A morte da esperança

A esperança é um estado emocional que, de certo modo, assegura conforto em relação ao futuro. A esperança nos faz acreditar que tudo vai dar certo.

Essa forma de se relacionar com o mundo é positiva.

Entretanto, a esperança tem nos escapado. As novas gerações são gerações sem esperança. E mesmo entre nós, adultos, a esperança está enfraquecendo.

Na prática, o mundo que estamos construindo, nossas atitudes diante do planeta e da vida são responsáveis pela morte da esperança.

Quando nossos meninos e meninas olham para nós, adultos, não conseguem vislumbrar nada que alimente a esperança de vida deles.

Nosso próprio discurso a respeito do investimento no futuro se resume a insistir para que façam tudo que estiver ao alcance a fim de serem bem-sucedidos. E o que seria ser bem-sucedido? Ter uma profissão respeitada, um bom salário e reunir as condições necessárias para comprar tudo que for possível comprar.

As novas gerações olham para nós e percebem o quanto isso é pobre. As pessoas vivem cansadas, doentes, física e emocionalmente, possuem relacionamentos frágeis… Uma vida medíocre em nome do que é idealizado como vida desejável.

Por outro lado, a violência cresce, o individualismo egoísta torna a todos inimigos… E, pior, a nossa casa, o planeta, está sendo destruído.

A política é mesquinha, não está e nunca esteve a serviço de todos.

Como ter esperança? Não dá para ter esperança.

E sem esperança, muitos dos meninos e meninas não enxergam sentido na vida. Por isso, não há prazer em viver e o próprio desejo de morrer faz parte dos pensamentos de muitos deles.

A falta de esperança dessas novas gerações pode ser, porém, a nossa salvação.

A esperança que alivia as dores também anestesia as ações. Ficamos esperando uma espécie de milagre… Algo que possa dar um sentido às coisas e até salve nosso planeta.

Sem esperança, talvez nossos meninos e meninas, os mais resistentes, sejam objetivos, virem o jogo e criem formas mais honestas de viver, de se relacionar com o dinheiro e até de explorar o planeta.

O que se ganha em ser agressivo nas redes sociais?

​Publiquei na última segunda-feira um post com uma música de Chico Buarque. Semanalmente, destaco um artista e uma canção naquele espaço. Faço isso há uns 10 anos por aqui.

Na segunda, destaquei Chico pela grandiosidade de sua obra. Chico Buarque tem sido injustiçado por parcela da população brasileira. Em função dos posicionamentos políticos dele, muita gente tem atacado esse artista genial.

Após publicar o texto com a música, o primeiro comentário que recebi foi justamente para agredir verbalmente Chico Buarque. O leitor não falou da música, não tratou da arte… Só xingou.

Ao ver o comentário, fiquei pensando: o que motiva uma pessoa a sentir tanta raiva de um artista para gastar tempo em parar diante de um post numa rede social a fim de atacá-lo? Detalhe, provavelmente, Chico Buarque nunca vai ler meu post e tampouco o xingamento.

Tem algo de doentio nesse comportamento. Não há justificativa racional para alguém dedicar tempo para atacar pessoas nas redes. E aqui nem se trata do Chico. Falo desse comportamento nocivo adotado por muitas pessoas.

Basta circular nas redes para ver pessoas investindo parte do tempo delas em atacar artistas, músicos, políticos, jornalistas, blogueiros… Apenas por não concordarem com eles. E são ataques ao ser humano; não às ideias. Fico com a impressão que, se pudessem apedrejar literalmente, apedrejariam.

Quando vejo isso, penso na energia emocional que se gasta em tirar um tempo do dia para algo tão vazio. A agressão é despropositada; é passional, rebaixa quem agride; desqualifica mais o agressor do que o agredido. Também faz mal para a alma. Atrai negatividade, produz hormônios ruins para o corpo. E, além disso, é um péssimo uso do tempo.

Enfim, se você já fez isso em algum momento, pense primeiro em você. O que se ganha em atacar pessoas na rede? Sejam elas do seu círculo de amizade ou celebridades da rede?

Vamos dedicar tempo para as coisas que nos fazem crescer como pessoas, que nos tornam profissionais melhores, parceiros melhores… Vamos investir tempo no autoconhecimento!

Meu convite é simples… Que a gente alimente coisas boas, menos rancor, ódio… Que a gente use bem o tempo. Afinal, nada é mais precioso que o tempo. Se um post ou um personagem nos incomoda, nos dá raiva, basta deixar de segui-lo. Ou, basta ignorar.

A vida é mais feliz quando a gente vive de maneira mais leve.

O futuro não pode nos impedir de viver o presente

​Muitas de nossas ações são motivadas pela preocupação com o futuro.

Por que fazemos poupança? Por que pagamos a previdência? Por que procuramos ter um plano de saúde?

E o que dizer dos estudos? Investimentos numa faculdade, pós-graduação…?

Todas essas ações empreendidas hoje são desenvolvidas como investimentos no futuro. Um futuro que desconhecemos e que ainda não nos pertence.

Esses investimentos no futuro são fundamentais. Se não estudarmos, como seremos competitivos no mercado de trabalho? Se não tivermos uma poupança, o que faremos caso enfrentemos um revés financeiro?

Ou seja, embora sejam atividades que realizamos hoje voltadas para um futuro que ainda não existe, elas permitem que o nosso amanhã seja mais seguro.

Mas existe um problema: nossas preocupações com o futuro não podem afetar nosso presente a ponto abdicarmos da vida.

O que isso quer dizer? Algo muito simples. Muitos de nós, preocupados demais com o amanhã, sacrificam o hoje.

São pessoas que abrem mão de estar com a família, de ver os filhos crescerem, de estar com a esposa… São pessoas que passam meses e até anos sem visitar os pais, não encontram tempo para dar um caminhada no parque, não estão presentes em datas especiais..

A vida presente é esvaziada num jogo ilusório em que o futuro parece garantido. Um jogo que engana, pois enquanto a imagem de um futuro grandioso se projeta diante dos olhos, a prática diária constrói solidão, relacionamentos frágeis, abandono, perda dos laços familiares, filhos desapegados dos pais, falta de boa saúde física, saúde emocional comprometida por estresse, ansiedade, depressão.

Portanto, não seja uma pessoa obcecada pelo futuro; invista nele, mas não deixe que as preocupações com o futuro te arrastem e consumam sua vida.

É fácil fazer o que se gosta

A gente se empolga em fazer coisas que gosta. Você adora jogar futebol e aí alguém te convida pra uma partida com uma galera bacana… É fácil dizer “tô dentro!!”.

Você curte festas e sua melhor amiga te chama para a festa do ano… Impossível dizer “não”. O coração acelera diante do convite e você já pensa até na roupa que vai usar.

Mas nossas emoções são bem diferentes diante de obrigações, de tarefas que precisamos desenvolver em nossas rotinas.

E eu tenho a impressão que aquilo que precisamos fazer, geralmente, está bem longe da lista das coisas que nos agradam.

Por que o trabalho se torna uma batalha diária? Por que os estudos são sempre desgastantes? Por que atender um pedido de favor de amigo ou mesmo do marido, da esposa, pode ser tão custoso?

Simples, porque provavelmente é algo que não nos agrada.

E como a gente lida com essas coisas chatas?

Frequentemente, leio ou vejo pessoas dizendo: “Se você não gosta do que faz, caia fora; encontre outra coisa pra fazer”.

Num mundo movido por uma ideia distorcida de felicidade, esse tipo de argumento parece fazer todo sentido.

Porém, as coisas não funcionam assim. Nem sempre fazemos todas as coisas que gostamos e, com muita frequência, não podemos simplesmente abrir mão delas.

Alguns trabalhos são muito chatos – ou se tornam irritantes. Mas não dá pra virar as costas e procurar outra coisa quando você tem contas pra pagar ou o mercado está difícil, sem ofertas disponíveis.

E essa é só uma das barreiras que a gente enfrenta.

Na vida privada, você não abandona o parceiro por que ele começou a perder cabelos ou ela ganhou uma barriguinha depois que teve filho.

Na prática, o que a gente precisa compreender é que nunca faremos apenas coisas que gostamos e nem teremos o mundo sorrindo pra nós o tempo todo.

Seremos responsáveis por tarefas desagradáveis. Outras tantas vezes vamos encarar gente que não merece nossa atenção e ainda assim teremos que sorrir para elas. Também faremos favores que não nos alegram e estaremos ao lado de pessoas em situações que aborrecem.

Que dor você prefere suportar?

Quando vi esta pergunta pela primeira vez, meus pensamentos aceleraram. Eu falo de sofrimento com muita frequência aqui no blog. Jesus Cristo, há dois mil anos, também disse que no mundo teríamos aflições. Ou seja, sofreríamos. Mas poucas vezes tinha parado pra pensar que toda e qualquer escolha que fizermos será uma opção por viver algum tipo de dor.

Ninguém quer sofrer. E geralmente nossas escolhas são motivadas por expectativas de alegria, felicidade. A gente escolhe algo em função do que aquilo poderá nos proporcionar de bom. A gente nunca escolhe pensando nas dores que teremos que suportar. Acontece que nada que fizermos será sem dor.

Se você quiser casar, vai sofrer as dores de dividir a vida e sua rotina com alguém. Se quiser ficar solteiro, vai sofrer as dores de não ter com compromisso com outra pessoa.

Se quiser ter um filho, vai deixar de fazer passeios, vai ter menos dinheiro, vai doer quando ele estiver doente e ainda mais quando responder pra você. Mas, se não tiver, nunca saberá o que é sentir seu filho se aconchegando em seu colo.

Se escolher cursar uma faculdade, vai ter que aguentar as dores das noites sem dormir dedicadas aos estudos, nas aulas massantes, dos professores injustos… Se escolher não estudar, vai encarar as dores de ser visto como alguém acomodado, terá mais dificuldades no mercado profissional…

Para cada escolha, há inúmeras dores. E se quisermos evitá-las, nunca teremos uma vida plena; nunca concluiremos um único projeto. Nossa trajetória será marcada por desistências, fracassos e pela ausência de realizações que sejam motivos de orgulho.

Toda escolha poderá nos oferecer momentos de alegria e felicidade. Mas, para aproveitarmos as coisas boas das escolhas que fizermos, precisamos aprender a suportar as dores que farão parte do percurso de nossa caminhada.

O segredo da vida está em resolver problemas

A ideia de felicidade é uma das grandes bobagens da contemporaneidade. É uma ilusão que move milhões e milhões de pessoas apenas para se frustrarem e, pior, sentirem-se fracassadas.

Porque quando a gente descobre que não consegue ser feliz, a gente se sente o pior dos seres humanos.

Você abre o Instagram e vê ali todo mundo sorrindo, passeando, viajando… Você olha e diz: “cara, que droga de vida a minha”.

O problema é que a gente sabe, e só não quer acreditar, que aquilo que se publica no Instagram e noutras redes sociais é apenas uma projeção – uma imagem idealizada do melhor de si.

Entretanto, a imagem vende. Vende uma ideia. Vende um desejo.

E a gente chega a se iludir achando que todo mundo está bem e só a gente está numa pior.

Acontece que a vida real é bem difícil. As dores são mais frequentes que poderíamos imaginar. E não há fase na vida em que não estejam presentes.

Na verdade, um problema resolvido só significa uma coisa: o início de um novo problema. Sim, porque ele virá.

O escritor Mark Manson tem uma frase que eu acho demais. Diz ele que “​o segredo está em resolver problemas, e não em não ter problemas”.

Enquanto a gente não entender que todos os dias teremos problemas pra resolver, seremos infelizes. Não vamos conseguir nos alegrar com os momentos da vida que poderiam ser alegradores.

E esta é a chave do sucesso de quem tem uma boa vida: ter compreendido que a vida tem problemas – muitos, por sinal. E o que nos diferencia é justamente a forma como lidamos com os problemas: passamos a vida achando que somos as únicas vítimas ou enfrentamos as dificuldades e tentamos superá-las para, daqui a pouco, começar tudo de novo.

Há situações que gostaríamos de evitar…

A gente vai levando, empurrando… Deixa pra amanhã… Amanhã, tenta deixar pra depois… Enquanto faz isso, segue ansioso(a) pois sabe que não terá como fugir. Em algum momento vai ter que encarar.

Quando isso acontece, o melhor a fazer é enfrentar de vez o problema. Se der para resolver bem, de maneira satisfatória, perfeito. Maravilha!!

Mas mesmo que a situação não termine de maneira favorável, que machuque um bocado, ainda assim, tá valendo… Afinal, você já enfrentou o mais difícil e poderá seguir em frente.

Viver sem receitas…

No mundo do trabalho, na escola, na vida… A gente gosta de receita. Receita. Como fazer?!

E, de fato, quando temos receitas, elas facilitam demais. Afinal, já foram testadas. É só pegar o que outra pessoa fez e aplicar. É fácil.

Na cozinha, tem gente que não tira uma panela do lugar sem a indicação do tipo de panela que deverá ser usada. Acho legal esse rigor.

Mas eu não dou conta disso.

Em tudo que faço, tento dar a minha cara. Pode ser num bolo de cenoura ou na apresentação de um conteúdo em sala de aula para meus alunos.

É fato que consulto as “receitas”. Procuro ver como outras pessoas fazem ou fizeram, mas me atrevo a dar meu toque pessoal.

Dá certo sempre? Não.

Na cozinha, às vezes, o bolo não cresce… No trabalho, às vezes não se é compreendido ou há confrontos por gostos, preferências, rotinas.

Entretanto, viver sem ser refém das receitas permite certa autonomia no pensar. Ajuda no desenvolvimento da criatividade.

E sabe o que é melhor? A gente consegue dar conta de resolver problemas naquelas horas em que algo diferente acontece e ninguém tem uma explicação pronta sobre como resolver.

E como a vida sempre nos traz situações inesperadas, vale a pena ousar viver sem seguir receitas.

Quando a “casa cai”, é possível manter-se calmo e ver alternativas onde ninguém parece ver.