Expectativas irreais destroem amores reais

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Não é de todo ruim sonhar com um relacionamento perfeito. Imaginar um sujeito incrível, gentil, amigo, bem sucedido, que te respeita, respeita sua família, é bonitão e ainda bom de cama. Também não faz mal sonhar com uma mulher linda, generosa, que te admira, cuida bem de você, satisfaz plenamente no sexo…

Entretanto, é importante saber que essas imagens não correspondem à realidade. Nem sempre quando ele te beijar, o tempo vai parar e você vai ter a impressão que até ouviu os mais belos sons.

Todo mundo precisa de uma dose de ficção na vida para viver. Porém, quando idealizamos o mundo pelos olhos do cinema, da televisão, da literatura, cometemos um tremendo erro. Expectativas irreais destroem amores reais.

Ao longo da vida, principalmente na adolescência, muita gente sonha viver como os personagens dos filmes ou dos romances de Nicholas Sparks. Querem um romance nesses tons…

Envolver-se por esses mundos e cenários falsos pode levar a esquecer do mundo real. Diferente do cinema, não tem nada de bonito reencontrar um amor da juventude e viver uma noite intensa juntos, quando já se está casado. Alguém, no mínimo, sairá machucado.

Eu sei que, quando assistimos a um filme ou lemos um livro com uma bela história de amor, muitas vezes, nos pegamos torcendo para que a mocinha deixe o marido para ficar com um antigo amor. Afinal, o amor do passado parece tão perfeito… O atual se apresenta totalmente sem graça…

Acontece que as histórias de Hollywood, as histórias dos livros são irreais. Nicholas Sparks encanta com seus personagens, mas ele mesmo se divorciou após 25 anos de casamento. Isso significa que ele engana seus leitores? Não, significa apenas que a vida a dois é bem diferente do romance dos livros.

Sabe, a gente não precisa deixar de desfrutar, nas telas ou em páginas, dessas belas histórias de amor. Porém, devemos ser honestos. A ficção não pode nos cegar, não pode tirar nosso senso de realidade. Não estou dizendo que o relacionamento não deve ser alegre, emocionante e romântico. Apenas lembrando que pessoas reais são falhas… E enquanto olhamos para os romances perfeitos da ficção, podemos esquecer de investir em amores reais e permitir a ruína em nossos relacionamentos.

A mulher e os estereótipos

“Valente” é a primeira animação da Pixar a trazer uma heroína no papel principal
“Valente” é a primeira animação da Pixar a trazer uma heroína no papel principal

Embora os estudos não consigam provar a existência de uma relação direta entre o que a mídia mostra e o comportamento da sociedade, há vários indícios de que a gente reproduz muito do que passa na telinha, no cinema e até do que se propaga como modelo nas revistas, jornais e internet. Não dá para negar, por exemplo, que a moda surge, primeiro, em imagens midiáticas para depois ganhar as ruas. E não para por aí.

Se a gente pressupõe essa relação, algumas coisas deveriam nos preocupar. Entre elas, a imagem da mulher. E isso desde a infância.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Granada, Espanha, revelou alguns aspectos interessantes das animações e desenhos infantis. Após a investigação de 621 papeis de ambos os sexos, em 163 séries, os estudiosos identificaram que, para cada dois personagens masculinos, há um feminino. E quase sempre aparecem em segundo plano. Elas são as namoradas, as noivas, as mães dos protagonistas ou vilões.

Mais que isso. As mulheres, que raramente são as protagonistas, são retratadas de acordo com estereótipos bem conhecidos. São fúteis, nervosas, estressadas, histéricas, ciumentas, obcecadas pela aparência – querem se mostrar bonitas pra agradar os outros (geralmente, os personagens masculinos ou na competição com outras mulheres).

Muita gente pode olhar para esse retrato e dizer: mas esse é o retrato do que são as mulheres. Eu questionaria: isto é o que elas são ou este é o estereótipo construído delas? Não me parece que mulheres são assim. Há mulheres assim. E se existem mulheres assim, quem pode assegurar que essa é a essência delas? Será que não aprenderam a ser assim?

Parece-me que o conteúdo consumido por nossos filhos está longe de ser inocente. Cá com meus botões, acredito que as animações e desenhos infantis, ao retratarem as mulheres de forma estereotipada, promovem um reforço dessa imagem. E isso logo nos primeiros anos de vida. Tenho a impressão que meninos e meninas crescem sob efeito dessas imagens. Nossas crianças se desenvolvem tendo essas referências: de um lado, a supremacia masculina; de outro, mulheres frágeis, desequilibradas, fúteis, consumistas e reféns da estética. Isso não é nada positivo. Muito menos emancipador. Pais e educadores deveriam pensar um pouco nisso antes de exporem a molecadinha a certos conteúdos televisivos e cinematográficos.

PS- Não abordo aqui as questões envolvendo a música. Mas fica a dica: qual a imagem de mulher retratada pelas músicas que fazem sucesso entre nossas crianças, adolescentes e jovens?

Desligado da TV

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Estou sem televisão há mais de 15 dias. Nesse período descobri algumas coisas. Entre elas, que dá pra viver sem a telinha. E o melhor, no meu cantinho, não existe carnaval.

A gente vê a vida passar pelos “olhos” da tevê. Ou da mídia. Quando você desliga o botão, passa a ver o que acontece ao seu lado. E mais… Passa a reparar em você mesmo.

A tevê quase sempre nos anestesia, nos ilude. Achamos que a vida é aquela que desfila na tela. A medida da violência nas cidades, a medida dos problemas econômicos, políticos… e até mesmo da felicidade e do jeito de viver são dadas pelos noticiários, novelas, programas de entretenimento etc.

No meu cantinho, não teve carnaval. Não teve desfile de escola de samba, mulatas dançando, famosos em camarotes. Também não teve barulho, briga, confusão, nem gente embriagada. Não teve, porque no bairro onde moro, o ritmo é dado apenas pelo vai e vem de pessoas que trabalham e daquelas que descansam em virtude do feriado. A festa popular não acontece pra nós.

Sabe, não sou contra a tevê. Na verdade, sou um sujeito de mídia. Jornalista de profissão; professor de Comunicação por paixão. Vivo, respiro os fenômenos midiáticos. Entretanto, desligar-se da telinha faz bem. Faz bem pra gente se encontrar, pra notar quem está do lado, pra identificar as próprias emoções. A vida da gente é diferente da vida que passa tela. Desligados das imagens, temos a chance de viver nosso próprio mundo e descobrir nele o que de fato nos faz bem.

O JN não me faz falta

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Teve uma época que a programação da televisão era referência para a programação diária dos brasileiros. A pessoa saia de casa, mas fazia as coisas de tal forma a não perder os programas favoritos. Entre eles, estavam as novelas e o Jornal Nacional. Nas duas últimas décadas, isso começou a mudar. E sobrou até para o principal telejornal brasileiro. Segundo dados recentes do Ibope, o JN teve o pior ano de sua história. A audiência não para de cair.

Faz muito tempo que não vejo o Jornal Nacional. Trabalho à noite e não dá para ver televisão. Entretanto, mesmo quando estou em casa, não sinto falta. O resumo dos fatos trazidos pelo JN não me atrai. Quase tudo já está na internet. Com a vantagem que dá pra selecionar o que quero ver, não tem intervalo comercial e ainda encontro opinião. O telejornal da Globo é sem graça. Apenas noticia, não informa.

Não sei se é assim que se sentem os telespectadores que abandonaram o Jornal Nacional. Entretanto, cá com meus botões, tenho a impressão que muita gente deixou de se sentir dependente da televisão para saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Tudo está na rede. Além disso, para ver o programa, precisa sentar o bumbum no sofá naquele horário determinado pela emissora. É como se tivesse um compromisso com a TV; tem que fazer parte da agenda diária. E quem tem disposição pra isso hoje? Cada vez menos gente quer ficar refém de horários. Já bastam as obrigações com o trabalho.

No caso do JN, ainda tem o fato de o jornal ter se tornado chato. O modelo envelheceu. E, pra emissora, mudar é arriscar, correr riscos. Basta ver o que aconteceu com a apresentação. A aposta na jornalista Patrícia Poeta, uma cara jovem e simpática, foi extremamente equivocada. Poeta mais parece uma bonequinha que faz caras e bocas diante das câmeras. Desde a estreia dela, a audiência só caiu. Pior, ainda conseguiu deixar o William Bonner completamente insosso. Os apresentadores já não são referência para o público. Tanto faz ser um ou outro apresentador/a na bancada do JN. A gente não sente falta.

Quanto ao que vai acontecer com o principal telejornal do país, não dá para saber. Eu só sei que apenas um milagre me faria voltar a gastar tempo vendo o Jornal Nacional.

Quem nunca fez uma grande bobagem na vida?

futuroDifícil, hein? Acho que todo mundo já fez alguma coisa que lhe causa vergonha. Mas a vida é assim. A gente aprende… errando. Recria-se a partir do erro, torna-se uma pessoa melhor (Claro, nem todo mundo evolui. Tem gente que passa a vida cometendo os mesmos erros, infelizmente).

Pensava nisso após ver uma notícia sobre a Xuxa. Um vídeo dela de 1983. Na época, a apresentadora era modelo e namorada de Pelé. No vídeo, ela dança dentro de uma espécie de taça trajando um biquíni. A filmagem ocorreu em Minas, no carnaval.

No passado, Xuxa também fez um filme com cenas eróticas. Quase um pornô. E contracenava com um adolescente.

A apresentadora já brigou muito na Justiça para recolher o filme. Sumir com todas as imagens. Ela nunca fala sobre o assunto. Agora, eis que surge esse vídeo com cerca de 5 minutos. As imagens devem incomodá-la.

Não sei se Xuxa se arrepende do que fez no passado. Dessa exibição pública em Minas. Nem do filme “Amor estranho amor”. Mas é certo que, hoje, ela se esforça para esconder parte do seu passado. É provável que, pela imagem midiática que construiu, gostaria de apagar esses fatos. Não dá.

Na vida da gente também é assim. Tem coisas que a gente gostaria de esquecer. Tem coisas que nos envergonham. Tem outras que, se pudéssemos, reescreveríamos. Pode ser um namoro desastrado, uma paixão imbecil… Quem sabe, algumas bebedeiras, comportamentos vulgares… Não importa. É bem provável que todos nós tenhamos algumas atitudes que não nos orgulham nenhum pouco.

Não sei se a Xuxa cresceu. Não sei se o desejo de apagar o passado é fruto de uma preocupação com a imagem midiática ou resultado de um genuíno arrependimento. Entretanto, a vida é cíclica. E a gente muda, felizmente. Tem sempre a oportunidade de crescer. Apagar o passado não dá. Mas é possível escrever o futuro. E este começa com as escolhas que fazemos hoje. Aprender com os erros cometidos pode ser o início de um outro momento que poderá nos orgulhar.

A TV que a gente não deveria ver

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Um dos temas mais controversos envolvendo a mídia é o que trata da regulamentação dos veículos de comunicação. Confusão comum é entendê-la como censura. Ou seja, um mecanismo que limite a liberdade das emissoras de rádio e televisão, principalmente.

A questão sempre volta à tona quando gente, como o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, cita aspectos da Constituição Brasileira e faz questionamentos do tipo:

Se esses artigos fossem aplicados de maneira séria, provavelmente mais de 80% dos programas que estão nas rádios e principalmente nas televisões teriam de sair do ar.

Cá com meus botões, não entendo que uma regulamentação seja necessariamente censura. Ela pode conter elementos que permitam a censura (e isso sim é preciso evitar). Mas não significa que a regulação da mídia impeça a liberdade de imprensa ou de expressão.

E Tarso Genro tem razão quando aponta que muita coisa poderia sair do ar.

São programas que ou transformam a mercadoria em notícia ideologizada ou promovem a violência, o sexismo e a discriminação.

O princípio de que o público deve escolher o que assistir/ouvir é muito bonito na teoria. Na prática, funciona pouco. Infelizmente, por falhas na educação, as pessoas não sabem selecionar. E embora tenham o controle nas mãos, optam pelo lixo. Como consequência, a programação piora cada vez mais.

Acho normal que televisão e rádio ofereçam diversão ao público. Mas qual a qualidade da diversão? Violência e sexo norteiam boa parte dos produtos midiáticos. E as notícias raramente contribuem para a formação da opinião pública (pelo contrário, distorcem a visão dos fatos). A gente assiste/ouve e fica com uma pergunta: “e daí?”. As notícias geralmente mostram um problema, mas raramente abrem possibilidades de reflexão sobre o assunto – e nunca apontam soluções. Na verdade, a notícia só publiciza o drama, mas não transforma, não provoca mudanças.

E existem outros problemas. Veja o caso dos domingos na TV aberta. À tarde, não há opções. Só existem programas de auditório. Escolher entre um e outro apresentador não é garantir diversidade. Oferecer opções é ter num canal programa de auditório; noutro, filme; no terceiro, talk-show; no quarto, programação infantil… E isso não existe no país. Quando num canal tem telejornal, nos demais quase sempre encontramos algo parecido. Se passa novela na Globo, passa na Record.

As temáticas abordadas por vários programas desrespeitam o público. “Vende-se” o sexo fácil, o desrespeito nos relacionamentos, a infidelidade, o desapego, o egoísmo… Associa-se felicidade ao consumo. Os modelos de beleza midiático atropelam a realidade e apresentam um ideal de corpo inatingível – como consequência, milhares de mulheres vivem frustradas e não gostam do que vêem no espelho. Crianças aprendem desde cedo que comprar é o que abre a porta do prazer; e muito novas são despertadas para o sexo, tornam-se vaidosas e, as meninas principalmente, adotam saltos, maquiagem e, na adolescência, já frequentam as salas de cirurgia plástica.

A regulamentação dos veículos de comunicação poderia qualificar a programação das emissoras. Embora pareça uma ação que desrespeita o direito do cidadão, entendo que somos obrigados a reconhecer que o público brasileiro ainda não dá conta de decidir por si só o que ver/ouvir. O que preocupa, porém, num quadro de regulação é quem vai julgar o conteúdo e quais serão os critérios. Afinal, deixar isso nas mãos do governo não me parece nenhum pouco recomendável. Mas este é assunto para um outro post.

Há vida inteligente no BBB?

Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB
Andressa Ganacin, de Cianorte, é uma das participantes do BBB

Estreia de mais um Big Brother. É o 13º. Diferente da grana extra do fim do ano, o reality show não me proporciona nenhum prazer. Pelo contrário, produz inclusive certo estresse. Sem contar que, neste ano, até estava interessado em dar uma olhadela no “O canto da sereia”. Mas como achar disposição pra ver televisão depois das bizarrices do BBB? Dá não. Melhor deixar o aparelho desligado. Nas horas vagas, gasto uns minutinhos navegando na internet e invisto outros em algum livro.

Confesso que já espiei algumas edições do BBB. Acho que o último foi o da Grazi Massafera, vencido pelo Jean Wyllys, hoje deputado federal. Em alguns momentos, o programa até teve vida inteligente. Ou, pelo menos, fez rir. Agora, não tem mais graça. É repetição. É mais do mesmo.

Tenho a impressão que ano após ano só mudam as caras. As bundas, peitos, coxas e músculos são os mesmos. Ah… tem também um e outro gay, um pseudo-intelectual… e por aí vai. São as gostosonas e os saradões, mais as figurinhas que o Boninho arruma pra garantir a diversidade de gêneros.

Neste ano, pra ajudar a escolher mais alguns integrantes do reality show, voltou a tal Casa de Vidro – a gaiola humana para o exibicionismo de formas e curvas devidamente definidas em academias de ginástica e pelo bisturi dos cirurgiões plásticos. Sinceramente, não sei quem são os maiores imbecis: os que ficam lá dentro se exibindo ou os que ficam do lado de fora espiando.

O BBB é mesmo um negócio muito louco. E o poder de sedução da Globo, impressionante. Mesmo quem não assiste, sabe tudo do programa. Não é preciso ver. Apenas estar conectado aos meios de comunicação. Em algum lugar, a gente fica sabendo das novidades. E as redes sociais estão aí pra nos manter conectados no programa.

Quanto aos que ainda assistem, tenho a impressão que os homens ficam grudados na telinha por causa do desfile de belas mulheres. Já algumas mulheres sublimam seus desejos com os saradões de plantão ou se divertem com as fofocas e intrigas – ambiente relativamente conhecido por muitas delas. Mas, enfim, ninguém vê o BBB porque encontra vida inteligente ali.

Bom, duvido muito que este ano seja diferente dos anteriores. A espiadela na galeria dos já selecionados, nos que estão engaiolados… não revela nada além do cardápio já conhecido (muita carne e alguns temperinhos). Mas não dá pra reclamar. O BBB nada mais é que o retrato da cultura dominante brasileira. E a TV só oferece o que o público deseja.

Então, vamos adiante…

Trabalhar de biquíni não é prostituição

A afirmação não é minha. É da panicat Babi Rossi. A mesma que teve a cabeça raspada, ao vivo, no programa Pânico, da Band.

Em entrevista a revista Quem, ela defendeu seu trabalho e respondeu as críticas daqueles que a julgam por se apresentar de biquíni no horário nobre da televisão.

Falam que somos garota de programa, só porque você está de biquíni. Mas, gente, é uma beleza, é tão natural, o corpo humano é tão bonito. Adão e Eva nasceram pelados! Deus fez a gente assim, então, qual é o problema? Eu estou ali de biquíni, mas estou trabalhando.

Babi tem razão. Exibir o corpo na telinha não a define como prostituta (embora a prostituição também possa ser um trabalho). O fato de desfilar diante das câmeras com biquínis minúsculos não significa que seja garota de programa. E ainda que outras colegas de Pânico já tenham agido como prostitutas de luxo, ninguém pode dizer – até que provem – que ela também faça sexo por dinheiro.

Enfim, como já disse por aqui, não é o tamanho da roupa nem o que a pessoa veste que define o que ela é.

Entretanto,  embora o corpo humano seja bonito – em especial, os dessas garotas, escolhidas por seus atributos físicos para se exibirem na televisão -, Babi não pode negar que se vende. A panicat não pode posar de inocente. Ninguém desfila com pouca roupa diante de câmeras de TV porque é um “traje” mais confortável. A razão é conhecida: mexer com a libido do público, seduzir, provocar e garantir audiência.

Ou seja, meninas de biquininho na TV são estratégia de audiência. É pra prender sujeito mal resolvido na frente na televisão… A proposta é jogar com o desejo, com a vontade. Essas garotas estão ali para chamar a atenção do público não pelo conteúdo intelectual do programa, mas sim porque seus corpos atraem olhares, despertam o que há de mais instintivo. Ainda que não passem de experiências imagéticas, essas garotas atuam no campo do prazer.

Panicats e afins – bailarinas, auxiliares de palco etc – podem não vender seus corpos para o sexo. Mas os entregam a um outro mercado: o do espetáculo e da sedução vulgar. Vendem seus corpos como produtos que atendem a um desejo voyer do telespectador. Elas não estão ali porque falam bem, porque têm grandes ideias, porque são geniais. São mulheres que aceitam ser objeto… objeto de desejo, mas objeto. O produto delas não é o conhecimento. É o corpo. Por isso, também são descartáveis. Têm data de validade – como qualquer outra mercadoria.