Precisamos seguir os bons exemplos…

Steve Jobs, criador da Apple, segue como referência para muita gente. Considerado um dos homens mais inovadores da virada do século 20 para o 21, a vida de Jobs, seus hábitos e referências têm sido estudados a fim de inspirar outras pessoas.

Isto é altamente positivo. Não apenas por ser Steve Jobs essa referência para milhares de jovens e adultos. Mas por que carecemos de boas fontes de inspiração.

O próprio empresário ensinava que precisamos encontrar pessoas que nos sirvam de inspiração – gente que seja modelo, referência de vida.

No dia a dia, enfrentamos muitas dificuldades. Temos sonhos, mas, por vezes, sentimo-nos consumidos pela rotina. Outras tantas vezes, os confrontos diários, os colegas tentando nos desestimular, fazem com que nos questionemos sobre as chances de alcançarmos nossos objetivos.

É justamente por isso que é fundamental ter para quem olhar. Quando a gente olha para vida de alguém que fez a diferença na área dela – seja liderando um movimento social, seja na política, seja no mundo dos negócios e até mesmo como uma mãe ou um pai que se diferenciaram no cuidado com os filhos… Quando olhamos para esse tipo de gente, nossas lutas ganham um sentido.

Se cairmos, teremos para quem olhar. Aprenderemos com essas pessoas que as quedas fazem parte da caminhada.

A gente olha e nota que alguém conseguiu, que alguém superou, que alguém foi forte, quando a maioria parece fraquejar. Isso nos fortalece!!

Porém, é preciso escolher bem as pessoas que nos inspiram. Não existem tantas na história que mereçam servir de referência – algumas, na verdade, servem de exemplo dos problemas que podemos ter quando seguimos as pessoas erradas.

Muita gente tem seguido pseudo-lideranças, líderes forjados, que alcançam sucesso baseados na mentira, no engano, na distorção da realidade, atropelando a ética, desrespeitando pessoas.

Nossas fontes de inspiração devem ser escolhidas criteriosamente. Observando o compromisso com a verdade, a moderação nas palavras, o talento, o amor pelos mais fracos… Gente que tenha sido capaz de tornar a vida melhor – seja no mundo dos negócios, na religião, na política ou em qualquer outro segmento.

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Perdoar é uma escolha dos fortes

É muito difícil perdoar. Às vezes, somos magoados de maneira tão profunda que a simples lembrança traz sentimentos horríveis e nossa vontade é encontrar uma forma de vingar-se da outra pessoa.

Entretanto, por mais que o desejo de vingança seja a reação natural diante de algo que nos feriu tanto, o que nos diferencia como humanos é justamente a capacidade de perdoar.

Perdoar é uma escolha dos fortes. É preciso decidir perdoar. Apenas quem conta com forças superiores dá conta de perdoar. E perdoar liberta. Liberta da mágoa, da ferida e nos ajuda a seguir vivendo.

Preocupações com o futuro…

É quase impossível não se preocupar com o futuro. A gente pensa no emprego, no relacionamento, nos filhos… E no país. Como idealizamos a vida que gostaríamos de viver e observamos os movimentos diários que podem nos levar a lugares e acontecimentos não desejados, sofremos antecipadamente.

Isso acontece comigo e, penso, com quase todas as pessoas.

O problema é que, ao nos preocuparmos, ocupamos nossas mentes com situações que sequer ocorreram e, mais que isso, que por vezes não temos controle.

É possível evitar a morte de uma pessoa querida? Não. É possível curar a doença de um filho? Não. É possível evitar a falência da empresa para a qual trabalhamos? Não. É possível evitar que o parceiro te abandone? Não. É possível impedir que uma pessoa seja eleita para comandar a nação? Não.

Podemos sim plantar sementes do bem diariamente. Fazemos isso amando nossos filhos, investindo no relacionamento, nutrindo boas amizades, fazendo escolhas políticas sensatas, coerentes… Mas nada disso é garantia de que evitaremos desastres, lágrimas, abandono…

Por isso um dia Cristo disse para não nos preocuparmos com o dia de amanhã. Afinal, basta a cada dia o seu mal.

Quem pouco luta, pouco conquista

A gente vive numa sociedade em que a tese da meritocracia geralmente não passa disso: ser uma tese. Não há nenhuma garantia de que nossos esforços serão recompensados. Ainda assim, quem pouco luta, tem ainda menos chances de conquistar seus objetivos.

Talvez a tese da meritocracia tenha apenas uma verdade: se você fizer pouco, as suas chances serão ainda menores.

Eu me preocupo com nossos jovens e adolescentes. Noto que fazem parte de uma geração bastante acomodada. Facilmente, desistem. Outras tantas vezes, sequer chegam a lutar. Falta gana!

O esforço parece ser custoso demais. Querem tudo do modo mais fácil.

Isso tem muito a ver com a maneira como foram criados. Os pais são parcialmente responsáveis. Mas também é fato que as tecnologias contribuem produzindo a sensação que os objetivos estão à distância de um único clique na tela. Cria-se a ideia de que “quando eu realmente precisar, basta eu apertar aqui e vou conseguir”.

Acontece que as coisas não funcionam desse jeito. É preciso trabalhar duro para, com o tempo, obter os resultados. A lógica da vida é a da semeadura: “eu planto agora para colher depois”.

E semelhante ao que acontece na agricultura, o plantio é trabalhoso. Ainda mais difícil é o período de espera pela colheita. É necessário regar, cuidar e ainda torcer para que o tempo ajude e não coloque tudo a perder.

Se tudo funcionar muito bem, a colheita pode ser um sucesso. E se não funcionar, semelhante ao lavrador, na vida, a gente não pode desistir. A gente começa tudo de novo, planta tudo de novo e espera que, na próxima safra, tenha melhor sorte.

Nossas escolhas afetam outras pessoas

Nem sempre a gente se dá conta do quanto nossas escolhas afetam outras pessoas. Às vezes, em nome dos nossos gostos, dos nossos sonhos, fazemos o que entendemos ser o melhor para nós e ignoramos o efeito de nossas escolhas na vida de gente que amamos.

Não há nada de errado em lutar pelo que queremos. Porém, tenho aprendido que não estamos isolados do mundo. O que fazemos mexe com a vida dos outros.

Significa que, pelos outros, devemos deixar de buscar nossos objetivos? Não. Mas significa sim avaliar, primeiro, quais serão os impactos de nossas escolhas na vida de quem está por perto. Segundo, é preciso analisar se queremos que sofram os efeitos dessas decisões.

Em algumas situações, vale conversar com os possíveis afetados. Falar sobre seus sonhos, a importância deles e pedir o apoio. Noutros casos, talvez não seja possível antecipar, prever. Talvez seja necessário tomar a decisão sozinho/a. Mas ainda assim defendo que haja a consciência dos efeitos e de como é possível amenizá-los para que interfira menos, prejudique menos ou haja algum tipo de compensação. Isso é agir de maneira ética.

Atitudes assim mostram maturidade, amor ao próximo e, principalmente, compreensão de que não estamos sozinhos no mundo. E nossa felicidade não pode ser construída às custas das outras pessoas.

Desconectar-se após as 18h…

O chefe da Amazon na Índia não quer e-mails de trabalho depois das 18 horas. Ami Agarwal defende que a equipe dele se desconecte… Segundo ele, que as pessoas vivam a vida.

Hoje, é cada vez mais difícil deixar o trabalho no fim da tarde e se desconectar. Com frequência, a gente leva trabalho pra casa. Outras pessoas fazem mais que isso: efetivamente, trabalham no período da noite. Gente como eu… que trabalha por três turnos, diariamente.

É fato que cada pessoa faz o que precisa fazer para sobreviver. Temos contas a pagar. E o modo de vida contemporâneo não se resume apenas à comida na mesa. É bem mais que isso e tudo tem um custo alto.

Porém, a gente não paga contas com dinheiro. A gente paga com minutos, horas, dias, meses da nossa vida. Cada produto que compramos são horas da nossa existência gastas na aquisição daquele bem.

Enquanto isso, a vida passa.

E se é verdade que muita gente precisa trabalhar além das 18 horas para sobreviver, também é verdade que algumas coisas poderiam ser melhor administradas para que pudéssemos ter mais tempo para nós, para fazer coisas que gostamos, para ter lazer… para viver.

Os e-mails de trabalho, as dezenas de recados no whatsapp, os diálogos nas redes sociais… Muito disso, relacionado ao dia a dia da empresa, deveria ficar na empresa.

A ideia do chefe da Amazon deveria servir de parâmetro para todos nós. Deveríamos fazer o nosso melhor, com todo nosso empenho, no tempo em que estamos trabalhando. Porém, fora da empresa, deveríamos nos desconectar.

Isso asseguraria mais qualidade de vida. E certamente muito mais produtividade.

Parece uma ideia revolucionária nos tempos em que vivemos. Entretanto, se a gente quiser ter saúde, e principalmente saúde emocional, desconectar do trabalho deve se tornar uma de nossas prioridades.

Aceitar todas as emoções

Temos uma tendência em negar a dor. Preferimos o isolamento a dizer “estou mal, preciso de ajuda”. Sentimo-nos pressionados; precisamos estar bem. O discurso dominante é “você pode, você consegue, você controla sua vida”. Isso faz com que nos sintamos frágeis, fracassados. O mundo parece ser dos fortes, das pessoas bem resolvidas. Emoções boas, aceitas, desejadas são a alegria, o entusiasmo, a motivação… Ninguém quer tristeza, desânimo, medo… 

Experimentar essas emoções resulta em sensações de indignidade, inutilidade… A pessoa acha que não será aceita se demonstrar medo, insegurança… E a gente não quer ser tratado como coitadinho, num mundo que pede que você se posicione, que esteja sempre motivado.

Posso assegurar que não gosto desse discurso… As pessoas são o que são. Algumas um pouco mais resistentes à dor, ao sofrimento… Outras, mais sensíveis… E isso não tira o mérito de ninguém. A beleza está justamente na diversidade, na pluralidade de personalidades.

É fundamental nos aceitarmos e aceitarmos as pessoas em sua completude. A negação da dor, silenciar emoções nos empobrece como humanos e contribui para o desenvolvimento de uma série de doenças psíquicas. Não é sem motivo que temos uma sociedade com mais gente sofrendo de ansiedade, estresse, pânico, depressão etc etc. Não é sem motivo que crescem os casos de suicídio… Entre 2011 e 2016, foram mais de 62,8 mil mortes – aumento de 12%.

Sim, precisamos cuidar mais da gente, cuidar mais do coração, cuidar mais das pessoas. Não somos máquinas. Somos pessoas. E pessoas sorriem, mas também choram, querem colo, abraço… Querem perceber que importam, que são relevantes no mundo.

A fé é tudo que precisamos?

A fé é a crença no invisível. E justamente por acreditar em algo ou em alguém que não pode ser tocado, as pessoas se movem em diferentes direções. Por vezes, guiam suas vidas pela fé.

A fé pode ser motivadora, transformadora. Pode gerar esperança. Fazer sonhar com um mundo que não temos hoje.

Porém, a mesma fé que dá sentido à vida é aquela que tem potencial para gerar engano, distração e alienar.

Uma das críticas mais contundentes de Nietzsche está justamente relacionada a esse comportamento: a crença naquilo que não se vê, com frequência, nos impede de amar o mundo que temos. E, deixando de amar a vida como ela é, muitos abrem mão de atuar como artistas da própria existência.

Por ser cristão, vejo constantemente pessoas que, com os olhos no invisível, são displicentes com o presente. A fé torna-se uma espécie de muleta, que as impede de ser agentes do destino.

Essas pessoas ainda não entenderam o que é viver e qual o nosso papel no aqui e agora. A fé que nos faz “ver” o invisível, desejar o imprevisível, não pode ser a mesma que faz estacionar, que impede ações concretas, que buscam a construção de uma vida melhor, de um mundo melhor.