Operadoras de celular X Governo: quando o Estado deve ficar ao lado cidadão

Eu uso TIM. Eu e milhões de outros brasileiros. No Paraná, a operadora é líder. Quase metade dos usuários da telefonia móvel possui um chip da TIM. Então, como cliente, sei bem o que significa a qualidade (ou melhor, a falta de qualidade) de seus serviços. Por isso, entendo a medida da Anatel como necessária.

Interromper a venda de novas linhas é uma medida extrema. Não é o tipo de expediente que se deseja de um governo. Entretanto, há momentos em que o Estado precisa ter uma posição. E esta deve ser a favor do cidadão. 

Sabe, o usuário é o lado fraco dessa relação. E, ao longo dos anos, temos visto que é quem sempre é penalizado. Mesmo com o Código de Defesa do Consumidor, por vezes, o cidadão tem seus direitos atropelados pelas grandes companhias.

No caso específico da TIM, quantas vezes no “pré-pago” (nessa promoção de R$ 0,25 por ligação) clientes têm suas ligações interrompidas com dez, cinco ou três minutos? Aí, pra continuar a conversa, a pessoa tem que ligar de novo. E de novo. A promessa de “infinity” é apenas isso: promessa. E os R$ 0,25 por ligação se tornam R$ 0,50, R$ 0,75… Ou, até mais.

Cair a ligação ou “sumir o sinal” são situações comuns. Se fosse uma vez ou outra, seria aceitável. Mas não é. E isso se tornou mais frequente após a popularização desses planos.

O barateamento das ligações, dos torpedos e do acesso à internet aumentou demais o fluxo de dados. Muita gente comprou celular e, principalmente, passou a usar mais o aparelho. Entretanto, os investimentos não acompanharam. Não significa que não foram feitos. Foram, mas não no ritmo necessário.

As operadoras, hoje, responsabilizam municípios, estados e até o governo. Reclamam da burocracia. Mas se o problema sempre foi este por que nunca tornaram público? Por que não enfrentaram o Estado? Por que insistiram em aumentar o número de clientes se sabiam que a burocracia impediria a ampliação da rede, da infraestrutura? 

Na verdade, não há  justificativa. TIM, OI e Claro não têm como alegar inocência. Como representantes do modelo capitalista, trabalham sob a lógica do “otimizar recursos”. Se um serviço atende 10 mil, por que não tentar com a mesma estrutura atender 20 mil? Essa é a lógica. Sempre foi. No entanto, chega um momento que é preciso intervir, dar um basta. O usuário não pode ser refém o tempo todo do desrespeito dessas companhias.

 

Uma sociedade impotente diante do descaso dos bancos e das operadoras de telefonia

Sempre acompanho o ranking de reclamações do Procon. Na verdade, nem sei muito bem por que faço isso. Acho que é algum sonho utópico, quase inconsciente. Afinal, não é preciso consultar para saber que serviços aparecem no topo da lista.

Precisa falar? Ok, eu repito: bancos e telefonia.

Quando digo que vejo o ranking por algum sonho utópico, afirmo por causa do desrespeito que as empresas do setor têm pelos clientes. Na verdade, sempre fizeram e fazem o que bem entendem e nada acontece. As penalidades são mínimas diante do universo de reclamações. Mais que isso, o custo dos questionamentos que sofrem é insignificante diante do prejuízo econômico e emocional que causam à sociedade.

Claro, ninguém pode negar a importância dos bancos e da telefonia. Muito menos ignorar os investimentos, a tecnologia e os avanços em novos serviços. Entretanto, essas companhias simplesmente atropelam o Código de Defesa do Consumidor e transformam seus usuários reféns de um atendimento ruim e, por vezes, excludente.

Tenho dito que, no que diz respeito aos bancos, não existe um banco melhor. Existe um gerente melhor, uma conta bancária melhor. Se você tem dinheiro e um bom gerente, não importa qual é a instituição financeira. Já a respeito das operadoras de telefonia, é preciso mais que isso: tem que ter sorte. Não passar raiva é quase um milagre.

Na telefonia móvel, é um “deus nos acuda”; na fixa, idem. São problemas no fornecimento dos serviços, tarifas altas, serviços não executados… Uma loucura!!!

E os órgãos de defesa do consumidor não resolvem o problema. Apenas remediam. Ou seja, amenizam. E registram as reclamações que, depois, aparecem num ranking.

O governo é omisso. A imprensa até noticia o problema. Porém, não amplia o debate. Afinal, essas grandes companhias são clientes importantes.

Com isso, os rankings de reclamações existem apenas para lembrar estamos impotentes. Continuamos e continuaremos sendo desrespeitados. Essas empresas não me parecem se importar com os números. São só estatísticas. Nada mais. Importa o faturamento. E este sempre estará garantido.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Homem invade sala de aula da Uningá e atira em aluno
O marido de uma estudante de Fisioterapia entrou na faculdade ontem à noite e disparou pelo menos dois tiros contra um colega da esposa. Não acertou e passou a desferir coronhadas na cabeça da vítima. Quando o professor interveio, o atirador fugiu. O crime pode ser passional.

HOJE NOTÍCIAS: – Brasil joga bem e está nas quartas de final
A seleção brasileira está nas quartas de final – e com bom futebol. Nesta segunda-feira os comandados de Dunga confirmaram a freguesia chilena e bateram os rivais sul-americanos, que sempre perderam neste duelo em Copas. Desta vez, por 3 a 0. O adversário do Brasil é a Holanda, que venceu a Eslováquia, por 2 a 1.

JORNAL DO POVO: – Municípios podem ter tarifa local na RMM
O Conselho Diretor da Anatel abre hoje consulta pública para avaliar a possibilidade de inclusão de 11 cidades da Região Metropolitana de Maringá no sistema de chamadas telefônicas a custo de ligação local entre todos esses municípios. A alteração deve vigorar entre outubro deste ano e início de 2011.

As revistas da semana

VEJA: – DNA. O estudo da molécula da hereditariedade está produzindo o mapa completo das rotas migratórias humanas. Os caminhos genéticos de Luis Fabiano e do filho escocês Charles Miller, que trouxe o futebol para o Brasil. O craque de 2010 pode não estar na Copa. Lula alavancou a candidatura de Dilma Rousseff à liderança. Se ele continuar jogando assim, elegerá sua sucessora – isso se não aparecer uma zebra até lá. Hebe Camargo abre o coração. Ela diz que enfrenta a doença “toda serelepe”. E, poucas semanas depois de sair da quimioterapia, já voltou a comer bem – e a tomar seu vinhozinho.

ÉPOCA: – O cérebro do craque de futebol. Novas pesquisas revelam que os craques têm raciocínio mais rápido – e que o talento para brilhar na Copa está no cérebro, não nos pés dos jogadores. Um espião em seu computador. A operadora Oi adotou um programa que rastreia tudo o que seus clientes de banda larga fazem na internet. Por que isso é uma ameaça para nós. A volta de Palocci. Favorecido pelas trapalhadas de petistas nas armações contra Serra, o ex-ministro se consolida como o chefão da campanha de Dilma.

ISTO É: – Marina por Marina. Com propostas que fazem parte do imaginário dos eleitores e um tom de utopia, a candidata do PV faz campanha que lembra o PT dos anos 80 e encanta os mais jovens. Mas pode ser atropelada pela realidade do País. Romário: “Se o Brasil perder, porrada no Dunga!”. Candidato a deputado federal pelo PSB, o ex-jogador critica a Seleção e diz por que acha que fará a diferença no Congresso. A revolta dos médicos. Ginecologistas e obstetras estão insatisfeitos com os preços pagos pelos planos de saúde e ameaçam debandada geral.

CARTA CAPITAL: – O que pensa Dilma: A pré-candidata do PT fala sobre continuidade, drogas, o papel do Estado, reforma agrária e, por que não?, o seu novo visual. E ainda, o dossiê do dossiê do dossiê… Como o livro de um jornalista virou um novo factoide a favor de Serra.

Contrato com a OI: terei mais sorte agora?

No ano passado, sofri seis meses com a Brasil Telecom. Depois que contratei serviço de banda larga, quase enlouqueci. Cheguei a receber fatura superior a R$ 800,00. Felizmente, depois de muita luta, reclamações, registros no Procon, a situação contratual foi normalizada e passei a pagar um valor justo.

Justo é modo de dizer. A operadora nunca cobrou o contratado. Sempre paguei de R$ 3 a R$ 8 a mais que o acertado. Pelo histórico de problemas, paguei sem reclamar. Injusto, é claro. Afinal, imagine só quanto a empresa lucra a mais, mensalmente, cobrando esses pequenos “adicionais” de seus clientes? A conta é milionária.

Hoje, mudei o contrato com a operadora. Já não é mais Brasil Telecom. Agora é a OI. Os serviços são os mesmos. Mas pelo menos não há fidelidade de contrato. A empresa alega que posso rompê-lo quando bem entender. E sem multa.

Estou apreensivo, mas espero ter mais sucesso dessa vez.

Ministro quer criar “Bolsa Celular”

É festa… O ministro Hélio Costa quer distribuir celular de graça. A ideia é dar 11 milhões de aparelhos. O “Bolsa Celular” custaria aos cofres públicos R$ 2 bilhões. As empresas cederiam os aparelhos e, durante dois anos, deixariam de recolher o Fistel – Fundo de Fiscalização das Telecomunicações – sobre esses telefones.

PS- Hélio Costa é ministro das Comunicações, mas é pré-candidato ao governo de Minas Gerais.

As revistas da semana…

Veja: – A tenebrosa máquina de espionagem do Dr. Protógenes. A revista Veja teve acesso ao conteúdo do computador apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado do famoso Caso Satiagraha. Protógenes bisbilhotou clandestinamente senadores, José Dirceu, Mangabeira Unger, FHC, José Serra, o presidente do Supremo – e até a vida amorosa da ministra Dilma Rousseff. Ainda na Veja, como o PT ressuscitou Fernando Collor. A reportagem revela que, com as bênçãos do Planalto, o ex-presidente deixa as sombras e volta ao centro do poder.

Época: – Com exclusividade, a revista Época apresenta a vida de Sean. A reportagem visitou o menino que gerou uma disputa diplomática entre Brasil e Estados Unidos. A disputa pode envolver até os presidentes Lula e Barack Obama. Ainda na Época desta semana, estupro, gravidez, aborto. Aos 9 anos. O espantoso caso de uma menina em Pernambuco chama a atenção para o drama das crianças vítimas de abuso dentro da própria casa.

Isto É: – Os benefícios de correr. A corrida se torna o segundo esporte mais popular nas metrópoles brasileiras. A medicina esportiva mostra como ela previne o envelhecimento, ajuda a emagrecer, aumenta o bom humor e melhora a autoestima. A Isto É também apresenta uma reportagem sobre as novas regras da telefonia. A portabilidade agora é uma realidade em todo país. A revista destaca que a chegada da portabilidade a todo o País aumenta o poder dos clientes e a concorrência entre as operadoras de telefonia.

Carta Capital: – Cassado Jackson Lago, o Maranhão assiste à volta dos donatários. A revista destaca o retorno ao poder, no estado do Maranhão, da família de José Sarney. E no Rio Grande do Sul multiplicam-se as denúncias contra Yeda Crusius. Ainda na edição, o México em guerra com o estado paralelo do narcotráfico.

Demissões na Brasil Telecom…

O sindicato que representa a categoria diz que a compra da Brasil Telecom pela Oi já está causando um estrago na empresa. Cerca de 250 funcionários teriam sido demitidos.

O sindicato reclama. Diz que fusão é sempre assim: sinônimo de demissão.

Lamento as demissões. Mas pela incompetência demonstrada pela empresa ao longo dos anos, principalmente quando o assunto é atendimento e respeito ao cliente, entendo que as demissões são necessárias.

Se a Oi pretende mudar a imagem da BrT e conquistar novos clientes, certamente é necessário ter gente qualificada e promover desligamentos, principalmente de gerentes e chefes de setor.