Do caderno da vida, nada se apaga

É provável que quase todo mundo tenha alguma história passada que gostaria de apagar. Talvez seja um episódio bobo, tipo um “mico” que constrangeu muito. Mas pode ser uma experiência dolorosa ou mesmo um erro que gostaria de não ter cometido.

Eu costumo dizer que o passado é passado. A gente aceita, perdoa a si mesmo e segue em frente. O máximo que dá pra fazer é evitar viver situações semelhantes. Ou seja, aprende com o erro e tenta não fazer as mesmas bobagens.

Ainda assim, às vezes a gente olha para o retrovisor e observa que aquela curva na estrada foi uma das piores coisas que aconteceu. E você não gostaria que estivesse ali, não gostaria que fizesse parte de sua história. Se tivesse uma oportunidade de apagar aquele momento de sua vida, apagaria.

Sempre gostei de pensar nas páginas de um caderno como uma espécie de metáfora da vida. A cada dia temos a chance de escrever nossa história. Porém, dias atrás, enquanto apagava anotações que estavam num caderno e arrancava algumas de suas páginas, observei o quanto o caderno falha como metáfora da vida. Do caderno, posso apagar textos escritos. E até eliminar algumas páginas. Da vida, não tem como apagar, não tem como eliminar nada.

Sabe, não adianta nos culparmos pelas falhas que cometemos em momentos que achávamos que aquelas eram as melhores escolhas. As escolhas foram feitas com base em expectativas e desejos de um outro momento. Nosso conhecimento era outro. E foram justamente os erros que nos ajudaram a repensar, a rever… Então, por mais que erros marquem nossa existência, não há mais nada a fazer. Só seguir em frente.

Por outro lado, justamente pela impossibilidade de apagar as páginas que escrevemos de nossa vida, é fundamental viver com sabedoria. As escolhas precipitadas, as escolhas mais ousadas, aquelas que contrariam os conselhos de pessoas mais experientes… Essas escolhas têm sempre maior chance de afetar negativamente nossa vida. Para evitar essas dores, vale sempre ouvir mais, refletir mais, esperar mais. Afinal, do caderno da vida, nada se apaga, nenhuma página se elimina.

Para quê viver 90 anos?

A expectativa de vida vai chegar a 90 anos para mulheres de alguns países. Acredita-se que isso vai acontecer até 2030. Países como Coreia do Sul, França e Espanha vão estar nessa situação.

Essa parece ser uma excelente notícia. Afinal, as pessoas estão vivendo mais. Incrível, né? Eu sonho viver 120 anos, então acho o máximo a informação desse estudo.

Mas, sejamos sinceros, viver tanto pra quê? Vejam só como temos vivido. Vivemos dias vazios. Vivemos para o trabalho e reféns de uma lógica que rouba o melhor de nós. Quase todo o nosso tempo é dedicado a correr atrás do dinheiro. E o dinheiro corre de nós. Quando olhamos para a vida que levamos, notamos o quanto tem sido vazia, chata, sem graça, sem sentido.

Então para quê viver 80, 90 ou 120 anos?

A vida que vale a pena é a vida que é plenamente vivida. Vida que experimentamos em sua essência. Vida com amor, com graça, leveza e pelo menos um pouco de liberdade. Vida que serve aos outros. Vida que faz rir, que faz chorar… Mas vida que se sente. Vida em que felicidade não é apenas uma expectativa de um por vir que parece nunca chegar.

Os problemas não marcam hora para chegar

sofrer

Não temos controle de tudo. É fato que muitos dos nossos problemas somos nós que causamos. Porém, a maioria vem sem hora marcada e sem termos feito absolutamente nada para que aparecessem.

Essa é a vida. Não tem como fugir disso.

A gente pode chorar, espernear, reclamar. Entretanto, só nos resta aceitar. Há momentos que as coisas desandam.

O problema pode ser no relacionamento, pode ser com um filho, pode ser no trabalho, pode ser com a saúde… Não importa. As coisas dão errado, machucam a gente, roubam até mesmo o sentido da vida.

Eu admito que gostaria de dizer a você que pode ser diferente. Porém, não tem como ser diferente. O sofrimento é inerente à própria existência. Um dos maiores engodos da modernidade foi prometer a felicidade eterna. Acontece que felicidade é saber lidar com os altos e baixos da vida, tendo em mente que nada dura para sempre – nem as lágrimas nem os sorrisos. 

Os desafios nossos de cada dia

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A vida traz bons e maus desafios. Os bons são aqueles que, mesmo sabendo que você vai encarar uma tremenda dificuldade pela frente, vai perder noites de sono, os resultados poderão ser satisfatórios. Os maus são conhecidos e não trazem nenhuma alegria. Mas não dá para fugir deles.

Os “maus desafios” são as grandes perdas da vida. Perder uma mãe, por exemplo, é dolorido demais e impõe desafios pela frente: entre eles o de se organizar para viver sem a pessoa que provavelmente mais te amou. Você sabe que vai ter que encarar a vida com esse enorme vazio. Ainda assim terá que lidar com isso.

Os “bons desafios” são aqueles que, embora não mostrem de imediato quais podem ser as recompensas, sinalizam que podem mudar sua vida.

Esta é uma das situações que estou vivendo. Meses atrás surgiu um convite inesperado para comandar um telejornal regional, na Band de Maringá. Embora me considere um jornalista razoavelmente experiente, nunca havia trabalhado efetivamente em televisão. Para ficar um pouco mais complicado, tratava-se de um projeto completamente novo e que eu deveria formatar do zero. Não vou negar: não foi fácil e ainda não está sendo fácil. Porém, depois de duas semanas no ar, sempre às 7h da manhã, os primeiros resultados começam a aparecer. Impossível não se sentir recompensado.

Nos meus pouco mais de 40 anos, aprendi a gostar dos desafios. Sejam eles quais forem. Quando algo se coloca diante de você, parecendo ser uma grande obstáculo, é necessário se mexer, aprender coisas novas… É simples? Nenhum pouco. É preciso assumir riscos, dedicar tempo, concentrar forças, energias. E, principalmente, se expor. Isso dá medo, é claro. E, não vou negar, muitas vezes, parece mais simples continuar fazendo o que se conhece melhor, principalmente se a novidade impõe riscos – inclusive de perder tudo que já foi construído.

Sabe, situações como essa mostram que a vida é feita de desafios diários. Ninguém tem controle de tudo. Não dá para planejar uma vida inteira. Justamente por isso precisamos lidar com os desafios – bons e ruins – com maturidade e não abrindo mão das oportunidades. O que é novo pra gente pode ensinar muita coisa e até nos proporcionar crescimento.

É claro que diante de algo novo, é preciso agir com sabedoria. É necessário controlar a ansiedade, não ter vergonha de pedir ajuda, de perguntar… Tropeços vão acontecer, haverá momentos em que o desânimo vai tomar conta e a mente será tomada pela vontade de desistir. Ao lado da gente, sempre vão existir pessoas desestimulando, criticando… Porém, nessas horas é fundamental lembrar que os vencedores são aqueles que ousam superar seus próprios limites e não desistem diante das primeiras dificuldades.

Cadê o tempo para responder um amigo?

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Eu ainda me surpreendo com o jeito em que estamos vivendo. Quer dizer, não sei se estamos realmente vivendo. Tenho a impressão que apenas estamos passando os dias, sem dar conta de que a vida vai se esvaindo, escapando por entre os dedos. 

Ainda hoje, enquanto organizava algumas coisas no computador, esbarrei em mensagens de pessoas com as quais me importo. Mensagens que recebi há mais de um ano. Não tinham sido lidas. Obviamente, também não tinham sido respondidas.

Será que tudo está tão corrido a ponto de faltar tempo para responder um amigo? 

Confesso que isso me incomoda. Evidente que considero as coisas que faço bastante importantes, mas é impossível não se questionar: são mais importantes que as pessoas?

Semanas atrás, refletia sobre qual é nosso maior patrimônio nesta vida. Na verdade, esta é uma resposta bem complicada. Depende de cada pessoa. Pelo menos pra mim, certamente não são os bens materiais. Na verdade, não me importo com o modelo de carro, com a TV da sala, com o sofá… Essas coisas não me fazem mais ou menos feliz.

Mas, então, qual é nosso maior patrimônio?

Afinal, quase todo o tempo que temos esgotamos, direta ou indiretamente, na busca de bens materiais. Podemos até achar que não é a nossa prioridade, porém, se trabalhamos demais, trabalhamos por quê? Qual a finalidade? Talvez falte tempo porque estudamos demais. Mas, se estudamos demais, por que fazemos isso?

Tem gente, hoje, que parece ter o prazer como maior patrimônio. Dependendo do que se define por prazer, será que o prazer justifica a existência?

Sabe, eu não tenho respostas. Nem escrevi para dar respostas. Penso, porém, que o momento é oportuno para refletirmos. A cada tic-tac do relógio (que nem usamos mais), o tempo de vida que nos resta se torna menor. O que estamos fazendo dela? Quais são nossas prioridades? Que espaço tem ocupado as pessoas que amamos em nossos dias?