Nayara desmente tiro…

Curioso, não? A jovem Nayara, amiga de Eloá, disse à polícia que Lindemberg não atirou antes da invasão da polícia ao apartamento. A declaração dela derruba a versão dos policiais. Diante da afirmação, o comandante da PM encontrou uma forma de desmentir a garota… Disse que Nayara está confusa.

Sei não… Até o momento estou mais pra acreditar na jovem que nos policiais. E você?

Ah… um coronel e um promotor sairam com a alegação que a existência do tiro antes da invasão é irrelevante. Irrelevante? Irrelevante seria se a operação tivesse sido um sucesso e Eloá estivesse viva.

A mídia errou?

Tenho lido e ouvido muita coisa sobre o comportamento da mídia durante o sequestro das garotas Eloá e Naiara pelo “apaixonado” Lindemberg.
É natural.
Após o trágico desfecho do sequestro de Santo André, muita gente quer entender a responsabilidade de todos os envolvidos.
No caso em questão, é impossível não voltar o olhar para a mídia.

Mas, a imprensa teria tido comportamento exagerado, sensacionalista durante a cobertura do sequestro? Teria influência no desfecho?
Talvez sim.
Poderia ser diferente?
Acredito que não.

Um acontecimento como este, em que as vítimas ficaram sob poder do criminoso por cerca de 100 horas, está sujeito a erros de todas as partes. Inclusive da imprensa.

E nesse caso, a mídia perdeu o controle.
De novo, é claro.
Não foi a primeira e nem será a última vez.
É obvio, vai acontecer de novo!

Por quê?
Simples… A danada da audiência.
Boa parte dos problemas estão relacionados ao Ibope.
A motivação pela audiência quase sempre interfere no bom-senso.
Como o público é emocional, vale tudo para atraí-lo.

Atraí-lo é o que recomenda o negócio.
A mídia é uma empresa. Um negócio.
Por isso, erra toda vez que a mercadoria à venda é de risco.
Um sequestro é uma notícia de risco.
Mas é preciso “vendê-la”.

Como vendê-la sem prejuízos sociais?
Difícil responder.
As fórmulas existentes têm se mostrado falhas.
Atrás delas estão seres humanos que se empolgam…
Perdem os referenciais do valor do outro e só pensam no produto à venda.

Dá para evitar?
Talvez. Mas sempre haverá riscos.
Até de ficar sem público…

PS- Por opção, este blogueiro não tratou uma única vez do sequestro enquanto esteve em andamento.

Eloá, Lindemberg… nossos filhos

Produzi o texto abaixo para o programete que apresento na Rede Novo Tempo:

Ao longo da última semana, o Brasil acompanhou o drama de duas garotas… Eloá e Naiara. Essas adolescentes estiveram durante toda a semana sob a mira do revólver de um outro jovem, Lindemberg. O rapaz, de 22 anos, tinha sido namorado de Eloá. Na segunda-feira, dia 13 de outubro, Lindemberg invadiu o pequeno apartamento da ex-namorada e fez Eloá e Naiara suas reféns.

Durante 100 horas, a polícia negociou; pediu que Lindemberg se entregasse, mas os diálogos não obtiveram êxito. O desfecho foi trágico. Eloá morreu e, por um milagre, Naiara escapou – mesmo tendo recebido um tiro no rosto.

Caro amigo, esta história você já deve ter visto e revisto nesses últimos dias. Afinal, é impossível ficar alheio ao fato. Todos nós já comentamos, especulamos e lamentamos a morte da jovem. Falamos sobre o ciúme doentio de Lindemberg e reclamamos da desastrosa operação policial. Mas, no fundo do coração, quem é pai, quem é mãe deve ter tido alguns outros pensamentos.

Confesso a você que fiquei pensando nos meus filhos. Meu menino é só um garoto de onze anos. Minha filha tem sete. Entretanto, já me preocupo com o futuro deles. O que mais me assusta é a idéia de que eles estejam sujeitos a se encontrarem com uma nova versão desse rapaz, o Lindeberg – um jovem aparentemente pacífico, mas que se transformou num criminoso por causa do ciúme doentio.

Sabe amigo, nenhum de nós está imune de viver o drama que a família da adolescente Eloá experimenta nesta semana. Nós, que cremos em Deus, só temos uma saída: orar por nossos filhos.

Existem casos em que também nos enganamos. Um velho ditado já dizia: “Quem vê cara não vê coração”. Não sabemos o que se passa no coração do homem. A pessoa amável e bondosa de hoje pode se tornar violenta amanhã.

Por isso eu digo, precisamos pedir mais a proteção de Deus por nossos filhos. Às vezes, na correria de nossos dias, nos ocupamos de tantas coisas, mas esquecemos de pedir sabedoria ao Senhor dos Céus para que eduquemos de forma correta nossos filhos. Esquecemos de pedir que Deus livre nossas crianças de se tornarem, no futuro, vítimas de um companheiro violento.

E não se trata apenas de encontrar um maluco como o Lindemberg… Muitas pessoas sofrem com companheiros que bebem, que usam drogas, que estão envolvidos com crimes, que usam da violência para resolver seus problemas.

Não quero aqui dizer que a jovem Eloá não estava sob a proteção de Deus. Apenas gostaria de lembrar que devemos acompanhar mais nossos filhos, estar mais próximos deles, tentar entendê-los, orientá-los, ajudá-los a resolver seus conflitos. Permitir que nossos filhos se sintam seguros em compartilhar conosco suas experiências, inclusive permitindo que falem de seus amores e desilusões amorosas. E, junto com tudo isto, não esquecer de entregá-los sempre aos cuidados de Deus.