Escolha uma única janela para usufruir a beleza da vida

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Talvez um dos nossos grandes erros seja a tentativa de viver várias experiências ou fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Nossa vida, de certo modo, assemelhá-se à experiência que temos ao navegar na internet: quando acessamos a rede em nosso computador, nunca abrimos uma única aba. Abrimos várias. Parece que queremos ver tudo de uma vez. Mas o que acontece? Na prática, não vemos nada direito, praticamente não absorvemos os conteúdos ali disponíveis.

O escritor Francis Scott Fitzgerald disse numa de suas obras que “a experiência demonstra que a vida é usufruída com muito maior sucesso quando contemplada através de uma única janela.”

A afirmação de Fitzgerald é preciosa. Contemplar a vida de uma única janela não se trata de se fechar para novas experiências e nem viver de maneira limitada. Contemplar através de uma única janela, trata-se de usufruir a vida de maneira plena, envolvendo-se totalmente com uma coisa de cada vez.

Quando abrimos o navegador de internet e inúmeras abas estão disponíveis diante dos nossos olhos, nós não nos fixamos em nenhuma delas. Não há imersão.

Usufruir a vida é uma experiência semelhante. É preciso escolher uma janela, aquietar-se nela e se permitir olhar demoradamente para ver todos os detalhes, apreciando toda a beleza que existe.

Nosso jeito apressado e ansioso de ser, querendo sentir todos os gostos e sabores, faz que com que os desconheçamos. Isso se dá até mesmo nos relacionamentos. Algumas pessoas desejam viver todas experiências afetivas possíveis. Não se prendem a ninguém. Na prática, nunca tiveram a chance de abrir completamente o coração para uma pessoa e tampouco chegam a conhecer a alma de alguém. São inúmeras bocas ou corpos tocados, mas nenhuma pessoa plenamente conhecida.

Usufruir a vida de uma única janela é não perder-se em tantas imagens a ponto de não gravar nenhuma delas. É aceitar a impossibilidade de estar inteiro, corpo e alma, em vários projetos, trabalhos ou relacionamentos.

Ao escolher uma única janela vemos a vida de fato. E como passageiros no trem da existência temos a chance de contemplar cada detalhe da trajetória, reparando toda a beleza que existe na viagem.

Quem pouco luta, pouco conquista

A gente vive numa sociedade em que a tese da meritocracia geralmente não passa disso: ser uma tese. Não há nenhuma garantia de que nossos esforços serão recompensados. Ainda assim, quem pouco luta, tem ainda menos chances de conquistar seus objetivos.

Talvez a tese da meritocracia tenha apenas uma verdade: se você fizer pouco, as suas chances serão ainda menores.

Eu me preocupo com nossos jovens e adolescentes. Noto que fazem parte de uma geração bastante acomodada. Facilmente, desistem. Outras tantas vezes, sequer chegam a lutar. Falta gana!

O esforço parece ser custoso demais. Querem tudo do modo mais fácil.

Isso tem muito a ver com a maneira como foram criados. Os pais são parcialmente responsáveis. Mas também é fato que as tecnologias contribuem produzindo a sensação que os objetivos estão à distância de um único clique na tela. Cria-se a ideia de que “quando eu realmente precisar, basta eu apertar aqui e vou conseguir”.

Acontece que as coisas não funcionam desse jeito. É preciso trabalhar duro para, com o tempo, obter os resultados. A lógica da vida é a da semeadura: “eu planto agora para colher depois”.

E semelhante ao que acontece na agricultura, o plantio é trabalhoso. Ainda mais difícil é o período de espera pela colheita. É necessário regar, cuidar e ainda torcer para que o tempo ajude e não coloque tudo a perder.

Se tudo funcionar muito bem, a colheita pode ser um sucesso. E se não funcionar, semelhante ao lavrador, na vida, a gente não pode desistir. A gente começa tudo de novo, planta tudo de novo e espera que, na próxima safra, tenha melhor sorte.

As coisas que importam…

As coisas que realmente importam geralmente são aquelas que exigem mais de nós. Brincar com o filho depois de um dia de trabalho requer esforço, renúncia. É mais fácil sentar-se diante da TV ou simplesmente se ocupar de uma tarefa ou outra de casa ou até da empresa.

Na verdade, o exemplo ilustra todas as outras situações que valem a pena ser vividas. Uma caminhada com sua filha no parque ou ficar na cama descansando? Um piquenique com a esposa no parque ou um restaurante fast-food? Dias e dias debruçados sobre os livros ou assistir uma série atrás da outra no Netflix?

Sim, as coisas que mais importam pedem dedicação, tempo, energia. Mas são essas que fazem a diferença na vida, que produzem boas memórias e, com o tempo, saudade.

A vida não se explica

Por vezes tentamos explicar a vida. Mas a vida não é explicável. Só pode ser vivida. E para valer a pena, deve ser vivida com intensidade. Ainda assim, uma intensidade cuidadosa, respeitosa, dentro de limites que nem sempre somos capazes de ter ou estabelecer. Difícil, né? Talvez por isso a melhor maneira de viver é aceitar que cada dia é um dia e vai passar como todos os dias.

Persistência é diferente de teimosia

Tem gente que é persistente. Outras pessoas são teimosas. E por que é importante compreender isso? Porque algumas delas perdem anos e anos de suas vidas insistindo numa coisa que não dará certo. Pode ser um pequeno negócio… A pessoa se desgasta. Aposta alto, se endivida, mas não consegue prosperar. Talvez por falta de visão, de preparo ou mesmo vocação.

Pode ser o sonho de um curso universitário muito disputado… A pessoa quer muito, mas tem dificuldade para estudar, não gosta dos livros.

Costumo dizer que a realidade sempre se impõe. A realidade pode ser o limite do tempo, da capacidade para uma determinada tarefa. Pode também ser a falta de dinheiro.

Há situações em que até é possível fazer dar certo. Mas ainda assim é preciso avaliar: vale tanto esforço? É algo que quero a esse ponto?

Ter essa capacidade de questionar se a persistência não se tornou teimosia é fundamental. Sabe por quê? Porque, da vida, o que vale é nossa caminhada e não o destino. É a maneira como vivemos cada dia que determina nossos sorrisos, nossas alegrias… Ou mesmo determina nossas lágrimas e frustrações.

Atingir objetivos é importante. Todos nós precisamos ter metas, ter sonhos. Eu tenho dito que a diferença entre vitoriosos e fracassados está justamente na capacidade de pagar o preço pelos seus objetivos. Porém, a gente não pode deixar de se perguntar: qual é o preço? Estou realmente disposto? Não haveria outras formas de viver? Será que meus sonhos não estariam se tornando obsessões?

Em busca de um sonho, não podemos perder a alegria de viver. Em busca de um objetivo, não podemos abrir mão de pessoas que são queridas, que são especiais. O percurso em direção ao nosso alvo não pode se tornar um peso. E nem podemos permitir que anos e anos sejam consumidos por teimarmos em conquistar algo que talvez não seja pra ser nosso.

Sim, às vezes, pra viver, é necessário desistir. Claro, ninguém deve abrir mão de algo sem ter lutado. Mas, se não está funcionando, vale a pena buscar um conselho, ouvir pessoas experientes, experimentadas na vida. E, de forma madura, reorganizar seus projetos… Sem nunca deixar de sonhar.

Perdoe-se!

Viver nunca foi fácil. E nunca será. Mas tem gente que gosta de complicar. Sei que a pessoa provavelmente não tem culpa, nem percebe o que faz. Ainda assim, por que não consegue olhar para frente e deixar de se cobrar pelos erros cometidos?

Tenho comigo um princípio: erros cometidos são parte do passado. E se são passado, passaram. Já foram. Devem ser enterrados. A bobagem que fiz ontem pode ainda me deixar com raiva hoje, mas amanhã ou depois tem que estar na lista dos erros que vou tentar não cometer mais. E pronto. Vez ou outra vou espiar pelo retrovisor da vida, pensar comigo “mas que imbecil eu fui”, mas só isso. Não vou ficar me torturando por isso, porque já foi, já passou. E não tenho controle do que já fiz.

É fato que tem gente que adora apontar o dedo, nos fazer lembrar e até nos acusar pelas falhas que cometemos. Ainda assim, não podemos entregar a chave da nossa paz interior nas mãos das outras pessoas. Para respondê-las, o argumento que uso é bem básico: “Errei, mas já passou. Estou fazendo o meu melhor para não falhar novamente. Eu me aceito com meus erros. Se você me ama, vai me aceitar também“.

Acontece que tem gente que não consegue fazer isso. Conheço pessoas que se torturam por fracassos ou “pecados” cometidos há anos. Não se perdoam. Você olha para a pessoa e diz: “Querida, já foi… Você não pode fazer mais nada. Siga adiante”. Porém, parece incapaz de aceitar que não há mais nada a fazer.

Quem não se perdoa, perde a chance de viver. Sofre pelo passado e deixa de aproveitar o presente. 

Sabe, esse princípio que tenho comigo, que aplico para mim, não é meu. É de alguém que foi o maior dos mestres. Jesus foi quem ensinou a seguir em frente. O que ele quis ensinar foi algo simples: “Fez bobagem? Não faça mais! Toque sua vida. Seja feliz!”.

Lembre-se, a vida é um eterno reconstruir-se!

O maior desafio da vida é viver

O maior desafio da vida não é outro senão viver. Vejo isso por mim mesmo e por outras pessoas próximas. E quando falo em viver, falo em algo que seja significativo de fato.

Viver cada dia atolado em preocupações não é viver. E não estou aqui dizendo que as preocupações não existem. Digo de quando deita-se e acorda-se sobrecarregado e sem ter tempo para sorrir.

Duas coisas que adoro são as reflexões sobre a arte e a filosofia. E em ambas encontro argumentos convergentes: vive-se quando voltamos o olhar para nossa alma (eu diria, para nossos corações); vive-se quando investimos tempo em apreciar o que há de belo no mundo.

E sabe de uma coisa? Isso não dá pra fazer “agendando”duas horinhas por semana. Que vida é essa que se precisa agendar um tempo para gastar consigo mesmo? 

Anos atrás escrevi sobre contemplar as estrelas. Eu estava num hotel fazenda, na época. Fazia tanto tempo que não via as estrelas que me surpreendi com o que vi no céu.

Acontece que esse tempo para apreciar as coisas boas da vida parece não existir mais. A gente até sonha estar com amigos, com a família, fazer coisas agradáveis… Mas isso tudo tem que estar na agenda. A situação é tão complicada que, não raras vezes, a ligação de um amigo querido parece nos atrapalhar.

Não vou mentir… Não foram poucas vezes que vi o celular tocar e pensei: “poxa, minha mãe tinha que ligar justo agora?”.

Olha a loucura que é isso!!! É minha mãe… Não vou tê-la pra vida toda. E ainda assim o preenchimento de um relatório é mais importante que falar com ela?

É por isso que, cada um ao seu modo, deve encontrar o seu jeito de viver. Viver de fato. Não apenas como engrenagem de uma máquina que apenas suga nossas energias e o melhor de nós. A vida é curta demais para perdermos a oportunidade de ter o melhor dela.

 

 

Os desafios nossos de cada dia

desafios

A vida traz bons e maus desafios. Os bons são aqueles que, mesmo sabendo que você vai encarar uma tremenda dificuldade pela frente, vai perder noites de sono, os resultados poderão ser satisfatórios. Os maus são conhecidos e não trazem nenhuma alegria. Mas não dá para fugir deles.

Os “maus desafios” são as grandes perdas da vida. Perder uma mãe, por exemplo, é dolorido demais e impõe desafios pela frente: entre eles o de se organizar para viver sem a pessoa que provavelmente mais te amou. Você sabe que vai ter que encarar a vida com esse enorme vazio. Ainda assim terá que lidar com isso.

Os “bons desafios” são aqueles que, embora não mostrem de imediato quais podem ser as recompensas, sinalizam que podem mudar sua vida.

Esta é uma das situações que estou vivendo. Meses atrás surgiu um convite inesperado para comandar um telejornal regional, na Band de Maringá. Embora me considere um jornalista razoavelmente experiente, nunca havia trabalhado efetivamente em televisão. Para ficar um pouco mais complicado, tratava-se de um projeto completamente novo e que eu deveria formatar do zero. Não vou negar: não foi fácil e ainda não está sendo fácil. Porém, depois de duas semanas no ar, sempre às 7h da manhã, os primeiros resultados começam a aparecer. Impossível não se sentir recompensado.

Nos meus pouco mais de 40 anos, aprendi a gostar dos desafios. Sejam eles quais forem. Quando algo se coloca diante de você, parecendo ser uma grande obstáculo, é necessário se mexer, aprender coisas novas… É simples? Nenhum pouco. É preciso assumir riscos, dedicar tempo, concentrar forças, energias. E, principalmente, se expor. Isso dá medo, é claro. E, não vou negar, muitas vezes, parece mais simples continuar fazendo o que se conhece melhor, principalmente se a novidade impõe riscos – inclusive de perder tudo que já foi construído.

Sabe, situações como essa mostram que a vida é feita de desafios diários. Ninguém tem controle de tudo. Não dá para planejar uma vida inteira. Justamente por isso precisamos lidar com os desafios – bons e ruins – com maturidade e não abrindo mão das oportunidades. O que é novo pra gente pode ensinar muita coisa e até nos proporcionar crescimento.

É claro que diante de algo novo, é preciso agir com sabedoria. É necessário controlar a ansiedade, não ter vergonha de pedir ajuda, de perguntar… Tropeços vão acontecer, haverá momentos em que o desânimo vai tomar conta e a mente será tomada pela vontade de desistir. Ao lado da gente, sempre vão existir pessoas desestimulando, criticando… Porém, nessas horas é fundamental lembrar que os vencedores são aqueles que ousam superar seus próprios limites e não desistem diante das primeiras dificuldades.