Quando devo dar um celular ao meu filho?

Sou bastante conservador neste aspecto. Mas até o momento, não fui convencido que estou errado… Entendo que é necessário retardar ao máximo. Quanto mais tarde, melhor. Não há justificativa racional para uma criança ter um celular. Penso que o aparelho só deve chegar às mãos de nossos filhos na adolescência. Ainda assim, sem nenhuma pressa.

Mas aqui estão algumas outras recomendações…

Dar um celular ao seu adolescente não significa deixá-lo à vontade com o dispositivo. Depois que possuem um celular, com frequência, os adolescentes leem menos, estudam menos, focam menos nas tarefas, interagem menos com as pessoas próximas e se envolvem em mais confusões.

Por isso, os pais precisam estabelecer um limite no tempo de uso. Também é fundamental monitorar o que os filhos fazem ao celular.

O tempo de uso deve ser negociado, com bom senso. Entendo que o aparelho não deve estar nas mãos da garotada na hora das refeições, nas horas de estudo e muito menos durante à noite. Com frequência, vejo adolescentes que dormem mal, porque ficam no whatsapp e outras redes sociais até muito tarde. Isso prejudica o desempenho escolar e até mesmo o desenvolvimento físico e emocional. Dormir bem é uma necessidade de qualquer adolescente.

Mas, além de controlar o tempo de uso, é dever dos pais monitorar o que os filhos fazem com o celular. Enquanto os filhos estão em casa, não há nada de invasivo em acompanhar o que a garotada faz com o aparelho. Não são raros os casos de meninos e meninas que acessam conteúdos indevidos sem que a família saiba o que está acontecendo. Pior que isso, praticam bullying na rede, enviam nudes e se envolvem em problemas.

Por isso, educar também é ter controle da vida digital de seu filho.

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Como educar os filhos sobre o uso do celular?

O celular é hoje um dos dispositivos mais úteis ao nosso dia a dia. E talvez seja o aparelho mais pessoal. É o celular que levamos para todos os lugares. Todos mesmo!

Mas o dispositivo tem se tornado um problema – principalmente para as crianças.

E, por isso, muitos pais questionam: o que podemos fazer?

Devemos entender, primeiro, que nos primeiros anos de vida, os filhos se guiam pelas práticas dos pais.

Aquilo que fazem de maneira bastante interessada vai servir de referência para as crianças. Os filhos consideram interessante tudo aquilo que prende a atenção dos pais.

Se a mãe fica horas diante da tela da televisão, a criança vai achar que algo ali muito interessante acontece. Se o pai se envolve totalmente com a leitura de um livro, a criança vai querer saber o que tem naquelas páginas mágicas.

Ou seja, o que capta nossa atenção desperta o interesse dos filhos.

Portanto, se somos reféns do celular, nossos filhos também serão.

Mas existem outras práticas que formam os maus hábitos no uso do dispositivo.

Os pais não podem ter o aparelho como muleta, como estratégia para evitar que o filho chore, fique agitado ou coisa parecida. Eu sei que é bem mais cômodo dar o aparelho a uma criança de dois aninhos para que ela se comporte na igreja. Ou fique quieta enquanto você come no restaurante. Entretanto, quando os pais fazem isso, estão abdicando do verdadeiro papel que lhes cabe: educar.

As crianças precisam ser contidas e devem aprender a silenciar seus impulsos.

Por fim, não há nenhuma justificativa racional para dar um celular a uma criança de dois, cinco, oito ou até 10 anos. Elas não precisam do dispositivo.

Até o início da adolescência, quando começam a ter alguns compromissos que não requerem mais a presença dos pais, o celular é dispensável.

Por outro lado, nessa fase de desenvolvimento, as crianças carecem de tempo para brincar, devem se relacionar com outras crianças, frequentar parques, andar de bicicleta, fazer tarefas manuais, aprender música, artes…

Isso não transforma os pais em conservadores. Faz dos pais efetivos educadores, preocupados com o desenvolvimento cognitivo e social dos filhos.

Falta de planejamento compromete o futuro do Brasil

Nenhum país muda sem ter um planejamento de futuro. Trocar deputados, senadores, governadores e presidente da República pode até ajudar na reformulação de determinadas práticas, inclusive com novas políticas públicas. Mas não ocorrerão avanços significativos.

Fazer planejamento tem a ver com a cultura de um povo. Não é da cultura do brasileiro planejar. A gente não faz isso na casa da gente. Não faz na empresabasta notar a quantidade de empresas que fecham por não ter pensado todas as estratégias de curto, médio e longo prazos. E a gente não faz planejamento na política.

A Coreia do Sul há pouco mais de 60 anos era um território arrasado pela guerra. Um país pobre.

Muita gente atribui o sucesso econômico e científico da Coreia ao investimento na educação. É verdade que a educação fez e ainda faz a diferença por lá. Porém, a educação não foi a chave do sucesso. O segredo da Coreia do Sul foi planejamento. A educação fez parte das estratégias utilizadas para colocar o país na rota do desenvolvimento econômico e científico.

No Brasil, não damos valor a isso. A ausência de uma cultura de planejamento faz com que as ações iniciadas num governo sejam interrompidas no outro. Cada político pensa no seu mandato e em medidas que possam lhe render capital político, votos. Um governo inicia um programa de incentivo ao ensino superior, financiando bolsas de estudo… Um novo governo reduz a verba para o programa e dá início a outra ideia.

Um prefeito começa uma obra, não consegue concluí-la e, quando outro é eleito, entende que existem coisas mais urgentes e a obra fica parada.

Políticas precisam ser pensadas não para estancar um problema agora, mas para criar uma condição de vida melhor para as pessoas daqui a 20, 30… 50 anos.

Com uma mentalidade de planejamento, as pessoas compreenderiam que não existem soluções mágicas. É preciso muito trabalho, esforço, disciplina e tempo para dar conta de demandas históricas.

A Coreia do Sul não se tornou uma potência tecnológica, uma força na indústria automobilística mundial de um dia para o outro. Os resultados começaram a aparecer depois de quase 40 anos.

Mas veja só… O Brasil nunca foi arrasado por uma guerra, nunca sofreu com grandes catástrofes naturais, mas não sai do lugar. Nossos problemas de hoje não são diferentes dos problemas que tínhamos no passado. A gente sonha com o Brasil do futuro, mas o futuro nunca chega… E não chega porque a gente não planeja o futuro.

Isso só reforça o que estou dizendo: não existe um messias político para colocar o país nos trilhos. Se não houver uma mudança de mentalidade, a criação de uma nova cultura, a gente pode ter uma certeza: tudo vai continuar dando errado.

Brasil perde R$ 480 bi com sonegação de impostos

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas mostrou que o Brasil perde, anualmente, cerca de 480 bilhões de reais por causa da sonegação fiscal. Vou repetir o número: 480 bilhões!

Para se ter uma ideia, o dinheiro que o Brasil perde com sonegação em um único ano seria suficiente para cobrir o déficit das contas públicas brasileiras por três anos e ainda sobraria troco.

O Brasil deve fechar as contas de 2018 no vermelho. E o tamanho desse rombo será de 148 bilhões de reais.

Isso quer dizer, reforço, que se o país apertasse a fiscalização e punisse os sonegadores, nós teríamos dinheiro de sobra no caixa. Um saldo de 330 bilhões de reais.

Com isso, o país teria dinheiro para investir em infraestrutura, educação, saúde, segurança…

O estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, que identificou o tamanho da sonegação brasileira, não foi feito por algum curioso qualquer. Foi, na verdade, realizado pelo coordenador de Fiscalização da Receita Federal, Flávio Campos.

Ele concluiu que o país integra o grupo dos países mais benevolentes com sonegadores. Estamos ao lado da Colômbia, Malásia, Panamá… Curiosamente, quase todos os países que facilitam a vida dos sonegadores possuem grandes carências no atendimento à população.

Tem mais… Quase sempre, os maiores sonegadores são companhias, conhecidas e bem estabelecidas – sem contar personalidades importantes, famosas, megaempresários. Ou seja, o Estado é sim conivente com os sonegadores. Por aqui, sonegador não é preso; nos Estados Unidos, 80% dos sonegadores vão pra cadeia. E o tempo médio das penas é de 38 meses.

Entretanto, por aqui, até hoje sequer foi votado um projeto que está no Senado brasileiro que acaba com a impunidade criminal de sonegadores de impostos. Se a medida fosse votada, seguiríamos o exemplo dos Estados Unidos e, quem sabe, semelhante ao que aconteceu por lá, até seria possível reduzir a carga tributária das empresas.

O medo como estratégia para conquista de votos

Provocar o medo é uma das estratégias mais usadas nas campanhas eleitorais. Parte-se de um ou outro episódio factível, que possa sustentar uma “teoria”, e o medo se espalha. Foi assim no passado… Foi assim no passado recente do Brasil e se repete neste ano.

Efetivamente, não se fala em projetos. Com exceção de um ou outro candidato, que insiste em apresentar algumas de suas ideias, a maioria apela mesmo é para o discurso fácil, que mexe com as emoções das pessoas.

Lembro que durante muito tempo as pessoas tinham medo dos comunistas. Chegava-se ao ponto de temer o que os comunistas poderiam fazer com a vida das crianças.

O medo de comunistas ainda existe. Mas agora se associam a eles outros medos: fim da família, pedofilia, indulto ao ex-presidente Lula… Coisas do tipo.

Mas também existe o medo de que o país seja transformado numa outra Venezuela, que urnas eleitorais sejam fraudadas, que homossexuais sejam punidos, que negros percam os poucos direitos que conquistaram, que os professores sejam impedidos de se expressar livremente em sala de aula…

Ou seja, recorre-se ao medo como estratégia para conquistar os votos da população. Como o eleitorado conhece pouco da história, não entende as estruturas jurídicas, não sabe as atribuições de cada cargo na hierarquia público, muito menos compreende a psicologia social, as próprias pessoas ajudam a espalhar o medo por meio de mensagens de texto, vídeo e até memes nas redes sociais e whatsapp.

Tudo isso é lamentável, porque, no final das contas, não ocuparão os cargos de comando da nação e dos estados aqueles que têm os melhores projetos para nossa gente. Serão eleitos aqueles que forem mais eficientes em disseminar o medo.

O que é formar um cidadão crítico?

É fundamental pensar a formação escolar numa perspectiva crítica, formar um aluno crítico. A escola, quando foca apenas no conteúdo (Biologia, Física, Matemática, Português etc), sem problematizar os saberes propostos, sem relacioná-los à vida prática, não forma cidadãos. A opção por ensinar os conteúdos das disciplinas não prepara crianças e adolescentes para se tornarem adultos que pensem, e pensem bem.

E eu digo pensar bem, porque pensar todo mundo pensa. Entretanto, um pensamento elaborado, capaz de fazer conexões, relacionar os diferentes saberes para resolução dos problemas cotidianos, para analisar a própria sociedade… Esse tipo de pensamento é resultado de uma formação ampla, que estimule a reflexão crítica.

Mas há algo que me preocupa: formar alunos críticos não é formá-los para serem críticos na perspectiva do professor, da professora.

O educador tem o dever de oferecer diferentes visões de mundo, problematizá-las, relacioná-las ao cotidiano, mas sem assumir bandeiras. Cabe ao professor ser o indutor do pensamento crítico, mas não de um pensamento, como se existisse uma forma única de olhar o mundo.

Fora da escola, todo educador tem o direito de posicionar-se, ser militante de uma causa. Na sala de aula, ele deve ser o motivador da busca pelo saber. E existe uma pluralidade de saberes. Há maneiras muito distintas de interpretar a realidade e propor soluções para ela.

Formar um cidadão crítico é isso: prover um espaço democrático, em que as pessoas tenham voz, sejam estimulados a falar… Assegurando os conhecimentos necessários para que, por si só, o aluno tenha condição de se posicionar. Tendo aprendido sobre diferentes formas de ler o mundo, posicionar-se do jeito dele, não do jeito do professor.

Quando o professor compreende isso, torna-se um educador de fato. E toda a sociedade ganha.

A gentileza faz bem

Eu valorizo gestos gentis. Compreendo os motivos da irritação, da raiva. Mas defendo que, mesmo nos momentos de “nervos à flor da pele”, sejamos gentis.

Dias atrás, eu estava no supermercado, com muita pressa. O dia tinha sido intenso, desgastante. Meu nível de paciência estava no negativo. E, no caixa, tudo dava errado. A vontade era brigar com o garoto do atendimento ou, pelo menos, abandonar tudo no carrinho. Esperei, porque tinha que esperar.

Quando chegou minha vez, o garoto tentou se justificar pela demora. Eu sabia que ele não merecia ser ofendido, ainda que pudesse ter sido parcialmente responsável pela demora. Então falei com calma, mas fui direto:

– Olha, está tudo bem. Estou com muita pressa e bastante irritado. Vamos em frente!

Fiz isso, porque estava realmente irritado. Porém, tinha consciência que nada mudaria se tratasse mal aquele rapaz. Apenas causaria desconforto e ainda passaria por mal educado.

Passei os produtos, paguei e fui embora.

Na semana seguinte, lá estava eu no mesmo mercado, agora com mais tempo e bom humor. Dali a pouco, no caixa, o garoto apareceu, me cumprimentou, brincou comigo e ainda falou pra garota que me atendia:

– Esse senhor é muito legal!

Falou isso, ajudou no atendimento, trocamos palavras amistosas e fui embora.

Já nos “trombamos” outras tantas vezes no supermercado. E sempre mantemos um contato amistoso. Mas tudo podia ser diferente se naquela primeira ocasião eu tivesse reclamado, sido hostil, feito cara feia…

Ser gentil não é ser falso. Muito menos hipócrita. Ser gentil é tratar com respeito, evitar ofender, mesmo quando discorda da pessoa ou está com raiva dela ou da situação.

Precisamos lembrar, porém, que aquilo que a gente fala ou faz com os outros não volta atrás. Podemos nos desculpar, mas o ato hostil permanece na memória. Torna-se parte do histórico da relação e pode servir como referência negativa a nosso respeito numa ocasião futura.