. Porém, sua ligação com o partido da presidente Dilma e de muitos envolvidos na Lava-Jato coloca sua iniciativa sob suspeita. Fosse outro ministro, o questionamento seria menor.

É impossível não questionar: por que essa decisão agora? Por que partiu do ministro que foi advogado do PT? Teria algum interesse em fragilizar as investigações?

Do ponto de vista jurídico, existem também aspectos bastante negativos. Ao desmembrar os processos, corre-se o risco de produzir processos órfãos, que podem fracassar.

A Lava-jato, embora envolva muita gente, políticos e empreiteiros, investiga o que pode ser considerada uma organização criminosa. Desmembrar processos pode significar desconsiderar a existência de uma grande organização por trás dos desvios de recursos da Petrobras.

Enfim, é com esse cenário que começamos a semana. Não temos incertezas apenas em relação ao futuro político e econômico. Até mesmo as investigações da Lava-Jato agora estão incertas.

Lula vai trocar Dilma por Palocci?

palocciO ex-ministro e deputado Antonio Palocci está livre, leve e solto. O principal mentor da economia no governo Lula foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de ter quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Cá com meus botões estou pensando: será que o presidente agora desiste da Dilma e coloca o Palocci na disputa à presidência? O deputado é mais simpático… Não tem jeito de autoritário.

As manchetes do dia…

– Plenário da Câmara decidirá sobre passagens
O jornal O Diário destaca a farra das passagens aéreas no Congresso Nacional. Um dia depois de a Câmara ter imposto limite à emissão de passagens aéreas para os deputados, o presidente da Casa, Michel Temer, anuncia que a decisão será submetida ao plenário. Temer aposta na exposição política dos deputados para aprovar as restrições. As novas regras proíbem o uso da cota de passagem aérea para parentes e permitem que assessores viajem a trabalho apenas com autorização da Terceira Secretaria da Casa.

– HU superlotado reúne condições para proliferação de bactérias
A manchete do jornal Hoje Notícias trata do temor de que também no Hospital Universitário de Maringá possa haver o aparecimento de uma superbactéria. A presença da superbactéria Klebsiella no HU de Londrina levou ao fechamento do pronto socorro e de unidades de terapia intensiva. O superintendente do Hospital Universitário de Maringá, José Carlos Amador, teme situação semelhante. De acordo com o médico, a superlotação, os poucos funcionários e o atendimento realizado nos corredores contribuem para o aparecimento da superbactéria.

– Senhas organizam procura pela casa própria na cidade
A manchete do Jornal do Povo fala das inscrições para casa própria, em Maringá. Com a finalidade de organizar o atendimento aos interessados em conquistar o sonho da casa própria, a prefeitura de Maringá resolveu optar pela distribuição de senhas. O anúncio do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida aumentou o número de pessoas interessadas em adquirir uma moradia.

Umuarama Ilustrado

Criança é roubada em creche da região

O Diário do Noroeste

Projeto de revitalização do centro da cidade deve ficar pronto em 30 dias

Folha de Londrina

Hospitais atendem sem comissão de controle de infecção

O Estado do Paraná

Paraná tem pior geração de empregos desde 2001

Gazeta do Povo
Câmara recua. O fim da farra aérea terá de passar por votação

Jornal do Brasil
Crédito bancário volta a aumentar

O Globo
Câmara recua e farra aérea vai a voto no plenário

O Estado de S.Paulo

Ministros tentam conter crise no Supremo Tribunal Federal

Folha de S.Paulo
Gabinetes negociam passagens aéreas

O ministro Gilmar Mendes…

A discussão entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa ajuda a romper a aura de seriedade e austeridade do Supremo Tribunal Federal. Mas vai além disso. Barbosa dá voz a muita gente que gostaria de dizer as mesmas coisas ao presidente do STF.

Mendes pode ser qualquer coisa… Menos uma pessoa que inspira a minha confiança. Se atuasse como advogado, nunca o contrataria. Se tivesse uma causa pessoal que caísse nas mãos dele, certamente temeria o resultado. O ministro parece ser um homem ideologicamente preso ao modelo social coronelista e elitista.

O ministro Gilmar Mendes é poderoso pelo cargo que ocupa. Mas não tem perfil para estar no Supremo. Por ocasião de sua indicação, ainda no Governo FHC, um grupo de dois mil advogados foi contra a nomeação dele para o STF.

Hoje, na CBN, o Cony fez uma observação importante. Mendes precisa ser enquadrado. O problema é: quem poderia enquadrá-lo? Na posição em que está, Mendes resume nele a ideia de se estar acima do bem e do mal.

Tem outro detalhe que deveria nos servir de alerta. Na discussão que tiveram, Joaquim Barbosa citou que Mendes possui capangas no Mato Grosso. Embora pouca gente tenha falado sobre isso, a Carta Capital fez, meses atrás, uma reportagem em que mostrava esse lado obscuro do presidente do STF. Na ocasião, apontou que, em Diamantino (MT), a família Mendes exerce o poder à moda antiga.

Entre outras coisas, a reportagem relaciona:

– o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar;

– “Gilmar Mendes vale por todos os deputados e senadores de Mato Grosso”, fala do governo Blairo Maggi;

– o ministro está envolvido em conquistas suspeitas de investimentos para a região de Diamantino (MT) e relações estranhas com instituições de educação.

Gilmar Mendes é reflexo da nossa construção política e social. O ministro faz parte de um sistema viciado, onde ser autoridade nem sempre significa conduta moral irrepreensível. O que é lamentável é que ele está na mais alta corte deste país.

As manchetes…

– Anvisa apreende 22 toneladas de remédios
O jornal O Diário de hoje destaca a apreensão de medicamentos fabricados em Maringá e Mandaguari. Os medicamentos eram distribuídos em todo o país. Três empresas foram fechadas e cinco pessoas detidas. Foram recolhidos anti-hipertensivos, emagrecedores e medicamentos para disfunção erétil.

– Crimes na internet provocam prejuízo anual de R$ 500 mil
A manchete do Hoje Notícias trata do acordo fechado entre a Caixa Econômica Federal e a Polícia Federal. O acordo tem o objetivo de reforçar o combate a uma das modalidades de crime que mais crescem no país, o das fraudes virtuais. Por ano, esses crimes causam um prejuízo de cerca de R$ 500 milhões ao sistema financeiro.

– Programa garante prêmio internacional a Maringá
A manchete do Jornal do Povo ressalta o prêmio conquistado pela prefeitura de Maringá em função do programa de Hortas Comunitárias. O prêmio, de 25 mil dólares, será aplicado na implantação de outras hortas e melhorias nas já existentes. O prêmio foi concedido pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais, a Adra.

Umuarama Ilustrado

Tensão em acampamento de sem-terra na região

Folha de Londrina
Empresários paranaenses estão mais otimistas

O Estado do Paraná
Ala dita “amiga de Requião” não quer subir no palanque tucano

Gazeta do Povo

Justiça sem gente e com pouco dinheiro

Jornal do Brasil
Serra segue Lula e faz o PAC paulista

O Globo
STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato

Valor Econômico
Tesouro deve pôr capital no BB

O Estado de S.Paulo

STF pressiona Congresso por aumento salarial de 13%

Folha de S.Paulo
Banco público se previne contra aumento do calote