Amor é diferente de paixão

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Os primeiros meses de um relacionamento são geralmente os melhores. Ou pelo menos parecem ser… Há um clima de total encantamento. E isso faz as pessoas perderem um pouco a razão. Muitas vezes, não conseguem ver o óbvio. Por isso tem muita verdade aquele ditado “o amor é cego”. Na verdade, não se trata de amor, trata-se da paixão. E a paixão cega.

E essa é uma das coisas que ainda confundem muita gente. Não dá para confundir amor com paixão. Na fase inicial (que pode demorar até uns dois ou três anos), existem emoções muito intensas que podem distorcer a realidade e levar as pessoas a idealizarem o “objeto” amado. Depois de algum tempo, porém, essa fase é superada; a paixão se abranda e há mais chance de prevalecer a razão. Por isso, é natural que os defeitos se tornem mais evidentes depois de meses de relacionamento.

Ainda tem gente que não consegue entender algo básico: pessoas têm defeitos. Ninguém é só virtude. E não existe uma única pessoa no planeta que se encaixe do modelo que desejamos. Por isso, as expectativas para o relacionamento devem ser realistas. Mais do que isso, deve haver uma predisposição em adaptar-se. Quem acha que o outro tem que mudar em função de seus desejos, de suas vontades, frustra-se. Além disso, é fundamental não alimentar tantas expectativas. Não há romance perfeito. A melhor dica é: espere o mínimo do outro e faça o seu máximo… Se o outro também pensar assim, a chance de terem um excelente relacionamento aumenta consideravelmente.

Eu sempre digo que romance bom é aquele que tem intimidade. E não apenas na cama. Intimidade é sentir-se à vontade com o outro, sentir-se em casa. Dentro do relacionamento, não pode haver medo, vergonha. É necessário que um consiga pedir ao outro aquilo que deseja. E não apenas para não deixar a toalha molhada em cima da cama. A pessoa tem que se sentir confortável para dizer o quer. E mais, também aceitar favor do outro. Relacionamento é parceria. É “trabalho em equipe”. Essa é uma habilidade fundamental e que ajuda a fazer dar certo a vida a dois.

Por fim, se há intimidade, também existe disposição para aceitar as críticas. Embora toda crítica incomode, o que o parceiro (ou a parceira) diz pode ter um fundo de verdade. O outro pode ter razão. Tanto na roupa que você está escolhendo pra sair quanto ao comportamento que tem adotado para com os vizinhos. Chega ser engraçado porque qualquer apontamento negativo que o parceiro faz sobre nossas atitudes é ouvido como algo ruim, como uma agressão… E a gente não apenas rejeita como se torna motivo para briga. Entretanto, se houver disposição para ouvir, pode-se crescer, corrigir o erro, melhorar como pessoa e tornar inclusive o romance muito melhor.

Casamento feliz se constrói diariamente

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Ninguém começa o casamento esperando dias, semanas ou até meses e anos ruins. Quase sempre, alimenta-se a expectativa “vou casar e ser feliz”. Como já escrevi noutras ocasiões, essa expectativa é faz parte da lista dos grandes enganos que geralmente provocam o desgaste do relacionamento.

Por isso, seguindo a tese de que um casamento feliz se constrói diariamente (apesar dos problemas que todos casados enfrentam ou vão enfrentar), selecionei mais algumas dicas aos leitores.

É fundamental entender que o casamento é um projeto em que se tem que investir diariamente. A relação não se sustenta apenas nos sentimentos, apenas no amor. É necessário cuidar, dar atenção, separar um tempo para o outro, paparicar…

E quem paparica, diz coisas bonitas, agradáveis à pessoa amada. Palavras agradáveis ajudam a manter um bom ambiente entre os dois. E além disso, é mais barato e garante melhores resultados que dar presentes (embora estes não devam ser ignorados).

Investir no relacionamento é dispor de tempo exclusivo para o parceiro – sem filhos ou amigos. O ideal é que isso aconteça pelo menos uma vez por semana, para que o casal possa falar tranquilamente de temas mais pessoais e sem interrupções.

Também é muito importante que o casal não se perca na monotonia do dia a dia. É importante que consigam ser espontâneos e vez ou outra surpreendam a pessoa amada. E sabe aqueles detalhes que a gente se preocupa tanto antes do casamento? Tipo… estar bonito para o outro, passar um perfume, usar a melhor roupa, organizar a casa… Isso não pode ser perdido. Como também não podem ser esquecidos os gestos gentis, os sorrisos… Muito menos pode ser abandonado o beijo de boa noite, o cumprimento carinhoso antes de sair, na hora de encontrar…

Por fim, uma última dica: o casal deve manter contato físico e espaços de intimidade. Isto se torna ainda mais importante após a chegada dos filhos. É necessário encontrar momentos para valorizar o romance e impedir que o relacionamento caia na rotina. Afinal, faz bem sentir-se ainda atraente e desejado pela pessoa amada.

Ele tem medo de compromisso

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Em que consiste o medo do compromisso? A pessoa tem mesmo uma espécie de bloqueio ou se trata apenas de uma desculpa para não se envolver de verdade?

Os pesquisadores do comportamento humano sustentam que as duas coisas podem acontecer. Porém, quem está do outro lado, ou seja, quem está envolvido emocionalmente com a pessoa que não quer o compromisso, muitas vezes sofre e sofre muito. Inclusive por sentir-se rejeitado(a).

A psicóloga Mila Cahue afirma que falar em “medo de compromisso” é tanto questionável. Não necessariamente porque não existe esse tipo de medo. Mas principalmente porque, hoje, existe uma confusão danada a respeito das expectativas envolvendo o relacionamento.

Tem gente que passa a viver junto quando ainda nem sabe direito o que sente pelo outro. A pessoa faz a opção de dividir o mesmo teto para conhecer o outro… E não por já conhecer e saber o que quer, o que espera da relação. Embora esse “modelo” possa parecer o ideal para algumas pessoas, acaba criando situações que podem resultar em problemas. Uma das partes pode sentir-se no direito de não assumir nada mais sério… Pode achar que está tudo bem pro outro… Pode se acomodar… Pode achar que esse “conhecer” não precisa ter um prazo pra virar outra coisa… E pior, quase sempre, uma das partes cria a expectativa de que já formam um casal; ou seja, é sério – quando, para o outro, ainda não é.

Na prática, o que acontece nesses casos é um descompasso nas expectativas. Enquanto pra um, está tudo funcionando como o previsto, para o outro, se estão juntos é porque possuem um relacionamento de compromisso pleno. Talvez por isso não seja recomendado morar juntos enquanto as pessoas não se conhecem de fato e não têm certeza do que desejam para elas.

Uma outra questão importante é que realmente tem crescido o número de pessoas que não querem se comprometer. Querem ter parceiras ou parceiros, dividir camas, ambientes etc, mas sem pensar em casamento. E embora para os mais tradicionais isso possa parecer um absurdo, faz parte da realidade. É necessário aceitar que hoje não há um único modelo de afetividade. Se a pessoa não quer chegar a um nível mais profundo de relacionamento, tem suas razões. Ela tem direito de fazer essa escolha. Cabe à sociedade, respeitar e ver com naturalidade que existem homens e mulheres que não desejam se comprometer da maneira mais tradicional.

Entretanto, o que não é justo, o que não é correto é deixar de avisar quais são seus propósitos no começo de um flerte. É fato que muita gente vai descobre o nome do parceiro depois da primeira noite na cama. Ainda assim, respeitar o outro é deixar claro quais são suas motivações. Algo do tipo “o que eu quero com você”, “o que você pode esperar de mim”. Não dá pra achar que o outro está na mesma sintonia e que também está apenas a fim de “curtir a vida”.

Mas também existem aquelas pessoas que simplesmente não dão conta de assumir um compromisso por algum bloqueio emocional. O pedagogo e autor do livro “Quieres casarte conmigo?”, Fernando Alberca, aponta que há pessoas que “estacionam” na fase da paixão. São incapazes de avançar para a etapa seguinte, a do amor, do comprometimento. Trata-se, segundo ele, de um estado típico da adolescência. E como a adolescência tem começado por volta dos nove anos, mas tem se estendido até os 35, muita gente não tem maturidade suficiente para envolver-se de forma plena. Essas pessoas, quando são cobradas para assumir um compromisso mais profundo, entram em “colapso emocional” – ficam com medo, confusas… Se reconhecem que alguma coisa está errada, devem procurar ajuda, principalmente na terapia. A maioria, porém, acha que está tudo muito bem.

Quanto àquele que está esperando a decisão do outro, há poucas possibilidades de solução de curto ou médio prazos. Ou aceita que o “parceiro” não vai se comprometer, ou vive a vida “na fé”, ou abre mão do romance e tenta se reconstruir. Afinal, nessas horas é preciso unir cabeça e coração. Valorizar os sentimentos sim, mas sem deixar de refletir sobre as implicações para a vida, para o futuro.

As tarefas que a criança pode fazer dos 8 aos 12 anos

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Muitos pais acham que os filhos são pequenos demais para fazer determinadas tarefas. Porém, a própria constituição psicológica da moçadinha sugere que não há razão para poupá-los. Trabalhar não causa trauma em ninguém. Pelo contrário, aperfeiçoa a própria natureza, o caráter. Enfim, prepara para a vida.

Entre os nove e onze anos
Já é bastante autônomo e tem suas próprias vontades. Também é responsável. Por isso, pode ser cobrado para ter sua própria organização (e não a da mãe ou do pais) com os materiais, roupas… Sua própria poupança. Pode e deve encarregar-se de algumas tarefas domésticas e precisa realizá-las com responsabilidade e certa perfeição. Por outro lado, gosta de ser recompensado pelas tarefas que lhe são atribuídas.

Embora vez ou outra apareçam ainda indícios de dependência, gosta de tomar decisões e opor-se aos adultos inclusive com certa rigidez. É capaz de escolher com critérios pessoais. Geralmente não admite exceções, é exigente e rigoroso.

Identifica-se com seu grupo de amigos e cada um tem sua “função”. Sabe reconhecer a posição de liderança de outras pessoas ou a questiona se julga que não possuir mérito.

Reconhece o que faz de errado, porém sempre busca desculpas. Gosta de decidir por si mesmo e tem necessidade de se afirmar na frente das pessoas, por isso a resistência em obedecer e ao mesmo de tempo de mandar nas crianças menores. Geralmente conhece suas possibilidades, é capaz de refletir antes de fazer algo, aprende as consequências e se sente atraído pelos valores morais de justiça, igualdade, sinceridade, bondade etc. Porém, como disse no texto anterior, carece de um ambiente de bons exemplos para se espelhar.

Entre onze e doze anos
A influência dos amigos começa ser decisiva e sua conduta é influenciada em grande parte pelo comportamento que observa em seus amigos e amigas e companheiros de classe. Os irmãos maiores têm mais influência sobre eles que os pais. Trata-se de uma fase em que as críticas são muito frequentes e dirigidas aos pais e professores. Não gosta que lhe tratem de um modo autoritário, como se fosse uma criança; reclama autonomia em todas suas decisões.

Necessita ter amigos e depositar deles sua intimidade; é leal ao grupo e sua moral é a de seus iguais – imita a forma de vestir, os jogos, as brincadeiras, os passatempos, diversões etc. Quer ser como os mais velhos (como gente de 16, 18 anos…). Tem senso de responsabilidade e trata de cumprir suas obrigações, também se torna mais flexível em seus juízos. Tem capacidade de analisar o que é bom e o que é mal em suas ações, pode pensar nas consequências, conhece com bastante objetividade suas intenções e deseja definir as coisas por si mesmo, ainda que se equivoque.

É uma fase que pode realizar praticamente todas as tarefas domésticas tidas como dos adultos: cozinhar, passar, limpar, lavar, comprar… Não deve ser poupado de ajudar em casa. Porém, as atividades devem ser feitas como parte da dinâmica familiar e não como castigo por desobediência ou algo do tipo.

PS- Com este texto, encerro essa série que trata das atividades que os filhos podem executar em casa. É fundamental, porém, acrescentar que ensinar tudo isso dá trabalho. Por isso sempre digo: se você não tem tempo para educar um filho, não tenha filho. Educar dá trabalho. E requer dedicação, envolvimento, comprometimento, persistência.

As tarefas que a criança pode fazer dos 5 aos 8 anos

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Sabe aquele dizer “quem não trabalha dá trabalho”? Pois é… Com criança também é assim. Por isso, respeitando a faixa etária, os pais não podem ignorar a importância de atribuir tarefas aos filhos.

Na sequência dessa série sobre atividades que os filhos podem realizar, hoje falo sobre o que as crianças podem fazer entre os cinco e oito anos. Também procuro apresentar um pouco como funciona a cabecinha delas.

Entre cinco e seis anos
Nessa fase, a criança já aprendeu muitas rotinas e, embora ainda necessita de um adulto que lhe sinalize o que deve e o que não deve fazer, convém apresentar-lhe possibilidades de escolha entre duas opções. Ela pode ser responsável por tarefas domésticas simples: limpar o pó dos móveis, tirar as coisas da mesa, lavar algumas peças mais simples da louça, preparar a roupa para se vestir, buscar o que precisa para uma atividade concreta… Na cozinha, a criança já dá conta de preparar um lanchinho. E outros pratos mais simples.

Os pais não devem esquecer que a criança segue imitando os adultos e é exigente na aplicação da norma para todos. Ou seja, ela aprende com o exemplo. Não adianta querer que a criança faça pequenas tarefas, se o pai, por exemplo, passa o domingo inteiro afundado no sofá e não se dispõe sequer a tirar o próprio prato da mesa.

Entre os seis e sete anos
Com controle e ajuda para evitar descuidos involuntários, pode e deve preparar sozinha os materiais para a realização de suas atividades. Nessa idade, pode ser estimulada a organizar o próprio quarto… Já dá conta de ir à escola e à casa de amigos ou familiares que morem próximos. Pode ficar responsável por controlar algum dinheiro que lhe é dado semanalmente. E isso, inclusive, é fundamental para aprender a administrá-lo, sabendo que, se gastar mais do que poderia, vai ter de esperar até a semana seguinte para receber uma nova “mesada”.

Geralmente até os oito anos, a criança cumpre as ordens ao pé da letra. Tende a formar grupos de relacionamento com os companheiros do mesmo sexo. Bem orientada, aprende os hábitos sociais relacionados com a saúde, cumprimentos… Vai adquirindo a noção de justiça e compreende as normas morais mediante exemplos concretos. Isto quer dizer, mais uma vez, que, se pais e pessoas próximas dão mau exemplo, a criança aprende errado. Depois não adianta reclamar…

Aos oito anos
Pode controlar seus impulsos, em função de seus objetivos. Sabe bem as consequências de seus atos. É capaz de organizar a distribuição do tempo, do dinheiro e das brincadeiras. Embora ainda careça de alguma supervisão, pode ter responsabilidades diárias: preparar o café da manhã, banhar-se etc… Além, é claro, das atividades que já vinha desenvolvendo em anos anteriores.

Começa a ter vontades independentes dos adultos a respeito de normas e, consequentemente, tenta aplicá-las em sua conduta. Sabe quando e como deve agir em situações habituais de sua vida. Por isso, a atuação das pessoas adultas é decisiva. Se a ação dos pais é autoritária, a criança se torna dependente, submissa e lhe falta iniciativa. Se os pais são permissivos, a criança se transformará em uma pessoa indisciplinada, voluntariosa, irresponsável. Por isso, é imprescindível uma atitude que favoreça a iniciativa, mas com regras claras.

PS- No próximo texto, vou falar sobre as atividades que podem ser realizadas por crianças de oito a doze anos. Aqui (clique no link), você pode ler sobre as tarefas dos dois aos cinco anos; e aqui, o primeiro texto da série.

As tarefas que a criança pode fazer dos 2 aos 5 anos

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Nós, pais, muitas vezes ficamos com pena deles. Ou achamos que são muito pequenos para fazer certas tarefas. Poupamos os baixinhos e, com isso, prejudicamos o desenvolvimento dos filhos.

Como eu havia dito, não há uma única regra. Porém, em linhas gerais, dá para pensar alguns trabalhos que as crianças podem fazer. E isso de acordo com a faixa etária.

Entre dois e três anos
Nessa idade, as tarefas que a criança realiza devem estar sob controle do adulto. Os pequenos ainda não dão conta de compreender direitinho o que estão fazendo… E se estão fazendo bem ou mal a tarefa que receberam. Nessa idade, a criança atua de acordo com as orientações e proibições. Ela colabora com o adulto na organização e também consegue guardar seus brinquedos, calçados, pijama… Podem regar flores e ainda algumas tarefas concretas como colocar ou recolher os guardanapos da mesa…

Entre três e quatro anos
É um período em que as crianças observam a conduta do adulto e a imitam. Elas atuam em função da recompensa ou mesmo do castigo que podem receber. Nesta fase, vão sendo capazes de se controlarem e podem manter em ordem suas coisas. Colaboram na hora de guardar os jogos e devem ficar responsáveis por recolhê-los. Também podem colocar algumas coisas fáceis na mesa como os pratos e os talheres. Já tiram as roupas sozinhas e se vestem com alguma ajuda. Aprendem a compartilhar as coisas e a esperar a vez delas. Mostram interesse crescente por brincar com outras crianças.

Entre quatro e cinco anos
A criança segue observando e imitando o adulto. Necessita de quem lhe guie, mas tem desejos de agradar e servir. Os pais devem aproveitar essa fase para não desestimulá-los com reprovações e reprimendas. Uma coisa é orientar e corrigir; outra é fazer a criança se sentir incapaz.

Os pais devem incentivar as crianças a se vestirem sozinhas, recolherem os brinquedos, se controlarem em espaços públicos – igrejas, teatros, restaurantes etc. Nessa idade, já pode assumir algumas responsabilidades como colocar a mesa, cuidar de algum animalzinho, dar recados… A criança consegue cuidar de irmãozinhos menores por breves períodos de tempo (desde que tenha a presença de um adulto na casa). E deve ser responsável por deixar organizados os objetos que usa.

Entre os quatro e cinco anos, a criança tem capacidade para comer sozinha, calçar-se, lavar-se, tomar banho. Gosta de conviver com outras crianças, faz amizade com facilidade e precisa aprender a respeitar a vontade das demais, ceder nas brincadeiras… Enfim, exercitar a generosidade.

PS- Este texto faz parte de uma série sobre a importância dos pais ensinarem os filhos a trabalhar, ajudando em casa e desenvolvendo autonomia. No próximo, vou tentar relacionar algumas tarefas que as crianças entre cinco e oito anos podem realizar.

Os pais devem ensinar as crianças a trabalhar

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Não existe uma regra mágica que aponte qual a idade certa para desenvolver determinadas tarefas. Tipo: quando posso deixar meu filho fazer um bolo? É certo mandar minha filha passar roupas aos 10 anos? Pois é… Não existe manual. Porém, é errado poupar a molecadinha. A criançada precisa aprender a trabalhar.

O desenvolvimento de algumas atividades depende de muitas variáveis: a maturidade da criança, conhecimentos já adquiridos, educação dos pais, ambiente em que vive, se é filho único, se é o caçula…

Mas a questão nem tem a ver com esse contexto todo. Tem mesmo a ver, segundo os especialistas, com o fato de os pais não atribuírem tarefas aos filhos pequenos. E, muitas vezes, nem na adolescência. E as razões são quase sempre as mesmas.

Algumas famílias consideram que os filhos são pequenos demais para fazer coisas sozinhos. Vestirem-se aos cinco anos para ir à escola, por exemplo. A psicopedagoga Sira Martín fez uma pesquisa e descobriu que mesmo os adolescentes são poupados. No máximo, ficam responsáveis por passear com o cachorro ou levar o lixo à lixeira.

Ou seja, os adolescentes raramente recebem a incumbência de fazer compras no supermercado, lavar o carro ou preparar o jantar.

Na opinião da psicopedagoga, para que os filhos aprendam a ser responsáveis é preciso proporcionar-lhes autonomia pessoal. Ou seja, os pais devem incentivá-los a assumir certas tarefas desde os primeiros anos – claro, respeitando os limites da idade. Quando são muito pequenos, é evidente que não se pode exigir que façam coisas complexas. Nem que executem com perfeição. Por exemplo, se começam a comer sozinhos, não dá para esperar que não derramem alguma coisa na mesa. Conforme vão crescendo, as responsabilidades vão aumentando. Preparar a mochila da escola, diariamente, é uma atividade que a criança logo pode assumir – ainda que sob a supervisão dos pais.

Entretanto, é muito comum que os pais façam por seus filhos o que as crianças poderiam fazer sozinhas. E isso por serem mais rápidos e eficientes. Assim, não é oferecido aos filhos espaço, tempo e um ambiente de confiança para que aprendam a fazer coisas por eles mesmos. O problema, como já disse noutros textos, é que esse tipo de comportamento impede o crescimento da garotada. Desta forma, as crianças crescem sem conhecer e desenvolver as habilidades em diferentes áreas. Além disso, acomodam-se e quase sempre encontram dificuldade quando surgem os primeiros grandes desafios da vida.

PS- Nos próximos textos, vou tentar relacionar algumas tarefas que as crianças podem desenvolver em cada faixa etária.

Na segunda, uma música

Sempre que a fase é de mudanças, a mente viaja por lembranças de erros e acertos… E tenta projetar novos momentos. Acho que a música de hoje fala um pouco disso. Pelo menos, fala de recordações.

Minha vida” é uma canção simples, mas belíssima. Trombei com a canção meio por acaso. Queria uma música de um determinado intérprete e o Youtube me ofereceu Rita Lee. E como curto demais nossa rainha do rock, ela é sempre bem vinda ao blog.

A música fala de histórias, caminhos percorridos… E de pessoas que não esquecemos.

Tem pessoas que a gente
Não esquece…

É verdade que a vida, muitas vezes, nos afasta, nos distancia… Muda nossas rotas. Mas ainda assim, algumas lembranças permanecem.

Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais…

Vamos ouvir???

A música causa reações universais

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Pesquisadores provam que a música provoca reações físicas semelhantes, independente de qual seja a cultura da pessoa. Não importa se a pessoa mora numa grande cidade ou na selva africana, o corpo produz respostas parecidas diante de uma canção.

O estudo foi desenvolvido por cientistas de uma universidade de Montreal, no Canadá, e de Berlim, Alemanha. Eles fizeram testes simultâneos com pigmeus de uma tribo do Congo, no coração verde da África Central. E a descoberta foi surpreendente: pessoas que nunca tiveram contato com a música ocidental, nem com rádio ou televisão, pessoas que desconhecem a eletricidade, tiveram reações físicas semelhantes aos ocidentais ao ouvirem uma composição clássica do alemão Richard Wagner.

Os pesquisadores notaram que a música causou efeitos parecidos no ritmo cardíaco, respiratório e até nas expressões faciais. Porém, identificaram que as respostas emocionais são diferentes de acordo com a cultura, pois, segundo os autores do estudo, existem culturas que só escutam música como um estímulo positivo e não conseguem entendê-la como uma possível mensagem de tristeza ou pesar. Neste caso, a cultura afeta por causa da falta de compreensão do significa ritual de cada canção.