O mundo espera por nossas atitudes

Muita gente se limita, se apequena, por receio da avaliação alheia. A pessoa simplesmente deixa de fazer coisas, de agir livremente segundo o seu querer, porque tem medo do que os outros vão pensar dela.

Hoje eu li uma frase bastante interessante:

– Enquanto você olha para o mundo, o mundo está esperando para ver você.

Pois é… A gente fica observando tudo ao nosso redor, fica admirando outras pessoas, comparando-se com elas e isso tudo faz com que, muitas vezes, nos sintamos pequenos, sem importância.

Entretanto, o mundo espera por nossas atitudes. O mundo não gosta dos acanhados, dos envergonhados.

Às vezes me pego observando alguns dos youtubers. Ali estão eles desfilando um monte de asneiras. Chego a sentir vergonha por alguns deles. Acho ridículo o que fazem e, principalmente, o que falam.

Mas sabe de uma coisa? Eles não estão nenhum pouco preocupados com pessoas como eu. E justamente por isso fazem sucesso.

Eu não sei se você está me entendendo… Mas o que estou querendo afirmar é uma única coisa: enquanto você se silencia, se encolhe com receio do que os outros vão dizer sobre você, algumas pessoas estão ousando, se expondo, experimentando. E são justamente essas pessoas que são lembradas. São elas que fazem a diferença e, por vezes, inspiram outras tantas com suas ações e palavras.

Eu tenho aprendido isso. Eu, você… todos nós estamos aqui de passagem. Daqui alguns anos, provavelmente nem sempre lembrados. Somos feitos da mesma matéria e temos todos o mesmo destino. Portanto, por que temer o que os outros vão pensar de nós?

A vida é uma só. Vivamos com liberdade!

A vergonha nossa de cada dia

vergonha
Enquanto descia o elevador, escutei duas senhoras conversando. Uma delas reclamava que facilmente sente frio. Nem é preciso cair muito a temperatura. O tempo mudou um pouco, já sente falta de uma blusinha. Por isso, conta que sempre tem uma na cadeira.

– Quando esfria um pouquinho, já está ali.

E continuou:

– Só não tenho coragem de sair na rua. Todo mundo sem manga e eu de blusa? Tenho vergonha.

Foi um papo à toa… Mas fiquei pensando na última frase dela: “tenho vergonha”. Um pouco mais ou um pouco menos, todo mundo sente vergonha. A minha personagem tem vergonha de colocar uma blusa e sair na rua num dia em que a maioria está com roupa de verão.

Tem gente que tem vergonha de falar em público. Tem gente que sente vergonha de pedir uma informação – parar o carro e perguntar onde fica determinada loja, banco etc vira um drama. Tem gente que, numa roda de amigos, não dá conta de expor sua opinião; prefere ficar em silêncio, apenas ouvindo. Tem gente que vê um parente fazendo uma coisa errada a vida inteira e sente vergonha de abordar a outra pessoa (não é porque receia ofender, é porque tem vergonha de falar).

Durante muito tempo, eu senti vergonha de escrever textos mais pessoais – como os de relacionamento, por exemplo (este, certamente nunca seria publicado). Escrevia apenas sobre fatos cotidianos com os quais lidava profissionalmente.

Mas por que isso acontece com a gente? Razão simples, bem simples: temos medo da avaliação alheia. Temos uma imagem a zelar. Não queremos nos expor. Certas coisas geram ansiedade, porque sabemos que o outro estará nos observando. Talvez até nos critique. Ou transforme nosso comportamento em motivo de riso, de piada. A maioria de nós não quer isso.

A vergonha está ligada a nossa insegurança. Olhamos para nós mesmos e não confiamos naquilo que fazemos ou somos. Pensamos que o outro é melhor que nós. Na verdade, entregamos para o outro a responsabilidade por promover ou destruir nossa autoestima. Se somos elogiados, ficamos bem; se somos criticados, sentimo-nos “o pior dos seres humanos”. Então, sair com de blusinha de manga num dia de calor faz com a pessoa se sinta vigiada, observada.

– Estou ridícula, talvez diria.

Nessas horas, não vale o bem-estar. Vale o que o outro pensa de mim. Atribuímos ao outro uma importância que ele não tem e diminuímos o nosso valor.

Sabe qual o problema disso? A perda da identidade, a perda de oportunidades. A gente se referencia pela vergonha, pela insegurança e temor da avaliação alheia, e deixa de fazer coisas. Não faz o que quer, faz o que pensa que o outro deseja que a gente faça. Isso acontece comigo. Acontece com quase todo mundo. Mas é justo com a gente? Parece-me que não.

Se somos todos iguais, acho que vale romper com nossos medos, rir de nós mesmos, aceitar os “micos da vida” e simplesmente vivermos. Afinal, não é autenticidade alheia o que mais invejamos?

Vergonha é sentir-se mal pelo que a gente é

Tem coisas que a gente sente, experimenta… mas não entende muito bem por que acontecem. Vergonha, por exemplo.

Nunca havia parado pra pensar nos motivos que nos levam a ter vergonha. Entretanto, ao refletir sobre o tema, descobri algumas coisas. Mais que isso, entendi que, embora seja um sentimento natural, não seria normal em pessoas bem resolvidas.

Por que sentimos vergonha? Porque nos sentimos indignos. A gente só sente vergonha porque tem medo do julgamento do outro e já pressupomos que seremos reprovados, ridicularizados.

A referência que temos de nós mesmos é quase sempre o outro. Nos preocupamos com o que as pessoas pensam a nosso respeito.

Quando temos que nos expor, bate aquele frio na barriga, nos encolhemos e nos sentimos pequenos demais. Resumimos a combinação de sensações com a frase típica: “estou com vergonha”. Ou ainda, “ah… eu tenho vergonha de falar sobre isso”.

Às vezes, trata-se de algo íntimo. Falar sobre aquilo faz a gente achar que o outro vai pensar que somos ridículos. Previamente, já temos uma avaliação – inclusive da reação do outro – e entendemos que o que fazemos é feio, é de menor importância, é coisa de gente tola…

Se é algo sobre o qual pensamos, se é um trabalho nosso, algo que realizamos e somos desafiados a compartilhar, a mostrar… tentamos evitar, porque nos envergonhamos dos nossos próprios pensamentos, da nossa própria criação.

Na verdade, quem tem vergonha se vê como insignificante. Valoriza muito a opinião alheia e desvaloriza a si mesmo. A vergonha é sintoma de quem se sente indigno, de quem acha que mostrar-se resultará em desaprovação. É alguém que quer ser amado, aceito, mas entende que um único movimento em falso poderá colocar tudo a perder. Trata-se de uma pessoa que não consegue perceber que deve ser amada pelo que ela é – e isso implica ser amada e aceita, inclusive com os micos que vai pagar no dia a dia.

Sabe, um pouquinho de vergonha, numa situação ou outra, é aceitável. Diante do desconhecido, ficamos um tanto desconfortáveis. Quando erramos, também parece que sentimos vergonha. O que não entendemos, porém, é que todo mundo falha. E vergonha é bem diferente de remorso ou culpa. Remorso ou culpa são resultado dos atos que praticamos ou deixamos de praticar. Vergonha é sentir-se mal pelo que a gente é. E não podemos ter vergonha do que somos.

Sempre haverá aqueles que, na hierarquia social, são apontados como superiores. Porém, são pessoas, são humanos… são gente. E de gente não devemos nos envergonhar. Somos todos da mesma matéria, temos a mesma origem, o mesmo destino… Ninguém nasceu sabendo, conhecimento se adquire, micos todos pagam… E, na intimidade, todos têm defeitos, virtudes, fazem coisas bonitinhas e outras tantas… ridículas. Quando entendemos isso, nos conhecemos e nos aceitamos, vergonha torna-se um sentimento cada vez mais raro. Afinal, se eu me aceito e estou feliz comigo, qual o problema do outro não gostar?

Por que não dizer: fui eu?

A culpa é sempre do outro. Em tudo. Não queremos assumir; transferimos.

O copo quebrou? Ah… mas você deixou na beirada da mesa.
O arroz queimou? Mas foi você que me distraiu.
Eu me atrasei? O trânsito estava complicado.
Não paguei as contas deste mês? O problema é que o chefe cortou o pagamento das horas extras.

Temos desculpa pra tudo. É impressionante.

E o problema é histórico. Vem desde Adão e Eva. O tal do Adão comeu da fruta e culpou a Eva. Já a mulher não deixou por menos; disse que foi a serpente que a seduziu.

Sei que não é fácil dizer: fui eu. Não mesmo. Queremos preservar nossa imagem. E nossos erros nos revelam. Não aceitamos que o outro aponte nossas falhas. Nem nós mesmos as reconhecemos.

Governantes, por exemplo, disputam eleições com o discurso pronto: vão fazer transformações. Quando assumem, as frustrações na gestão nunca são responsabilidade deles; o problema está no governo anterior que “não fez a lição de casa direito”.

Poucos têm a dignidade ser assumir seus erros. Inclusive os mais simples. Caríssimos, a gente se constrange até de admitir que errou na escolha do corte de cabelos. Transferimos a culpa para o cabeleireiro. É mais fácil. Parece que reconhecer as falhas é dizer que somos frágeis, inferiores. Não deveria ser assim. Admitir um erro é mostrar-se humano. Igual. Seria mais honesto, revelaria grandeza de espírito e desejo de corrigir, tornar-se melhor.