Não use a régua do outro para medir o seu sucesso

​Olhar para outras pessoas com admiração e buscar aprender com elas é uma das grandes qualidades de uma pessoa.

Quando temos a capacidade de admirar as outras, demonstramos ter um coração generoso, amável… Um coração livre de inveja.

Se olhamos para essas pessoas e nos dispomos a aprender com elas, a tentar ter algumas das qualidades delas, revelamos estar abertos ao crescimento pessoal, que temos disposição para rever nossas práticas e até mesmo algumas nossas verdades.

Entretanto, quando o olhar para o outro é de comparação… Quando tento medir o meu desenvolvimento, o meu sucesso com a régua alheia, não apenas uso a medida errada; agrido minha autoestima, meu amor próprio.

Se admiro, mas quero ser igual ao outro, ter o que o outro tem… Não admiro; de certo modo, invejo. E isso causa dor, sofrimento.

O outro pode ser motivo de inspiração; nunca de comparação. A vida que possuo, meus desejos, minha história, meus relacionamentos… Tudo que me faz ser quem sou me faz ter um tempo específico para o meu desenvolvimento. Isso quer dizer que cada um de nós tem seu próprio ritmo de aprendizado, tem condições distintas do outro… Condições essas que produzem resultados diferentes.

Algumas pessoas para chegarem ao topo da carreira profissional levaram menos de cinco anos; outras demoram vinte. Isso significa que quem chegou em menos tempo é melhor que a outra? Não. Significa apenas que possuíam histórias e condições distintas que motivaram tempos diferentes para obterem resultados semelhantes.

Portanto, fica a dica: não use a régua do outro para medir seu próprio desenvolvimento. Cada um de nós é único. Entender isso é respeitar a si mesmo.

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O futuro não pode nos impedir de viver o presente

​Muitas de nossas ações são motivadas pela preocupação com o futuro.

Por que fazemos poupança? Por que pagamos a previdência? Por que procuramos ter um plano de saúde?

E o que dizer dos estudos? Investimentos numa faculdade, pós-graduação…?

Todas essas ações empreendidas hoje são desenvolvidas como investimentos no futuro. Um futuro que desconhecemos e que ainda não nos pertence.

Esses investimentos no futuro são fundamentais. Se não estudarmos, como seremos competitivos no mercado de trabalho? Se não tivermos uma poupança, o que faremos caso enfrentemos um revés financeiro?

Ou seja, embora sejam atividades que realizamos hoje voltadas para um futuro que ainda não existe, elas permitem que o nosso amanhã seja mais seguro.

Mas existe um problema: nossas preocupações com o futuro não podem afetar nosso presente a ponto abdicarmos da vida.

O que isso quer dizer? Algo muito simples. Muitos de nós, preocupados demais com o amanhã, sacrificam o hoje.

São pessoas que abrem mão de estar com a família, de ver os filhos crescerem, de estar com a esposa… São pessoas que passam meses e até anos sem visitar os pais, não encontram tempo para dar um caminhada no parque, não estão presentes em datas especiais..

A vida presente é esvaziada num jogo ilusório em que o futuro parece garantido. Um jogo que engana, pois enquanto a imagem de um futuro grandioso se projeta diante dos olhos, a prática diária constrói solidão, relacionamentos frágeis, abandono, perda dos laços familiares, filhos desapegados dos pais, falta de boa saúde física, saúde emocional comprometida por estresse, ansiedade, depressão.

Portanto, não seja uma pessoa obcecada pelo futuro; invista nele, mas não deixe que as preocupações com o futuro te arrastem e consumam sua vida.

Só é feliz quem aceita a dor como parte da existência

​Ninguém é feliz sem aceitar o sofrimento como parte normal da existência. Embora nenhuma pessoa queira passar por momentos de dor, só não sofre quem nunca viveu.

A ideia de felicidade que permeia o imaginário social é de que quem é feliz está bem o tempo todo. E esse estar bem é viver sem dor.

Alimenta-se a ilusão de que, na condição de felicidade, maximizam-se a alegria e o prazer e minimizam-se a dor, o sofrimento, as lágrimas.

De certo modo, acredita-se que uma pessoa feliz sofre menos ou que a dor dela é menos intensa, é mais rápida.

Na verdade, quem é feliz possui a serenidade necessária para suportar os momentos difíceis. Esta é a grande diferença.

Vivemos num tempo em que chorar parece inaceitável. Fracassos são vistos de forma negativa e até silenciados. Cultuamos o sucesso, a vitória. Os momentos mais difíceis são colocados à margem da nossa história. Tentamos fingir que não existiram. É imperativo parecer que está tudo bem.

Essas ideias distorcidas a respeito da vida colocam um peso muito grande sobre nós. Fazem com que vivamos uma vida de fachada. E o que é pior: ao não aceitarmos a dor como parte da existência, nunca nos sentimos satisfeitos com a vida.

Ao fazermos isso, esquecemos que, mesmo aqueles que conquistaram sucesso, dinheiro, foram inovadores, conviveram com o sofrimento – basta lembrar do gênio bilionário Steve Jobs.

Portanto, minha dica de hoje: aceite a dor como parte da vida. Feliz não é quem não sofre; feliz é quem compreende a condição humana e se alegra com cada pequena conquista ou momento de prazer, pois sabe que chorar também é parte da vida.

Nas grandes perdas, surgem oportunidades de mudança

​Muitas vezes as coisas têm que dar errado para que certas falhas sejam notadas, a rota corrigida e uma grande mudança possa acontecer na vida da gente.

Todos os erros e fracassos são nossos professores – isto, se estivermos dispostos a ser humildes e aprender.

Não é simples compreender essa ideia quando estamos vivendo momentos difíceis. Porém, trata-se de uma das grandes verdades que norteiam a existência.

Se as coisas funcionam razoavelmente, quase sempre não fazemos os ajustes necessários. Vamos levando… Geralmente, nos damos por satisfeitos pelo simples fato de temermos alterar a rota.

A expectativa de mudança causa ansiedade e medo.

Por isso, quando algo dá muito errado – e isso pode ser a perda de uma pessoa que amamos, uma demissão ou, quem sabe, a falência da empresa -, somos obrigados a recomeçar.

De certo modo, perdemos as referências, o chão que nos dava segurança e temos que começar do zero.

Se tivermos a humildade de compreender que aquele péssimo momento pode nos ensinar coisas novas, temos a chance de nos reconstruirmos. Isso vale até mesmo para um país que, por alguma razão, pode ter escolhido um projeto político ruim ou algo parecido.

O que precisamos ter é humildade para aprender. E, principalmente, para percebermos que um fracasso não sugere que devemos adotar soluções antigas, mas sim buscarmos novas alternativas. Afinal, a vida é um caminho para frente. Não se anda para trás.

Tenha tempo para descansar

​A defesa de uma vida ativa esconde um grave problema: a ausência do descanso. Sem tempo para descansar, não temos tempo para contemplar, tampouco para criar.

Vivemos um tempo em que é imperativo manter-se ativo. Já não se tratam de oito ou nove horas de trabalho por dia. É necessário ocupar-se o tempo todo. O ócio parece ser um pecado.

Mesmo quando paramos por alguns minutos, o smartphone está sempre nas mãos. Ocupamos nossos olhos e nossas mentes respondendo mensagens, vendo as publicações dos amigos, fazendo comentários, interagindo em grupos de whatsapp.

O problema é que um cérebro ocupado não descansa. Um cérebro que não descansa impede que o corpo descanse. A saúde mental é comprometida. A saúde física é fragilizada.

E o que é pior: deixamos de ver o mundo.

O tempo para não fazer nada, para sentar-se e simplesmente se deixar levar pelos pensamentos, é precioso.

São nesses momentos que reparamos nas coisas que estão em nossa volta. São nessas ocasiões que a nossa mente organiza determinadas ideias e até encontramos solução para certos problemas.

Portanto, minha dica de hoje: ainda que todo mundo defenda a ideia de uma vida sempre ativa, permite-se dar um tempo diariamente a você. Descansar o corpo e a mente, não apenas nas horas de sono, é um grande remédio para a alma.

Três lições da Amazon para nossa vida

A Amazon é hoje uma das companhias mais poderosas do planeta. Jeff Bezos, seu criador, se tornou o homem mais rico do planeta. Uma das coisas que chama minha atenção nesta empresa é a filosofia que a norteia. Bezos é um homem que enxerga para além das aparências e obviedades. E, o mais importante, não se referencia nos concorrentes. Ele tem um propósito e não se deixa influenciar pelo que as demais empresas estão fazendo.

Após ler uma entrevista de Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, fiquei pensando nas nossas práticas pessoais e também no modelo de gestão de muitos negócios aqui no Brasil.

Segundo Szapiro, “uma empresa que olha muito para o concorrente pode cair no erro de sempre estar melhorando um serviço que já existia, em vez de pensar em algo novo”. Ele também afirma que um sentimento norteia todas as pessoas que trabalham na companhia: elas vivem como se todo dia fosse o primeiro. Por fim, ressalta que trabalham o tempo todo com a perspectiva de que é possível melhorar a convivência, as ofertas e o catálogo da empresa. Para isso, estão sempre de olho nos próprios números da empresa e nos indicadores oferecidos pelos clientes; o olhar nunca é para o que a concorrência está fazendo.

Essa filosofia implementada por Jeff Bezos nos ensina muitas coisas – tanto para a vida pessoal quanto para os negócios. A primeira lição é a de que se olharmos demais o que as outras pessoas estão fazendo, perderemos a oportunidade de fazer as coisas que acreditamos que deveriam ser feitas. Faremos comparações e perderemos a chance de sermos autênticos. Às vezes, temos uma excelente ideia, mas, norteados pelo que os outros fazem, achamos nossa ideia idiota e a engavetamos. Abrimos mão de fazer algo novo, diferente, original.

A segunda lição vem desse sentimento de viver todo dia como se fosse o primeiro. Isso seria fantástico na vida de todos nós. Começaríamos o dia abertos para experimentar cada momento como único, sem o ranço das experiências já vividas, sem os vícios do passado, sem ficar repetindo “ah… já vi isso”, “ah… já fiz e não deu certo”… Viver todo dia como se fosse o primeiro faz com que experimentemos a alegria da existência; faz com que estejamos dispostos a aprender, a observar tudo de novo, nos mantêm alertas para os novos movimentos da própria vida.

A terceira lição que podemos aprender é de que sempre há espaço para melhorar. Isso não significa viver ansiosos, nem insatisfeitos ou frustrados. Significa celebrar tudo que a gente faz de bacana, mas entender que aquilo pode ser aperfeiçoado. É como um atacante de futebol após ser o artilheiro do campeonato: ele comemora, curte muito, mas avalia cada jogo e sabe que talvez haja espaço para ser ainda mais participativo na equipe, para marcar mais gols, para se tornar um atleta ainda melhor. Não há frustração, sofrimento, apenas o sentimento de que “eu posso fazer mais, ser ainda melhor”. E esse sentimento não é referenciado pelo que os outros estão fazendo, mas pelo que eu sou capaz de fazer.

Lições preciosas, não é? Acredito que a filosofia da Amazon explica muito do sucesso da companhia. Essa forma de pensar me encanta. Afinal, também acredito que não devemos referenciar nossas ações pelo que as outras pessoas fazem, devemos viver cada dia intensamento, como se fosse o primeiro e, por fim, sempre há espaço para fazermos melhor, sermos melhor.

Não podemos perder nossos valores

Nas relações de trabalho ou nas relações pessoais, não podemos perder nossos valores.

O que são os valores? Considero como as nossas grandes verdades, aquelas que balizam, referenciam nossas ações.

Os valores nos identificam. Fazem parte de nossa identidade.

Quando nossos valores são confrontados, é preciso ser fiel ao que consideramos essencial – ainda que paguemos um preço por isso.

Entendo que todos devemos estar abertos para nos questionarmos, para refletirmos a respeito de nossas práticas e até colocarmos em xeque algumas de nossas crenças.

Mas existe uma distância entre a abertura para o questionamento e a relativização constante dos valores.

A abertura para o questionamento é necessária para nosso desenvolvimento. Permite que avancemos! Ajuda a nos atualizarmos, nos capacita para viver bem o tempo presente.

a fidelidade aos valores é o que assegura nossa coerência. Se notamos que algo que considerávamos relevante não é tão relevante assim, abandonamos e assumimos outro referencial de conduta. Porém, isso não significa mudar de postura diante das primeiras pressões.

Gente que não é fiel aos seus valores é gente que se corrompe facilmente, que não tem direção, não sabe onde quer chegar… Ou seja, é gente que não tem credibilidade, porque hoje age de uma maneira e amanhã de outra.

Os valores referenciam nossas atitudes em qualquer circunstância – seja dentro de casa, na empresa, na escola, na igreja… Se estamos com as contas em dia ou com problemas financeiros.

Os valores são o conjunto de crenças que revela quem, de fato, somos. Permitem que sejamos notados como gente que sabe o quer, que tem posicionamento e não é influenciado por modismos nem por cara feia!

É preciso saber escolher…

Para viver, é necessário abrir mão de algumas coisas. Não conseguimos fazer tudo que gostaríamos, ter tudo que desejamos e nem nos relacionar com todas as pessoas que admiramos.

Não iremos ler todos os livros que sonhamos, assistir todos os filmes e séries que estão e estarão na nossa lista.

É preciso escolher. É preciso SABER escolher.

Escolher quem estará conosco e o que faremos a cada dia, abrindo mão da ansiedade de tentar alcançar tudo e todos, pois isso nunca será possível.