Não existem relacionamentos blindados

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Tenho visto gente fazer sucesso com livros e palestras apresentando ideias de como blindar o relacionamento. Ou seja, essas pessoas vendem a ilusão de que é possível construir um relacionamento pleno, feliz e fechado às tentações, traições etc. Geralmente listam uma série de coisas que o casal deve fazer como se uma bem sucedida vida a dois fosse resultado de um manual de comportamento do tipo “faz isso, faz aquilo… pode isso, não pode aquilo”. Eu acredito no investimento diário, na construção mútua de um relacionamento feliz. Porém, não acredito em blindagem.

Viver a dois é vida a dois. Você pode fazer tudo, mas só pode ser responsável por seus atos. Embora suas atitudes impactem a vida do outro, o outro também deve fazer a parte dele. E isso de boa vontade, por ter objetivos comuns, por sonhar os mesmos sonhos que você sonha. Quando a gente aceita dividir a vida com alguém, deve entender que essa caminhada está sujeita a todo tipo de dificuldade.

Acho incrível a tese do “felizes para sempre”, porém ela é falsa. Os contos de fadas nos enganaram. Uma das ilusões é a de que a pessoa amada nunca vai nos decepcionar. É evidente que vai. Em algum momento, a pessoa vai falhar… E nós vamos falhar. E isso por uma razão muito simples: somos humanos. E humanos não são robôs, nem sempre dão conta de seguir a receita, de fazer tudo certinho. Eu mesmo listo aqui no blog uma série de atitudes que podem ajudar o relacionamento, mas tenho consciência que colocar em prática é uma outra coisa. Nossa natureza, muitas vezes, parece desejar que as coisas se acertem sem esforço. É assim que somos. Nem sempre temos saco pra ficar fazendo coisas e coisas pela relação. Por isso não acredito nas “receitas” de como blindar o relacionamento. Além do mais, você pode fazer tudo pelo outro e ainda assim nunca haverá garantia de que vai dar certo.

Isso quer dizer que devemos deixar de investir no relacionamento? Evidente que não. Relacionamentos são fadados ao fracasso. Esse é o destino de todo romance. E o que pode mudar esse “destino” é o comprometimento do casal. Quando se tem o parceiro como prioridade, o viver bem a dois como objetivo maior, existe uma chance. Sem garantias de blindagem… Mas com possibilidades de uma vida de intimidade, parceria, amizade, lealdade e amor.

Na segunda, uma música

Celtic Woman é hoje quase sinônimo do que poderíamos classificar como um grande espetáculo de música. Não se trata apenas de vozes incríveis ou de orquestra talentosa… Ou de luzes, cores… Celtic Woman consegue reunir tudo isso e muito mais. É puro talento. Trata-se de um dos grupos que proporcionam os mais belos shows nos palcos do mundo.

Embora tenha passado por várias reformulações desde o seu surgimento há 10 anos, esse grupo de artistas irlandesas tem encantado milhares de pessoas em diferentes continentes. O repertório transita entre canções clássicas tradicionais e músicas modernas.

Para hoje, reservei uma música belíssima, Amazing Grace. Vale a pena gastar um tempinho para assistir e se emocionar.

Foi a graça que nos trouxe até aqui seguros
E a graça vai nos levar para casa

Amores descartáveis

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Por que os relacionamentos estão cada vez mais curtos? Há muitas respostas para essa pergunta. Ao longo do tempo que escrevo sobre esse assunto, apontei diferentes razões. Porém, há algo que nem sempre percebemos. Não se trata apenas de uma atitude diante da relação. É mais que isso. Trata-se de uma atitude diante da vida.

Durante quanto tempo a gente mantém um celular? E a televisão? O computador? Por quanto tempo usamos uma calça? E o carro? A armação do óculos?

Pois é… Não é difícil responder. O processo de substituição dos objetos acontece cada vez mais rápido. Não precisa parar de funcionar. Basta acharmos antiquado. Ou gostarmos de um modelo novo.

Alguns podem argumentar: “mas é assim que o mundo funciona”. Afinal, quem ainda quer manter sobre a mesa um monitor de computador do tipo “caixotão”? Diante das telas de LED, dos designs belíssimos oferecidos pela indústria, é impossível não desejar descartá-lo.

Ou seja, a troca é imperativa. Enjoou? Descarta, joga fora. Tem um modelo novo? Compra.

Mas e as pessoas? E os amores? Gente envelhece… Com o tempo, as pessoas vão ficando previsíveis. Nada mais parece surpreender. Logo, também parece imperativo “trocar de amor”. E é isso que temos feito. Pessoas deixaram de ser pessoas; tornaram-se objetos. Os outros são objetos pra nós. Nós somos objetos para os outros.

E de quem é a culpa? De todos e de ninguém. No passado, as pessoas resistiam fazer trocas – dava trabalho convencer que a vovó precisava de uma geladeira nova. As pessoas eram apegadas àquilo que possuíam. Hoje, a dinâmica social mudou. Estamos acostumados às trocas. Somos seduzidos pelas novidades. O novo parece sempre melhor. E, por isso, não é fácil resistir à tentação de trocar de parceiro. Até porque, do lado de fora da relação, sempre haverá alguém bem mais interessante.

Permanecer com a mesma pessoa por anos e anos é andar na contramão do mundo. Manter o compromisso de uma vida a dois “pra sempre” se tornou quase um ato de heroísmo. E talvez seja. Porém, ainda é possível. Mas apenas para aqueles que amam de maneira prática, que estão dispostos a viver o amor em sua dimensão transcendente… Doando-se, renovando-se… Aceitando, perdoando, tolerando…

O que homens e mulheres esperam dos parceiros

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Quando duas pessoas começam um relacionamento, as expectativas são altas. Equivocadas, é verdade. Mas elas existem e norteiam o futuro do casal. Entretanto, homens e mulheres possuem expectativas diferentes. E embora cada pessoa seja única no mundo, ainda que existam diferenças individuais, algumas características se repetem. Algumas expectativas são comuns em boa parte das mulheres e bem semelhantes na maioria dos homens.

A psicóloga e escritora María Jesús Álava Reyes faz um resumo muito interessante dessas expectativas. Segundo ela, a mulher espera que seu parceiro proporcione:

Afeto diariamente;
Ternura;
Paparicos, principalmente nos momentos difíceis,
Sentir-se escutada;
Ser a prioridade dele;
Paciência, principalmente nos dias ruins, inclusive durante a TPM e o período menstrual;
Aceitar suas intuições.

Já o homem deseja coisas bem diferentes no relacionamento. Veja o que diz a escritora:

Relações sexuais frequentes e cheias de paixão, nas quais a parceira lhe diga que é um autêntico artista do sexo;
Sentir-se valorizado em todas as áreas, pessoais e profissionais;
Sentir reforçada sua autoestima e segurança pessoal;
Sentir-se importante para a mulher: saber que está satisfeita com ele, que cobre suas expectativas e suas necessidades;
Ter certa liberdade e tempo livre para eles.

Quando uma das partes sente que suas expectativas não estão cobertas, começa a embarcar em dúvidas e fazer projeções negativas, pessimistas sobre o outro e sobre a própria relação. Com o tempo, a insegurança se apodera do casal e parecem que não vão conseguir viver o que sonhavam. A desesperança leva ao desânimo. O desânimo motiva a troca de acusações, os protestos, as reclamações, as agressões… E quando o casal passa a viver assim duas coisas podem acontecer: uma convivência cheia de insatisfação e amargura ou mesmo a ruptura definitiva do relacionamento.

Embora algumas coisas possam até parecer ridículas, gente é bicho complexo. E entender que as pessoas entram no relacionamento esperando coisas dele, e que essas expectativas são bastante diferentes para homens e mulheres, ajuda a tornar a convivência a dois muito melhor.

Pequenos gestos mantêm aceso o romance

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Não é novidade que os relacionamentos são idealizados. As pessoas quase sempre decidem viver juntas com base em imagens distorcidas do que é uma relação. Por isso, é comum homens e mulheres se queixarem de que os encantos dos primeiros meses simplesmente se esvaziam depois de algum tempo. E por que isso acontece? Primeiro, porque, de fato, a realidade é sempre mais cruel do que imaginávamos que seria. Segundo, porque a gente também contribui – e muito – para colocar tudo a perder.

Embora não seja nada fácil dividir a vida com alguém, é possível tornar o ambiente mais favorável ao romance.

Uma das coisas que as pessoas quase sempre negligenciam é o tempo para o parceiro. São as atitudes que demonstram o que o outro significa para nós. Se colocamos o trabalho, os estudos e até os amigos em primeiro plano, o parceiro sente e a relação padece.

Dividir uma vida é pra gente madura, que deseja estabilidade, segurança. Porém, isso não significa acomodar-se. Querer estabilidade e segurança não é desculpa para transformar o relacionamento num mosteiro.

Algumas ideias podem ajudar quem quer tornar o relacionamento mais romântico e menos tedioso.

Não faça todos os dias as mesmas coisas – é verdade que apenas milionários podem se dar ao luxo de não ter horário para trabalhar, viajar quando bem entender, comer onde desejar comer… Ainda assim, vez ou outra é possível surpreender o parceiro (a parceira). E em coisas simples. Pode ser preparando comidinhas que não fazem parte da rotina, levando para ela um chocolate ou doce diferente…

Convite para sair – mas para um lugar que ele (ou ela) vai gostar. Se ele odeia ir ao shopping, a proposta é péssima. Se ela não gosta de férias na fazenda, a chance de desagradá-la é bastante grande. Enfim, faz bem sair um pouco com a pessoa que você ama. Só não esqueça de pensar no gosto do outro.

Pequenos mimos – não é preciso muito dinheiro para dar um presente ao parceiro. Pode ser um vasinho de flor, uma caixinha de bombom ou mesmo um bilhetinho sobre a cama.

Expressar os sentimentos – costumo dizer que tem gente que parece economizar nas palavras. Parece achar que é repetitivo dizer que ama, que deseja, que quer, que gosta… Elogios fazem bem sempre. Homens e mulheres deveriam repetir mais vezes o que sentem pelo outro. Faz bem ouvir…

Já cantou para ela? – tem gente que é desafinado demais, reconheço. Mas com um pouquinho de esforço, dá para surpreender a pessoa que você ama com uma canção romântica. Ou pelo menos algumas frases de uma música que pode encantá-la.

Ser romântico jamais sai de moda – muitas vezes, tenho impressão que o romantismo está fora de moda. As pessoas andam desapegadas demais. Querem prazer, não compromisso. Entretanto, quando alguém decide viver ao lado de outra pessoa, aqueles gestos “cafonas” ainda fazem a diferença: deixar o outro sentar no melhor lugar, oferecer o melhor pedaço de bolo, beijar as mãos da parceira, abrir a porta do carro… Enfim, são pequenas atenções que não fazem mal a ninguém e alimentam o romance.

Na segunda, uma música

O cantor britânico Joe Cocker fez parte de uma geração que marcou a história da música. Pode ser lembrado como referência ao lado de Phil Collins, Eric Clapton entre outros grandes nomes. Dono de uma voz rouca inconfundível, Joe morreu em dezembro de 2014 aos 70 anos.

A carreira do britânico começou ainda no início dos 1960. Mas o sucesso só chegou mesmo no final daquela década. O envolvimento com álcool e drogas atrapalhou bastante sua carreira. Ainda assim, conseguiu ter forças para vencer os vícios e gravar músicas que se tornaram hits nas décadas de 1980 e 1990.

No palco, Joe Cocker era sempre cheio de energia e suas interpretações se tornavam arrebatadoras.

Uma das canções mais marcantes do britânico é “Don’t you love me anymore”. Embora trate de um amor que pode ter acabado, a letra é muito linda.

Por que você olha para mim como se eu fosse algo estranho agora
Por que você se afasta quando você costumava me abraçar tão forte?
Querida… Quando o fogo se acabou?
Para onde o sentimento foi?

Vamos ouvir e recordar?

Como administrar as renúncias no relacionamento

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Cuidar de você é cuidar do relacionamento. Embora todo relacionamento implique em renúncias, deixar de olhar para as próprias necessidades é negar-se. E, ao longo do tempo, isso compromete o romance.

O amor é muito bonito. Doar-se é atitude de quem ama. Mas não dá para amar sozinho. Ninguém pode carregar sozinho o relacionamento. Algumas coisas são fundamentais na vida: amigos, família, passatempo, trabalho… Tem gente que se envolve tanto que, aos poucos, não tem mais vida própria. Não sabe mais quais são os próprios desejos. Quando isso acontece, vale recordar da infância, da adolescência e tentar buscar algumas respostas: o que eu gostava de fazer? O problema é que gente que deixa de cuidar de si quase sempre se torna dependente. E um amor assim não é amor, é obsessão. Anular-se é matar a si mesmo de maneira silenciosa.

Todo relacionamento carece de espaço. As pessoas continuam sendo pessoas. Cada um necessita de um tempo pra si. Ainda que o outro pareça ser a sua razão de viver, há coisas que ele não gosta de fazer, mas que você gosta. Então é fundamental respeitar essas diferenças, mas sem deixar de se dar a esses pequenos prazeres. Você gosta de ver vitrines e ele não? Faça o que gosta, ainda que sem a companhia dele. Nossas emoções merecem ser cuidadas.

Mas, sabe, existe um detalhezinho essencial nessa dinâmica: tudo deve ser negociado. Você precisa de espaço e o outro também. Mas esse espaço deve ser negociado de forma respeitosa. E sem chantagens. Nem tudo é branco no preto. Às vezes, é preciso encontrar o meio termo… Você não vai fazer exatamente o que gostaria. Nem ele. Por isso eu sempre digo: escolher é perder. E quem escolhe uma coisa (o relacionamento, por exemplo), perde outras coisas.

Por fim, certas renúncias necessitam ser compensadas. Para o relacionamento funcionar, deve haver disposição para administrar as perdas. Deixa eu explicar… Temos uma espécie de balança interna. Nela, medimos o que fazemos pelo outro e o que outro faz por nós. Por isso, quando você renúncia algo pelo outro, o parceiro deve procurar te agradar de alguma maneira. Seja com um agradecimento sincero ou fazendo algo que você gosta. Vale o mesmo quando o outro abre mão de algo por você. Quando essa dinâmica acontece naturalmente, as pessoas se sentem confortadas, notam que são reconhecidas, que seus sentimentos são valorizados.

O custo das renúncias no relacionamento

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Todo relacionamento implica em renúncia. Quando a gente escolhe viver com alguém, abre mão de muitas coisas. Entretanto, não raras vezes, depois de um tempo, algumas pessoas descobrem que certas renúncias estão cobrando um preço muito alto. E, por isso, sentem-se frustradas, inclusive com o romance.

Geralmente essas “descobertas” acontecem depois de alguma briga. Enquanto o coração está ferido, a mente fica indo e voltando e os defeitos do outro, as limitações do relacionamento parecem se tornar evidentes. E tudo que você deixou de fazer por causa dele (ou dela) começa a incomodar.

Às vezes, são coisas simples – ter deixado de sair com as amigas nos fins de semana, por exemplo. Ou pode ser que se trate de decisões mais complexas – como ter mudado de cidade.

Muitas dessas renúncias são feitas por opção. Outras, por sugestão do outro e até para evitar brigas. E isso acontece porque, quando nos apaixonamos, vemos tudo cor-de-rosa. Por isso, não nos importamos em abrir mão de coisas que gostamos. O outro se torna mais importante.

Entretanto, conforme os hormônios vão se acalmando, pouco a pouco a mente parece voltar a funcionar. Então, quando colocamos os ganhos e perdas da relação na balança, não raras vezes as perdas parecem maiores. E essa sensação é normal, porque podemos estar magoados com o parceiro… Sem contar que algumas renúncias podem carregar lembranças tristes, terem sido feitas sob pressão…

A maneira como a pessoa administra as emoções após descobrir o que perdeu é determinante para o futuro da relação.

Em primeiro lugar, é necessário sempre lembrar: quando decidimos estar com alguém, renunciamos. Não existe outra forma de viver bem a dois. Quem ama e quer viver com outra pessoa, abre mão de um outro modo de vida. O que se fazia quando solteiro ou noutros relacionamentos, a pessoa vai deixar de fazer. É simples assim. Mas existe uma diferença enorme entre renúncia e negação.

Negar-se é deixar de viver você para viver apenas o outro. É fazer todas as vontades do outro e esquecer de você. É ceder sempre. É dar e nunca receber. E ter uma relação assim implica em um custo muito alto.

Se a pessoa faz todas as concessões, a carga vai se tornando pesada demais e um dia, explode. E o romance fracassa. Por isso, é fundamental ter em mente que cuidar da relação também é cuidar de você.

Homens que sabem amar

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Nós homens geralmente não percebemos como pequenas atitudes incomodam as mulheres. Coisas pequenas, comportamentos cotidianos, muitas vezes, comprometem o relacionamento. De igual maneira, pequenos gestos podem tornar a vida a dois muito mais feliz. Eu sempre digo que tudo seria bem mais fácil se cada um investisse o seu melhor, entendesse que relacionar-se implica numa série de compromissos e concessões.

Nunca atenderemos todas expectativas do outro. Ainda assim, algumas atitudes do homem em relação à mulher ajudam e muito a tornar muito melhor a convivência do casal.

Um princípio fundamental é aprender a ouvir a parceira. E ouvir demonstrando interesse, sem irritar-se. É importante deixá-la expressar suas frustrações, suas mágoas… Mulheres geralmente têm apego a coisas que para os homens não são importantes. É necessário entender essa diferença e respeitá-la.

A gente gosta de ter razão. Porém, mais importante que ter razão é viver em paz. Às vezes, é melhor ceder que transformar uma conversa numa briga. E, se a parceira tem razão, por que não admitir? Por que não se desculpar pelo equívoco?

Homens são mais fechados a respeito de suas coisas, enquanto as mulheres são mais abertas. Acontece que elas gostam dos detalhes. E precisam deles. Para elas, não basta dizer “está tudo bem, não fique preocupada”. A parceira geralmente conhece seu homem. Então, por mais que contrarie a nossa natureza, dar detalhes a respeito do dia de trabalho, dos estudos, das conversas e dos problemas enfrentados faz com que ela se sinta participante da vida do companheiro.

Gostamos de ser admirados, elogiados… E quando um homem fala bem de sua mulher para os outros, isso massageia o ego dela. Claro, é importante que ela escute, que saiba disso. Num relacionamento, queremos sentir que somos a prioridade do outro. Então quando ela sabe que o parceiro a elogia, admira, que não fica desejando outras mulheres, os sentimentos de estabilidade e segurança se fortalecem.

Nossa cultura, durante muitos anos, tratou a mulher como “a parte frágil”. E mulheres não gostam de ser vistas como frágeis. E, de fato, há um equívoco nessa forma de tratá-las. Mulheres querem ser honradas, tratadas com cuidado, com respeito. Querem se sentir importantes, e não inferiores ou fracas.

Para uma mulher, é importante sentir-se amada. E sentir-se amada não significa apenas sentir-se desejada sexualmente. Embora o sexo esteja extremamente valorizado nos dias atuais, nenhuma relação se sustenta sem que outras necessidades sejam atendidas. A mulher quer sentir-se contemplada pelo companheiro em suas carências emocionais e espirituais. E isso se demonstra em pequenos atos: segurar nas mãos dela, abraçá-la, rir juntos, saírem para passear…

No dia-a-dia, você também diz que ama ao abrir a porta do carro para ela, ao ensinar os filhos a respeitá-la, ao pedir que sua mãe (sogra dela) não interfira no relacionamento de vocês, ao apresentá-la de maneira elogiosa aos outros, ao demonstrar que se orgulha dela… São pequenas atitudes, mas que só são possíveis quando há comprometimento com o outro, quando o amor transcende o egoísmo, o individualismo e se transforma em prática cotidiana.

Esposa fácil de amar

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Não existe casamento fácil. E para as mulheres, a situação geralmente é muito mais difícil. É verdade que algumas recebem apoio da família, possuem recursos financeiros para ter babá, cozinheira… Ou seja, contam com pessoas que aliviam parte das tarefas domésticas. Ainda assim, com frequência, são as mulheres que, de alguma maneira, mantêm o equilíbrio do lar e do próprio relacionamento. Isto significa que, para elas, a balança parece pesar de maneira um tanto injusta. E é exatamente por isso que não raras vezes algumas mulheres descarregam suas frustrações nos maridos como se fossem os responsáveis por todos os problemas da humanidade.

Eu costumo dizer que, frequentemente, os maridos pouco contribuem para aliviar as tarefas de suas parceiras. Lamentavelmente, nossa cultura é machista. Ainda assim, existem mulheres que exageram na dose e culpam seus homens por coisas que não são os responsáveis. Na verdade, como diz a escritora inglesa Katie Nielsen, vez ou outra as mulheres deveriam refletir se são “esposas fáceis de amar”.

Quero esclarecer quem está chegando ao blog pela primeira vez que estou longe de ser machista. E se quer saber o que penso a respeito de homens e mulheres, sugiro que leia outros textos meus antes de me julgar. Entretanto, a reflexão proposta por Katie é bastante importante: você dá boas razões para seu marido sentir sua falta?

Ninguém encanta o outro o tempo todo. Entretanto, existem pessoas que parecem criar uma atmosfera pouco favorável ao relacionamento. E, convenhamos, o homem já é um bicho esquisito, quase sempre pouco sensível, mal repara na parceira… É desligado por natureza. Mas, se homem e mulher assumem que vão viver juntos, ambos precisam tentar facilitar a vida um do outro. E, no caso da mulher, Katie Nielsen lista algumas atitudes práticas que as mulheres podem adotar e que tornam o dia a dia do casal um pouco mais fácil.

Você dá crédito ao seu marido pelas coisas que faz para ajudar em casa? Eu tenho dito que não custa ao homem dizer obrigado pelo almoço que a parceira fez ou pela casa organizada. Tenho repetido que essas coisas não são obrigações dela. Reconhecer é o mínimo que se espera do parceiro. Porém, o contrário também é verdadeiro. Gostamos de reconhecimento. E os homens não são exceção. Portanto, se o parceiro ajuda com a louça, faz o arroz ou troca as fraldas do filho, dizer algumas palavras de carinho faz bem ao coração dele. E estimula que volte a ajudar.

Você diz que o ama? Não estou falando daquele “eu também” que muitas vezes é usado como resposta a um sonolento “eu te amo”, pronunciado antes de dormir. Falo de um momento em que há intenção de deixar claro que o ama, falo daquele momento em que lhe dá um beijo, um abraço apertado e olha nos olhos dele pra dizer “eu te amo”. Os homens gostam dessa frase tanto quanto as mulheres.

Você faz algum favor para ele? Os homens também têm dias difíceis, preocupações e frustrações. Porém, geralmente não verbalizam suas ansiedades. Quase sempre, para se mostrarem fortes, reafirmam que “está tudo bem”. Podem se mostrar irritadiços, mas poucos vão admitir que estão sendo sucumbidos pela pressão do emprego ou até do próprio relacionamento. Por isso, qualquer pequena ajuda pode mostrar ao seu parceiro o quanto o aprecia, o quanto se importa com ele. Às vezes, pode ser preparar a comida favorita dele ou levar o carro para abastecer. Não importa. Importa que faça alguma coisa que o surpreenda e que não acontece com frequência.

Vocês mantêm uma comunicação aberta com seu parceiro? Não dá para sofrer em silêncio. Quem tem intimidade, dá conta de se expressar de maneira gentil, porém sincera. Se as coisas estão difíceis, é preciso dizer a ele. Mas sem ataque, sem cobrança. Relacionamento não é campo de batalha. É espaço de uma luta conjunta para fazer dar certo.

Você pede ajuda? Homens são lerdos. Sim, a maioria pode ter iniciativa pra muita coisa, mas não em casa. Na cabeça da maioria dos homens, não existe o botão de “se toque” quando o assunto é tarefas domésticas. O bebê pode estar berrando no quarto e a pia cheia de louças… Ele vai ficar igual “barata tonta” andando pela casa, mas não vai saber o que fazer. É mais fácil seu marido tentar “sair de cena”. Então, peça ajuda. Aponte, de maneira clara, o que quer que ele faça. E sem gritos, por favor.

Você aceita elogios de seu marido? Mulheres adoram elogios. Mas parecem preferir que sejam das amigas, amigos… Quando o parceiro elogia, é porque está com “segundas intenções”. Parece difícil para muitas delas aceitarem elogios de seus companheiros. Algumas chegam a pensar que as falas elogiosas deles apenas cumprem o script, como se falassem por obrigação. Acontece que provavelmente seu marido, de fato, ache que seu cabelo está bom, que seu vestido está bonito… Homens nem sempre entendem os “denguinhos” das parceiras, não percebem suas motivações. Por isso, se você não aceita de “bate-pronto” o elogio dele, se não leva a sério ou se mesmo tira sarro dizendo que ele é suspeito e não tem bom gosto, provavelmente será mais difícil que volte a te elogiar no futuro.