Ricos mais ricos; pobres mais pobres

Me entristeço ao ver as condições de desigualdade de nosso povo. O último dado que li a respeito do tema aponta que os ricos estão mais ricos e os pobres estão cada vez mais pobres. E embora essa seja a ideia principal de uma música lançada no final dos anos 1990 pelo grupo “As meninas”, a frase está longe de ser um mero clichê.

Uma pesquisa encomendada pelo jornal Valor Econômico ao IBGE mostrou que as pessoas mais ricas ficaram 11% mais ricas no último ano enquanto as mais pobres ficaram 5% mais pobres. Em números, a renda média dos 20% mais vulneráveis da população caiu de R$ 400 para R$ 380. E a renda média dos 20% mais ricos subiu de R$ 5.579 para R$ 6.131.

O jornal ainda apontou que os 40% mais pobres perderam renda. Apenas as classes intermediárias e mais altas conseguiram aumentar os ganhos. E, segundo os analistas, a economia do país não apresenta indicadores de retomada sustentável do crescimento que permita ampliar a oferta de trabalho para a grande massa trabalhadora.

A consequência disso é o distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres. E o aumento da desigualdade revela que está cada vez mais difícil revertê-la no curto prazo.

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A escola deve transmitir valores

Nos últimos anos, ganhou força, principalmente no Ensino Médio, a ideia de que a escola deve focar no conteúdo. Estudar, estudar, estudar. E estudar pra quê? Pra passar no vestibular, ter excelente nota no Enem… Enfim, garantir uma vaga na universidade.
A proposta não é de toda ruim. Afinal, quem não quer ver o filho numa excelente faculdade?

Porém, a geração atual é carente de outras experiências. Experiências que muitos de nós, que já passamos dos 40 anos, tivemos a oportunidade de vivenciar. Seja pelas brincadeiras com os amigos, o cuidado dos irmãos mais novos, a presença dos pais – inclusive de forma disciplinar… Ou mesmo o trabalho já na adolescência.

Além disso, a própria escola proporcionava uma experiência agregadora. A gente estudava, mas também brincava, participava de campeonatos interclasses, não existiam graves problemas disciplinares… Eu recordo que, no meu colégio, cheguei a cultivar uma horta com um grupo de amigos. Ou seja, a gente não vivia sob a pressão de garantir uma vaga na universidade. Sem contar que todas essas outras vivências e relações nos permitiam uma maturidade que não encontramos entre os meninos e meninas de hoje.

Hoje, nossa moçadinha tem uma vida completamente diferente. E, embora possuam um preparo escolar bastante significativo (além de todas habilidades tecnológicas), são carentes de experiências afetivas, éticas, morais. Falta aos adolescentes valores como empatia, cooperação, liderança, cautela, tolerância… Na prática, se a escola não tiver uma proposta pedagógica que contemple estratégias para que eles desenvolvam habilidades sócio-emocionais, não haverá outro lugar para isso ocorra.

“Desculpa, errei”

Nas diferentes demandas diárias, somos desafiados a não falhar. Uma falha pode comprometer uma série de outras coisas que estão ou estarão acontecendo e sobre as quais não temos muito controle.

Às vezes, é um simples esquecimento. A secretária deixou de anotar um compromisso na agenda. O esquecimento, embora possa ocorrer, pode afetar a vida de mais de uma pessoa. E justamente por isso, frequentemente situações como essa têm chance de provocar desconfortos e até conflitos.

Quando pequenas falhas cotidianas acontecem, a melhor maneira de resolver é dizer: desculpa, errei. E, partindo do reconhecimento, ter mais atenção para não repetir o problema.

Nem sempre é isso que notamos nas pessoas. Ilustrando com a situação citada, não seria de estranhar a pessoa, que deveria ter anotado o compromisso na agenda, dizer: “mas você não confirmou comigo se eu tinha agendado!”; ou pior: “você poderia ter olhado a agenda e visto que o horário estava em branco”.

Quando, de fora, a gente olha fatos assim, é fácil notar que, embora outras pessoas pudessem contribuir para evitar o problema, a falha só ocorreu porque quem deveria ter feito a anotação, não fez.

Isso tudo pode parecer bobagem, mas é algo que acontece com bastante regularidade no nosso dia a dia. Alguém falha, mas não consegue dizer: “desculpa, eu errei” ou “desculpa, você não tinha obrigação de saber disso”…

Não há nada de vergonhoso em dizer que a falha foi sua. Ninguém dá conta de ser impecável em tudo e o tempo todo.

Devo dar liberdade aos meus filhos?

Alguns pais de adolescentes questionam:

– Devo ou não devo dar liberdade aos meus filhos?

Essa pergunta me faz pensar sobre o que entendemos por liberdade. Se a compreensão de liberdade for “meu filho quer fazer as próprias escolhas”, sinto muito, mas não dá para permitir que um adolescente decida sobre a vida dele.

Embora exceções existam, nossos garotos e garotas não têm maturidade para isso. Não possuem vivências. E as experiências que esse tipo de liberdade pode proporcionar não acrescentam muita coisa.

Quase sempre, as decisões dos adolescentes são pautadas pelo grupo. A moçadinha geralmente segue o que todo mundo está fazendo.

Entretanto, na voz do grupo nunca há sabedoria.

Por isso, os pais precisam, sempre que necessário, confrontar os filhos e estabelecer limites.

Talvez o adolescente diga:

– Mas todo mundo vai. O pai de fulano deixa.

Nessa hora é preciso ter forças e coragem pra dizer:

– Mas você não é todo mundo. E eu não deixo.

Muitos pais não são capazes de fazer esse enfrentamento por que temem perder o amor dos filhos. Não querem desagrá-los.

Posso assegurar, é melhor ter um filho com raiva da gente por um ‘não’ que sustentamos que chorarmos depois, culpados por nos faltar coragem para educá-lo.

Qual é o perfil do leitor de hoje?

O maior filósofo vivo da atualidade, o alemão Jürgen Habermas, disse, em recente entrevista ao jornal El Pais, que o leitor de hoje está muito distante do que desejado. Afinal, quando a gente escreve por aqui, por exemplo, tudo que deseja é que exista alguém que compreenda de maneira plena a reflexão proposta.

Habermas afirmou que “não pode haver intelectuais se não há leitores”.

Acontece que esse tipo de texto, ou de vídeo com conteúdo um pouco mais elaborado (ou intelectual intelectual, digamos) atinge pouca gente. As pessoas, acostumadas com o universo das redes, gostam mesmo é das frases feitas, dos clichês, dos gritos, das agressões, xingamentos… Nada muito elaborado. Apenas um texto de efeito, não de conteúdo complexo.

Eu confesso que as observações do filósofo Habermas me entristeceram um pouco. Eu não gostaria de acreditar que as pessoas preferem consumir conteúdos do estilo que elegeram Donald Trump, nos Estados Unidos. Afinal, não acho que em pleno século 21 a gente mereça uma sociedade de pensamento tão simplista.

Aumento da população de rua é uma das causas da crescente insegurança

Dados oficiais apontam que a população de rua não para de crescer no Brasil. Estima-se que só em São Paulo são aproximadamente 20 mil pessoas. Em Maringá, o volume de gente que vive nas ruas também é significativo. A gente não precisa de um estudo para deduzir que tem mais pessoas morando nas ruas a cada dia. O fenômeno é facilmente observável. E uma das consequências disso é o aumento da violência.

Quem mora na rua não é necessariamente bandido. O último estudo desenvolvido sobre a população de rua, no Brasil, foi realizado há cerca de 10 anos. Na ocasião, observou-se três grandes fatores que levam essas pessoas a viver nessas condições: dependência química, perda de emprego e conflitos familiares.

Acontece que, dos três, a dependência química é o principal – mais de 35% dos casos. E aqui está também um dos grandes motivos da violência. Gente na rua, sem trabalho, sem dinheiro, gente que precisa de drogas, é gente que se submete ao crime para manter o vício.

Por isso, quando o poder público se ausenta, a insegurança aumenta. O combate à violência passa pela atuação do Estado no controle da população de rua. Não se trata de obrigar essas pessoas a saírem das ruas e nem de prender todo mundo. Trata-se de pensar políticas que funcionem no tratamento da dependência química e, posterior, inserção no mercado de trabalho.

Deixar essa gente toda na rua é se omitir. É aceitar o risco e permitir que a população se torne vítima da violência.

É preciso ter a atuação ostensiva da polícia, mas também identificar quem é dependente químico (logo, mais suscetível ao mundo do crime) e criar mecanismos de tratamento. Do contrário, não seremos bem sucedidos no combate a violência.

A ausência que mata

Robin Willians se matou em 2014. Ator de sucesso por mais de 30 anos, teve um fim triste. E não apenas pelo suicídio. O suicídio foi apenas consequência de um período de existência vazio, triste, solitário.

O comediante chegou ao ponto de se sentir incapaz de voltar a fazer as pessoas rirem. Mesmo casado (pela terceira vez), vivia distante da esposa. Cada um tinha seu quarto, suas rotinas.

Robin não se perdoava pelo fim do segundo casamento e, em sua cabeça, imaginava ter provocado sofrimento nos filhos. E isso de tal forma que, ao invés de se aproximar deles, mantinha-se acuado, culpado.

Muitos outros aspectos desse drama aparecem na obra biográfica Robin, escrita pelo jornalista Dave Itzkoff, do The New York Times.

O que mais me chamou atenção foi a fala de um dos filhos de Robin Williams: “sinto que deveria ter passado mais tempo com ele. Porque alguém que precisava de apoio não recebeu o que queria”.

Essa conclusão me fez pensar nas inúmeras vezes que, mesmo tendo alguém sofrendo ao nosso lado, não notamos. E, se notamos, entendemos que a pessoa deve ser forte o suficiente para, sozinha, lidar com os problemas; ou pelo menos procurar ajuda profissional. Na prática, a gente não quer se envolver. Já temos nossos problemas, né?

Acontece que ninguém vive bem sentindo-se abandonado. E às vezes um pouco mais de nossa atenção pode trazer o conforto que um coração precisa.