Na segunda, uma música

Louis Armstrong gravou “What a wonderful world” ainda na década de 1960. Talvez, se fosse hoje, a canção não faria sentido… Talvez nem seria composta. Afinal, a música fala da beleza do mundo. Embora o mundo continue belo, quantos de nós investimos tempo para contemplá-lo, para admirá-lo?

Vejo árvores verdes e rosas vermelhas também
Vejo-as florescer para mim e para você
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso!

Na verdade, até quando saímos pra caminhar, muitas vezes fazemos isso como parte de uma rotina. O foco está na atividade física e a beleza do mundo nos escapa.

Eu vejo o céu azul e nuvens brancas
O brilhante dia abençoado, a sagrada noite escura
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso!

Quantos de nós paramos para observar uma criança? E o choro de um bebê soa como algo lindo ou simplesmente nos incomoda?

Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescendo
Eles vão aprender muito mais, do que eu jamais vou saber
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso!

Penso que a época é bastante apropriada para refletirmos sobre a maneira como temos vivido. O mundo tem muita coisa feia, muita injustiça, muita desigualdade. Porém, se olharmos bem ao nosso redor, ainda poderemos repetir as palavras de Armstrong: Que mundo maravilhoso!!!

Ser agradecido ajuda a preservar o relacionamento

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Tenho dito que, no relacionamento, não podemos fazer algo pelo outro esperando agradecimentos. Afinal, as expectativas alimentadas por uma das partes podem minar o romance. Não faz bem ficar ansioso esperando algo em troca.

Isso não significa que o relacionamento vai sobreviver se não houver atitudes de reconhecimento e gratidão. O romance acaba quando um deles faz, faz e faz… E nada recebe. Costumo dizer que só o divino ama de graça. O humano ama, mas precisa ser amado.

Por isso, pode parecer contraditório, mas não é. A gente deve ser gentil, sem ficar na expectativa pelo efeito da gentileza. Mas deve também deve aprender a ser agradecido sempre. E por que essas atitudes não são contraditórias? Simples, porque se trata de assumir a responsabilidade individual pela relação. Se cada um fizer a sua parte, o romance nunca acaba.

Atitudes agradecidas têm grande efeito no dia a dia do casal. Infelizmente, isso pouco acontece. Muita gente não consegue enxergar o que o outro faz de bom, o investimento que tem no relacionamento. A pessoa acha que é obrigação. Dar presente? Não passa de obrigação. Tolerar a sogra? Obrigação. Levar para o trabalho? Obrigação. Fazer o almoço? Obrigação. Dedicar todo o salário às finanças da família? Obrigação.

Pois é… Tem gente que pensa assim. É verdade que, quando você assume um relacionamento, algumas práticas parecem inerentes àquela nova condição. É evidente que, estando casado, há necessidade de investir a renda na manutenção da casa. Vale o mesmo para a carona, para o ato de cuidar bem do filho e até tolerar a sogra. Ainda assim, agradecer o outro por essas coisinhas cotidianas, que parecem soar como obrigação, é uma forma de alimentar o romance.

Faz bem pro coração saber que o outro tem reparado em suas atitudes. Quando a mulher faz um bolo, fica contente se o parceiro faz um elogio, fala umas palavrinhas bonitas. Quando ele tira a barba, passa um perfume, veste uma roupa mais bonita para sair com a parceira, é bom ouvi-la dizer que está cheiroso, que adora tê-lo sempre por perto… Se ele compra algo que ela gosta bastante, é bom ganhar um abraço e um elogio pelo cuidado e pela preocupação em agradar. Se ela comprou um presentinho para lembrar do aniversário da sogra, faz bem dizer à parceira que fica feliz por preservar as relações familiares.

Sabe, agradecer o parceiro pelos pequenos gestos é uma forma prática de amar. Muito do desgaste natural dos anos de relacionamento seria evitado se a gente não economizasse nas palavras. Falar sim, falar sempre, falar com sabedoria, falar para paparicar… Faz bem ao coração e torna o romance muito melhor.

Como ter maior desempenho nos estudos?

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falei aqui que, entre outras coisas, ter foco, manter atenção integral ao tema estudado e estar bem descansado são hábitos importantes daqueles que desejam ter sucesso na escola (colégio, faculdade etc).

Pois é… Dormir bem é fundamental. Afinal, o cérebro precisa estar relaxado para que a criatividade seja ativada, para que os conceitos aprendidos façam algum sentido… Mas não basta apenas dormir pra descansar nosso cérebro.

Na verdade, como eu disse no outro texto, perder tempo é ganhar tempo. Quando a gente reserva um tempo pra descansar, todo o corpo funciona melhor. E a gente carece de alguma distração. Por isso, ficar sem fazer nada ou até jogar um pouco fazem um bem danado para o cérebro.

Pensar com clareza, memorizar, recordar, conectar idéias não são tarefas fáceis para o cérebro. É por isso que sentimos certo cansaço quando estudamos. Essas atividades consomem muita energia. E isso a gente conquista com boa alimentação. Não comemos apenas por fome (pelo menos, não deveria ser assim). A necessidade maior é mental. Existem vitaminas e minerais que interferem diretamente na concentração, na memória, no rendimento intelectual e até no estado de ânimo (uma pesquisa básica no Google ajuda a identificar os alimentos que deixam nosso cérebro “turbinado”).

Pra funcionar bem, nosso cérebro também precisa de oxigênio. E a melhor maneira de oxigená-lo é por meio da prática de atividades físicas. Os exercícios ativam os neurônios, promovem novas conexões neurais. E, com isso, há uma sensível melhora das habilidades cognitivas. Quando a atividade física é valorizada, aprende-se mais rápido, a cabeça funciona melhor – recorda com mais facilidade, pensa de forma mais clara. E há outros benefícios: em caso de acidente vascular cerebral, a recuperação ocorre em menor tempo, há menos probabilidade de desenvolver depressão e outras disfunções cognitivas, principalmente aquelas relacionadas à idade.

PS- As emoções também afetam o aprendizado. E sobre isso escrevi aqui.

O que fazer para ir bem na escola?

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Talvez seja só impressão, mas noto que muita gente estuda meramente pela obrigação de estudar. A pessoa precisa estar ali pelo que a educação supostamente oferece: a chance de ascensão profissional. Como para a criança isso não parece tão claro, convencê-la da importância de tolerar horas e horas sentado numa carteira de escola é uma tarefa bastante difícil.

Acontece que estudar é muito mais que preparar-se para uma profissão. Estudar é dar uma chance a si mesmo de abrir-se para o conhecimento. Quem descobre isso, consegue encontrar prazer na cansativa rotina escolar.

Bom, mas como ter sucesso nos estudos? A reflexão aqui vale para quem já descobriu que estudar é mais investir no futuro profissional como também para quem, infelizmente, pensa a escola apenas como degrau para uma carreira.

Para se dar bem na escola é fundamental ter planejamento, ter foco, administrar o tempo e a ansiedade, encontrar prazer no ato de aprender.

E aqui tem um detalhe fundamental: quem quer evitar aborrecimento com exames, provas substitutivas, notas baixas etc, precisa entender que só aprende quem dedica 100% de sua atenção aos objetos de estudo – 90% de atenção não é atenção. Deixar-se envolver pela conversa com os colegas, usar o computador, teclar no tablet ou smartphone durante as aulas compromete o aprendizado. Por isso, frequentemente vejo muitos de meus alunos não entendendo comandos básicos para atividades propostas. Portanto, para aprender, é preciso ter foco integral. A memorização é consequência.

Outro aspecto: na rotina de estudos, menos é mais. E essa é uma ótima dica para os pais: não obrigue a molecada a ficar três, quatro horas sobre os cadernos ou no computador fazendo trabalhos. Divida essa rotina em espaços menores de tempo. Por exemplo: estuda uma hora, brinca outra… Estuda outra hora, passa um tempo sem fazer nada… Claro, alunos mais velhos têm maior resistência e podem separar “blocos” maiores de tempo para estudar. Porém, garantir intervalos de relaxamento é uma necessidade do corpo e do cérebro.

O sucesso da aprendizagem também depende do sono de qualidade. Gente que dorme mal, não aprende. Antes de estudar, é preciso descansar. Estar bem descansado aumenta nossa disposição, nossa resistência. E detalhe, enquanto dormimos, aprendemos. Isso mesmo. Tudo que aprendemos durante o dia se organiza em nosso cérebro enquanto dormimos. O cérebro também precisa relaxar. Do contrário, há pouca chance de ser bem sucedido na escola.

Há outros aspectos que fazem a diferença no processo de aprendizagem. Mas sobre isso, falo no próximo texto.

Na segunda, uma música

Semanas atrás, descobri um grupo americano gospel que me encantou. Além da qualidade vocal, o grupo tem outra peculiaridade: trata-se de uma família – pais e filhos que cantam juntos. The Collingsworth Family começou o ministério em 1986. Na época, o jovem Phil era apenas um estudante de pós-graduação. Ao lado da esposa, Kim, iniciaram os trabalhos com música ainda na faculdade. Mas só em 2000 passaram a se apresentar em concertos. Desde então The Collingsworth Family já gravou vários discos e dvds.

A música que escolhi para esta segunda-feira ganhou uma interpretação a capella. “Holy, Holy, Holy” faz parte da lista de canções tradicionais mais conhecidas. Composta ainda no século XIX por um bispo da Inglaterra, a música é simplesmente maravilhosa. Fala da santidade e da grandiosidade de Deus. Vale a pena ouvir!

O que fazer para o casamento dar certo?

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É verdade que muita coisa pode ser feita para o casamento dar certo. Porém, existem alguns princípios básicos. E nem são tão complexos. Mas deveria ser os elementos norteadores das as ações no dia a dia do casal.

A primeira questão é: ambos devem entender que estão juntos no mesmo propósito. E nunca podem se acomodar. O investimento deve ser diário. O romance precisa ser alimentado.

E como fazer isso? Tudo começa com a gentileza. Sim, casamentos felizes são alicerçados na gentileza. Demonstrar gentileza não é dar presentes. Embora sejam importantes, o que realmente importa é se interessar pelo outro, é ter ouvidos, olhos… É dar atenção, é aceitar o outro como ele é. 

Por sinal, muita gente erra por acreditar que, depois do casamento, vai mudar o outro. Se você pensa assim, não casa não!!! Vai fazer bobagem… Vai ser infeliz e fazer o outro infeliz. Se tem algo que não gosta no parceiro, ou aceita ou desiste. Mas faça isso antes de casar.

Quando a gente entra no casamento, continua sendo indivíduo. Se você nega o que é, nega sua essência. E isso vai fazer mal a você e ao relacionamento. Para fazer bem ao outro, é preciso estar bem consigo mesmo.

Praticar gentileza é praticar generosidade. Se você vê que o outro não está bem, não precisa cobrá-lo, fazer interrogatório para saber os motivos de estar abatido. Isso muitas vezes gera um novo estresse. Faça algo que talvez agrade o parceiro (ou a parceira): uma comida que ele gosta, a proposta de um passeio rápido que possa deixá-la mais animada… Mas faça isso sem expectativas, sem cobranças, sem comentários do tipo “ah… eu vi que não estava bem, então fiz isso pra você”.

Para a gentileza funcionar é preciso não esperar nada em troca. No relacionamento, dar é doar. Quando criamos expectativas pelo retorno do que fazemos, podemos nos frustrar. E o ato que deveria alimentar o coração, torna-se amargo e potencializa a mágoa.

E, para concluir, já que a gentileza deve ser norteada pelo princípio da generosidade, não dá para abrir mão do diálogo quando os problemas aparecerem e, principalmente, persistirem. Como eu disse lá no começo, ser gentil também é ouvir. Portanto, às vezes é necessário dizer: “Quer conversar sobre isso?”, “Posso te ajudar?”. E se ouvir é um ato de gentileza, não é pra dar lição de moral, né? Nem fazer sermão… Nem impor suas verdades. 

Ps. O texto foi inspirado numa conversa com Adriana Furlan, feita no CBN Comportamento.

O que pode levar um casamento ao fracasso?

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Tem muita coisa que afeta o relacionamento. Quando a gente não alimenta o romance, a vida a dois se torna bastante difícil. Porém, hoje quero considerar sobre dois aspectos que podem levar um casamento ao fracasso. O primeiro deles é o desapreço, quando a pessoa foca nos defeitos e deixa de reparar as virtudes do parceiro. O segundo aspecto: ignorar o outro, deixar de vê-lo como parte de sua vida.

O desapreço é algo horrível. Mas que acontece com frequência. Costumo dizer que, com o tempo, a gente se acostuma com tudo que achava lindo e maravilhoso no outro. Porém, se não bastasse isso, os defeitos se tornam tão evidentes que, por vezes, parecem roubar a beleza daquela pessoa que achávamos o máximo.

Sabe, notar defeitos que antes eram desconhecidos é normal. Quando a gente namora, mostra a melhor face. Depois do casamento, a rotina revela quem somos. No entanto, se deixamos de admirar a pessoa que está conosco e só enxergamos seus defeitos, o relacionamento vai entrar em crise. Tem muita gente que parece esquecer completamente da pessoa pela qual se apaixonou; passa a ver cada movimento do outro de forma negativa. Esse desapreço tem um custo alto: mina o romance e pode acabar com o casamento.

Ignorar o parceiro também contribui de forma significativa para o fim do casamento. Ignorar o outro é deixar de valorizá-lo. E em alguns casamentos isso acontece. O outro passa a ser “objeto da casa”, parte da casa, mas não parte “da minha vida”. A pessoa está ali, porque “somos casados”. No entanto, deixa de fazer parte dos projetos, não participa das decisões…

E quem é ignorado, sofre. Ao não ser notado pelo parceiro, o outro pode perder a motivação de viver – até entrar em depressão. Noutros casos, o “ignorado” busca por si mesmo achar formas de dar sentido à vida… Às vezes no trabalho, ou até envolvendo-se com outra pessoa.

Esses parceiros destrutivos (que praticam o desapreço e/ou ignoram o outro) geralmente estão focados apenas em si mesmos. São capazes de minimizar as conquistas do outro. Quando o outro chega com uma boa notícia, esse tipo de gente diminui, desvaloriza, coloca defeito… É difícil fazer o casamento dar certo quando situações como essas se tornam parte da realidade do casal. Afinal, um casamento bem sucedido precisa de duas pessoas cúmplices, ativas, parceiras nos mesmos propósitos.

Ps. O texto foi inspirado numa conversa com Adriana Furlan, feita no CBN Comportamento.

Por que as pessoas se divorciam?

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Os números confirmam: manter um casamento é cada vez mais difícil. Para cada três casamentos, há um divórcio. E o tempo médio de duração também está diminuindo. Segundo o IBGE, as pessoas permanecem juntas menos de 15 anos.

E por que as pessoas se separam? Primeiro, porque não sabem o que significa o casamento. É impressionante, mas, em pleno século XXI, tem gente que ainda parece acreditar em conto de fadas. Acham que casar é viver uma eterna paixão.

Casamento não é beijinhos, muito sexo, ir às baladas, curtir a vida adoidado. Isso até pode ter. Porém, casamento é muito mais que isso. E implica um monte de coisas pouco agradáveis: por exemplo, pagar contas, cuidar do chuveiro que queimou, do vaso sanitário com vazamento…

Além do mais, casar é unir duas culturas. Gente diferente, com formas diferentes de agir e pensar, tem que dividir o mesmo teto. E tratar de questões práticas. O romance, embora seja parte fundamental do relacionamento, quase sempre cede espaço para os cuidados com a casa, o trabalho, a chegada dos filhos…

Casar também é unir dois idiomas. Gente que fala a mesma língua, mas nem sempre consegue se fazer entender. E talvez essa seja a pior parte. Porque, no calor da paixão, é fácil se entender. Difícil mesmo é quando você tem que conversar sobre a vida a dois e tudo que envolve o casamento.

Hoje, muitas pessoas se separam porque “dizem sim” sem saber o que o sim significa. A pessoa se casa, mas não tem nenhum projeto com o parceiro. Ou até tem, mas esquece de comunicar. Conheço gente que sonhava casar e fazia planos do tipo: “quando eu casar, assim que passar no concurso da empresa ‘x’, vou pra São Paulo”. O problema é que sonhou tudo isso, mas esqueceu de compartilhar seus planos com o companheiro.

Quando a gente se casa, muda de vida. Abdica de um modo de vida por outro – completamente diferente. E na vida a dois, os projetos precisam ser comuns. Não significa abrir mão de certa individualidade. Porém, os sonhos precisam ser sonhados juntos.

Há outro motivo para as separações: falta comprometimento. Falta aquela disposição do tipo “daqui eu não saio, daqui ninguém me tira”. Parece conversa fiada, mas não é. Quando a pessoa “diz sim”, deve estar pronta para “brigar” pelo relacionamento, fazer tudo o que puder fazer. O problema é que tem gente que casa, mas deixa o quarto arrumadinho na casa dos pais. “Se não der certo, eu volto”. Peraí!!! Assim não funciona mesmo. Já começa errado.

Por fim, não dá pra ignorar um dos erros mais graves de muitos daqueles que se casam: as expectativas erradas quanto ao relacionamento. A pessoa casa achando que o parceiro vai lhe fazer feliz, que será a resposta para todos os seus problemas. Quem não pensa nas concessões que terá que fazer nem nas suas contribuições para o funcionamento do casamento, provavelmente fará parte das estatísticas de divórcios.

Ps. O texto foi inspirado numa conversa com Adriana Furlan, feita no CBN Comportamento.

A importância de um parceiro com equilíbrio emocional

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Dividir a vida com alguém já é difícil por natureza. Dividir a vida com alguém desequilibrado emocionalmente vira um negócio maluco. É simplesmente enlouquecedor.

Já disse aqui que todo relacionamento é fadado ao fracasso. Só não fracassa quando as partes envolvidas estão comprometidas. É preciso ter um único propósito e muita disposição para fazer dar certo.

Porém, dificilmente um casal será feliz se uma das partes não tiver equilíbrio emocional. Tem gente que parece uma bomba relógio, está sempre pronto a explodir. E nem estou falando de irritação. Falo de uma pré-disposição para sair do que poderia ser considerado um estado normal.

Tem gente que basta ouvir uma palavra fora de hora para ficar de bico. Tem gente que basta enfrentar fila no caixa do supermercado para ficar estressado. Gente assim é difícil de conviver. E pior, é parceiro-problema.

Nem sempre as pessoas se dão conta da importância de um parceiro equilibrado emocionalmente. Porém, se em condições “normais” já não é simples fazer dar certo, lidar com quem tem um pacote de limitações emocionais torna tudo muito mais difícil.

Pessoas que têm dificuldades emocionais não conseguem ouvir com o “coração aberto”. Se for uma crítica então, pronto: temos o início do apocalipse. Pessoas assim também fecham a cara fácil… Para você, para sua mãe, para o pai dela, para o chefe, para o colega de classe… Choram fácil, gritam fácil…

Essa falta de equilíbrio emocional afeta a dinâmica do relacionamento. Porque se você esquece de comentar do penteado que ela fez para ir a uma festa de casamento, pode ter problemas a noite toda. Se envolveu-se num acidente de trânsito, o outro não vai te acolher; pelo contrário, vai criticar, colocar pra baixo. Se você está com problemas financeiros, a parceira não vai saber incentivar… Na verdade, vai se desesperar a cada novo boleto de cobrança que chega pelos Correios e te colocar ainda mais pra baixo.

O dia a dia do casal é instável, porque, se tudo está indo bem, pode deixar de estar num instante. E se você não está bem, o outro pode contribuir para tornar tudo ainda pior. 

Ter um parceiro com equilíbrio emocional é contar com uma pessoa que sabe lidar com as dificuldades, é também ter apoio em meio às crises e, principalmente, é ter alguém que não potencializa os problemas. Gente desequilibrada cria ambientes de tensão e pânico. Mas, no relacionamento, quando o outro é maduro, ajuda a apagar os “incêndios” da vida.

Na segunda, uma música

A administração do tempo talvez seja um dos temas que mais me incomodam. Afinal, sou uma dessas pessoas que brigam com o relógio… E ainda assim, parece que sempre fica alguma coisa para o dia seguinte.

Eu busco tempo para tantas coisas
São tantos planos para pouco tempo

Um dos grandes dilemas é que, sem tempo pra gente, falta tempo pra viver. Viver a família, viver os amigos… E fazer coisas que estimulam a criatividade, que desenvolvam a espiritualidade.

Não tenho tempo para descansar
Rever amigos e conversar
Já não consigo me assentar a mesa
E alimentar o que a alma almeja

Se falta tempo, de que vale a vida? Qual o sentido em fazer tanto, se nada do que se faz preenche o vazio do coração?

De que vale a um homem
A qualquer homem
Ganhar o mundo inteiro
E por inteiro se perder

Ainda hoje conversava com uma nutricionista. Ela fez essa reflexão e, pra ter tempo para a família, abriu mão de um emprego estável num grande hospital da cidade. Está ganhando menos, mas é dona do seu tempo.

A música desta segunda-feira propõe essa reflexão. Paulo César Baruk é um dos grandes talentos da música gospel nacional. Dono de uma voz agradável, o cantor e compositor transita bem por diferentes gêneros. E com a canção “Senhor do tempo” dá um recado especial a todos nós. E nem precisa ser cristão para pensar no quanto abrimos mão do essencial da vida por coisas que nem sempre deveriam fazer parte de nossa agenda.

E então, vamos ouvi-lo?