Nossas escolhas afetam outras pessoas

Nem sempre a gente se dá conta do quanto nossas escolhas afetam outras pessoas. Às vezes, em nome dos nossos gostos, dos nossos sonhos, fazemos o que entendemos ser o melhor para nós e ignoramos o efeito de nossas escolhas na vida de gente que amamos.

Não há nada de errado em lutar pelo que queremos. Porém, tenho aprendido que não estamos isolados do mundo. O que fazemos mexe com a vida dos outros.

Significa que, pelos outros, devemos deixar de buscar nossos objetivos? Não. Mas significa sim avaliar, primeiro, quais serão os impactos de nossas escolhas na vida de quem está por perto. Segundo, é preciso analisar se queremos que sofram os efeitos dessas decisões.

Em algumas situações, vale conversar com os possíveis afetados. Falar sobre seus sonhos, a importância deles e pedir o apoio. Noutros casos, talvez não seja possível antecipar, prever. Talvez seja necessário tomar a decisão sozinho/a. Mas ainda assim defendo que haja a consciência dos efeitos e de como é possível amenizá-los para que interfira menos, prejudique menos ou haja algum tipo de compensação. Isso é agir de maneira ética.

Atitudes assim mostram maturidade, amor ao próximo e, principalmente, compreensão de que não estamos sozinhos no mundo. E nossa felicidade não pode ser construída às custas das outras pessoas.

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Desconectar-se após as 18h…

O chefe da Amazon na Índia não quer e-mails de trabalho depois das 18 horas. Ami Agarwal defende que a equipe dele se desconecte… Segundo ele, que as pessoas vivam a vida.

Hoje, é cada vez mais difícil deixar o trabalho no fim da tarde e se desconectar. Com frequência, a gente leva trabalho pra casa. Outras pessoas fazem mais que isso: efetivamente, trabalham no período da noite. Gente como eu… que trabalha por três turnos, diariamente.

É fato que cada pessoa faz o que precisa fazer para sobreviver. Temos contas a pagar. E o modo de vida contemporâneo não se resume apenas à comida na mesa. É bem mais que isso e tudo tem um custo alto.

Porém, a gente não paga contas com dinheiro. A gente paga com minutos, horas, dias, meses da nossa vida. Cada produto que compramos são horas da nossa existência gastas na aquisição daquele bem.

Enquanto isso, a vida passa.

E se é verdade que muita gente precisa trabalhar além das 18 horas para sobreviver, também é verdade que algumas coisas poderiam ser melhor administradas para que pudéssemos ter mais tempo para nós, para fazer coisas que gostamos, para ter lazer… para viver.

Os e-mails de trabalho, as dezenas de recados no whatsapp, os diálogos nas redes sociais… Muito disso, relacionado ao dia a dia da empresa, deveria ficar na empresa.

A ideia do chefe da Amazon deveria servir de parâmetro para todos nós. Deveríamos fazer o nosso melhor, com todo nosso empenho, no tempo em que estamos trabalhando. Porém, fora da empresa, deveríamos nos desconectar.

Isso asseguraria mais qualidade de vida. E certamente muito mais produtividade.

Parece uma ideia revolucionária nos tempos em que vivemos. Entretanto, se a gente quiser ter saúde, e principalmente saúde emocional, desconectar do trabalho deve se tornar uma de nossas prioridades.

O mundo espera por nossas atitudes

Muita gente se limita, se apequena, por receio da avaliação alheia. A pessoa simplesmente deixa de fazer coisas, de agir livremente segundo o seu querer, porque tem medo do que os outros vão pensar dela.

Hoje eu li uma frase bastante interessante:

– Enquanto você olha para o mundo, o mundo está esperando para ver você.

Pois é… A gente fica observando tudo ao nosso redor, fica admirando outras pessoas, comparando-se com elas e isso tudo faz com que, muitas vezes, nos sintamos pequenos, sem importância.

Entretanto, o mundo espera por nossas atitudes. O mundo não gosta dos acanhados, dos envergonhados.

Às vezes me pego observando alguns dos youtubers. Ali estão eles desfilando um monte de asneiras. Chego a sentir vergonha por alguns deles. Acho ridículo o que fazem e, principalmente, o que falam.

Mas sabe de uma coisa? Eles não estão nenhum pouco preocupados com pessoas como eu. E justamente por isso fazem sucesso.

Eu não sei se você está me entendendo… Mas o que estou querendo afirmar é uma única coisa: enquanto você se silencia, se encolhe com receio do que os outros vão dizer sobre você, algumas pessoas estão ousando, se expondo, experimentando. E são justamente essas pessoas que são lembradas. São elas que fazem a diferença e, por vezes, inspiram outras tantas com suas ações e palavras.

Eu tenho aprendido isso. Eu, você… todos nós estamos aqui de passagem. Daqui alguns anos, provavelmente nem sempre lembrados. Somos feitos da mesma matéria e temos todos o mesmo destino. Portanto, por que temer o que os outros vão pensar de nós?

A vida é uma só. Vivamos com liberdade!

Algumas pessoas preferem ter uma vida pequena

Algumas pessoas escolhem ter uma vida pequena. Poderiam ser maiores do que são, fazer muito mais… Porém, optam por uma condição menor.

Não há problema em fazer esse tipo de escolha – desde que seja consciente. Talvez você tenha talento, capacidade, habilidades para ser um profissional de uma grande multinacional, trabalhando em Nova Iorque. Mas escolheu ficar numa cidade do interior, viver perto da família, criar os filhos com tranquilidade. Isso é digno! Afinal, ser bem sucedido não significa ter dinheiro, fama, poder.

Entretanto, algumas pessoas até gostariam de fazer coisas grandes. Mas parecem ter medo de ousar, de tentar, de experimentar…

Na vida, tudo tem um custo. Se eu quero passar no vestibular de Medicina numa instituição pública, tenho que dedicar 12 a 14 horas do meu dia estudando. E estudando um monte de coisas que não fará nenhuma diferença nos meus dias. Estudando matérias pelas quais não tenho a menor simpatia. Terei que encarar aulas com professores de todo tipo, inclusive não vou gostar de muitos deles.

Gente que escolhe ter uma vida pequena é gente que foge dos desconfortos diários, dos enfrentamentos cotidianos. Na escola, será pequeno aquele que escolhe as matérias que vai estudar e aquelas que vai deixar pra depois. Prefere o papo no whatsapp as horas debruçado sobre os livros.

No trabalho, será pequeno aquele que escolhe a alegria do happy hour do que ficar mais horas trabalhando no planejamento dos próximos meses.

No relacionamento, será pequeno aquele que escolhe ter razão do que engolir alguns sapos, silenciar certas palavras e abrir mão de certos desejos pessoais.

Pessoas que preferem ter uma vida pequena não querem o desconforto do suor, das feridas… Não querem sangrar na caminhada.

Sim, volto a afirmar, não há problema em escolher se pequeno. Mas é preciso saber aceitar essa condição, não viver se culpando, entender que a responsabilidade de uma vida pequena é sua e não dos outros.

Gastar bem o tempo…

Um dos meus desafios diários é administrar bem o tempo. Não se trata de uma imposição dos meus diretores. Trata-se de uma cobrança pessoal. O dia tem 24 horas – esteja ou não esteja cheia a minha agenda. Este é o tempo que eu e você temos para cuidar de todas as nossas tarefas.

Em algumas ocasiões, para tentar mapear como gerencio o meu tempo, fiz anotações das atividades que estava desenvolvendo. Tipo, entrei no computador às 8h para escrever um texto para o blog. Escrevi em 20 minutos e outros 30 minutos fiquei navegando nas redes sociais. Tudo isso devidamente anotado.

Ao final do dia, as anotações das diferentes tarefas me permitiam observar quanto tempo estava dedicando a cada atividade e, principalmente, quantos minutos ou horas poderiam ser melhor aproveitados.

Dorie Clark, consultora em estratégia de marketing, num artigo para uma das revistas da Universidade de Harvard, fez observações sobre o que ela descobriu depois de alguns meses mapeando como gastava o tempo dela.

Dorie Clark foi muito mais disciplinada que eu. Eu nunca consegui fazer esse tipo de anotação por mais que uma semana. Também nunca fiz um levantamento preciso observando o tempo médio gasto em que cada coisa. Dorie Clark fez. Observou o tempo gasto diariamente respondendo e-mails, atendendo clientes, almoçando, saindo com amigos, dormindo… E o tempo que ficou nas redes sociais navegando à toa durante o mês.

A disciplina dessa consultora americana é uma lição pra nós. Não apenas sobre a necessidade de ter consciência sobre o uso do tempo, mas principalmente uma indicação de que a gestão do tempo é uma tarefa que cabe a cada um de nós. As 24 horas diárias vão passar de todo jeito, mas o que temos efetivamente feito com elas? Temos aproveitado cada minuto para crescermos como profissionais, como pessoas e nos relacionarmos melhor?

Creio que gastar bem o tempo seja o nosso maior desafio!

As coisas que importam…

As coisas que realmente importam geralmente são aquelas que exigem mais de nós. Brincar com o filho depois de um dia de trabalho requer esforço, renúncia. É mais fácil sentar-se diante da TV ou simplesmente se ocupar de uma tarefa ou outra de casa ou até da empresa.

Na verdade, o exemplo ilustra todas as outras situações que valem a pena ser vividas. Uma caminhada com sua filha no parque ou ficar na cama descansando? Um piquenique com a esposa no parque ou um restaurante fast-food? Dias e dias debruçados sobre os livros ou assistir uma série atrás da outra no Netflix?

Sim, as coisas que mais importam pedem dedicação, tempo, energia. Mas são essas que fazem a diferença na vida, que produzem boas memórias e, com o tempo, saudade.

A vida não se explica

Por vezes tentamos explicar a vida. Mas a vida não é explicável. Só pode ser vivida. E para valer a pena, deve ser vivida com intensidade. Ainda assim, uma intensidade cuidadosa, respeitosa, dentro de limites que nem sempre somos capazes de ter ou estabelecer. Difícil, né? Talvez por isso a melhor maneira de viver é aceitar que cada dia é um dia e vai passar como todos os dias.

O desejo de vingança

Viver é perigoso, dizia Guimarães Rosa. Embora experimentemos muitas coisas boas, emoções indescritíveis, a vida também nos machuca. Machuca pelas perdas… Machuca pelos danos sofridos nas relações.

Não são raras as vezes que somos profundamente magoados por pessoas próximas. Parentes ou não. Amigas e não amigas.

Talvez pela minha personalidade, por não me expor tanto, vivi poucas situações em que fui humilhado, agredido verbalmente… Mas ainda assim esses episódios me deixaram triste, com raiva, ódio. Quando recordo, ainda dói. E já desejei muita coisa ruim para essas pessoas.

A ofensa é tão danosa que, dependendo do impacto causado, gera tantos sentimentos que fica difícil controlá-los. A vontade de vingança é talvez o maior deles.

A pessoa que humilha, agride, ofende, geralmente esquece. Com o tempo, até acha que tudo não passou de uma bobagem. A vítima, não. A vítima sofre com as lembranças. E a vontade de ver o agressor punido é enorme.

Sim, a gente quer que o outro sofra também. Sofra como a gente sofreu. Quem sabe, sofra até mais.

De alguma maneira, queremos que a pessoa talvez possa aprender que não pode fazer o que fez.

E não estamos errados em sentir o que sentimos. O desejo de vingança é legítimo. É humano. A raiva, o ódio… A vontade de ver o outro ferido, chorando como choramos… Esses desejos são naturais.

Mas sabe de uma coisa? Raramente podemos efetivamente nos vingar. E, mesmo quando isso é possível, podemos até nos alegrar em ver a perda do outro, mas ela não repara o dano primeiro que foi causado. A ferida ficará para sempre em nós. Talvez sintamos prazer de saber que o agressor foi “punido”. Porém, as marcas deixadas pela humilhação sofrida sempre estarão conosco. O medo, a insegurança, a desconfiança… O receio de que volte a acontecer.

Então qual o melhor caminho? Perdoar. Perdoar não por causa da outra pessoa; perdoar por nós mesmos. Perdoar para não carregarmos o peso da mágoa, do desejo de vingança e até da culpa por nos apequenarmos em tentar retribuir na mesma medida a agressão sofrida.