Ninguém muda ninguém

Eu sei que o sonho de muita gente é mudar pessoas próximas. Mudar o namorado, o marido, a esposa… Mudar os filhos, a mãe, a sogra… Mudar amigos. E até o chefe. Mas não funciona assim. Ninguém muda suas atitudes se não estiver convencido que precisa mudar.

A mudança começa no convencimento pessoal. Algumas pessoas, eu diria muito poucas, estão abertas para ouvir críticas, questionamentos a respeito de suas atitudes, de seus comportamentos. Essas pessoas já possuem uma pré-disposição para mudar. São pessoas dispostas a crescer. Porém, a maioria pode até se dizer disposta a mudar, a ouvir críticas, mas, na prática, na convivência do dia a dia, elas resistem. Ao ouvirem qualquer tipo de questionamento, ouvem na defensiva. Isso geralmente ocorre porque a pessoa sente-se acuada. É como se a crítica a estivesse desqualificando.

Por isso, minha dica de hoje é muito simples: não se desgaste tentando mudar as pessoas. Se você notar que existe a abertura para o diálogo, fale com carinho, fale com generosidade. Faça isso duas ou três vezes. Se notar resistência, não perca seu tempo. Você vai se irritar, se estressar e, pior, ainda corre o risco de ser vista como uma pessoa chata, daquelas que se acham donas da verdade.

Faça tudo com excelência

trabalho

Você já notou que falta qualidade para muito dos nossos serviços? Você contrata um pedreiro para fazer uma parede. Ele faz a parede torta. Você vai ao mecânico hoje… Amanhã tem que voltar porque o serviço foi mal feito. Você contrata uma diarista para limpar as janelas de sua casa… Quando vai conferir, os vidros estão manchados.

Estou citando serviços básicos, mas essa cultura, que não valoriza o trabalho de excelência, que é displicente na execução de diferentes tarefas, é uma cultura predominante.

Encontramos problemas no comércio, na saúde, na educação, na segurança… Parece faltar disposição para fazer o melhor em cada área, para fazer com excelência!

Sabe, se preparo uma aula, tenho que preparar a melhor aula que posso. Se vou fazer um relatório, tenho que oferecer todos os dados necessários e de maneira clara. Serviço mal feito precisa ser refeito.

Uma vez ouvi alguém perguntando: você acredita que se a gente tirasse todos os brasileiros do Brasil e trouxesse os japoneses pra cá, você acredita que o Brasil tinha jeito? A resposta veio sem titubear: com certeza o Brasil seria outro. Aqui entre nós, o que isso significa? Significa algo simples: o Brasil será melhor na medida que fizermos o nosso melhor. E isso começa comigo. Aquilo que faço precisa ser o meu melhor.

Fica para você também esse desafio: faça seu trabalho com excelência! Não importa a remuneração atual. Com o tempo, a qualidade sempre é reconhecida. Observe… Os melhores mecânicos, os melhores médicos, os melhores sempre são melhor renumerados. Os produtos com mais qualidade geralmente são os mais caros. Então façamos tudo com excelência!!

Ano novo, vida velha?

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Acho que o mais tenho ouvido nesses dias é que o ano de 2016 foi horrível. E penso que é verdade. A lista de coisas ruins é imensa. Não faltam motivos pra dizer que 2016 foi um ano difícil. Mas quando olho pra traz, para o meu ano, para o ano de algumas pessoas queridas, tem uma coisa que percebo nitidamente: as coisas boas que aconteceram conosco foram resultado do nosso esforço, da nossa luta.
Sabe o que isso mostra? Não podemos deixar nossa vida nas mãos dos outros. Com fé, é preciso ir à luta.
O ano de 2016 termina, mas 2017 nada mais é que um ano que sucede 2016. Esse sentimento maravilhoso de acreditar que tudo pode ser melhor, é um sentimento que faz bem para o coração. Mas é também um sentimento que pode ir embora logo nas primeiras semanas de janeiro quando as primeiras notícias ruins aparecerem. Porque elas certamente estarão lá. A política não será muito diferente, os governantes podem até ter outras caras, mas as práticas serão muito semelhantes… As catástrofes naturais continuarão acontecendo, pessoas seguirão sendo injustiçadas… Enfim, esse é o mundo que vivemos.
Então o que eu quero dizer é algo muito simples: 2017 vai ser melhor na medida que nós formos melhores. Sua carreira, seus estudos, seu peso, seu relacionamento… Tudo pode mudar se você mudar.
Eu sempre repito que tem coisas que não controlamos, que não estão sob nosso domínio. Mas isso não pode nos deixar apáticos diante da vida. É fundamental ter noção da realidade, conhecer os limites, mas fazer a nossa parte. O que é responsabilidade minha, é minha… Não é de mais ninguém. Eu preciso fazer, eu preciso lugar, eu preciso melhorar.
Portanto, em 2017, não vamos ficar alienados do mundo, do que estiver acontecendo. Mas vamos também manter a fé e agir de forma melhor, sem deixar pra depois, sem esperar que os outros resolvam os nossos problemas. Vamos viver o melhor que pudermos viver!
Um abraço, um feliz 2017 pra você.

O que há para comemorar no fim do ano?

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Fim de ano… Muita gente comemorando… Muitas festas… Tudo lindo! Mas não consigo ser contagiado. Até gostaria.

Este é um dos períodos mais dolorosos do ano. As contradições ficam ainda mais evidentes. As injustiças ficam diante de nossos olhos. E eu não consigo deixar de ver, de um lado, mesas fartas, e de outro, tanta gente sem ter nada pra comer.

E a questão não é só garantir um natal farto pra todo mundo. Não muda muita coisa ter um prato de comida agora e estar com fome no dia 2 de janeiro.

Essa sociedade desigual me entristece. Vejo gente viajando para a Europa, para os Estados, viagens de milhares de dólares… Mas, antes de entrarem num avião, essas mesmas pessoas demitiram funcionários, que vão começar o ano sem saber o que fazer.

Vejo gente entrando e saindo das lojas, comprando presentes e mais presentes, e outras tantas pessoas que sequer tem um chinelo pra calçar.

Isso tudo rouba o brilho do Natal. Torna o ano novo apenas mais um ano. Sim, porque viveremos mais do mesmo.

Sinceramente, eu não consigo ir numa loja e comprar um presente pra mim.

E aí você me diz: “Ah Ronaldo, mas sempre foi assim!! Eu concordo. E digo mais: não vai mudar. As desigualdades e injustiças vão continuar.

Mas meu recado hoje é simples: as coisas vão continuar sendo injustas. Mas você e eu podemos fazer alguma coisa pelas pessoas que dependem de nós ou que estão próximas de nós. A gente pode amar mais, dividir mais. Olhar mais pra o outro. Sermos menos egoístas. Isso não muda o mundo. Mas pode mudar o mundo de quem está próximo de nós. 

É preciso assumir a responsabilidade pelos seus problemas

Tem muita gente que tem o hábito de transferir para o outro responsabilidades que são suas. E essa situação é tão curiosa que, com frequência, quando as coisas não vão bem, essas pessoas parecem esperar que o outro possa fazer algo para salvá-las.

De fato, solidariedade é algo que carecemos. Que devemos desenvolver. Porém, não dá para ficar de mal com o mundo porque, muitas vezes, estamos com dificuldades para dar conta de nossas tarefas ou da nossa própria vida. Infelizmente, a gestão da existência cabe a cada pessoa, individualmente.

O ato de estender a mão, de ajudar, de apoiar… é um ato de generosidade. Entretanto, não se deve alimentar expectativas e muito menos cobranças em relação às pessoas próximas. Até porque tem coisas que só cabem a nós mesmos.

Conheço gente que tem problemas no emprego e fica irritada com o parceiro porque parece esperar que ele (ou ela) fale ou faça alguma coisa para resolver a situação. E quando ele diz: “acalme-se, vamos tentar achar uma solução”, a pessoa ainda se magoa. Quer dizer, nada que o outro diga ou faça, ajuda.

E, sabe, não vai ajudar mesmo, porque o problema é da pessoa, cabe a ela resolver. E esse resolver, às vezes, é resolver internamente, dentro do coração… É lidar com as próprias emoções.

Infelizmente, essas pessoas são imaturas. Parecem que sempre tiveram alguém para protegê-las, para cuidar delas, para evitar que sofressem. Na verdade, quando isso acontece, criam-se pessoas frágeis, incapazes de lidar com conflitos, pressões. Não são resilientes. Só estarão prontas para viver quando, de fato, descobrirem o próprio potencial e assumirem suas responsabilidades na condução da própria existência.

É difícil ser honesto no relacionamento

A honestidade é um princípio fundamental em qualquer relacionamento. Porém, poucas coisas são tão difíceis de serem vividas. Quase todo mundo esconde alguma coisa do parceiro, da parceira. E, muitas vezes, esconde fatos que comprometem a relação, que vão distanciando o casal.

Não é fácil admitir, mas quem de fato é totalmente honesto com a pessoa amada?

Sabe aquele colega de trabalho que sempre faz elogios, que comenta sobre suas curvas e só não te levou pra cama por que ainda não teve oportunidade? E daí, você conta ou não para o seu parceiro?

E aquela amiga bonitona, que te deixa com tesão… Com quem vez ou outra você flerta? Coisa “inocente”, justifica. Você conta ou não para a parceira?

Eu cito aqui situações que parecem envolver fidelidade. E essa é uma das questões mais controversas e polêmicas nos relacionamentos. Afinal, a maioria exige fidelidade, mas até que ponto é de fato honesto na relação?

O ser honesto, entretanto, não tem a ver apenas com os flertes, paqueras com terceiros. Tem a ver também com as finanças, os sonhos para o futuro, as suas frustrações e até mesmo desejos (o que gostaria de viver) no romance.

Não são raras as ocasiões em que a pessoa esconde do outro quanto anda gastando, quais são seus projetos de vida, traumas passados e mudanças que desejaria viver no relacionamento.

Também se escondem amizades, contatos virtuais, fracassos profissionais e pessoais… E o que acaba sobrando para a vida a dois são imagens forjadas de pessoas que não existem de fato. O problema é que nossas máscaras não se sustentam por toda uma vida. E, por isso, com frequência, as relações esbarram nas mentiras que machucam, magoam e decepcionam, provocando desconfiança, medo, pondo fim à intimidade. 

Perdoe-se!

Viver nunca foi fácil. E nunca será. Mas tem gente que gosta de complicar. Tá… A pessoa provavelmente não tem culpa, nem percebe o que faz. Eu sei!!! Ainda assim, por que não consegue olhar para frente e deixar de se cobrar pelos erros cometidos?

Tenho comigo um princípio: erros cometidos são passado. Já foram. Devem ser enterrados. A bobagem que fiz ontem pode ainda me deixar com raiva hoje, mas amanhã ou depois tem que estar na lista dos erros que vou tentar não cometer mais. E pronto. Vez ou outra vou espiar pelo retrovisor da vida, pensar comigo “mas que imbecil eu fui”, mas só isso. Não vou ficar me torturando por isso, porque já foi, já passou. E não tenho controle do que já fiz.

É fato que tem gente que adora apontar o dedo, nos fazer lembrar e até nos acusar pelas falhas que cometemos. Ainda assim, não podemos entregar a chave da nossa paz interior nas mãos das outras pessoas. Para respondê-las, o argumento que uso é bem básico: “Errei, mas já passou. Estou fazendo o meu melhor para não falhar novamente. Eu me aceito com meus erros. Se você me ama, vai me aceitar também”.

Acontece que tem gente que não consegue fazer isso. Conheço pessoas que se torturam por fracassos ou “pecados” cometidos há anos. Elas não se perdoam. Você olha pra pessoa e diz: “Querida, já foi… Você não pode fazer mais nada. Siga adiante”. Porém, parece incapaz de aceitar que não há mais nada a fazer.

Quem não se perdoa, perde a chance de viver. Sofre pelo passado e deixa de aproveitar o presente. 

Sabe, esse princípio que tenho comigo, que aplico para mim, não é meu. É de alguém que foi o maior dos mestres. Jesus foi quem ensinou a seguir em frente. O que ele quis ensinar foi algo simples: “Fez bobagem? Não faça mais! Toque sua vida. Seja feliz!”.

Lembre-se, a vida é um eterno reconstruir-se!

Relações egoístas

Uma das coisas que me incomodam profundamente é a falta de respeito pelo outro. A gente vive uma época delicada… Muitas pessoas parecem incapazes de ter empatia, de enxergar além do próprio umbigo. É como se o mundo se resumisse a elas mesmas, ao que acham certo e o outro estivesse ali apenas para atendê-los. E isso, mais que um ato de desrespeito, é um ato de agressão, de falta de amor.

Infelizmente, esse tipo de comportamento acontece nas diferentes dinâmicas de convivência mútua.

Na empresa, pode ser aquele chefe que olha para o colaborador como se fosse alguém que precisa estar 24 horas à disposição, uma pessoa que não tem família, não precisa almoçar… É como se o colaborador vivesse apenas para aquilo. Isso o obriga a ter uma vida que gira em torno da empresa.

Isso também acontece na escola. Conheço educadores que parecem desconhecer que seus alunos possuem outras disciplinas, atividades de outros professores que também precisam ser realizadas. Embora eu entenda que possam ter boa intenção, e mais dedicação seja fundamental no processo de aprendizagem, é preciso compreender as especificidades das relações e as próprias limitações que as circunstâncias impõem.

Na vida a dois, essa incapacidade de ver o outro se torna ainda pior. Defendo a importância de se doar pelo parceiro, pela parceira. Porém, também defendo que o outro seja visto. E essa atitude significa notar quando a pessoa amada não dá conta de atender você. Tem gente que, em nome de suas carências, atropela as carências do/a companheiro/a, cobra uma atenção que a outra pessoa naquele momento está impossibilitada de dar. Talvez por esgotamento físico, mental…

Quando não vemos o outro, as necessidades e impossibilidades do outro, estamos sendo egoístas. Estamos resumindo a vida aos nossos desejos. E relacionamentos pautados em motivações egoístas não são satisfatórios, produtivos e felizes.

Amando, mas carente

Dá para sentir falta do outro, mesmo com o outro do lado? Infelizmente sim. O descompasso nas expectativas e a ausência de envolvimento afetivo pleno podem judiar do coração.

Às vezes, você tem uma relação e sente falta de mais energia, de mais vibração. Sente-se falta da paixão. Mas tem ocasiões ocasiões que se contentaria com um pouco mais de carinho, de presença…

O toque gentil, aquele momento que a pessoa senta ao seu lado e mexe em seus cabelos, faz carinho em suas mãos, é um afago ao coração.

Entretanto, principalmente em relações mais duradouras, esses pequenos gestos muitas vezes se esvaziam. É impossível não sentir inveja de alguns casais que, mesmo sentados na mesa de um restaurante, espontaneamente, trocam carícias.

São atitudes simples, mas que dizem para o outro: “eu estou aqui, sinto prazer ao estar em sua companhia”. Gestos assim são como ouvir do outro as mesmas palavras de Lulu Santos:

… ela me faz tão bem, ela me faz tão bem…

E, quando o coração é cuidado pelo carinho da pessoa amada, tudo que mais se deseja é dizer:

… eu também quero fazer isso por ela…