Não podemos perder nossos valores

Nas relações de trabalho ou nas relações pessoais, não podemos perder nossos valores.

O que são os valores? Considero como as nossas grandes verdades, aquelas que balizam, referenciam nossas ações.

Os valores nos identificam. Fazem parte de nossa identidade.

Quando nossos valores são confrontados, é preciso ser fiel ao que consideramos essencial – ainda que paguemos um preço por isso.

Entendo que todos devemos estar abertos para nos questionarmos, para refletirmos a respeito de nossas práticas e até colocarmos em xeque algumas de nossas crenças.

Mas existe uma distância entre a abertura para o questionamento e a relativização constante dos valores.

A abertura para o questionamento é necessária para nosso desenvolvimento. Permite que avancemos! Ajuda a nos atualizarmos, nos capacita para viver bem o tempo presente.

a fidelidade aos valores é o que assegura nossa coerência. Se notamos que algo que considerávamos relevante não é tão relevante assim, abandonamos e assumimos outro referencial de conduta. Porém, isso não significa mudar de postura diante das primeiras pressões.

Gente que não é fiel aos seus valores é gente que se corrompe facilmente, que não tem direção, não sabe onde quer chegar… Ou seja, é gente que não tem credibilidade, porque hoje age de uma maneira e amanhã de outra.

Os valores referenciam nossas atitudes em qualquer circunstância – seja dentro de casa, na empresa, na escola, na igreja… Se estamos com as contas em dia ou com problemas financeiros.

Os valores são o conjunto de crenças que revela quem, de fato, somos. Permitem que sejamos notados como gente que sabe o quer, que tem posicionamento e não é influenciado por modismos nem por cara feia!

Anúncios

É preciso saber escolher…

Para viver, é necessário abrir mão de algumas coisas. Não conseguimos fazer tudo que gostaríamos, ter tudo que desejamos e nem nos relacionar com todas as pessoas que admiramos.

Não iremos ler todos os livros que sonhamos, assistir todos os filmes e séries que estão e estarão na nossa lista.

É preciso escolher. É preciso SABER escolher.

Escolher quem estará conosco e o que faremos a cada dia, abrindo mão da ansiedade de tentar alcançar tudo e todos, pois isso nunca será possível.

A importância da rotina

Vez ou outra, ouço pessoas reclamarem da rotina. Eu, pelo contrário, adoro rotina.

Rotina, como lembra o escritor Mário Sérgio Cortella, é diferente de monotonia.

A rotina é absolutamente necessária. Gente sem rotina é gente que vive constantemente o imprevisível e de forma imprevisível. E isso afeta a produtividade e a própria qualidade de vida, pois gera ansiedade e estresse.

Ter rotina significa ter uma organização, um processo estruturado que garante segurança e até mesmo economia de energia.

Quando se tem uma rotina bem definida, é possível ter mais foco. Desenvolver as atividades com excelência.

A rotina permite a utilização inteligente do tempo. Assegura que se saiba exatamente o que fazer ao longo do dia, em quais horários e como fazer.

Isso nos torna mais eficientes, pois atuamos seguindo determinados padrões e procedimentos.

A rotina só é negativa quando se torna monotonia e produz desprazer.

Se tomar café todos os dias, às 7h da manhã, é algo que te incomoda, tem algo errado. O problema certamente não está em ter rotina, mas no que faz parte de sua rotina.

A vida boa se organiza com uma rotina, mas esta precisa ter um propósito e a própria existência justificar-se naquilo que se faz.

Tem gente que tem prazer em botar defeito no que é do outro

Conhece gente assim? Provavelmente, né? Essas pessoas estão por toda parte. Tempos atrás, enquanto aguardava o elevador num prédio, notei que a mulher da portaria estava toda empolgada com o notebook que havia comprado. Foi mostrar para um colega que estava papeando por ali. Em meia dúzia de frases, ele tirou o sorriso dela. Começou mostrando que a configuração era isso, aquilo… Em resumo, disse que o computador não prestava.

Depois de ver a cena, fiquei pensando nas tantas vezes que acompanhei situações semelhantes. Pode ser com o notebook, o tablet, o celular… Mas também pode ser com a blusinha nova que acabou de comprar em cinco vezes no cartão, o xampu para diminuir o volume dos cabelos… Ou quem sabe até o novo namorado. Tem gente que adora botar defeito no que é do outro. Parece ter prazer nisso.

Lembro que quando comprei, em 2008, um carro zero quilômetro. Era um golzinho, básico de tudo. Um vizinho viu o carro sem placas e foi rondar por ali. O sujeito mal tinha uma bicicleta para andar, mas assim que respondi que meu carrinho era simples, nem possuía ar condicionado, ele foi logo disparando:

– Ah… não. Não dá pra comprar carro em Maringá sem ar condicionado.

Inveja? Talvez. Mas o pior é que esse tipo de gente se espalha, se múltipla e, por vezes, puxa o outro pra baixo. Essas pessoas não vibram com a conquista alheia. Pelo contrário, parecem sentir satisfação em desvalorizar o que é do outro; parecem se alegrar na derrota; não são pessoas altruístas. Alimentam a própria alma com a tristeza, com o desânimo, com a queda do outro. Por isso, quando a pessoa consegue alguma coisa, o “estraga-prazer” aparece para tirar o sorriso, a felicidade, minimizar a vitória. É incapaz de aplaudir o outro.

Não tem muito que fazer com esses “amigos” e “colegas”. Não dá para prendê-los. Sempre vão existir. Estarão a postos em algum lugar e, quando menos esperarmos, vão aparecer. E sempre com um discurso negativo na ponta da língua. O que nos resta é ignorar. Ter fortalecida a autoestima e vez outra disparar um “dane-se; é meu, eu fiz, eu conquistei… e com muito orgulho”.

Que dor você prefere suportar?

Quando vi esta pergunta pela primeira vez, meus pensamentos aceleraram. Eu falo de sofrimento com muita frequência aqui no blog. Jesus Cristo, há dois mil anos, também disse que no mundo teríamos aflições. Ou seja, sofreríamos. Mas poucas vezes tinha parado pra pensar que toda e qualquer escolha que fizermos será uma opção por viver algum tipo de dor.

Ninguém quer sofrer. E geralmente nossas escolhas são motivadas por expectativas de alegria, felicidade. A gente escolhe algo em função do que aquilo poderá nos proporcionar de bom. A gente nunca escolhe pensando nas dores que teremos que suportar. Acontece que nada que fizermos será sem dor.

Se você quiser casar, vai sofrer as dores de dividir a vida e sua rotina com alguém. Se quiser ficar solteiro, vai sofrer as dores de não ter com compromisso com outra pessoa.

Se quiser ter um filho, vai deixar de fazer passeios, vai ter menos dinheiro, vai doer quando ele estiver doente e ainda mais quando responder pra você. Mas, se não tiver, nunca saberá o que é sentir seu filho se aconchegando em seu colo.

Se escolher cursar uma faculdade, vai ter que aguentar as dores das noites sem dormir dedicadas aos estudos, nas aulas massantes, dos professores injustos… Se escolher não estudar, vai encarar as dores de ser visto como alguém acomodado, terá mais dificuldades no mercado profissional…

Para cada escolha, há inúmeras dores. E se quisermos evitá-las, nunca teremos uma vida plena; nunca concluiremos um único projeto. Nossa trajetória será marcada por desistências, fracassos e pela ausência de realizações que sejam motivos de orgulho.

Toda escolha poderá nos oferecer momentos de alegria e felicidade. Mas, para aproveitarmos as coisas boas das escolhas que fizermos, precisamos aprender a suportar as dores que farão parte do percurso de nossa caminhada.

Faça o que precisa fazer

Você já se pegou travado, sem inspiração, sem vontade de se mexer? Confesso a você que me sinto assim muitas vezes. Bem mais do que poderia. Simplesmente, não dá vontade de sair do sofá.

No meu caso, que faço um trabalho que depende muito mais da capacidade de pensar do que das ações físicas – é um trabalho criativo, digamos assim -, sentir-se desanimado é um enorme problema. Afinal, dependo das ideias para escrever, para organizar uma aula, para elaborar um projeto.

Outras tantas vezes, o trabalho tem uma demanda específica – alguém pediu que eu fizesse uma determinada coisa. E aquilo que aceitei fazer é chato demais.

O que acontece com a gente todas as vezes que temos algo desagradável para fazer? Ficamos achando formas de fugir… Maneiras de procrastinar.

Pois é… Mas a ausência de ação nos torna improdutivos e motiva nossos fracassos.

Consciente disso, há muitos anos, venho tentando colocar em prática uma espécie de lema: “simplesmente, comece; faça alguma coisa”. Também tenho repetido essa ideia para pessoas próximas. “Comece e não pare!”

Pode parecer bobagem, mas não é. Quando estamos desanimados, sem vontade de fazer qualquer coisa, não adianta sentarmos ou ficarmos na cama, esperando a vontade chegar. Ou um problema passar.

É preciso se mexer e começar.

“Ah… Mas eu não sei nem começar”, talvez você alegue.

Comece assim mesmo. Fale com alguém, pergunte… Faça uma pesquisa na internet… Mas tente começar. Quando a gente se mexe, parece que o universo conspira a nosso favor e as coisas começam a dar certo.

Quando começamos, de certo modo, mandamos um recado para o cérebro: “se mexa; vamos trabalhar!”. As coisas começam a dar certo… E o que é mais impressionante: quando começamos a produzir, nosso corpo reage e nos sentimos mais animados.

Isso é garantia de que amanhã você estará bem disposto? Claro que não. É bem provável que esteja sem vontade como todos os outros dias. Mas você vai fazer de novo o que precisa ser feito. E talvez, em algum momento, você perceba que o início de um projeto pode ser bastante dolorido, mas a satisfação de vê-lo realizado se torna a maior recompensa.

O que realmente importa?

Saber o que é importante para você é a condição primeira para a felicidade.

É fato que a gente quer muitas coisas da vida. Quer experimentar, sentir, tocar, estar… Possuir.

A gente quer conhecer lugares, pessoas… Sentir determinados gostos… Vestir certas roupas…

Quer possuir alguns tipos de celular, modelos de carro… E até viver determinadas experiências profissionais, pessoais e, por que não dizer, amorosas.

Mas tem um detalhe, a quantidade de coisas, de experiências, de lugares, de pessoas e até de profissões que está a nossa disposição é infinitamente maior do que as possibilidades que temos de vivenciá-las.

Por isso é fundamental saber o que é de fato importante para você. Há um universo de opções, mas nem tudo pode ser nosso. É preciso escolher. Toda escolha envolve uma perda, uma renúncia. E quando se renuncia, é necessário conviver bem com a ausência.

Por exemplo, se eu escolho ter um pouco de tempo para estar em casa, para me cuidar e cuidar da minha família, provavelmente perderei dinheiro. E, ao diminuir minha renda, deixarei de ter alguns confortos que hoje tenho. Vou dar conta de viver bem como essa renúncia e ainda assim me sentir realizado?

Então, o que realmente é importante para você? Saber o que importa ajuda a ter foco e passamos a não gastar energias, e principalmente tempo, naquilo que não acrescenta em nossa vida.

Viver sem receitas…

No mundo do trabalho, na escola, na vida… A gente gosta de receita. Receita. Como fazer?!

E, de fato, quando temos receitas, elas facilitam demais. Afinal, já foram testadas. É só pegar o que outra pessoa fez e aplicar. É fácil.

Na cozinha, tem gente que não tira uma panela do lugar sem a indicação do tipo de panela que deverá ser usada. Acho legal esse rigor.

Mas eu não dou conta disso.

Em tudo que faço, tento dar a minha cara. Pode ser num bolo de cenoura ou na apresentação de um conteúdo em sala de aula para meus alunos.

É fato que consulto as “receitas”. Procuro ver como outras pessoas fazem ou fizeram, mas me atrevo a dar meu toque pessoal.

Dá certo sempre? Não.

Na cozinha, às vezes, o bolo não cresce… No trabalho, às vezes não se é compreendido ou há confrontos por gostos, preferências, rotinas.

Entretanto, viver sem ser refém das receitas permite certa autonomia no pensar. Ajuda no desenvolvimento da criatividade.

E sabe o que é melhor? A gente consegue dar conta de resolver problemas naquelas horas em que algo diferente acontece e ninguém tem uma explicação pronta sobre como resolver.

E como a vida sempre nos traz situações inesperadas, vale a pena ousar viver sem seguir receitas.

Quando a “casa cai”, é possível manter-se calmo e ver alternativas onde ninguém parece ver.