Não passei. E agora?

Depois de toda expectativa, chega o resultado do vestibular. E seu nome não está na lista dos aprovados. Bate aquela sensação de fracasso. Pior ainda é saber que vai ter recomeçar o processo de preparação.

Não há nada de divertido em ficar de fora. Por mais que as pessoas repitam “tudo tem seu tempo”, o que a gente queria mesmo é que o tempo fosse agora.

Ficar triste por não ter passado é uma reação normal. É importante inclusive para o amadurecimento pessoal.

Isso não significa, porém, se acomodar.

E então… O que fazer?

A primeira coisa é vencer aquela ideia boba, mas que machuca a gente: “ah… todo mundo passa; só eu que não consigo!”.

Num vestibular concorrido como o da UEM, na média, de cada 10 candidatos, um passa. Outros nove terão que tentar de novo.

A segunda coisa mais importante é se perguntar: “o que faltou para passar?”.

Responder esta pergunta de forma objetiva é fundamental. Vai te fazer entender se faltou empenho, mais horas de estudo, se o emocional tem prejudicado, se a base de conhecimentos que possui é insuficiente…

O próximo passo é definir as novas estratégias e identificar quem poderá te ajudar.

A caminhada em busca da aprovação não pode ser feita sozinha. É necessário contar com gente especializada e que se importe com você.

A equipe pedagógica do cursinho e os professores poderão auxiliar organizando um plano de estudos e te motivando.

E aí é só não perder tempo. Focar nos seus objetivos, não permitir que outras pessoas te influenciem negativamente e seguir em frente! A aprovação virá!

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Universidades influenciam qualidade do Ensino Médio

A proposta de alguns colégios de focarem apenas na preparação para o vestibular é nociva para a formação dos alunos. Um adolescente é, antes de ser aluno, um ser humano, que carece ser visto em toda sua potencialidade. Entender a escola apenas como espaço para a oferta de conteúdos é reduzir o processo educacional.

Contudo, parte do problema tem origem no conteúdo programático do Ensino Médio brasileiro. Mas vai além disso, pois as universidades ditam, por meio dos processos de seleção para o ensino superior, o que deve ser trabalhado em sala com os alunos do Médio.

O Ensino Médio carece de uma nova proposta… Também é fato que muitas escolas precisam repensar as práticas desenvolvidas, mas as universidades cometem um crime com a educação dos adolescentes quando listam um extenso e irrelevante programa de conteúdos que será cobrado nos vestibulares e nos demais processos de seleção.

Sim, os programas de seleção são extensos e irrelevantes. Extensos, porque fazem os professores de Ensino Médio despejarem conteúdos em sala de aula, sem tempo para fazer com que os assuntos tenham algum sentido para os alunos.

E são irrelevantes, porque parte significativa do que se estuda não será apreendido e, principalmente, por não contribuir com a formação intelectual dos adolescentes.

Eu sou contra a ideia de que tudo que se estuda precisa ter uma aplicação prática. Esse é um discurso vazio e que ignora a necessidade de conhecermos os mais diferentes processos matemáticos, físicos, biológicos, históricos, geográficos, entre outros, inclusive para o desenvolvimento das nossas habilidades cognitivas.

Entretanto, o que se ensina, justamente por nem sempre ser aplicado no dia a dia das pessoas, tem que fazer sentido. O aluno precisa entender como aquele saber reproduz algum fenômeno já pesquisado. Isso requer tempo. O professor necessita contextualizar, exemplificar… E, por vezes, desenvolver práticas laboratoriais.

Não é isso que acontece em sala de aula. Cobram-se nos vestibulares bem mais do que os conhecimentos fundamentais. Muito do que está nos livros e apostilas do Ensino Médio não é usado nem mesmo pelos especialistas no assunto, graduados ou pós-graduados.

Um exemplo, as disciplinas específicas de quem faz Medicina são Biologia e Química. Para ser aprovado no vestibular, a moçada precisa ter grande domínio dessas matérias. Mas elas têm relevância no curso de Medicina? Não, a relevância é pequena.

Concluindo, eu defendo que as universidades repensem as exigências de conteúdos nos processos de seleção. Certamente, o efeito vai aparecer no Ensino Médio, pois este, principalmente em regiões universitárias, reflete diretamente as demandas dos vestibulares.

Qual formação dar aos filhos?

Ontem, enquanto esperava minha filha pegar o gabarito da prova do PAS, observava outros alunos e alunas que deixavam o local das provas. Vi muitos deles com lágrimas nos olhos, bastante abatidos. Pelo semblante, demonstravam tristeza, frustração… Pareciam derrotados.

O PAS, Processo de Avaliação Seriada, da UEM é um mecanismo de avaliação que ocorre desde o primeiro ano do Ensino Médio – uma espécie de vestibular em três etapas, uma a cada ano. Trata-se de um modelo bastante interessante e que permite uma avaliação mais justa, assegurando uma vaga na universidade para os candidatos que tiverem as melhores médias ao final de três anos.

Embora o PAS seja mais um instrumento de avaliação, que permite o acesso à universidade, e talvez o mais justo dos sistemas, particularmente, ainda penso que os modelos de seleção no Brasil estão distantes de serem os melhores. O que mais me incomoda é a pressão sobre meninos e meninas, ainda imaturos, e que faz muitos deles abdicarem de inúmeras práticas que são fundamentais para a formação.

Em cidades de médio e grande portes, espaços tipicamente universitários, as próprias escolas estão se transformando. Muitas delas têm se especializado em transformar adolescentes em máquinas de passar em vestibulares. Esses garotos e garotas, desde os 14 anos de idade, e às vezes até mais cedo, vivem a escola apenas para receberem conteúdos e mais conteúdos… E para serem treinados para os processos de seleção das universidades.

Essa garotada não vive mais nada na escola. E a própria escola se torna um espaço frio, mecânico, que só fala em aprovação.

Me assusta ainda mais o fato de muitos pais embarcarem nessa aventura com seus filhos. Repetem um discurso tolo do tipo “meus filhos só precisam disso”, “o foco agora é se preparar para o vestibular”. Esses pais parecem esquecer que um filho não é apenas um boletim escolar. Tampouco é apenas o domínio de conteúdos de Biologia, Química, Matemática, Português…

O ser humano é muito mais que isso. Somos dotados de habilidades múltiplas, que precisam ser desenvolvidas.

Formação completa precisa assegurar amadurecimento emocional e outras habilidades, como liderança, autonomia, resiliência, empatia…

Ninguém quer ser atendido por um médico sem empatia, que saiba muito sobre doenças, mas não sinta a dor das pessoas…

Ninguém quer um chefe que domine todos cálculos matemáticos, mas não seja uma liderança, um sujeito motivador…

Esses conhecimentos não são assegurados apenas com a aquisição de conteúdos das matérias tradicionais, muito menos de fórmulas e macetes para responder as questões das provas.

Pois é, amigos… Os pais precisam definir que tipo de formação desejam para os filhos. Apostar tudo apenas na preparação para garantir uma vaga na universidade é optar por um modelo reducionista e limitador das potencialidades de seus filhos.

Proposta original do PAS foi corrompida e o processo virou produto do mercado de ensino

Meu filho me entregou hoje um pequeno panfleto de um novo cursinho. Uma escola está abrindo turmas visando a preparação para o PAS-Processo de Avaliação Seriada da UEM. A proposta é oferecer aulas de Biologia, Física, Matemática, Química, Artes… e por aí vai.

Cá com meus botões, lembrei de um recente papo sobre o assunto. O PAS surgiu como alternativa ao vestibular; uma forma diferente de avaliar o aluno garantindo, ao final do processo, uma vaga na universidade para aqueles que tiverem o melhor desempenho ao longo de três etapas (três anos).

A ideia o tempo todo foi a valorização das escolas, do ensino médio e, principalmente, a promoção de mudanças na grade curricular dos colégios visando torná-la mais atual e em sintonia com as próprias exigências da universidade.

Entretanto, o que era uma excelente proposta se tornou mais um produto do mercado de ensino. Escolas criaram horários alternativos de aulas e vários cursinhos aproveitaram a oportunidade para ampliar o número de alunos com a oferta um novo serviço.

Diriam por aí: o mercado se adequou. Ou, foi a resposta do mercado ao PAS.

Concordo.

Entretanto, mais uma vez o aluno da escola pública será penalizado. Instituições privadas conseguem garantir aulas extras. E fazem isso inclusive como estratégia de marketing numa perspectiva dupla. Primeiro, ofertam o ensino médio com a promessa de preparação específica para o PAS; segundo, quando os resultados de aprovação começarem a surgir, não vão perder um único minuto e divulgarão quantos alunos conseguiram “colocar” na universidade.

O aluno da escola pública também tem dificuldade para pagar um cursinho. Ainda mais, um cursinho de três anos – uma espécie de reforço do ensino médio.

Como disse, não condeno a mercantilização do PAS feita por cursinhos e instituições privadas. Entretanto, penso que a UEM e as universidades públicas precisam pensar uma outra forma de selecionar seus alunos. Se há uma proposta social no ensino público em nível superior, deve-se propor algo do tipo: garantir um número “x” de vagas para cada escola. Ainda que na modalidade seriada, mas sustentando apenas uma disputa interna. Seriam os melhores alunos, mas por instituição. Gente boa ficaria de fora? Sim, mas quem não tem condições de buscar uma escola melhor não seria duplamente punido.

Reconheço que não existe fórmula ideal. No entanto, penso que o modelo precisa ser democrático, mas também fazer justiça social.

Fim do vestibular pode estar próximo…

Já disse aqui que sou favorável ao fim do vestibular… Por isso, entendo como ótimo a notícia de que 35 das 55 universidades federais já disseram apoiar o novo Enem, que vai eliminar o modelo tradicional de seleção nas instituições federais.

O novo sistema tornará o sistema muito parecido com o americano. Os alunos farão uma prova. Com o desempenho obtido, poderão escolher em qual universidade pretendem estudar.

Fim do vestibular…

É isso que propôs, ontem, o Ministério da Educação aos reitores de universidades federais. A ideia é substituir o vestibular por um novo Enem.

Esse sistema seria muito semelhante ao processo seletivo das universidades dos Estados Unidos.

Na prática, a intenção é permitir que o estudante faça um prova com validade nacional, em qualquer estado. Feita a prova, poderá escolher a instituição e o curso. De posse do número de pontos obtidos pelo aluno, a instituição avalia se reúne as condições para ingressar na instituição.

Os reitores ainda não “compraram” a proposta. Mas, cá com meus botões, acho o novo modelo muito superior ao nosso vestibular. Entendo que o nosso processo seletivo não é justo – além de ser pouco coerente com o conteúdo aprendido pelo estudante ao longo da vida escolar.

Por isso, torço muito para que a proposta ganhe força junto aos reitores e, aos poucos, torne-se uma realidade no Brasil. Já passou da hora de abandonarmos o vestibular tradicional. O país merece um novo sistema de seleção para o ensino superior.

Festas no vestibular são manifestação cultural?

A prefeitura de Maringá, polícia, entidades e outros órgãos públicos prepararam uma força tarefa para combater o barulho nas proximidades da Universidade Estadual de Maringá durante o vestibular. Entretanto, vários estudantes não gostaram da iniciativa, já que a polícia reprimir os abusos.

Ontem, em entrevista ao repórter Everton Barbosa, o presidente do DCE falou tantas bobagens que me motivou a tecer alguns comentários. O coordenador do Diretório dos Estudantes chegou a dizer que as festas não podem ser reprimidas por serem uma manifestação cultural dos jovens. Ele também reclamou do poder público, alegou que os estudantes precisam de um espaço para realizar essas festas e sustentou que deveriam ser construídas moradias para abrigar os universitários de outras cidades.

Em meu comentário na CBN, entre outras coisas, ressaltei que alegar que as festas são uma forma de manifestação cultural revela o quanto está comprometida a formação de alguns de nossos universitários. Baderna, algazarra, bebedeira nunca foram expressão cultural. Só se cultura for uma outra coisa para esses jovens e a gente é que ainda não está sabendo…

Mas se a barulheira que promovem, depois das dez horas da noite, for manifestação cultural, realmente as pessoas de bem que moram nas proximidades da UEM precisam deixar aquele local. As famílias que hoje estão incomodadas com o barulho não podem conviver com esse tipo de manifestação, como eles dizem, cultural.

Os jovens também não querem a presença da polícia. Acontece que a polícia é a representação do poder público. É representante da sociedade que reclama o direito de descansar depois das dez da noite. Será que a gente é que está errado e os jovens é que estão certo? Será que o direito dos estudantes fazerem festa é maior que o direito das pessoas terem paz e tranqüilidade?

Convenhamos, afirmar que o poder público tem que providenciar um local para esses jovens se manifestarem é deixar de pensar na coletividade. O pedido de moradias para estudantes é outra bobagem sem tamanho. O Estado não tem o dever de oferecer moradias para universitários. O Estado já tem oferecido gratuitamente uma formação de primeira qualidade para esses jovens que, ao que parece, não sabem aproveitar o benefício concedido.