Cinco critérios para identificar uma pessoa confiável

Ei… Encontrar gente confiável é um negócio complicado, hein?

Gente confiável é coisa rara.

Anos atrás, vi uma pessoa falando sobre o principal critério para a contratação de um profissional. Ela dizia que o mais importante critério para escolher alguém é a confiança. O profissional deve ser confiável. As habilidades e competências para a atividade profissional podem ser ensinadas e desenvolvidas. Mas ninguém ensina uma pessoa a se tornar confiável. É uma questão de caráter.

Embora essa ideia tenha sido usada no contexto do mercado de trabalho, como critério para contratação, penso que confiança é um aspecto fundamental em todas as relações.

A gente não traz pra casa gente que a gente não confia. Ou, pelo menos, a gente não deveria trazer…

Quando você contrata um pedreiro que não é confiável, você arruma um problemão.

Quando você arruma um namorado que não é confiável, você arruma uma bela dor de cabeça, com direito a muitas histórias mentirosas, desculpas infindáveis, lágrimas, decepções, traições.

Mas como saber se uma pessoa é confiável ou não?

Eu preparei algumas dicas pra você. São alguns critérios para separar os confiáveis dos enganadores. Se você tiver disposição para observar uma pessoa antes de inseri-la em sua vida, pode usar essa listinha que vou compartilhar.

Primeira:
Honestidade – Não confie em quem mente para você. Se você notou alguma contradição, pegou no ar alguma coisa que te leve a desconfiar, faça uma pesquisa mais a fundo e tente verificar a veracidade do que a pessoa anda dizendo. Quem conta mentirinhas, conta também grandes mentiras.

Segunda:
Transparência – Gente que tem segredos, que vive escondendo coisas, é gente que que não é transparente. Todo mundo deve valorizar a sua privacidade. Mas existe diferença entre privacidade e ausência de transparência. Quem não é transparente, sempre arruma uma história para evitar falar sobre o que fez ou faz de sua vida.

Terceira:
Responsabilidade – Gente que foge das responsabilidades não merece confiança. Gente que assume as responsabilidades é gente que diz: “fui eu, eu errei, me desculpe”. A pessoa assume o que faz. Gente responsável é gente que mantém suas promessas. Cumpre os compromissos. Disse que estaria com você na segunda-feira, às 9h, a pessoa está lá. Falou que ia te levar um livro emprestado no sábado? No sábado, a pessoa está lá, com o livro na mão.

Quarta:
Ações éticas – Não confie em pessoas que dão jeitinho. Confie em pessoas que demonstram condutas justas, honestas, coerentes. Pessoas que demonstram coerência com a própria consciência. Quem é ético, não acha normal roubar sinal de tv a cabo, sonegar impostos, ficar com o troco a mais que recebeu no caixa do supermercado.

Quinta dica:
Gente confiável não faz propaganda da sua honestidade. Suspeite sempre de alguém que diz: “confie em mim”. Suspeite de quem prega muito a honestidade. Quem é honesto nem pensa na honestidade; a pessoa simplesmente é honesta, é correta porque faz parte de sua essência. Pessoas confiáveis não sentem a necessidade de dizer o que temos ou o que não temos que pensar a respeito delas. Gente confiável não muda suas práticas por causa da opinião alheia ou em função do ambiente onde está.

Pegou as dicas?

Use esses critérios como uma lupa. E escolha conviver com pessoas confiáveis.

Texto inspirado em dicas de John Gottman.

De quem é a culpa pelos problemas do seu relacionamento?

Eu espero que você não tenha problemas, mas, se existem problemas no seu relacionamento, de quem é a culpa?

A palavra culpa é um pouco forte, né? Mas usei de maneira intencional pra chamar a sua atenção. Existem sim situações em que a palavra “culpa” poderia ser usada, mas não é o que ocorre na maioria dos relacionamentos.

Poderíamos falar, talvez, em responsabilidade pelos problemas. Suaviza o discurso e chama para o compromisso. Afinal, pessoas responsáveis por causar um problema também devem ser responsáveis por resolver o problema.

Mas e aí… Pensou na minha pergunta?

Gente, eu escrevo e falo sobre relacionamentos há mais de 12 anos. Desde o meu primeiro texto, recebo pedidos de conselho, gente que está com problemas no relacionamento e quer orientação.

Quando alguém me procura pela internet pra falar sobre os problemas do relacionamento, geralmente a pessoa começa listando os problemas do parceiro, da parceira.

Com o tempo, eu concluí que, considerando as reclamações que recebo, a culpa pelos problemas do relacionamento é sempre do outro. É isso. Tá dando errado? Pois bem… O outro é que está sabotando a relação.

Dias atrás, até fiz um post provocativo sobre isso no Instagram. Uma leitora comentou: a culpa dos problemas na relação geralmente é do homem.

Impossível não achar graça dessas reações.

Quando as pessoas me pedem conselho, geralmente desagrado nas respostas.

Infelizmente, sou péssimo conselheiro. Eu sou um pesquisador e observador do comportamento humano. Não sou terapeuta. Então, não sou tão sútil e estratégico nas falas.

A primeira coisa que eu questiono é: quanto você tem contribuído para o seu relacionamento não funcionar?

Pois é… Não levo jeito pra dar conselhos. Minha vocação é pesquisar e ensinar; aconselhar está fora da lista.

Mas, voltando…

Gente, é fato que quase sempre existe uma das partes mais comprometida do que a outra com a felicidade do relacionamento. E quem procura ajuda demonstra o desejo de fazer dar certo. Mas também é verdade que, como regra, as duas partes cometem erros e sabotam o romance.

Às vezes, os erros começam já no namoro. A pessoa fecha os olhos para problemas que estão ali acreditando que, depois do casamento, tudo vai mudar. E é verdade, muda. Mas quase sempre pra pior.

Então, mesmo num relacionamento que tem um vilão, uma vilã, a vítima provavelmente teve a chance de enxergar traços dessa vilania antes de dizer sim para um compromisso maior, como o casamento. Um monstro não nasce de um dia para o outro, né?

Por isso, quando a gente pensa no relacionamento, gosto de indicar a necessidade de olhar primeiro pra si mesmo e identificar o que a pessoa já fez, o que está fazendo para prejudicar a relação e o que poderá fazer para salvá-la.

Todo a minha pesquisa acadêmica e também os textos que trago aqui partem de uma noção filosófica: o cuidado de si.

Desde a filosofia clássica dos gregos e romanos, com confirmação de um dos mais importantes mandamentos, o amar os outros como amo a mim mesmo, há um apelo para que a primeira referência na minha relação com o outro seja eu mesmo.

O amor que eu me dou, eu dou ao outro. O que quero pra mim, quero para o outro. O que não faço comigo e não quero que façam comigo, eu também não faço ao outro,

E, na perspectiva filosófica do cuidado de si, eu preciso ser verdadeiro comigo, cuidando das minhas imperfeições, governando, primeiro, a mim mesmo, para, depois, me relacionar com os outros.

Logo, se meu relacionamento não vai bem, preciso olhar pra mim e avaliar qual a minha responsabilidade.

Isso é muito difícil. Mas é necessário.

Muitas relações estão morrendo porque as pessoas querem ser atendidas em seus desejos, mas nem sempre se dão conta que também precisam se doar para atender aos desejos do outro.

Com isso, estabece-se um espécie de cabo de guerra, cada um puxando para um lado e, no final, todos saem machucados.

Gente, relacionamento é muito difícil. Necessita de comprometimento de ambas as partes. Mas, quando os problemas já se instalaram, alguém tem que ter a iniciativa de começar a resolver.

Não dá pra ficar esperando apenas pelo outro.

Se olhar demais para tudo de ruim que a outra pessoa está fazendo, a relação vai afundar ainda mais.

Por isso, se a pessoa quer salvar a relação, precisa dizer: eu vou começar a arrumar essa bagunça!

Às vezes, o outro vai demorar um tempo para responder, mas alguém tem que começar. O começar, em alguns casos, pode ser até simples: um convite para um diálogo franco pode ser o começo da solução. Noutros casos, o problema é tão profundo que, talvez, sejam necessários meses e meses de investimento solitário na relação para que haja abertura para uma primeira conversa sincera.

É por ser tão desgastante que muita gente escolhe o caminho aparentemente mais fácil: separar-se e tentar com outra pessoa.

O problema é que hábitos desenvolvidos numa relação são levados para o outro relacionamento e a chance de dar errado tudo de novo é ainda maior.

Por isso, pra concluir, meu convite pra você hoje é um só: está com problemas no relacionamento? Pense menos na culpa do outro e olhe mais pra você como parte essencial da solução. Pergunte a você mesmo, a você mesma, o que eu tenho feito pra não estar funcionando? E agora… O que eu posso fazer pra consertar?

Mudanças podem ser oportunidades para vivermos coisas novas

O que você me diz? Gosta de mudanças?

Muita gente diz que gosta, mas, na prática, é bastante resistente às mudanças.

Quando a pessoa responde a pergunta sobre gostar de mudanças, geralmente responde projetando coisas boas, maravilhosas. Responde pensando em mudanças que ela deseja viver, experimentar.

Talvez seja o sonho de uma casa com piscina, um emprego numa empresa que ela vem batalhando há muitos anos por uma oportunidade, a chance de uma cirurgia plástica…

Enfim, todo mundo gosta das mudanças que estão no próprio imaginário, como sonhos, desejos.

Mas essas mudanças não acontecem sempre. E, mesmo quando acontecem, geralmente não são como imaginávamos. Por isso, frequentemente, causam bastante frustração.

Na prática, o tipo de mudança que realmente ocorre com a gente, não nos agrada nenhum pouco. E isso acontece porque nosso cérebro sente-se mais confortável com o que é conhecido.

Esta é a razão de raramente fazermos percursos diferentes para o nosso trabalho (a gente vai sempre pelos mesmos caminhos), também é o motivo de termos um ou dois supermercados de preferência, farmácia, posto de gasolina, loja de roupas, calçados…

Até mesmo para as compras na internet, temos as nossas lojas, aquelas que são nossas preferidas.

No trabalho, a maioria não curte mudar de função toda hora, mudar de horário, mudar de local… Tem gente que se irrita só com a ideia de alguém mexer na sua mesa.

Ou seja, as mudanças quase sempre incomodam.

E incomodam porque, primeiro, nosso cérebro gosta do já conhecido e, segundo, porque parte das mudanças são acontecem por escolha nossa.

Frequentemente, as grandes mudanças ocorrem por fatos que se impõem, que atropelam tudo que estamos acostumados, ou que havíamos planejado, sonhado.

A perda de um emprego, por exemplo, provoca uma profunda mudança. E essa é uma mudança que, enquanto uma nova oportunidade não aparece, nos deixa no vazio, no campo das incertezas. Não tem como se sentir bem tendo a vida financeira totalmente indefinida.

Esta semana, vi a notícia de uma jovem mãe que já tem duas crianças. Agora, ela está grávida de novo. E está grávida de quíntuplos. Ou seja, estão chegando mais cinco crianças.

Filhos são vida? São. Quíntuplos é algo uau? De tirar o fôlego? Claro que sim. Mas essa mãe confessou à reportagem, está se sentindo bastante desorientada por enquanto. Afinal, como será a vida dela com sete crianças? Uma coisa é uma mãe que tinha seis filhos e chegou o sétimo. Outra bem diferente é ter duas crianças e chegarem mais cinco de uma única vez.

Loucura, não é verdade? Mega mudança.

Mas, gente, eu tenho tentado enfrentar as mudanças que enfrento com serenidade. E, para isso, sempre digo a mim mesmo: as mudanças podem ser oportunidades para fazermos e vivermos coisas novas.

Às vezes, alguns velhos hábitos, coisas com as quais nos acostumamos, podem até não nos incomodar. Porém, nos impedem de viver algo realmente diferente.

Por isso, minha dica pra você hoje é: quando acontecer um fato que vai desencadear mudanças em sua vida, não se desespere. Olhe para a situação com serenidade e fé. Peça a Deus sabedoria para que você aproveite a situação para construir algo realmente diferente e que poderá te proporcionar um novo momento em sua vida, verdadeiramente abençoado.

Mudanças nos desestabilizam, mas são oportunidades de construir uma nova história.

O amor e os relacionamentos em tempos líquidos

Um dos sociólogos que está na minha lista de leituras preferidas é o polonês Zygmunt Bauman. Já estudei várias de suas obras e elas fazem parte de conteúdos riquíssimos que trabalho com meus alunos na faculdade.

Autor da ideia de que vivemos numa sociedade líquido-moderna, Bauman também afirma que os amores se tornaram líquidos.

O que isso significa? Primeiro, uma sociedade líquido-moderna é aquela que tudo é fluído, não existe nada estável, a segurança e as certezas se perderam. Noutras palavras, significa que o jeito que se vive hoje já não tem mais nada a ver com o que viviam nossos pais. Significa que ninguém mais tem garantia alguma que o certo de hoje ainda será certo amanhã. E, nomeie diz respeito ao amor e aos relacionamentos, a lógica se reproduz: nenhuma promessa de amor eterno é confiável. O eterno se tornou “eterno enquanto dure” ou eterno até que apareça alguém aparentemente mais interessante.

As pessoas entram hoje numa relação para saírem dela em algumas semanas ou meses. Um relacionamento duradouro, do tipo “até que a morte nos separe”, parece estar fora de moda. As se apaixonam para se desapaixonarem diante dos primeiros desconfortos.

Bauman não defende esse modo de vida liquido-moderno. O sociólogo, como leitor do mundo em que vivemos, observou o comportamento da sociedade e chegou a essas conclusões relatando-as em suas obras.

Para ele, os prejuízos desse modo de vida são evidentes. As pessoas estão insatisfeitas, infelizes e isso pode ser observado nos consultórios de psicólogos, psiquiatras, também nos gabinetes pastorais, de padres e pessoas que se tornaram especialistas em aconselhamento.

Bauman cita que os relacionamentos estão hoje entre os principais motores da indústria do aconselhamento.

Por outro lado, a literatura, principalmente midiática, ensina um tipo de “relacionamento de bolso”, que se pode dispor quando necessário e depois tornar a guardar. Os textos de comportamentos em sites, blogs e também os modelos de relacionamento em séries, novelas, filmes sugerem que relacionamento bom é aquele que atende os desejos, que é conveniente… Se deixa de ser conveniente, descarta-se.

Com isso, pouca gente entra numa relação comprometido em fazer dar certo. A pessoa começa se protegendo de futuras mágoas, decepções e, com isso, o outro é candidato a tornar-se um adversário a qualquer momento. A parceria não existe. Não existe pacto por fazer dar certo. Cada um olha a relação a partir de seus próprios interesses.

O discurso que impera nesses conteúdos midiáticos é que o compromisso, em particular o compromisso a longo prazo, é a maior armadilha a ser evitada.

Hoje, segundo Bauman, parece que o tipo de conselho mais desejado é: como estabelecer um relacionamento ou – só por precaução – como rompê-lo sem dor e com a consciência limpa?

Sem a possibilidade (ou o desejo) de relacionamentos de qualidade, tende-se a buscar a desforra na quantidade. As pessoas acumulam histórias de relacionamentos, substituindo pessoas sem criar vínculos.

A repetição de inúmeras experiências “amorosas” não permite o conhecimento do amor; na verdade, tem promovido o “desaprendizado do amor”.

Entretanto, amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde à felicidade de dividir a vida com alguém, num ato de doação, de entrega, de renúncia do próprio eu para a construção do nós.

Como afirma o psicanalista Erich Fromm, a satisfação no amor não pode ser atingida… sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeira.

A nossa fé autoriza sermos desagradáveis com outras pessoas?

Num episódio recente, perguntei: conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas?

Afinal, a gente espera muito dos outros, mas até que ponto somos pessoas que tornam alegradores os momentos que os outros estão conosco?

A reflexão sobre isso é fundamental. A gente enxerga as chatices dos outros, mas não enxerga as nossas.

Diante da argumentação que apresentei, uma ouvinte me mandou recado:

Eu não sou agradável porque não faço o que os outros querem e sim a vontade de Deus.

Tentei argumentar com ela. Mas ela usou a morte de Jesus como justificativa para dizer que as pessoas não gostavam dele e que cristãos não são agradáveis no relacionamento com os outros, porque possuem uma postura que não combina com o mundo.

Eu não insisti. Optei por não perder uma ouvinte dos meus conteúdos.

Entretanto, fiquei pensando: será que outras pessoas pensam assim? Será que a nossa fé nos autoriza sermos desagraveis com as outras pessoas?

Eu não acredito nisso!

É fato que Jesus foi perseguido e morto. Mas também é verdade que as pessoas queriam estar próximas dele. Muita gente sentia prazer em estar com ele. Havia sim um certo grau de interesse nessa relação: pessoas queriam milagres, curas, libertação. Mas muita gente estava com Ele para ouvi-lo.

Num tempo em que as crianças não eram nada na sociedade, não tinham valor algum, elas gostavam de estar com Jesus, queriam a companhia dEle.

Além disso, a companhia de Cristo era tão desejada que cobradores de impostos corruptos, prostitutas, gente cheia de problemas, gostava de ficar com Ele.

Ou seja, a santidade de Jesus não o separava das pessoas; a santidade de Jesus não tornava a companhia dele pesada, desagradável.

Jesus não ficava censurando as pessoas. Jesus não era rabugento, chato. Nem por isso, Jesus fazia o que faziam as pessoas pecadoras, cheias de problema.

E aqui está um princípio fundamental: nossa fé deve ser instrumento de atração das pessoas e não de afastamento das pessoas.

Não é porque não vivo o que outras pessoas vivem que minha presença deve se tornar desagradável.

É um erro absurdo achar que a nossa fé nos impede de sorrir, de brincar, de contar e ouvir histórias, de fazer piada com os outros. Nossa fé não pode ser instrumento de julgamento, de militância moralista.

Nossa fé precisa ser instrumento de amor, de acolhimento, de perdão, de palavras doces, suaves. Nossa fé deve servir para motivar, para animar, para espalhar esperança.

Quem não gosta de estar com alguém que ama de verdade, que não julga, que tem sempre um sorriso acolhedor no rosto, que fala de maneira gentil?

Se minha fé afasta as pessoas, existe um problema no meu cristianismo.

A maneira como vivemos deve atrair pessoas. Nunca afastá-las.

Se minha companhia, em função da fé, faz com que ninguém queira estar comigo, preciso rever os meus conceitos e minha maneira de viver a experiência cristã.

Os cristãos são o Cristo na terra.

É fato que nunca agradaremos todas as pessoas. Também é fato que algumas pessoas vão nos rejeitar e até perseguir em função da nossa fé.

Mas nós não devemos ser os agentes causadores do afastamento. O fato de querer viver uma vida correta não justifica ser sisudo, pessimista, alarmista, tampouco nos dá direito de apontar os erros dos outros, censurar suas falhas.

Quando Jesus se ofereceu para estar na casa de Zaqueu, você não vê ali o Mestre falando dos defeitos dele, dos anos de corrupção. Jesus não diz: ei, eu vim na sua casa, mas agora vê se toma vergonha nada cara e muda de vida.

Nada disso. É pelo gentil e espontâneo do mestre, de se oferecer para estar na casa de Zaqueu, sem julgá-lo, sem avaliar o passado dele, é por essa atitude cheia de amor e graça que aquele publicano abraça a fé e se dispõe a repara todos os seus erros passados cometidos contra seus irmãos israelitas.

Portanto, volto a perguntar: conviver com você é uma experiência agradável para as outras pessoas? Saiba que a fé deve ser instrumento de atração, de beleza, de encantamento, de leveza.

O que seu parceiro(a) precisa para sentir-se amado(a)?

Ei… Deixa eu te fazer uma pergunta: o que seu parceira, parceira, precisa para sentir-se amado? É isso aí… A pergunta é esta: o que seu parceiro, sua parceira, precisa para sentir-se amado?

Minha fala de hoje é destinada principalmente às pessoas que estão num relacionamento. Mas essa pergunta poderia ser diferente: o que meu filho, filha, precisa para sentir-se amado? O que meu amigo, amiga, precisa para sentir-se amado?

Gente, eu apresentei diferentes formulações de uma mesma pergunta. Apenas apliquei para pessoas e tipos de relacionamento diferentes.

E por que essa pergunta é fundamental? Porque cada pessoa é única também no jeito de sentir-se amada.

Tem um livro maravilhoso sobre isso, “As cinco linguagens do amor”, de Gary Chapman. Já fiz inclusive uma série de vídeos sobre o livro no meu canal no YouTube.

Nesse livro, o autor lembra algo que frequentemente ocorre num relacionamento: as pessoas geralmente oferecem amor ao parceiro, parceira, tendo como referência a si mesmas.

O pesquisador de casais, professor John Gottman, professor emérito da Universidade de Washington, depois de analisar em laboratório a dinâmica de milhares de casais, demonstrou que a ausência de um compromisso em descobrir como o outro se sente amado leva a uma quebra do laço de confiança. E a confiança, segundo ele, é a base principal para um relacionamento feliz.

A confiança vai se esvaziando não apenas por uma dinâmica de traição sexual, mas parceiros também se sentem traídos quando suas carências emocionais não são correspondidas pelo parceiro, pela parceira,

Vamos falar de alguns exemplos… Existem pessoas que se sentem plenamente amadas quando recebem elogios em suas realizações cotidianas. Tipo, a pessoa ama cozinhar e gosta de receber elogios quando faz até mesmo um arroz. Se o parceiro, parceira, não percebe que esse é um aspecto que o outro dá importância, vai haver uma fissura no relacionamento.

Tem gente, porém, que precisa que o amor seja demonstrado com toques, carícias… Existem outras que precisam mais tempo, de atenção, escuta ativa.

Enfim, cada pessoa tem seu próprio jeito de sentir-se amada. Todos os gestos de carinho, sejam eles elogios, o toque, o tempo, entre outros, são importantes para o relacionamento. Mas sempre existe uma coisa que fala mais alto, que funciona melhor. E é isso que precisamos descobrir sobre a nossa parceira, sobre o nosso parceiro.

Muita gente ama, mas não comunica esse amor do jeito certo. E não é porque a pessoa faz tudo errado; ela faz errado para a pessoa com a qual ela convive.

Eu conheço gente que busca demonstrar amor tendo um cuidado enorme com os serviços domésticos; acontece que a outra pessoa gostaria mesmo é de ter uma companheira que tivesse mais disposição para assistir filmes juntos. Parece bobagem, mas esse descompasso gera fissuras no relacionamento. Quem quer ver os filmes não se sente amado, porque a outra pessoa está sempre ocupada com o trabalho de casa.

Por isso, perguntar-se: o que meu parceiro, minha parceira, precisa para sentir-se amado pode ser o primeiro passado para um relacionamento muito melhor.

É fácil descobrir? Depende.

Perguntar para o outro é sempre uma alternativa. Porém, a maioria das pessoas não se conhece o suficiente. E, por isso, uma pergunta do tipo: “o que você precisa para sentir-se amado?” pode não ser totalmente compreendida. O parceiro, a parceira, que ouvir a pergunta pode achar que é uma ironia, uma provocação.

E se o relacionamento já estiver um pouco desgastado, a pergunta pode resultar até em agressões verbais.

Então, pra descobrir, no diálogo, como o outro se sente mais amado, é preciso criar um ambiente favorável.

Mas existe uma outra alternativa que geralmente funciona: a observação das prioridades do outro. Por exemplo, quem convive comigo vai perceber que a atividade intelectual é o que me dá mais prazer. Eu amo ler, estudar, escrever… Gosto de ensinar em aulas, áudios/podcasts, vídeos… Ou seja, não é difícil concluir que reparar no meu trabalho, apreciar o que faço, interagir de forma inteligente com tudo que produzo é uma maneira de tocar meu coração. Mas, como minha conexão é profunda é bastante crítica com tudo que faço, dizer: “que lindo” ou “que legal” é um elogio, mas está distante demais de ser realmente uma demonstração que a pessoa realmente aprecia o que faço. Então, se a minha esposa diz apenas: que legal, pode ter certeza que não vou me sentir amado.

Então, a observação das prioridades do outro pode te ajudar a descobrir o que faz seu parceiro, sua parceira, se sentir amado. Ela ama música? Toca algum instrumento musical? Talvez aí esteja a chave para tocar o coração dela. Ele ama o carro dele? Talvez o simples ato de elogiar o cuidado dele com o carro pode ser uma forma de você dizer: eu te amo.

Então, fica a dica: descubra o que seu parceiro, parceira, precisa para sentir-se amado. Depois, coloque em prática algumas ações para tocar o coração dele, dela; por fim, conte-me tudo e não me esconda nada: diga pra mim se você tentou e como seu parceiro, sua parceira reagiu. Ok?

Ah… E se for com um filho, um amigo, namorado, enfim, também vale a experiência.

A pandemia e a desigualdade na educação

A pandemia aprofundou um problema que há décadas tem sido negligenciado no Brasil: a desigualdade na educação. As crianças de origem pobre são vítimas duas vezes: da pobreza em si e das impossibilidades de acesso ao melhor da educação. Na pandemia, porém, a falta de recursos aprofundou o problema: muitas crianças, adolescentes e jovens não possuíam o mínimo necessário para acessar as aulas on-line.

Uma reportagem da BBC Brasil, que teve como referência uma pesquisa do instituto DataFolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Banco Interamericano de Desenvolvimento, apresentou dados que nos ajudam a compreender um pouco a dimensão dessa desigualdade.

Segundo a pesquisa, mesmo depois de um ano e oito meses do início da pandemia e das aulas on-line, mais da metade dos alunos da rede pública ainda não tem computador com acesso à internet.

A pesquisa revelou que cerca de 85% dos alunos, que assistiam às aulas no sistema remoto, faziam isso pelo celular. Entretanto, em algumas famílias, o aparelho precisava ser dividido por até 3 pessoas. A falta de internet também foi e continua sendo uma realidade para muitos alunos.

Professores que atuam na rede pública e também em escolas particulares relataram à reportagem da BBC que, não raras vezes, nas aulas de escolas particulares contavam com cerca de 90% dos alunos presentes, já nas escolas públicas não era incomum passar a aula inteira sem a presença de um único aluno.

A desigualdade social e econômica também se revela na falta de acesso a determinados bens e serviços. Durante a pandemia, tornou-se fundamental ter computador, internet e um espaço adequado para estudar. Entretanto, essa não foi e não é a realidade de milhões de alunos pobres.

Mesmo no ensino superior, em instituições particulares, muitos alunos desistiram de seus cursos por não conseguirem acessar as aulas on-line. Recordo de uma aluna, que estava no terceiro ano de Jornalismo quando começou a pandemia. Ela pagava a faculdade com o dinheiro do estágio. Mas a família era muito pobre. Não tinha internet em casa. Então, a jovem não assistia as aulas como os colegas. Para ter acesso ao material gravado, durante o dia, ela procurava baixar o conteúdo quando estava num ambiente que tinha Wi-Fi. Entretanto, as semanas foram passando, a quantidade de aulas on-line foi aumentando e chegou um momento que a aluna teve que desistir. Não tinha como continuar. Ela não tinha como acompanhar.

O caso dessa jovem não foi único durante esse período. E os professores sabem que, desde a educação básica, passando pelo ensino fundamental e médio, até o ensino superior, para não prejudicar ainda mais muitos alunos, foi necessário cobrar menos, abonar inúmeras faltas, cancelar uma série de atividades. Tudo para não desestimular e, inclusive, não reprovar milhares de crianças, adolescentes e jovens.

Mas, como mostrou a reportagem da BBC Brasil, criou-se um abismo entre a rede particular e a rede pública. Esse abismo não esteve relacionado apenas a ausência de acesso à uma estrutura mais adequada nas escolas públicas ou por falta de habilidade, treinamento para os professores do ensino público. O abismo foi aprofundado justamente pelas condições totalmente desiguais enfrentadas pelos alunos pobres.

E sabe qual o problema disso? Se, em um cenário tido como normal, os alunos pobres já estão em condições menos competitivas para a realização de exames como o Enem e vestibulares, a pandemia certamente ampliou a diferença no preparo dos alunos das redes particular e pública.

Especialistas acreditam que os efeitos serão notados já no Enem deste ano, com menos jovens pobres aprovados nas universidades. A situação deve ser semelhante nos vestibulares.

Porém, o efeito desse prejuízo ocorrido durante a pandemia não deve se limitar a este momento. Quem perdeu aulas e conteúdos nesses dois anos não consegue recuperar isso em seis meses ou um ano. Talvez seja um prejuízo que levará para a vida.

Além disso, com a pandemia, todo o sistema educacional passou a usar ainda mais as tecnologias nas diferentes práticas de ensino. O que torna urgente a sociedade e os governos pensarem em estratégias que possam amenizar as atuais condições tão desiguais enfrentadas pelos alunos pobres.

Série Especial: Relacionamento Pais e Filhos

Nessa última semana, apresentei uma série muito especial sobre o relacionamento “pais e filhos”. A educação de nossas crianças tem sido negligenciada. Preocupados demais em “ganhar a vida”, os pais têm perdido os filhos.

Por isso, gravei cinco temas essenciais para auxiliar as famílias a repensarem algumas práticas cotidianas. Evidentemente, em cinco episódios não é possível tratar de tudo que diz respeito aos filhos. Mas creio que alguns pontos fundamentais estão presentes nesses conteúdos.

Aqui, disponibilizo as versões em áudio (podcast) e também em vídeo. Escolha e aproveite os conteúdos!

No primeiro episódio, falei sobre os dois grandes erros cometidos pelos pais na educação das crianças. Claro, esses erros se desdobram em diversas atitudes, mas podem ser resumidos no “medo de educar” e na “falta de bons exemplos”.

Prefere ouvir? Dê o play no botão acima! Abaixo, você pode assistir a versão em vídeo

No segundo episódio, tratei da importância de monitorar/ver o que os filhos fazem na internet. Conto a história de um casal que teve todo o dinheiro da conta gasto pelos filhos num game, mas dedico boa parte do tempo para lembrar os problemas éticos, morais que podem acontecer a partir do uso da internet.

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No terceiro episódio, falo da fragilidade de nossos filhos. A molecadinha está cada vez mais frágil, se assusta com “cara feia”. Estão fracos num mundo cada vez mais difícil, exigente e que faz sangrar.

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Quarto episódio, um apelo aos pais: envolvam-se com a rotina escolar da criança. Quer o desenvolvimento de seu filho? Participe do cotidiano escolar e dos processos que envolvem a aquisição do conhecimento. Mas também alerto: envolver-se é diferente de intrometer-se.

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Por fim, defendo a importância do diálogo. Na era da informação, o que mais falta é comunicação entre pais e filhos. Muitos filhos são ilustres desconhecidos para seus pais. E a responsabilidade é dos adultos de criar um canal de diálogo saudável com as crianças.

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