O trânsito revela muito do que somos

A dinâmica do trânsito das cidades é uma espécie de síntese de nossa sociedade, de nossa relação com o outro.

Respeito ao outro e às leis, ética, paciência, atenção aos mais fracos… Tudo que temos nas ruas e avenidas temos também nas casas, empresas, poder público, na convivência entre os mais fortes e os mais fracos.

E o trânsito diz muito sobre o que somos.

Furar os sinais, estacionar em lugares proibidos, danificar o carro alheio e abandonar o local sem procurar identificar o proprietário… Dirigir sem documentos, alcoolizado… Parar em fila dupla, ocupar duas vagas de estacionamento, não ter paciência enquanto alguém estaciona, xingar outros motoristas, desrespeitar pedestres, atropelar cachorro apenas porque o bichinho está na rua…

Essas atitudes todas não existem apenas no trânsito. O que acontece ali é reflexo do que somos como cidadãos.

Quem desrespeita as leis de trânsito é também uma pessoa que, se tiver oportunidade, vai driblar a legislação, deixar de pagar impostos, alterar dados no Imposto de Renda…

Quem ocupa duas vagas de estacionamento, para em fila dupla, dirige como se fosse a única pessoa a ocupar a via pública, é também alguém que não se importa com o vizinho, que não tem problema de consciência em furar fila no banco ou no supermercado…

Enfim, o que temos de melhor ou de pior, nossa civilidade ou falta de ética no trânsito, é o que temos de melhor ou de pior como cidadãos, como humanos.

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Um futuro sem carros?

carros

Como serão nossas cidades daqui dez ou quinze anos? Na Europa, já há quem aposte que a circulação de carros estará proibida nos centros das cidades. Acredita-se que serão permitidos apenas o transporte público, os veículos elétricos, as bicicletas e, claro, andar a pé.

Na verdade, nos centros mais desenvolvidos, já existe o reconhecimento de que o problema não é apenas o tráfego intenso que estressa, irrita e causa tantos transtornos. Entende-se que o problema vai além disso. A questão está no ar que respiramos. A quantidade de carros em circulação tem comprometido a qualidade do ar.

Contribuímos impunemente todos os dias para tornar o ar irrespirável. Alguns estudos já apontam que em países como a Espanha 95% da população respiram ar contaminado. Anualmente, cerca de 20 mil pessoas têm morte prematura em função da contaminação atmosférica.

O que dizer do aquecimento global? O mês de setembro, por exemplo, foi o mais quente desde 1880. O planeta está pedindo socorro. Ah… e o uso de carros contribui para o aumento das temperaturas.

E os avanços são tímidos, porque nem mesmo o pedágio urbano de Londres, as ciclovias ou as ruas exclusivas para pedestres são suficientes para conscientizar-nos das consequências do uso diário do carro. A gente senta atrás do volante e não quer saber de mais nada. Não está interessado em nada além do nosso conforto.

Isso mostra que há necessidade de radicalizar as propostas. Hamburgo é a primeira cidade que está levando o assunto a sério. Por lá, o plano é tirar todos os carros das ruas em 20 anos. Já a cidade de Tallinn, capital da Estônia, oferece transporte público de graça para a população.

Entretanto, pelo menos no Brasil, deve demorar um pouco mais para serem tomadas medidas enérgicas a fim de melhorar o trânsito e, principalmente, a qualidade do ar. Nossos políticos seguem apegados ao atraso. E as motivações políticas ainda falam mais alto. Eles não têm a determinação necessária para enfrentar questões como essas. Quanto a nós, ainda não estamos maduros para reconhecer que o conforto do carro mascara nosso egoísmo. Falta comprometimento com o bem comum.

Que tal andar de bicicleta?

bicicleta

Já andei muito de bicicleta. Mas faz tempo que pedalar é algo que só faço na academia. E ainda assim, prefiro a esteira – caminhar e correr. Ainda assim, sou um entusiasta da bicicleta. Não necessariamente para o lazer ou como opção de atividade física. Penso na “magrela” como alternativa de transporte.

Por isso, fiquei super empolgado quando li a notícia:

Venda de bicicletas supera a de carros na Itália

Depois de 48 anos, o comércio de bicicletas superou o de veículos. E o que é mais interessante: doze anos atrás, cerca de 2,9% da população usava esse tipo de transporte; hoje, os ciclistas representam cerca de 9%. Legal demais, né?

E não é por economia, por falta de dinheiro, empobrecimento da população… Nada disso. Apenas consciência.

Sonho com isso por aqui.

Temos um estrangulamento do sistema de trânsito de nossas cidades. O transporte coletivo não funciona. É ruim. E o preço, pouco convidativo. Diante do quadro, a bicicleta poderia ser a resposta para um problema real. Ela garante autonomia, agilidade, custo reduzido e ajuda no controle ambiental.

Porém, em nosso país há muitos desafios. O primeiro deles é a visão estereotipada dos brasileiros. É ridículo, mas muita gente acha que bicicleta é “coisa de pobre”. Chega a ser preconceituoso, inclusive com as pessoas de menor renda.

Também é preciso rever as prioridades no trânsito. Hoje, o privilégio é para o carro. Não há segurança para quem pedala, não há estacionamentos, não há sistemas de integração com o transporte coletivo, nem banheiros nas empresas para atender os ciclistas.

O que me anima é saber que tudo que acontece nos chamados países desenvolvidos acaba chegando por aqui. Atrasado, mas chega.

Indústria da multa em ação

Foto: O Diário
Foto: O Diário

Existe uma lógica perversa na fiscalização do trânsito. Ela funciona em Maringá e na maioria dos municípios do Brasil. Diferente do que se propõe no discurso, as ações de agentes de trânsito, a presença de equipamentos em ruas e avenidas pouco estão ligadas à educação do motorista; por vezes, servem como fonte de arrecadação de recursos para os municípios.

É importante salientar: não se trata de agir de forma ilegal, que desrespeite o motorista. Quem é multado geralmente cometeu uma infração. A questão que discuto é a multa pela multa. Ou seja, sem função conscientizadora.

Lamentavelmente, na maioria dos casos a rotina dos motoristas não é alterada, porque não são constrangidos, orientados, disciplinados. Apenas, punidos.

Veja o caso de Maringá. Quem circula pelo centro da cidade vê todos os dias vários motoristas parando em fila dupla. Porém, quantos já notaram um agente de trânsito abordando esses condutores e os orientando a não atrapalharem o fluxo de veículos? Na verdade, essa é uma infração que não sofre a ação direta das autoridades do setor e raramente é passível de penalidade.

Por outro lado, é comum ver “guardinhas” nas esquinas “caneteando” motoristas desatentos que estão sem cinto ou falando ao celular. Ainda mais comum é o trabalho de notificação de condutores que estacionam sobre uma faixa ou local “proibido”. É o tipo de “multa fácil” – dinheiro garantido para o caixa da prefeitura.

Nessa quinta-feira, 27, por exemplo, agentes de trânsito “atacaram” veículos próximos da Catedral. Maringaenses, que tentam evitar problemas com o estacionamento regulamentado, há anos deixam seus carros por lá. Há áreas sinalizadas como proibidas. Entretanto, até mesmo funcionários da prefeitura param nesses pontos. É um “proibido não proibido”. Mas, sem avisar, os agentes passaram lá pela manhã e multaram todos. Claro, quem foi “punido” foi pra casa chateado. À tarde, porém, outras dezenas de veículos estavam nos mesmos locais – e sujeitos a ação do pessoal da Setrans. Na verdade, a prefeitura pode fazer um bom caixa só multando quem para no local. E dificilmente, sem uma campanha de orientação, os espaços ficarão vagos, pois o fluxo de carros na região – há grande demanda por vagas – é muito grande e sempre haverá um “desavisado” achando que pode estacionar naqueles lugares.

Como disse no início do texto, a lógica da fiscalização é perversa. Não diria injusta. Todo erro é passível de punição. Contudo, observa-se qual a motivação da política de trânsito pelas ações empreendidas. Em situações como essas o que vemos é a reprodução do que se convencionou chamar de “indústria da multa”. As punições afetam o bolso, mas não tocam o motorista. Não o sensibilizam. Ele passa a agir para evitar a penalidade, mas não muda o comportamento. Até pode estacionar corretamente, mas não deixará de avançar um sinal se não ver um “guardinha” ou uma câmera de vídeo.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Câmara aprova criação de Secretaria de Saneamento
Executivo propõe e vereadores aprovam, por unanimidade e em regime de urgência, uma nova secretaria para cuidar do abastecimento de água, tratamento de esgoto e coleta de lixo. Uma agência reguladora e um fundo financeiro compõem o projeto.

HOJE NOTÍCIAS: – Câmara aprova criação de Agência de Água
O jornal também trata da criação de um órgão no município para gestão dos serviços de água e esgoto. O projeto voltará a ser analisado nesta sexta-feira em uma sessão extraordinária da Câmara. O vereador Humberto Henrique pontuou que acha desnecessária a urgência na aprovação e sustenta a necessidade de uma discussão mais ampla com a comunidade.

JORNAL DO POVO: – Motociclista é a 74ª vítima fatal de acidente
Ontem à tarde, no Loteamento Madrid, em Maringá, uma colisão envolvendo um ônibus da TCCC e uma motocicleta resultou na morte de um jovem de 24 anos e deixou uma pessoa ferida.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Bitrem tomba e 376 é interditada por 4h
Acidente com caminhão carregado com farelo de soja provoca engarrafamento de até 5 Km na BR-376. Incêndio à beira da PR 444 causa colisão por falta de visibilidade e rodovia também é fechada por 1 hora.

HOJE NOTÍCIAS: – Fim de semana violento deixa saldo de 8 mortos
Somente em um acidente entre Floresta e Maringá, três pessoas morreram no local. Já na PR 558, entre Campo Mourão e Araruna, uma idosa morreu ao capotar o seu veículo. Ela perdeu o controle do carro, saiu da pista, bateu em um barranco e capotou.

JORNAL DO POVO: – Feira Ponta de Estoque começa amanhã
Duzentas e cinqüenta mil pessoas são esperadas para a 20ª edição da Feira Ponta de Estoque, que será realizada entre amanhã e sábado, no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro. Serão cerca de 200 empresas participantes, num total de 325 estandes.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Pai ganha guarda do filho, mas mãe foge com a criança
O paulistano Fábio Simão, que está em Maringá à procura do filho, Ian, de 6 anos, acusa a ex-mulher e o seu novo companheiro de sequestro. Ontem, oficiais de justiça estiveram na casa dos pais do acusado, que moram no Jardim Novo Horizonte.

HOJE NOTÍCIAS: – Richa fala em melhorar infraestrutura do porto
Na Cocamar, candidato falou em melhorar infraestrutura do porto e em cumprir reintegrações de posse. Durante coletiva, Richa falou da importância de tarifas de pedágio compatíveis e melhorias de infraestrutura no Porto de Paranaguá.

JORNAL DO POVO: – PM atualiza número de mortes no trânsito
De acordo com estatística disponibilizada pela Polícia Militar de Maringá, o número das mortes no trânsito neste ano totaliza 68, sendo que 54 ocorreram no perímetro urbano e 14 na avenida Colombo, que é fiscalizada pela Polícia Federal. Até ontem, 17 pessoas morreram nos locais dos acidentes e 37 depois.

As manchetes dos jornais de Maringá

O DIÁRIO: – Retratos falados ajudam a caçar maníacos da moto
Perito de Curitiba ouviu ontem sete vítimas de crimes sexuais para produzir imagens de três suspeitos. A semelhança no retrato de um deles, segundo a polícia, é de 80%. A polícia espera que os retratos possam ajudar a elucidar os crimes cometidos por maníacos que utilizam motos para abordar e atacar nove mulheres.

HOJE NOTÍCIAS: – ‘Tolerância Zero’ começa hoje e aperta o cerco a motoristas
Serão dispostos ao todo 26 agentes que atuarão em dois turnos de 12 horas cada um em diferentes pontos da cidade. A polícia promete fiscalizar até o uso do sapato.

JORNAL DO POVO: – Aluna do Cesumar perde bolsa do ProUni
O Centro Universitário de Maringá comunicou ontem que a estudante de Direito, que usava irregularmente o benefício do ProUni, foi descredenciada do programa por ter omitido infromações na atualização cadastral. A acadêmica deveria ter informado a alteração do estado civil e a nova composição do grupo familiar e a renda, porém apresentou os dados de solteira, ou seja, os mesmos de quando foi selecionada pelo programa.