Podcast: Saia do automático

Você vive no automático? Tem encontrado sentido pra sua vida? 

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Persista em seus sonhos

Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles. E o momento para fazer isso é agora.

Sabe, não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a primeira coisa que precisamos compreender é que a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta e agora está bem enrolado com a Justiça, além de ter sido desmoralizado).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Deixa eu contar uma história pessoal… Em 2004, tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno. Tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto. Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas. Por fim, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. Hoje, com o doutorado também concluído, sinto-me recompensado.

Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Mas vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.

Como avaliamos nossos problemas?

Algumas entrevistas são surpreendentes. Anos atrás, uma conversa com um psiquiatra trouxe algumas reflexões que ainda hoje reproduzo para leitores e amigos. Detalhe, recordo da entrevista, mas não lembro do profissional.

Em primeiro lugar, confesso que, naquela ocasião, o papo me surpreendeu, porque, geralmente, temos uma imagem estereotipada do psiquiatra: trata-se de um profissional que, embora cuide das emoções, faz parte de um grupo seleto da medicina que tem um olhar para a mente humana sob uma perspectiva muito mais de cura por meio de medicamentos do que movido pela crença de que o ser humano se constrói e reconstrói por suas atitudes e escolhas, dentro do contexto em que está inserido.

Nosso diálogo, porém, foi noutra direção… Falamos sobre qualidade de vida. O psiquiatra foi taxativo: a vida pode ser mais simples ou mais difícil, dependendo da escolha de cada indivíduo. Parece conversa de autoajuda, mas não é. Na prática, a maneira como olhamos os desafios que temos vai determinar nossas ações e, principalmente, nosso estado de espírito. Ou seja, a angústia e o sofrimento podem ser menores ou maiores. A decisão é nossa.

Parece racional demais. Afinal, como já escrevi noutras ocasiões, a razão parece não comandar o coração. Entretanto, podemos conversar com nossos sentimentos. Esse diálogo interior ajuda a reorganizar os sentimentos.

Há coisas que acontecem conosco que não procuramos entender. Não questionamos o por quê. Acontece que, sem procurar resposta para as dores da alma, abrimos mão de viver melhor.

Às vezes nos pegamos tristes. Pode ser por causa de um relacionamento mal resolvido, de uma amizade desfeita, uma desavença com um colega de trabalho ou um professor… Ficamos recordando tudo que houve ou ainda existe de ruim, alimentando a dor interior. Sofremos durante dias – algumas pessoas sofrem por anos – por algo que poderia ser trabalhado interiormente, sublimado.

Mas como?

Em qualquer dessas situações, a primeira pergunta a responder é: “por que estou triste?”. Se o problema for identificado, a segunda pergunta é: “posso resolver?”. Se posso, “de que maneira?”.

Temos condições plenas de avaliar perdas e ganhos diante de qualquer situação. Se o caso for de um relacionamento, é preciso concluir: “vale a pena mantê-lo como está?”, “devo romper?”, ou ainda “invisto na reconstrução?”. Afinal, quais as consequências? Que consequências posso assumir? O que eu consigo fazer? Que escolha vai me deixar mais feliz?

A solução perfeita não existe. Nenhuma opção é livre de consequências. Todas terão graus variados de perdas e ganhos. Por isso, conformar-se é uma capacidade que deve ser desenvolvida.

Para alcançar novos sonhos, talvez alguns antigos terão de ser abandonados. Ninguém vive feliz se não compreender esse princípio da vida. O mundo nunca será perfeito. E nem a vida, cor-de-rosa.

Por fim, os erros de ontem nos servem de aprendizado. Não podem ser lembrados para alimentar a culpa. Ninguém volta atrás. Insistir na culpa é investir no passado e ignorar o futuro. Só reconhecemos que certas escolhas foram desastrosas porque as experimentamos. Do contrário, poderíamos nos arrepender por não tê-las vivido.

A morte da esperança

A esperança é um estado emocional que, de certo modo, assegura conforto em relação ao futuro. A esperança nos faz acreditar que tudo vai dar certo.

Essa forma de se relacionar com o mundo é positiva.

Entretanto, a esperança tem nos escapado. As novas gerações são gerações sem esperança. E mesmo entre nós, adultos, a esperança está enfraquecendo.

Na prática, o mundo que estamos construindo, nossas atitudes diante do planeta e da vida são responsáveis pela morte da esperança.

Quando nossos meninos e meninas olham para nós, adultos, não conseguem vislumbrar nada que alimente a esperança de vida deles.

Nosso próprio discurso a respeito do investimento no futuro se resume a insistir para que façam tudo que estiver ao alcance a fim de serem bem-sucedidos. E o que seria ser bem-sucedido? Ter uma profissão respeitada, um bom salário e reunir as condições necessárias para comprar tudo que for possível comprar.

As novas gerações olham para nós e percebem o quanto isso é pobre. As pessoas vivem cansadas, doentes, física e emocionalmente, possuem relacionamentos frágeis… Uma vida medíocre em nome do que é idealizado como vida desejável.

Por outro lado, a violência cresce, o individualismo egoísta torna a todos inimigos… E, pior, a nossa casa, o planeta, está sendo destruído.

A política é mesquinha, não está e nunca esteve a serviço de todos.

Como ter esperança? Não dá para ter esperança.

E sem esperança, muitos dos meninos e meninas não enxergam sentido na vida. Por isso, não há prazer em viver e o próprio desejo de morrer faz parte dos pensamentos de muitos deles.

A falta de esperança dessas novas gerações pode ser, porém, a nossa salvação.

A esperança que alivia as dores também anestesia as ações. Ficamos esperando uma espécie de milagre… Algo que possa dar um sentido às coisas e até salve nosso planeta.

Sem esperança, talvez nossos meninos e meninas, os mais resistentes, sejam objetivos, virem o jogo e criem formas mais honestas de viver, de se relacionar com o dinheiro e até de explorar o planeta.

Podemos escolher que tipo de gente queremos ser

Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

Não gosto do discurso de que somos os responsáveis por nossas conquistas e fracassos. Acho que essa ideia falha quando confrontada com a realidade. O mundo que a gente vive e as condições de vida de cada pessoa condicionam as conquistas individuais.

Um exemplo… Imagine um garoto que acabou de chegar à universidade. Ele acorda às cinco e meia da manhã, entra num ônibus às 6 e 15 e chega ao trabalho às 8h. No almoço, come qualquer coisa, pois tem apenas uma hora de intervalo. Ele sai às 5 e meia da tarde e já vai direto para a faculdade. Chega às 7h e já entra em sala de aula para estudar até às onze da noite. Depois, pega outro ônibus e só vai estar em casa perto da meia noite. Esse garoto dorme durante a semana apenas cinco horas por noite, nunca tem uma refeição balanceada. Estuda apenas alguns minutos no ônibus, quando consegue um lugar para sentar.

Por outro lado, imagine um rapaz da mesma idade, mas que pode dormir bem todas as noites, entre oito e nove horas por noite, ajuda a família na empresa apenas meio período, faz suas refeições em casa e tem todo o suporte da família para priorizar os estudos.

Qual dos dois garotos terá mais chance de obter sucesso na faculdade?

Por mais que o primeiro se dedique, dormir poucas horas todas as noites, comer mal e estar sempre cansado afetam profundamente o desempenho dele. E isso esse garoto não controla. Talvez ele não dê conta de persistir; talvez seja engolido pelas circunstâncias e abra mão da faculdade. Ou seja, as condições de vida dele condicionam o desempenho e poderão limitar suas conquistas futuras.

Entretanto, deixa eu voltar a frase inicial… Não temos controle de tudo, mas podemos escolher que tipo de gente queremos ser.

O garoto de nossa história não tem controle de tudo, mas ele pode escolher ser dedicado, responsável, ético, justo… Ele pode escolher estar sempre aberto ao aprendizado, a fazer bem tudo que lhe chegar às mãos… Pode escolher viver reclamando da vida que tem ou seguir lutando para conquistar uma vida melhor.

Todos nós podemos escolher que tipo de gente queremos ser. Podemos escolher ser pessoas respeitosas, tolerantes, amáveis, caridosas… Essas são escolhas que podemos fazer.

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Geralmente esperamos muito das pessoas com as quais convivemos. Queremos que sejam gentis, honestas, fieis, amáveis, respeitosas, éticas… Também desejamos ter por perto gente que é capaz de colocar um sorriso em nosso rosto.

Não há nada de mal nisso.

Tenho insistido, inclusive, que devemos preservar e valorizar os relacionamentos que nos alegram. Se a pessoa que está do seu lado é capaz de te fazer sorrir, valorize-a.

Faz um bem enorme ao coração passar alguns minutos com alguém que consegue tornar o ambiente mais leve, gente que faz a gente rir e esquecer dos problemas, não ver o tempo passar.

Dias atrás, recebi uma pessoa que tornou a única hora que ficou em nossa casa uma das experiências mais agradáveis que tive este ano. Eu nunca o tinha visto. Por causa da amizade que temos com a namorada dele, ele passou em casa e, desde então, sempre que posso, procuro manter contato. Infelizmente, esse jovem mora do outro lado do Brasil. Porém, a impressão que deixou foi a melhor possível e lembro com saudade do tempinho que passou junto com nossa família.

Pessoas assim fazem nosso coração sorrir.

Mas… E nós? Tornamos a convivência com o outro uma experiência alegradora? Será que as pessoas sentem prazer em estar conosco por alguns minutos? Nossa companhia é desejada?

Muitas vezes, lamentamos a ausência da família, a falta de amigos. Queixamo-nos da solidão, do abandono. Porém, uma pergunta que não podemos deixar de fazer a nós mesmos é justamente essa:

Conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Sabe, por mais doloroso que seja admitir, nem sempre somos boas companhias. Às vezes, nossas reclamações, queixas, pessimismo tornam nossa presença um tanto pesada, desagradável. Isso afasta as pessoas.

Portanto, minha dica é simples: que possamos nos conhecer bem, mudar o que carecemos mudar, tornando-nos pessoas com as quais vale a pena estar junto.

Do que precisamos para viver?

Quais são as nossas necessidades? O que é essencial para vivermos bem?

Condicionados pelo nosso modo de vida atual, talvez a nossa resposta seja algo do tipo: precisamos de um bom emprego, uma casa confortável, alimentos diversificados, plano de saúde…

Enfim, nessa lista apareceriam itens bastante positivos e que são importantes.

Entretanto, como raramente fazemos essa reflexão – ou seja, como quase nunca falamos sobre as nossas reais necessidades para uma boa vida -, temos buscado uma série de coisas para suprir pseudo necessidades e, por vezes, faltam-nos aquelas que são essenciais.

Noutras palavras, nosso modo de vida moderno está distante de ser normal.

O psicólogo norte-americano Abraham Maslow, que viveu no século passado, criou uma teoria interessante sobre as necessidades humanas, o que de fato precisamos ter para viver bem.

A chamada Hierarquia de Necessidades de Maslow deveria vez ou outra ser observada por todos nós; afinal, a hierarquia de necessidades do pesquisador é bastante coerente.

A lista mostra que nossas primeiras necessidades são fisiológicas. Carecemos de comida, água, abrigo, ar, sono, higiene, saneamento.

Em segundo lugar estão as necessidades de segurança. Precisamos ter garantida a nossa segurança, a segurança de nossos entes queridos e de nossos recursos.

Terceiro, as necessidades sociais: laços familiares, amizade, vida em comunidade, intimidade, conexão com outras pessoas, com grupos.

Na hierarquia de necessidades, o quarto aspecto são as necessidades de autoestima. Temos que ter confiança, responsabilidade, senso de conquista, respeito.

Por fim, necessidades auto-atualizantes; que compreendem a criatividade, a espiritualidade, o crescimento e a realização.

A Hierarquia de Necessidades de Maslow revela que somos carentes de vários elementos. Uma boa vida não está concentrada em apenas um ou outro campo. Temos necessidades fisiológicas, mas também temos necessidades sociais e de autoestima; de segurança, mas também auto-atualizantes, que engloba, por exemplo, a espiritualidade.

Enfim, em nenhuma dessas áreas é preciso haver excesso. Só precisamos suprir o necessário; sem acúmulo. Porém, se concentramos demais nossas energias na busca da comida, do abrigo, da segurança e ignoramos os laços familiares, a conexão com pessoas, com a comunidade, por exemplo, não vamos viver bem.

A vida boa, segundo Maslow, é resultado do equilíbrio na busca por suprir as cinco categorias de necessidades humanas.

Desconecte-se!

Na sociedade que a gente vive, “desconectar” é uma necessidade. Não se trata apenas de um discurso contra as redes, contra a internet. Trata-se garantir saúde mental e preservar as emoções.

Quem não se desconecta, não se conecta às pessoas que estão próximas. Quem não se desconecta, não se abre para aprender, para conhecer coisas e nem ver a beleza que há em cada dia.

Ou aprendemos a nos desconectar ou nos preparamos para muitas horas de sofrimento inútil, de horas e horas desperdiçadas, roubadas de nós mesmos, nossa família e amigos.

Portanto, invista em você; invista nas pessoas que você ama: desconecte-se! A vida não acontece apenas na tela; está em todos os lugares, está diante de nós.