Gente que ignora a própria ignorância

Parte significativa da população sofre de um mal grave: a ignorância. E mais, essas pessoas ignoram a própria ignorância. Acho impressionante como opinam, discutem, reverberam os mais diferentes temas, mas com total ausência de noção real sobre o que estão falando.

Pessoas falam sobre política, mas desconhecem o funcionamento das diversas estruturas políticas;
Falam sobre educação, mas não têm a menor noção sobre a dinâmica de uma escola e muito menos sobre as diferentes práticas pedagógicas possíveis;
Falam a respeito de segurança, mas nem entendem a respeito das responsabilidades de cada ente público – município, estado e união…

E a lista das bobagens que aparecem principalmente nas redes sociais é muito maior.

Eu tenho dito, não é vergonha não saber sobre tudo. Muito menos não ter opinião a respeito de tudo.

Na verdade, é muito melhor aceitar que ignora – porque isso pode significar abertura para o aprendizado – que posicionar-se com pseudo-verdades que não passam de inutilidades, por vezes, palavras ao vento, mas que provocam, agridem e até causam empatias e antipatias.

Ps. Adoro a foto que ilustra esse texto. Algumas pessoas deveriam ser impedidas de usar as redes. 

Anúncios

Alunos brasileiros não possuem habilidades socioemocionais

Os números do Brasil são pífios em avaliações internacionais a respeito da qualidade da educação. Passamos vergonha! Sempre.

No Pisa, que é uma avaliação que reúne 70 países, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática.

Esses resultados já são conhecidos há algum tempo. O que ainda não sabíamos é que, além de errar muito, parte expressiva dos alunos brasileiros sequer termina a prova. E mais, enquanto um aluno da Finlândia demora um minuto para ler e resolver uma questão, o aluno brasileiro demora três minutos.

Até nossos vizinhos na América do Sul são mais eficientes. Um aluno colombiano, por exemplo, leva dois minutos para resolver cada pergunta.

Um estudo realizado pelo Ph.D em Economia, Naercio Menezes, identificou que não apenas falta conhecimento e há falhas no aprendizado do conteúdo do aluno brasileiro.

Por aqui, a garotada também não possui as chamadas habilidades socioemocionais – por exemplo, perseverança, motivação e resiliência.

A moçadinha desiste fácil, não tem disposição para lutar, tentar, resistir diante das dificuldades.

E, neste aspecto, as famílias têm enorme responsabilidade. As escolas podem ajudar no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Porém, tudo começa em casa. Pais que não ensinam seus filhos a lidar com frustrações, a resolver os próprios problemas…

Pais que protegem demais, criam filhos frágeis.

O reflexo disso ocorre no processo de aprendizagem. Diante dos inúmeros desafios do ato de aprendizagem, a garotada desiste. Crianças, adolescentes e jovens querem o caminho mais fácil.

Acontece que essa moçadinha que não tem perseverança, motivação e resiliência vai ter problemas na vida adulta. Serão profissionais pequenos, mesquinhos e, por vezes, medíocres. Além disso, estarão mais sujeitos ao desemprego, a informalidade, a criminalidade e ao uso de drogas.

Podcast da Band News. 

O que as incoerências de Trump nos ensinam?

Quem acompanha o cenário político internacional deve ter visto o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin no início da semana. É bem provável que tenha ouvido o presidente norte-americano cheio de elogios ao russo e, inclusive, uma declaração de confiança em Putin.

Trump chegou a dizer não que acreditava que a Rússia teria interferido no processo eleitoral norte-americano, contrariando as indicações das agências de inteligência dos Estados Unidos.

Depois do encontro à portas fechadas na Finlândia, Trump retornou aos Estados Unidos sob críticas, inclusive do partido dele. Os republicanos condenaram até mesmo o tempo em Trump e Putin ficaram em reunião fechada.

As críticas parece que mexerem com Trump. Ele voltou atrás do que disse. E agora acusa Putin de interferência nas eleições presidenciais de 2016.

O que o comportamento de Trump revela? Revela um presidente que age de acordo com o momento, que é totalmente influenciado pelas ocasiões. Isso é ruim para a economia, para as pessoas.

Gera insegurança, incerteza, medo. A nação mais poderosa do mundo está refém de um homem que fez e faz das palavras de efeito seu principal instrumento para mobilizar pessoas radicais, preconceituosas, xenófobas em seu entorno.

Aqui no Brasil corremos o mesmo risco. O líder das pesquisas na corrida eleitoral faz discursos de ocasião. Numa hora defende a ditadura; noutra, diz que, se eleito, vai respeitar a constituição. Num momento fala que o Brasil precisa de educação; noutro, afirma que deve acabar com o Ministério da Educação. E os exemplos de contradições dessa figura poderiam ser estendidos aqui.

Nos Estados Unidos, aqui no Brasil ou mesmo na casa da gente, precisamos de homens e mulheres coerentes. Ninguém é obrigado e nem deve ter opinião formada sobre tudo. Mudar de posição também não é crime. Mas não dá para dizer uma coisa agora e, no dia seguinte, afirmar que não foi isso que falou… Ou atribuir culpa aos outros, alegando ter sido mal compreendido.

Na política e na vida, é fundamental ter firmeza de propósitos, respeito aos bons princípios e, principalmente, responsabilidade em cada uma das ações.

Podcast da Band News. 

32,9% dos trabalhadores brasileiros são autônomos: estratégia de sobrevivência

O Brasil aparece no ranking mundial como o terceiro país com maior número de trabalhadores autônomos. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, cerca de 32,9% da força de trabalho do país atua de forma autônoma.

Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra… Esse modelo de ocupação pode significar coisas positivas – tipo: empreendedorismo, flexibilidade e qualidade de vida.

No caso do Brasil, significa “luta pela sobrevivência”.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o trabalho autônomo, no Brasil, representa a tentativa das pessoas de se manterem ativas. Geralmente são trabalhadores desempregados em busca de alguma renda ou de gente que tenta complementar a renda.

E, por aqui, vou repetir: são 32,9% de trabalhadores atuando de forma autônoma. É muita gente.

Não é difícil compreender o cenário. No final de 2017, economistas e o governo brasileiro apostavam que seriam abertos 1 milhão de postos de trabalho neste ano. Hoje, acredita-se que 80% das vagas previstas não serão abertas. Apenas 200 mil empregos poderão ser criados.

Também não há perspectivas futuras. Estimava-se que o crescimento econômico pudesse chegar a 3% neste ano. Várias revisões já foram feitas e, hoje, a projeção de crescimento do PIB não passa de 1,5%.

A greve dos caminhoneiros, apoiada pela população, também contribuiu – e muito – para ampliar a crise do país. O Brasil produziu muito menos em maio, a inflação subiu e os prejuízos são bilionários – atingindo toda a população, mas principalmente a massa trabalhadora.

Tenho insistido em falar sobre essas questões, pois este é o Brasil real. O Brasil que precisa de respostas urgentes. Não apenas de discursos de efeito – moralistas, militaristas, mas vazios de propostas concretas.

Podcast da Band News. 

Cresce taxa de mortalidade infantil no Brasil

Tenho trazido aqui alguns números a respeito do Brasil real… O Brasil que tem inúmeros problemas, carências e que, neste ano de 2018, tem a chance de escolher melhor o presidente da República, governadores, senadores e deputados.

Falei ontem aqui sobre o possível retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU. Hoje, trago um outro número triste: pela primeira vez desde 1990, cresceu a mortalidade infantil no país.

De acordo com o IBGE, em 2016, morreram 14 crianças a cada mil nascidos. O crescimento das mortes provavelmente esteja relacionado à crise econômica e aos casos de zika vírus.

Outro aspecto que pode estar contribuindo para o aumento das mortes é a menor cobertura vacinal. Por diferentes razões, muita gente tem deixado de se vacinar. A cobertura vacinal é a menor em 16 anos. Algumas doenças que estavam praticamente erradicadas voltaram a ser notificadas em várias regiões no Brasil.

No que diz respeito à mortalidade infantil, o Brasil ainda está bastante longe dos índices da década de 1980. Na época, o país chegou a registrar 82 mortes a cada mil nascimentos. Ainda assim, a inversão da curva estatística, que era tão somente de queda desde os anos 1990, é bastante preocupante. Principalmente, porque não notamos trégua na crise econômica, nem melhorias nas políticas de proteção social – sem contar que a ignorância das pessoas tem feito com que cada vez menos gente procure as vacinas nos postos de saúde.

Ou seja, o cenário não é nada bom.

Podcast da Band News. 

Brasil deve voltar ao Mapa da Fome

Entre os anos de 2003 e 2014, o Brasil desenvolveu diversas políticas de proteção social. A consequência foi a redução da miséria e, em 2014, o nosso país atingiu um feito inédito até então: deixou o Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas).

Aparecem no Mapa da Fome os países que tem mais de 5% da sua população ingerindo, diariamente, menos calorias do que o recomendável. Ou seja, estão fora do mapa aqueles países que conseguem garantir pelo menos o mínimo necessário de comida para que alguém sobreviva sem passar fome.

Mas o cenário está mudando. O economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), faz parte do grupo de estudiosos que tratam dos números que resultam nesse relatório da ONU. E ele já aponta que o Brasil deverá voltar a aparecer no Mapa da Fome da ONU.

Segundo ele, nos últimos três anos, o Brasil segurou os investimentos em políticas de proteção social. Milhares de famílias perderam o emprego, o governo cortou muita gente dos programas sociais, inclusive do Bolsa Família. A construção civil, setor fundamental da economia, que gera muitos empregos para pessoas não qualificadas, também está estagnada.

Há um empobrecimento da população.

O número de famílias em situação de extrema pobreza voltou aos patamares de 12 anos atrás. Quem são as pessoas enquadradas como em situação de extrema pobreza? São aquelas que vivem com renda per capita de até 70 reais por mês.

O número de famílias em situação de pobreza, aquelas que vivem com até 120 reais, também voltou a crescer.

Um quadro como esse reforça a necessidade de a população escolher bem quem vai comandar o país a partir de 2019. Se o próximo presidente não tiver grande sensibilidade social, não priorizar políticas de combate à miséria, as condições de exclusão serão aprofundadas, ainda mais gente voltará a passar fome e, principalmente, nenhuma política de segurança pública terá sucesso.

Podcast da Band News. 

Um país gigante, mas insignificante em conhecimento, inovação

Relatório do Índice Global de Inovação, divulgado esta semana, mostra que o Brasil é apenas o 64º país no ranking de inovação. Somos a oitava economia do planeta, o quinto maior em extensão territorial, somos um dos maiores produtores de alimentos do planeta, mas somos insignificantes quando o assunto é inovação.

No ranking de inovação, o melhor país da América é o Chile; aparece na 47º posição. O índice é publicado anualmente pela Universidade Cornell, Insead e Organização Mundial de Propriedade Intelectual.

Quando terminaram as quartas de final, muita gente lamentou o fato de não ter restado nenhum dos países da América entre os quatro melhores da Copa. Os três gigantes da América, com nove títulos mundiais – Argentina, Uruguai e Brasil – foram eliminados no mata-mata.

Na elite do futebol, ficaram apenas os europeus.

Algumas pessoas se dedicaram a tentar explicar o fato. Mas há algo que nem todo mundo tem observado: o mundo de hoje é da competência, da organização, da especialização, da profissionalização. Não há espaço para amadores.

E por que falo de Copa do Mundo, quando o assunto principal é a pequenez do Brasil no ranking de inovação? Porque o futebol é espelho da cultura de um país de gente que quer dinheiro, mas tem pouca disposição em experimentar coisas novas, buscar o conhecimento, investir em formação ampla – que vai para além da mera qualificação para uma única atividade.

No futebol ou em qualquer outra área, não há mais espaço apenas para o talento. O talento precisa ser lapidado. E isso só acontece em espaços que privilegiam a inovação. 

Ao longo de sua história, o Brasil do futebol, da política, da ciência e dos negócios tem se contentado com pouco. Basta os poderosos ganharem dinheiro e está tudo certo. Não existem políticas de longo prazo, não se fazem reformas estruturais e nem há preocupação de fato em fazer investimentos em infraestrutura, tecnologia e muito menos contemplar o desenvolvimento de todas as pessoas.

O ranking inovação, hoje, é liderado pela Suíça. Depois, temos os chamados Países Baixos, Suécia, Reino Unido, Cingapura, Estados Unidos, Finlândia, Dinamarca, Alemanha e Irlanda.

Lideram o ranking porque têm altas taxas de depósito de pedidos de propriedade intelectual, criação de aplicativos, gastos com educação, publicações científicas e técnicas. Ou seja, há um investimento real na promoção do conhecimento e este conhecimento se espalha por diferentes setores. A condição de vida das pessoas melhora, a economia cresce e tudo mais se moderniza.

Podcast da Band News. 

O povo paulista será tonto se eleger Doria governador; mas e os outros que existem pelo Brasil afora?

João Doria foi eleito prefeito de São Paulo após prometer uma gestão eficaz. Ele seria o não político no comando da maior cidade do país.

Doria também assumiu vários compromissos. Inclusive que terminaria o mandato de prefeito, cumpriria os quatro anos à frente da prefeitura. Ainda sustentou que resolveria problemas históricos enfrentados pela população paulistana. Inclusive as filas de espera por consultas e exames médicos.

Quando assumiu, Doria fez do marketing seu principal aliado. Aos domingos, o então prefeito se travestia de servidor, construía calçadas, pintava muros… Criou vários programas que passavam a sensação de São Paulo estava acelerada.

Com 100 dias de mandato, João Doria já era visto por muita gente como alguém que poderia salvar as eleições presidenciais. Seria o nome certo para colocar o Brasil nos trilhos.

Mas aos poucos a imagem de Doria foi se deteriorando. O marketing político não conseguiu sustentar o que não passava disso: barulho.

Ainda assim, João Doria deixou a prefeitura e é pré-candidato ao governo de SP. Já é possível saber que boa parte das promessas que o ex-prefeito fez não foram cumpridas. Hoje, por exemplo, o noticiário mostra que o chamado Corujão da Saúde não reduziu o tempo de fila de espera de exames de saúde.

A prefeitura agora alega que o programa de João Doria tinha o objetivo de agendar os exames; não de realizá-los. Ou seja, o marketing era só fumaça.

E por que compartilho essas informações com você? Primeiro, porque o povo paulista será muito tonto se eleger João Doria governador.

Porém, pelo Brasil afora existem inúmeros outros políticos que têm a simpatia do eleitorado, mas não passam de produtos de marketing. No Paraná, a corrida pelo governo do Estado e Senado tem candidatos com grandes chances de serem eleitos, mas que não possuem histórico de realizações e, em alguns casos, passados bastante questionáveis.

A história se repete pelo Brasil afora. Inclusive na corrida presidencial.

Penso que já passou da hora de nós, eleitores, rompermos com a ingenuidade, abrirmos mão do encantamento e cobrarmos um currículo que garanta o mínimo de segurança de que o falatório poderá se concretizar em efetivas realizações em benefício de nossa gente.

Podcast da Band News.