De que lado você está?

Chega a ser admirável a postura de algumas pessoas que assumem a defesa de políticos. Agem como advogados, tomando as dores e atacando quem questiona o governante.

Quase todos os dias, recebo textos, vídeos e mensagens de outros gêneros que têm como objetivo tentar desconstruir as críticas recebidas pelo seu político favorito. Confesso que essas mensagens me irritam. Não pelo político, mas pela ingenuidade das pessoas.

Já disse aqui e volto a repetir, político nenhum está do nosso lado. Eles fazem parte de outro mundo. Possuem dezenas de assessores, ganham milhares de reais, recebem dinheiro nosso para ter e usar o telefone, andar de avião, possuem carros oficiais, motoristas, não enfrentam fila nos postos de saúde, os filhos frequentam as melhores escolas e, em alguns casos, têm até carreira política garantida pelo pai… Enfim, político tem casa, comida e roupa lavada. Eles estão num universo paralelo. Não são gente como a gente.

Todo o cidadão deveria estar sempre no campo oposto ao dos políticos. A gente escolhe o menos pior, vota e assume o papel que nos cabe: fiscalizadores críticos.

Político que tem defensores entre o próprio povo usa isso para fazer jogo de cena, separando os grupos – como se existisse gente do bem e gente do mal. E ao separar as pessoas, tira do povo a sua única força – a de pressionar o governante.

Numa sociedade, os grupos que existem são outros: os que estão no poder e os que estão fora do poder.

Como povo, eu estou fora do poder. Então não importa a cor do político, o partido do político. Ele está no poder. Eu não. Eu sou afetado pelas decisões dele. Então estarei sempre do lado oposto, questionando, reclamando, criticando. Este é meu papel.

Torço para o governo do sujeito dar certo. Mas não faço o papel de defensor dele.

Para isso, o político tem a máquina pública nas mãos, tem dinheiro nosso, pode gastar milhões em publicidade e até contratar gente pra falar bem dele.

Quem está fora do poder só pode fazer uma coisa: questionar sempre. Só somos donos de uma coisa: a nossa consciência. E possuímos apenas uma arma: o voto.

Por isso, quando gente que está fora do poder assume a defesa de quem tem o poder, sem perceber, pode estar traindo suas próprias origens.

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Qual é a hora certa de tomar uma decisão?

A gente nunca deveria fazer escolhas sob efeito de fortes emoções. Se você está feliz demais e toma uma decisão, corre o risco de fazer bobagem; se está irritado, também.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriram que até a fome ou o cansaço pode afetar negativamente nossas decisões.

Diariamente, fazemos escolhas. De coisas práticas a outras tantas de natureza subjetiva. A gente começa o dia decidindo que roupas usar. Define se vai tomar café, qual trajeto para chegar ao trabalho ou levar os filhos para a escola. Também decidimos como falar com aquela pessoa que não fez o trabalho como solicitamos e até mesmo se vamos ou como vamos responder ao chefe por aquela repreensão estúpida e que nos envergonhou na frente dos colegas.

Muitas dessas escolhas são feitas quase de forma automática, com base em nossas experiências anteriores. E isso nem sempre é positivo. Afinal, desde a roupa que usamos até a forma como respondemos ao chefe, cada atitude revela um pouco do nosso caráter e da capacidade que temos para desempenhar determinadas tarefas.

Por isso, estar consciente das escolhas que fazemos e das emoções que estão nos influenciando em cada momento pode fazer a diferença entre sermos ou não bem sucedidos.

Se temos consciência de que estamos bastante animados, podemos optar por não ficar com aquela garota que vai causar dores de cabeça depois. Se percebemos o nível de irritação do momento, podemos sair de perto do chefe e evitar pedir demissão num momento que precisamos do emprego.

Parecem ser pequenos detalhes, mas ter a mente calma, o coração tranquilo, nos ajuda a ter a clareza necessária para fazermos as melhores escolhas para nossa vida e para a das pessoas próximas.

Quando começa o futuro?

A gente vive uma verdadeira revolução. Alguns a chamam de revolução 4.0. Na prática, ela significa muitas incertezas em relação ao futuro. Principalmente, se haverá emprego para todas as pessoas.

Justamente por isso, os mundos do trabalho e da educação estão sendo impactados pela impossibilidade de prever o que vai acontecer.

No trabalho, quais as profissões do futuro? Nada se sabe. Nossa imaginação não dá conta de prever que profissões serão criadas.

Quando começa o futuro? Já começou. Vemos todos os dias gente fazendo coisas que nunca imaginaríamos.

A educação é demandada a responder essa nova realidade. Como preparar os alunos para viver esta revolução? Que conteúdos deveriam ser trabalhados em sala? Que cursos deveriam ser criados?

Não existem respostas simples. É possível, porém, deduzir algumas coisas. Há necessidade de compreendermos que lidar bem com esse mundo novo passa muito mais por uma atitude individual do que pela espera de receitas, de respostas prontas.

As mudanças são rápidas demais. Quando concluímos um curso, o conhecimento adquirido está defasado.

O segredo é estar aberto para todas as possibilidades. Partir dos conhecimentos adquiridos, mobilizá-los diante do novo e ter a capacidade de aprender outras coisas a fim de nos reinventarmos. E uma reinvenção a cada dia.

Então quais pessoas serão bem-sucedidas? Aquelas que estão atentas às tendências do mercado. Não se trata de saber tudo, mas de sentir os movimentos que ocorrem no seu entorno e ter a flexibilidade para adaptar-se.

É fundamental ter agilidade no processo de aprendizagem. Quem não se interessa por estar sempre estudando, terá muitas dificuldades.

Também é preciso ser produtivo. Fazer mais, melhor e em menos tempo.

Outra característica: manter o foco. Em tempos tão plurais e de distrações múltiplas, quem sabe bem o que quer e mantém-se focado, faz mais e conquista melhores resultados.

Ser transparente. Com as redes sociais, tudo que falamos e fazemos pode ser observado. Se escondemos algo, será descoberto. A vida que se mostra precisa ser coerente com a vida vivida.

Por fim, devemos rir de nós mesmos. Espera-se que as pessoas sejam leves, cobrem-se menos, não tenham vergonha de seus fracassos, sejam capazes de fazer graça com seus defeitos.

A cultura da reclamação…

A cultura da reclamação é parte do nosso cotidiano. A gente reclama da comida, da limpeza, das aulas, do colega de trabalho, do chefe… Reclama do calor, do frio… Da festa para a qual fomos convidados… É impressionante! Sempre achamos motivos para reclamar.

Identificar possíveis imperfeições tem um lado positivo. Mostra que somos atentos, observadores. Porém, encontrar os defeitos, apontá-los e não fazer nada só torna as pessoas desagradáveis. Ou revela problemas de caráter.

Gente que reclama o tempo todo é rabugenta, chata.

Ás vezes, a pessoa até tem motivo para reclamar. Mas se reclamar e não propuser nada para substituir a realidade existente, que valor tem a reclamação?

Quando algo incomoda, está fora do lugar, precisa ser revisto, cabe-nos construir um novo modelo, apontar soluções. É isso que gente proativa faz.

É fato que há ocasiões em que ninguém nos ouve. Não aceitam nossas ideias. Mas isso também não é motivo para desistirmos de oferecer alternativas. Talvez a proposta que fizemos não tenha sido bem compreendida, não tenha sido bem elaborada ou até já foi testada. Por isso, vale ter sensibilidade e insistir um pouco mais.

A realidade não muda se não formos ousados e desistirmos diante das primeiras dificuldades!

A mesma beleza que abre portas pode punir

Numa sociedade que valoriza a aparência, pessoas consideradas bonitas também têm mais êxito profissional. Estudos desenvolvidos pelo economista e professor Daniel Hamermesh, da Universidade de Londres, revelam que, no Reino Unido, em média, os homens bonitos ganham cerca de 5% a mais; já os menos atrativos, 13% a menos. Em países orientais, as mulheres bonitas recebem 10% a mais e as consideradas menos atrativas, até 31% a menos.

Sabemos que a beleza importa. E é por isso que a maioria das pessoas gasta diariamente um tempo se arrumando. Afinal, a beleza pode ser produzida. Ou potencializada com roupas adequadas, cuidados com a pele, cabelos, maquiagem, exercícios físicos, alimentação etc.

O professor Daniel observou que os homens gastam aproximadamente 32 minutos por dia para cuidarem do asseio e se produzirem; as mulheres, cerca de 44 minutos.

Investimos tempo, energia e dinheiro na beleza. Os números da indústria estética confirmam que cuidar da aparência é uma de nossas prioridades. Basta observar que, em 2018, apesar de todas as dificuldades econômicas do país, o mercado da beleza cresceu 2,7% e projeta um aumento de vendas ainda mais significativo para este ano. O Brasil já é o terceiro maior faturamento da indústria da beleza mundial. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Mas a beleza que abre portas no mercado de trabalho também pune as pessoas consideradas belas. Elas são invejadas e, nas empresas, como frequentemente são as escolhidas para certos projetos, são as mais criticadas pelos colegas, porque se espera delas que também sejam as mais talentosas, as mais habilidosas.

Os estudos do professor Daniel Hamermesh ajudam a compreender como nossos julgamentos baseados nas aparências podem ser injustos. A vida das pessoas que não estão na lista das mais atrativas se torna bem mais difícil; já os bonitos podem até ter mais portas abertas, mas sofrem com a inveja, as cobranças e até os buchichos maldosos no cafezinho.

Pois é… As relações seriam bem mais simples se tratássemos as pessoas considerando apenas o fato de serem gente como a gente.

Compromisso com a (in)coerência

Pesquisadores descobriram que quando assumimos determinadas posições ou fazemos certas escolhas publicamente geralmente somos fieis a elas.

Deixa eu exemplificar… Eu tenho blog há quase 14 anos. São cerca de 7 mil textos publicados. Neles, em várias ocasiões, me posiciono sobre diferentes assuntos. As pessoas lêem o que eu escrevo. Sabem o que eu penso. Isso provoca em mim a necessidade de ser fiel ao que eu disse. Trata-se da defesa da minha coerência.

Vale o mesmo para minhas colunas na Band News. Quando eu falo, de certo modo, assumo um compromisso com o que falei. E passo a defender aquela posição.

Rever opiniões verbalizadas cria nas pessoas a sensação de que somos incoerentes. E a incoerência não é bem vista. É tida como um problema. Pessoas incoerentes não parecem dignas de credibilidade.

O problema, conforme mostram alguns estudos, é que nem sempre as posições assumidas são as melhores ou são corretas – seja uma coisa que falamos ou mesmo uma escolha que fazemos.

E isso se torna um problema ainda maior, porque as pessoas têm dificuldade para abandonar as posições e escolhas assumidas, ainda que estejam erradas ou tenham feito uma má escolha.

Na prática, a pessoa assume uma postura agora e, quando questionada, ainda que os argumentos contrários sejam fortes, ela vai insistir naquilo. Ela pode ter feito uma péssima compra, mas se estava empolgada antes e falou pra todo mundo, vai ser difícil demais admitir que a opção foi ruim.

Para isso arruma todo tipo de justificativa. Ou ainda se fecha para o questionamento ou, pior, tenta desqualificar quem questiona.

Esses estudos, muito bem expostos por Robert Cialdini, na obra As armas da Persuasão, ajudam a entender muito do comportamento atual. Inclusive no que diz respeito à política e a disseminação de fake news.

Com a internet, as pessoas expõem o que pensam. Isso cria nelas um compromisso com o que foi publicado. As pessoas não se sentem confortáveis em dizer: “cara, eu estava errado”. Desta forma, buscam sustentar seus argumentos em qualquer bobagem que aparece na rede – ainda que sejam fake news.

O que acaba acontecendo é que a pessoa se sente satisfeita com a escolha ruim, como forma de preservar a imagem para os outros e para si mesmo.

Isso é consciente? Não. É um mecanismo psicológico importante do ser humano. Porém, sabendo que reagimos assim, temos a chance de não insistirmos em escolhas ou posicionamentos equivocados.

O injusto processo para tirar a Carteira de Habilitação no Brasil

Para tirar a carteira de habilitação, o Brasil, que é um país de gente pobre, tem um sistema injusto e que sacaneia o cidadão. Tirar a CNH por aqui custa muito caro. E não há justificativa alguma para o modelo que temos.

Ao falar sobre isso com algumas pessoas, já ouvi coisas do tipo: “se o cara não tem dinheiro pra tirar carteira, não dirige, ué? Não vai ter dinheiro pra comprar carro mesmo”. Acontece que fazer a CNH não significa, necessariamente, ter carro; milhares de pessoas dirigem para ganhar a vida – seja como motoristas de empresas ou particulares.

O argumento para o processo atual foram os inúmeros acidentes de trânsito. Alegava-se que o condutor precisava ser melhor preparado. Então “inventaram” um sistema burocrático, moroso e que, atualmente, se não houver reprovações, custa, à vista, mais de R$ 2,5 mil. Detalhe, não faz muito tempo, inventaram o tal do simulador, que, na prática, só onera ainda mais os custos. E sem resultados práticos.

Dirigir bem, ter responsabilidade no trânsito, ser cuidadoso, respeitar as leis, nada tem a ver com autoescola. A autoescola pode existir. Deve existir. Mas, em hipótese alguma, deveria ser obrigatória.

Quem tem mais de 40 anos, provavelmente tirou a carteira de habilitação de um jeito bem diferente. Eu, por exemplo, aprendi a dirigir com um tio. Motorista experiente, cuidadoso e muito generoso, em cerca de uma semana, me ensinou tudo que eu precisava.

Quando chegou o momento de tirar a CNH, procurei uma autoescola para cuidar da documentação. Recebi algumas orientações, fiz o psicotécnico, estudei sozinho para legislação e, antes do teste prático, contratei três aulas para pegar os macetes da prova de rua e da baliza. Pedi para usar o carro da autoescola na prova. Fui aprovado.

Tudo muito simples e rápido.

Entretanto, as regras mudaram. Hoje, são inúmeras aulas de legislação, outras tantas no simulador e, por fim, as aulas práticas.

Na teoria, isso pode ser lindo. Mas é totalmente desnecessário e não tem melhorado o trânsito das nossas cidades. O candidato faz todo esse longo percurso e, quando encara o trânsito do dia a dia, parece ser obrigado a aprender tudo de novo.

Numa época em que aceita-se que engenheiros, professores e até profissionais da gastronomia sejam formados na modalidade de educação a distância, nada justifica a obrigatoriedade de fazer todo o processo para tirar a CNH numa autoescola.

Só existe uma razão (não admitida pelas autoridades): o sistema foi feito para custar caro e beneficiar um setor econômico.

Para aqueles que gostam de comparar o Brasil com os Estados Unidos, vale dizer que, por lá, embora cada estado tenha suas próprias regras, é possível estudar a legislação de trânsito em casa, pegando as informações na internet, e não é necessário fazer aulas práticas. Além disso, todos os testes – teórico, de visão e direção – podem ser feitos num único dia. Ou seja, você entra no departamento de trânsito cedo e, no mesmo dia, está habilitado. Não passou? Pode tentar no dia seguinte e, se passar, a CNH fica pronta na hora. Custo baixo – cerca de 50 dólares.

E então? Nosso sistema é melhor que o deles?

O envolvimento dos pais na rotina escolar dos filhos

A volta às aulas não altera apenas a rotina das crianças, a vida dos pais também é afetada. É fundamental que tenham consciência disso, pois o desempenho delas depende do envolvimento da família.

É muito mais que cobrar notas ou que façam tarefas. Trata-se de viver o dia a dia escolar.

Se os pais não se envolvem, indicam que a escola é algo que diz respeito apenas à criança. E ela não tem maturidade para compreender a importância dos estudos e de tudo que envolve o ambiente escolar.

Mostrar-se entusiasmo(a) e comprometido(a) com o aprendizado da criança, faz toda a diferença. Quando isso não acontece, os pais demonstram que estudar é um fardo. Se reclamam de ter que levar e trazer, dos horários das atividades etc., não dá para esperar que a criança tenha atitude positiva.

Respeitar os horários de entrada e saída é um excelente indicativo de que as aulas são importantes. Ainda esta semana, quando cheguei ao colégio, encontrei duas boas alunas no pátio. Elas esperavam para entrar na segunda aula. Conversei com ambas e descobri que os pais tinham atrasado. Uma delas disse que a mãe foi tomar banho faltando 20 minutos para a filha chegar no colégio. A outra, o pai ficou na cama até mais tarde.

Se isso acontecer uma vez ou outra, ok. Entretanto, se atrasam constantemente, os filhos entendem que os compromissos delas não são relevantes para os pais. Isso pode desmotivar as crianças.

O cuidado vale para os uniformes. Se são obrigatórios e os pais não observam à regra, estão perpetuando nos filhos a cultura do “jeitinho” e das infindáveis desculpas.

A participação em reuniões pedagógicas e nos eventos do colégio também demonstra envolvimento. As crianças necessitam se sentir cuidadas. Além disso, esse tipo de comprometimento resulta numa parceria produtiva entre a família e a escola.

Os pais precisam cuidar da rotina escolar. Crianças têm altos e baixos e, frequentemente, se distraem com outras atividades. Em casa, são os pais que têm o dever de criar o hábito e fazer a rotina de estudos funcionar.

A garotada também tem que brincar, fazer as atividades extraescolares, ter tempo para ler, ver televisão, usar a internet e, principalmente, descansar/dormir… Cabe aos pais monitorar essas rotinas.

Dá trabalho? Claro que sim. Mas ser pai/mãe é viver a experiência e a responsabilidade de educar uma criança de forma plena – e isso engloba tudo que tenha a ver com a escola.